Um rapaz das Forças Especiais::Tenente-coronel Hugo Chávez::


É uma provocação, mas também é uma solução. Chávez, antes de se transformar em presidente da Venezuela, principal propagandista do “socialismo bolivariano” e espantalho favorito da grande imprensa brasileira, realmente começou sua carreira no Exército Venezuelano. Hugo Rafael Chávez Frías nasceu na cidade de Sabaneta (estado de Barinas, sudoeste da Venezuela), em 28 de julho de 1954. Era o segundo filho de uma família de classe média baixa, que empobreceu com a crise econômica.  Aos dezessete anos, ingressou na Academia Militar de Venezuela, tendo sido nomeado segundo-tenente (subteniente, em espanhol) em 1975, especializado em Comunicações. Sua primeira comissão foi em uma unidade de forças especiais, o Batalhão de Infantaria de Montanha Manuel Caldeño, tendo se envolvido em ações de repressão contra guerrilheiros ligados ao “Partido Bandera Roja”, de linha marxista albanesa, na região de Cumaná. Em 1977, já primeiro-tenente, Chávez foi designado para o Centro de Operações Táticas, em San Mateo, onde recebeu treinamento em operações de contra-insurgência. Segundo sua biografia oficial, foi nessa época que o futuro presidente começou a simpatizar com os movimentos populares, e a observar o alto nível de corrupção disseminado no exército e na política. Em 1978, foi transferido para uma unidade blindada equipada com carros de combate  AMX30, situada na cidade de Maracay (capital do estado de Aragua – não confundir com Maracaibo, principal região petrolífera do país). Em 1980, promovido a capitão, foi destacado para a Academia Militar de Venezuela, onde veio a cumprir as funções de chefe do Departamento de Educação Fìsica e, logo depois, do Departamento de Cultura. Promovido a major e inscrito na Escola de Estado-maior do Exército, em Caracas, Chávez se destacou pelo interesse por política, e eventualmente era indicado como conferencista. Destacava-se pelas palestras longas sobre assuntos diversos, e as opiniões sobre seus talentos de orador são díspares: alguns dizem que suas falas eram interessantes e prendiam a audiência durante horas; outros afirmam serem perorações disparatadas de inspiração esquerdista, ao longo das quais o desafio era permanecer acordado.

Depois da Academia, Chávez serviu em diversas unidades até chegar a comandante do Batallón 422 (Batallón Coronel Antonio Nicholas Briceño) da 42ª Brigada de Infanteria Paracaidista, na cidade de Maracay – os “tigres de Aragua” (o que explica a boina carmim usada por ele em dezenas de fotografias). 

Na atualidade, Hugo Chávez embora já tenha deixado o serviço ativo, ainda se interessa por assuntos militares – tem se esmerado em tornar a Venezuela uma potência militar regional, com o auxílio da Rússia. Presidente da República Bolivariana de Venezuela já por dois mandatos, goste-se ou não do cara, ele se transformou numa personalidade latino-americana e levou a Venezuela ao papel de ator mundial, através de um ativismo contra o capitalismo e contra os EUA que, por vezes, parece meio maluco. Pregando o que ele chama de “socialismo do século 21″, tem sido o principal financiador de Cuba, e utiliza os recursos gerados pela riqueza petrolífera da Venezuela para apoiar regimes que se mostrem dispostos a aderir ao “bolivarianismo”. Chávez tem sido acusado de “acabar com a democracia“, ser um “liberticida“, ser inimigo da “liberdade de imprensa” “estar arrasando a economia da Venezuela“, etc., etc (todas essas inserções foram apanhadas de maneira aleatória, na Internet). Existem, por outro lado, manifestações simpáticas e até mesmo radicais, de apoio, mas geralmente partem de indivíduos e associações de caráter quase privado (por exemplo…).  A implicância, entretanto, ganha de longe.

Assim, a carreira militar do tenente-coronel PQd Chávez nem é tão importante, apesar do homem tê-la cumprido de maneira destacada (ninguém chega a comandante de pára-quedistas por saber manipular talheres, dizia o – insuspeito, no caso – general norte-americano Maxwell D. Taylor). A de presidente da Venezuela… Bem…

Winston Churchill costumava a dizer que quem não sabe história, não sabe nada. Chávez, apesar de pára-quedista, não caiu de pára-quedas na história venezuelana. Nossa grande imprensa o trata como tirano, liberticida e “inimigo da democracia”. Mas como teria sido a democracia venezuelana antes de Chávez? Ou melhor- existia uma “democracia venezuelana” antes de Chávez? Isso, nossos simpáticos jornalões não contam.

Fiquem atentos. Vamos ver – talvez seja possível aclarar um pouco essa história::

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5 pensamentos sobre “Um rapaz das Forças Especiais::Tenente-coronel Hugo Chávez::

  1. Bitt, eu também já fui ardoroso simpatizante do Chávez. Quando ele foi vítima do golpe que durou 48 horas por total falta de apoio popular, eu sofri por igual período e, depois, exultei. Compreendo perfeitamente o quão farsesca pode ser uma “democracia” latino-americana e que esta pode chegar a um ponto de não-retorno de podridão que somente medidas excepcionais podem ter uma chance de recompor o tecido social. Por isso, apoiei o Chavez durante o seu primeiro mandato, assim como o processo de reeleição. Acredite, quebrei muito pau defendendo-o!

    No entanto, ele acabou por se revelar mais um personagem de Garcia Márquez do que qualquer outra coisa: insuportavelmente boquirroto, seu bolivarismo não passa de um castrismo aprés la lettre , reeditando um processo que já se esgotou, seu autoritarismo é grosseiro, tosco, seu “socialismo do séc XXI” é a repetição de todos os erros que as esquerda já cometeram ao longo do século XX. Durante anos, queimou bilhões de petrodólares para se projetar interna e externamente, sem nunca ter feito o que realmente interessa, a infra-estrutura da Venezuela, principalmente a Educação. E, Bitt, não há como ter dúvidas do seu apoio às FARC, que há muito se tornaram uma narco-guerrilha sem qualquer proposta “revolucionária”.

    Em tal quadro, a Direita deita e rola. Não é que eles sejam bons: a Esquerda é que é péssima. Burra! Insiste no papo anos 1960, já totalmente desconectado da realidade. O mais evidente sintoma disto é a insistência em defender qualquer figura que não resistiria a qualquer análise crítica isenta, só por que é “de esquerda”. Chega-se ao ponto de ignorar o fato de pelo menos uma delas ter declarado em alto e bom som: – Eu nunca fui de esquerda!

    • Bem, Luis, acato todas as suas opiniões, sem outros comentários. Em geral, considero os interlocutores assim: interlocutores com conteúdos a acrescentar aos do blogue, e que enriquecem o processo. Como vc sabe, não foram poucas as vzs que lancei mão de comentários q são colocados aqui, e q considero, mais do q pertinentes, úteis.
      Qto às tendências e opiniões políticas, não as comento – considero coisa de fôro pessoal.

  2. Bitt, voce ja deu uma lida no ACIG? Tem uma descricao bem completa da guerra aerea do golpe de 92. Inclusive parece que um dos pontos de virada do golpe foi o apoio dos pilotos de F-16 aos legalistas, imagine que luta ingloria para pilotos de Tucano e Bronco encarar F-16 nos ceus de Caracas. (nao repare na falta de acentos, o teclado nao ajuda)

    • Já li a respeito, acho que na ótima Revista Força Aérea, anos atrás. Entretanto, não há comparação entre F-16 e Tucano – são plataformas totalmente diversas, a começar pela função – o Tucano é uma aeronave de treinamento que nem armamento tem. Imagino q as duas aeronaves tenham sido usadas em ações bem diversas. Por sinal – o que é “ACIG”? :c(

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