Continuaremos falando, hoje, sobre o stahlhelm, o “capacete alemão”. É interessante observar que ainda hoje em dia é uma das peças mais procuradas por colecionadores, sendo que alguns exemplares alcançam preços bem razoáveis, para um item de produção em massa. Depois do fim do bloco soviético, surgiram, naqueles países, notadamente na Polônia e nos Países Bálticos, grupos de “arqueólogos” especializados em encontrar relíquias da 2a GM, que acabam indo parar nas mãos de colecionadores norte-americanos, ingleses e canadenses. Existe também um indústria de cópias, feitas em diversos materiais (inclusive plástico), destinadas principalmente aos produtores de cinema e a reencenadores (reenactors). Trata-se de um curioso tipo de passatempo muito comum nos países de língua inglesa: um bando de marmanjos se junta e representa, em escala menor, batalhas de diversas guerras, ou até mesmo a vida em um quartel. Enfim, nada mais que a popular “brincadeira de soldado”, só que com equipamentos cujo preço total pode chegar até 15.000 dólares. Como diz o ditado, “o que separa os homens dos meninos é o preço de seus brinquedos“…::
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Parte 2/2 Uma vez iniciada a guerra, o capacete M35 passou, no início de 1940, pela primeira das poucas modificações que viria a sofrer. Destinada a facilitar o processo de produção, reduzindo o número de operações necessárias, mudou o orifício de ventilação, que passou a ser uma simples perfuração, perdendo o complicado acabamento de fábrica. Entretanto, essa mudança dificilmente seria percebida sem muita atenção, mesmo pelos usuários. Essa *nova versão foi denominada “M40”. Pequenas mudanças incluem a diminuição drástica no uso de decalques – as tropas tendiam a implicar com as insígnias nacionais – e o surgimento de padrões de pintura não usados até então.
Mudanças radicais só viriam a aparecer em 1942. O estabelecimento da política de “guerra total”, supervisionada por Albert Speer, levou a que uma enorme gama de processos industriais fosse auditada, para simplificação e economia. As fábricas que produziam capacetes receberam instruções para eliminar as bordas viradas para dentro, resultando num acabamento mais grosseiro, no qual o corte da chapa passava a ser virado para fora e com polimento bem menos cuidado. O tempo de produção de cada artefato, em conseqüência, foi grandemente reduzido. Paralelamente, o uso de dois decalques (insígnias nacionais e de corporação) foi quase eliminado, mantendo-se, em geral, apenas o de corporação. Outra mudança notável foi a diminuição da qualidade da carnera e da jugular, providências tomadas para economizar couro. O M42 seria o modelo usado pelas forças armadas alemãs e serviços auxiliares pelo resto da guerra.
Uma das variantes mais interessantes do stahlhelm, e que se tornou também, após a guerra, bastante rara, é o capacete de pára-quedista (ou em alemão, Fallschirmjäger). É basicamente o modelo 1935/40, do qual foram eliminados o visor e a proteção para o pescoço. Essa versão foi denominada *M37/38, e também se caracteriza por uma carneira e jugular almofadadas. Um detalhe pouco conhecido é que haviam pára-quedistas do exército e da Luftwaffe, de modo que é possível observar capacetes especiais com cores e dacalques de ambas as corporações. Não existe certeza sobre os motivos que levaram às modificações no stahlhelm e resultaram no “capacete de pára-quedista”. Algumas fontes falam de uma tentativa de diminuir o peso do conjunto; outras, em acidentes motivados pelo arrasto provocado pelo formato do protetor de pescoço. É possível que ambas as razões sejam corretas.
Embora as cores básicas do capacete alemão sejam aquelas mencionadas na primeira parte deste artigo, uma grande variedade de padrões surgiu no decorrer da guerra, principalmente padrões de camuflagem. Esses padrões de pintura se tornaram comuns após o primeiro inverno na Frente Oriental, que levou a Wehrmacht a providenciar equipamentos mais adequados para as condições de combate naquela frente. Coberturas de tecido, praticamente inexistentes até então, passaram a ser distribuídas em grande quantidade. Ainda assim, as tropas em campanha não se acostumaram muito rapidamente a usá-las. Antes da primavera de 1942 era mais comum o uso de coberturas pela SS militarizada, as Waffen SS (ao pé-da-letra, “SS armadas”), enquanto tropas do exército preferiam *pintar os capacetes, hábito observado desde o início do conflito e que persistiu até o término da guerra. Também era comum que as tropas regulares usassem redes de camuflagem ou até mesmo telas metálicas cobrindo seus capacetes. Depois de 1941, um tipo de tinta removível foi distribuíd0, principalmente na Frente Oriental, durante o inverno.
Para terminar, vale chamar atenção para os capacetes que passaram a ser distribuídos, depois de iniciada a guerra, para o pessoal da Guarda Anti-aérea (Luftschutz), policiais, tropas auxiliares da SS, bombeiros e membros de serviços civis. Esses capacetes eram, em geral, diferentes dos modelos entregues aos militares. O material era mais leve e de menor espessura e o acabamento, muito grosseiro. Os capacetes de bombeiro eram providos de um ressalto de ventilação, feito de alumínio, que os torna completamente diferentes dos outros.
É impossível calcular quantos capacetes foram fabricados pela Alemanha durante a 2a GM. Não existe sequer documentação que identifique com segurança as fábricas que os produziram, mas sabe-se que subiam a mais de 200, distribuídas por toda a Europa ocupada. No periodo final da guerra, a manufatura tinha sido muito simplificada, e grandes estoques foram descobertos pelas tropas aliadas. O exército da Alemanha Oriental chegou a usar, durante algum tempo, stahlhelms obtidos de estoques capturados. Em meados dos anos 1950, *um novo desenho, claramente uma tentativa de manter a tradição do stahlhelm, foi adotado. O *Exército do Chile, que, entre 1931 e 1937 foi treinado por uma missão militar alemã, também adotou o stahlhelm – e o uniforme alemão -, e, até recentemtne, ainda o usava em ocasiões cerimoniais. Muito adequado, para o exército que deu ao mundo a figura adorável de Augusto Pinochet…::
O filminho mostra a busca por relíquias in situ. Pela “técnica de escavação” do sujeito, pode-se notar que ele é tão arqueólogo quanto eu…::






