Causa::

08/09/2009

Um rapaz (das Forças Especiais) às Terças::Dragões da Independência::

dragoes_independencia

É quase terça-feira, mas ainda é Sete de Setembro. Vocês lembraram? causa:: é, digamos, um recurso de pesquisa que se orgulha de sua Pátria, embora isso não signifique ignorar os problemas e as vicissitudes – que, todos sabemos, não são poucos. Mas, como diz o historiador Benedict Anderson, “o nacionalismo é como um corpo saudável, e ter uma nacionalidade é considerado tão natural como ter um nariz”. O redator concorda, e acrescentaria que Pátria é a soma dos valores da Nação com o sentimento individual de pertencimento. Em Sete de Setembro, nós, brasileiros, deveríamos comemorar a esperança em um futuro comum, e para cada um de nós, melhor do que o presente::

É curioso que os militares, em geral, parecem considerar-se mais “patriotas” do que o resto de nós. Por outro lado, muitos de nós, civis, parecem achar que “o patriotismo é o último refúgio dos canalhas“. Nem uma coisa, nem outra. A confusão, de ambos os lados, vem de que, de fato, todos conhecemos mal nossa história, e quando conhecemos, é uma “versão oficial” qualquer. A história, quando na “versão oficial” (aquela cheia de nomes, datas, batalhas, homens sérios, etc, etc), é um abrigo seguro e confortável para algumas certezas – que de certas, não tem nada. Por certo, conhecer a história que foi vivida, aquela cheia de luta, trabalho, construção, discordância, vitória, derrota – ou seja, aquela de que as pessoas, militares e civis, são os atores – é o melhor caminho para derrubar abrigos e certezas. A história mostra que, se não forem pertencimento e responsabilidade comum, o passado nunca é o que parece e o futuro, apenas incerto.

E já que estamos falando no assunto, vamos apresentar a tropa histórica do Exército Brasileiro – o 1° Regimento de Cavalaria de Guardas, também conhecido como “Dragões da Independência”. Os leitores de causa:: (os cinco, contadinhos…) já sabem do que se trata um “dragão”(um soldado de cavalaria ligeira). O que os leitores de causa:: não sabem (mas logo irão saber) é que uma coisa não tem nada com a outra.

Em 1820, quando as Cortes ordenaram a volta do então regente D. Pedro a Portugal, os grandes proprietários de terras do Rio de Janeiro resolveram recrutar uma milícia. Com aproximadamente dois mil homens, se destinava a enfrentar qualquer tentativa das autoridades portuguesas de embarcar o príncipe à força, para a Europa. Nos tumultuados meses em que a autoridade portuguesa começou a ser fortemente contestada e a região das províncias de São Paulo e Minas Gerais, entrou em estado de quase-sedição, o grupo acompanhava o futuro imperador do Brasil conforme ele tentava apagar os incêndios políticos que estouravam por toda parte. Em maio de 1822, uma revolta  na região de Sorocaba ameaçava descambar em levante, e D. Pedro se abalou para lá, acompanhado por uma escolta a cavalo que se autodenominava “Leais Paulistas” e “Leais Mineiros”. Era o grupo que tinha trazido para o Rio os tais dois mil milicianos. Homens muito ricos, proprietários de escravos e comerciantes com grandes interesses econômicos no Rio de Janeiro, podiam despender dinheiro para recrutar tropas e comprar armas. Esses “leais” passaram, após esse episódio, a se  denominar a “Guarda de Honra”.

Foi durante essa viagem que D. Pedro recebeu a conhecida carta das Cortes, e resolveu separar o Brasil de Portugal. Em dezembro de 1822, a “Guarda de Honra” transformou-se na “Imperial Guarda de Honra”. Só que não era uma unidade militar, mas uma tropa civil, na qual o serviço era temporário. Nada tinha com o exército regular (a tropa paga pelo governo). Os componentes, sendo grandes proprietários  em seus locais de origem, eram oficiais das tropas de milícias e, assim, conservavam o posto. Muito provavelmente, queriam distância da tropa regular. O uniforme e o equipamento foram desenhados pelo artista francês Jean-Baptiste Debret (também autor da bandeira nacional) e era pago pelo aspirante a guarda. A cor da farda, o branco, foi homenagem à imperatriz Leopoldina, arquiduquesa da Áustria; o capacete, de modelo bávaro, mostra não um “dragão”, mas um grifo, símbolo da Casa de Bragança, à qual pertencia o imperador e foi adotado por ocasião de seu segundo casamento.

É preciso chamar atenção para o fato de que a “Guarda de Honra”, no episódio do “Grito”, não estava fardada do jeito que aparece no quadro “Independência do Brasil” – assim como D. Pedro não usava a “jaqueta curta” e calças de montaria – por sinal, os cavalos também não eram cavalos árabes (que, naquela época, nem existiam no Brasil). Foi tudo imaginado por Pedro Américo, quando fez a pintura, em 1882. A “Guarda de Honra” foi dissolvida em 1832, pouco após a abdicação de seu inspirador.

Já o Primeiro Regimento de Cavalaria de Guarda tem origem em 1763, com a instituição do Vice-Reino do Brasil. Nessa ocasião, foram constituídos os Esquadrões de Cavalaria de Guarda do Vice-Rei, estes uma tropa paga regular, ou “tropa de linha”, como se dizia na época, com sede no Rio de Janeiro. Em 1808, essa unidade foi núcleo do Primeiro Regimento de Cavalaria do Exército, aquartelado na capital. Essa unidade existiu ao longo de todo o Império do Brasil. Um destacamento dela acompanhava D. Pedro, no episódio do Ipiranga.

Em 1824, a unidade teve seu designativo mudado para Primeiro Regimento de Cavalaria de Linha. Seu batismo de combate foi na batalha de Passo do Rosário, em janeiro de 1826. Nesse encontro, no qual teve a “honra” de não debandar, como aconteceu com a cavalaria gaúcha de milícias, o “Primeiro de Cavalaria” foi quase dizimado. Em 1831, o “Primeiro de Cavalaria” foi reunido com o “Segundo de Cavalaria”, este sediado em Vila Rica, formando o Primeiro Corpo de Cavalaria. Em 1839, com o exército já drasticamente reduzido em efetivos, passou a denominar-se Primeiro Regimento de Cavalaria Ligeira. Tinha uns 800 efetivos, comandados por um tenente-coronel.

Em 1889, o “Primeiro de Cavalaria Ligeira” passou a ser designado Primeiro Regimento de Cavalaria, e, em 1908, mudou de novo, para Primeiro Regimento de Cavalaria Independente (o que nada tem com a Independência…). Mas o nome não pegou, e, em 1915, voltou ao de antes.

Em 1916, o escritor-deputado Gustavo Barroso (dentre outras coisas, criador do Museu Histórico Nacional e, com Plínio Salgado, de uma versão nacional do fascismo europeu chamada “integralismo”) começou uma campanha para que o Exército criasse uma “tropa histórica”. A idéia não passou na Câmara dos Deputados, mas, em 1936, Getúlio Vargas, interessado em criar símbolos nacionais que referissem um passado idealizado, adotou a idéia, e fez com que o Exército passasse a designar o “Primeiro de Cavalaria” com o título honorífico de “Dragões da Independência”. Essa unidade passou a envergar, em paradas e solenidades, o uniforme da Imperial Guarda de Honra, um pouco modificado. Mesmo que uma coisa não tenha nada a ver com a outra…::

26/05/2009

Minha comemoração particular do fim da 2a GM:: FEB

A Segunda Guerra Mundial atingiu o Brasil aos poucos. Em setembro de 1939 as notícias publicadas nos principais órgãos de imprensa brasileiros eram pouco elucidativas. O país mantinha intenso relacionamento comercial com a Alemanha, e, de início, essas relações foram afetadas apenas pelo bloqueio naval que a Grã-Bretanha tentou montar contra a navegação oceânica da Alemanha. Alguns navios mercantes alemães, surtos em portos brasileiros foram, segundo as normas internacionais, internados, o que frisou a intenção do governo nacional em se manter neutro. A partir de 1940, conforme os EUA começaram a manifestar apoio irrestrito à Grã-Bretanha, se tornou mais forte a pressão para permitir a utilização, por parte das forças armadas daquele país, de instalações militares, portos, aeroportos e facilidades de infra-estrutura no Norte e do Nordeste brasileiros: estradas de ferro e de rodagem, usinas elétricas e armazéns, por exemplo. As pressões norte-americanas encontraram resistência entre boa parte dos setores militares brasileiros, cuja formação sempre se caracterizou por forte sentimento nacionalista. Esses militares viam a presença de tropas estrangeiras em território brasileiro como violação inaceitável da soberania nacional. Além disso, parte da oficialidade, representada principalmente pelo comandante do Exército, general Góis Monteiro, nutria certa simpatia pelo regime nazista, e preferia que o país permanecesse neutro. A recusa norte-americana em colaborar com o re-aparelhamento das forças armadas brasileiras, na segunda metade dos anos 1930, contribuiu para piorar a antipatia.

As vitórias iniciais da Alemanha na Europa, a instalação do governo fantoche de Vichy, após a derrocada da França em 1940 e o desembarque de uma força expedicionária alemã na Líbia na primeira metade de 1941 despertaram, no Departamento de Estado dos EUA, o temor que os alemães pudessem estar planejando uma invasão ao Nordeste brasileiro a partir de Dakar (Senegal, colônia que se mantinha alinhada a Vichy) ou do arquipélago dos Açores. O desembarque aeroterrestre em Creta, em maio de 1941 só contribuiu para aumentar a desconfiança: caso acontecesse essa operação (que, de fato, não passava de fantasia), os nazistas poderiam ameaçar o canal do Panamá e o Caribe. Entretanto, os diversos planos preventivos elaborados pelo Estado-maior das forças armadas dos EUA não tinham nada de delírio persecutório: o principal deles previa a ocupação do Nordeste brasileiro — com ou sem o consentimento do governo Vargas — por uma força com efetivo de três divisões. Vargas estava ciente dessa possibilidade, e acabou, em 24 de julho de 1941, por autorizar a utilização das facilidades aéreas e navais existentes por unidades militares dos EUA, e a instalação de bases militares a ser construídas pelos norte-americanos no Amapá, em Belém, em São Luís, em Fortaleza, em Natal, no Recife e em Salvador.

De fato, a participação brasileira na guerra começou cedo, embora de modo tímido. Desde 1939, ações de submarinos se registraram na costa brasileira, apesar da neutralidade declarada pelo governo nacional. As forças armadas pouco podiam fazer, naquele momento: a Marinha de Guerra dispunha de meios precários, tanto em equipamento quanto em pessoal. A esquadra contava com navios de mais de 30 anos de existência e com eram poucas as unidades mais modernas, adequadas à guerra anti-submarina: algumas corvetas, adaptadas a partir de navios-mineiros, e três contratorpedeiros. Esse material flutuante deveria cobrir uma extensão de quase 5000 quilômetros, entre a foz do Rio Pará e Santa Catarina, incluindo as ilhas de Fernando de Noronha e Trindade, em pleno oceano. Meios aéreos modernos, então, nem pensar: o melhor que havia era uma dúzia de aviões Focke-Wulf Weihe, bombardeiros de pouca autonomia e com armamento inadequado. Ainda assim, entre os anos de 1940 e 1941, a Marinha elaborou um programa de exercícios que, de fato, destinava-se a manter atividades de patrulha regulares no litoral entre o Nordeste e Santa Catarina – na prática, a esquadra ficava se movendo de um lado para outro, ora para o norte, ora para o sul.

Com o ataque japonês a base naval de Pearl Harbor, no Havaí, a aproximação como os EUA tornou-se inevitável, em função do princípio de defesa mútua pan-americana. Entretanto, a resistência de Vargas à colaboração com os EUA no “esforço de defesa pan-americano” tinha por objetivo tirar partido da situação, de modo a implementar certos projetos nacionais de construção de uma usina siderúrgica de grande porte. Embora tivessem ocorrido, na segunda metade da década anterior, negociações iniciais com a Alemanha, o início da guerra fez com que as conversações com representantes da Krupp, de Essen, fossem interrompidas. Além do mais, a “defesa comum” apresentava a oportunidade que os militares brasileiros buscavam de acelerar a modernização das forças armadas. As negociações entre Brasil e EUA seguiriam ao longo de quase dois anos, e envolveriam diversos programas abrangendo todas as forças armadas e diversos serviços civis, como, por exemplo, infra-estrutura portuária e de aeronáutica civil.

Logo no início de 1942, a 28 de janeiro, deu-se o rompimento de relações diplomáticas com os países do Eixo e adesão brasileira à Declaração das Nações Unidas e à Carta do Atlântico. Esses eventos serviram como justificativa para que a Alemanha, agora definitivamente fora do continente americano, lançasse uma ofensiva submarina contra o litoral brasileiro. Entre fevereiro e agosto de 1942 uma série de ataques contra navios mercantes brasileiros que navegavam nas costas do país provocou o afundamento de 21 unidades, com perdas de centenas de vidas. A indignação da população foi marcante. Para diversas associações civis, a maioria delas simpáticas ao regime (o que tornava as manifestações insuspeitas) o “estado de beligerância” deixou de ser suficiente até mesmo antes de ser declarado, em agosto: demonstrações de rua exigiam a declaração de guerra.

Em 31 de dezembro de 1942, Vargas, em discurso diante de centenas de oficiais militares, sublinhou o que vinha dizendo desde meados do ano: o Brasil não se limitaria ao fornecimento de matérias-primas aos países aliados. Segundo o ditador, “o dever de zelar pela vida dos brasileiros obrigados a medir as responsabilidades de uma possível ação fora do continente. De qualquer modo, não deveremos cingir-nos à simples expedição de contingentes simbólicos”. Alguns dias após a declaração, o ministro da Guerra Eurico Gaspar Dutra apresentou um plano ao presidente no qual afirmava que o Exército estava preparado para enviar para o exterior cinco divisões e as formações auxiliares necessárias, totalizando cem mil homens. Mas tanto Dutra quanto Vargas sabiam que tal pretensão era delirante. Tratava-se, de fato, de um jogo político: o principal apoio da ditadura brasileira era as forças armadas. Vargas tinha, dessa forma, de sustentar o prestígio político dos militares, o que significava, dentre outras ações, implementar as reivindicações dos comandantes pela ampliação e modernização das corporações. Declarando-se disposto a combater ativamente o nazifascismo, a ditadura brasileira acalmava a oposição e ganhava tempo com as reivindicações de liberalização. Assim, fazia sentido que a participação brasileira no conflito não se restringisse à defesa do país e à colaboração com o esforço de guerra norte-americano, como teria sido a preferência dos EUA. O envio de forças brasileiras ao teatro europeu passou a ponto inegociável, visto que a presença das forças armadas nacionais em combate aumentaria o prestígio e a influência do país – e dos militares – no cenário latino-americano. Em 3 de março de 1943, com a assinatura dos Acordos de Washington, a cooperação econômica e militar entre o Brasil e os EUA ficou estabelecida, tendo como contrapartida o envolvimento direto do país no conflito, não apenas com a participação ativa na defesa do litoral, mas também com a formação de uma força militar para intervir no teatro europeu.

No encontro que manteve com Vargas em Natal, em fevereiro de 1943, o presidente norte-americano Franklin Roosevelt mencionou a possibilidade de o Brasil enviar tropas aos Açores e à ilha da Madeira. Vargas respondeu positivamente, mas lembrou que qualquer participação dependeria do re-equipamento e treinamento do Exército, Marinha e Força Aérea brasileiros, prometido pelos EUA. Os militares norte-americanos e setores do Departamento de Estado não viam com simpatia o envolvimento militar do Brasil, e consideravam problemático o transporte das tropas brasileiras para a África. Não que a participação direta na guerra fosse ponto pacífico no Brasil: as opiniões eram divergentes. Ainda assim, em 5 de março de 1943, Vargas aprovou o memorando de Dutra sobre a força expedicionária, reforçando que o envio das tropas dependia do recebimento do equipamento necessário à modernização do exército brasileiro. A questão era extremamente complexa, visto que as forças armadas, treinadas por missões de assessores militares (franceses para o exército, em 1921, e norte-americanos para a marinha, em 1922), eram totalmente obsoletas, tanto em meios quanto em doutrina. Basta dizer que o exército, em 1940 tinha algo em torno de 70000 efetivos, praticava a doutrina de “defesa ativa” dos franceses – a guerra de trincheiras -, era carente de artilharia, não tinha meios motorizados e desconhecia a guerra blindada. A marinha estava um pouco melhor, pois, desde 1942 estava sob supervisão direta do vice-almirante norte-americano que comandava as forças navais dos EUA no Brasil. Desnecessário dizer que não existia uma força aérea digna desse nome.

Em 9 de agosto de 1943, finalmente, a Portaria Ministerial nº. 4744, estabeleceu a  estrutura da Força Expedicionária Brasileira. A FEB deveria ser constituída, por um corpo de exército formado por três divisões de infantaria: 1ª, 2ª e 3ª, e por órgãos não-divisionários necessários. A primeira unidade a ser constituída seria 1ª. Divisão de Infantaria Expedicionária (1ª DIE), a ser comandada por um general-de-divisão. Ainda no mês de agosto, o general João Batista Mascarenhas de Morais, então comandante da 2ª Região Militar, foi convidado pelo Ministro da Guerra a comandar a 1ª DIE. Antes deles, vários generais, entre os quais Valentim Benício, Amaro Bittencourt e Francisco Gil Castelo Branco, teriam sido consultados para exercer o cargo, mas não aceitaram. Mascarenhas não discutiu a indicação, que encarou como uma ordem. Era conhecido por ser apolítico e pela postura profissional (isso nos termos do exército brasileiro). Naquela época, não era pouca coisa.

Na próxima semana falaremos sobre como formar uma tropa de combate a partir de muita bravata e conversa-fiada, e como fazer essa tropa dar certo, contra tudo e contra todos::

20/05/2009

Cultura Material Militar::SpringfieldM1903::

Infante da FEB, portando um Springfield M1903 escolta prisioneiros alemães, 1945.

Infante da FEB, portando um Springfield M1903 escolta prisioneiros alemães, 1945.

A 1a Divisão de Infantaria Expedicionária era a principal unidade combatente da FEB, com exatos 15069 efetivos, distribuídos por três regimentos de infantaria. Entretanto, a 1ª DIE não chegou ao TO italiano completa. De fato, o 1°Escalão, desembarcado em setembro de 1944, era formado pelo 6º Regimento de Infantaria, de Caçapava (SP) e por algumas unidades complementares. Quando da formação da FEB, em maio de 1943, ficou acertado que a tropa brasileira seria organizada segundo o modelo norte-americano.

O 1º Escalão embarcou sem nenhum equipamento de combate. Uma vez na Itália, a tropa foi distribuída por diversas unidades de treinamento, a principal das quais foi a Escola de Treinamento e Liderança de Combate (Leadership and Battle Training School, instalada em Caserta),onde permaneceria durante algumas semanas; outros integrantes freqüentaram escolas de motoristas, de sinaleiros (como os norte-americanos chamam o pessoal de comunicações) e de saúde. Oficiais e sargentos estagiaram em unidades de combate dos EUA. O equipamento individual (uniformes e pertences pessoais) era, na maior parte, fabricado no Brasil mesmo. O único item recusado foi o capacete de aço, que no Brasil, não era padronizado, de modo que foi distribuído o capacete padrão norte-americano, o modelo M1. Posteriormente, certas peças de uniforme norte-americano foram distribuídas por não existirem similares brasileiros: o equipamento de inverno, por exemplo.

Com o armamento, a questão era bem outra. No Brasil, a principal arma da infantaria era o fuzil *Mauser modelo 1908 cal. 7X57 mm. O Mauser era uma arma excelente, mas não havia como distribuí-lo aos expedicionários brasileiros, em função da organização da logística: não era possível levar o armamento existente no Brasil para Itália e, principalmente, prover a munição necessária na quantidade exigida, visto que no Brasil não havia capacidade industrial instalada suficiente para produzi-la. Assim, desde o início ficou decidido que a FEB seria provida de equipamento norte-americano. O problema é que, uma vez desembarcada e integrada a tropa aos quadros do V Exército dos EUA, parecia não haver armamento para equipar os cinco mil e tantos combatentes do 6º RI e das unidades auxiliares. Segundo diversos testemunhos, a começar o do próprio comandante, o então general-de-divisão, futuro marechal, Mascarenhas de Moraes, diversos depósitos foram percorridos, e os administradores americanos somente concordavam em entregar equipamento em pequenas quantidades. De fato, a tropa brasileira estava diante de uma situação nova. A doutrina introduzida pelo exército norte-americano previa que as grandes-unidades dispusessem de enorme quantidade de armamento: uma divisão regular do US Army dispunha de cerca de 17.000 armas de todos os tipos, coisa inimaginável no Brasil. Apenas para começar a conversa, para um regimento seria necessário algo em torno de 5000 armas de infantaria: fuzis, sub-metralhadoras (item quase desconhecido no exército brasileiro, até então), *fuzis-metralhadores (arma que existia no exército brasileiro, mas empregado de forma diversa daquela do exército dos EUA), metralhadoras pesadas, além de certa quantidade de armas curtas. Basicamente, a FEB recebeu, embora a conta-gotas, o equipamento utilizado pelos norte-americanos. Com uma exceção: o fuzil-padrão. A infantaria dos EUA usava o excelente Garand M1, cartucho .30-06 (7.62X63 mm) semi-automático. A tropa brasileira recebeu o “US Rifle M1903″.

O US Rifle M1903A3, cal. 7.62X63 mm, fabricado em 1944 pela Remington Machine Works. Essa foi a arma dos infantes brasileiros na Itália. Apenas um soldado de cada esquadra recebia o Garand M1.

O US Rifle M1903A3, cal. 7.62X63 mm, fabricado em 1944 pela Remington Machine Works. Essa foi a arma dos infantes brasileiros na Itália. Apenas um soldado de cada esquadra recebia o Garand M1.

Essa arma era conhecida como “Springfield” M03, e seu desenvolvimento começou no final do século XIX, quando tropas dos EUA engajadas na Guerra contra a Espanha avaliaram que seu armamento, basicamente o fuzil de ferrolho *Krag-Jorgensen e o fuzil de tiro único calibre .45 Springfield (conhecido como “trap-door” em função do sistema de carregamento) tinha desempenho muito inferior ao dos Mauser alemães que equipavam unidades mexicanas. O grande problema era que o Krag, produzido nos EUA com base em um desenho dinamarquês, era muito frágil para a munição norte-americana, além de não incorporar certos refinamentos, como o carregamento por clipe pré-preparado. Em 1900, o arsenal de Springfield recebeu a incumbência de desenhar um novo fuzil, e a exigência era que fosse baseado no Mauser, cuja licença de produção foi adquirida por preço notavelmente vantajoso. Um novo cartucho foi desenhado para a nova arma, incorporando um estojo sem cinta (em inglês, rimless) e um projetil “rombo” (de ponta semi-esférica) jaquetado, calibre 7.62 (.30 de polegada, na medida norte-americana), projetado para atingir a velocidade de 670 m/s. Tanto o novo cartucho quanto o novo fuzil foram adotados em 1903, recebendo ambos a notação M1903. A arma foi desenhada para incorporar certo tipo de baioneta que era considerado obsoleto, de modo que o resultado final foi recusado pelo exército e voltou à fábrica. O aspecto mais importante do fuzil M1903 foi a incorporação da filosofia de “fuzil encurtado”, inventada pouco anos antes pelos britânicos, e que implicava em uma arma que poderia ser distribuída tanto para a infantaria quanto para tropas especializadas, como as de montanha. Entretanto, no decorrer do desenvolvimento do novo “US Rifle”, os alemães introduziram o projetil “ponteado”, mais leve, mas de melhor desempenho aerodinâmico. O novo desenho tornou-se uma tendência, e os norte-americanos reprojetaram o cartucho de forma a incorporar a inovação. Em testes, a nova versão saiu-se muito melhor que a anterior. Adotado em 1906, a munição “Springfield .30-06″ tinha velocidade de boca de 880 m/s. O aparelho de pontaria do novo fuzil teve de ser refeito, pois o alcance do novo projetil era cerca de 20 por cento maior do que o anterior. Foi com essa arma que as tropas dos EUA foram lutar a 1ª GM. Em combate, a arma mostrou certos problemas, ocasionados por falhas de projeto – particularmente uma tendência a “rebentar” depois de relativamente pouco uso. Esse problema foi resolvido através de mudanças no processo de usinagem das peças do receptor.

Durante o periodo entre-guerras o M1903 continuou sendo produzido, sem maiores alterações. Um novo desenho da coronha, adotado em 1929 tornou a arma mais cômoda de manusear. Essa versão recebeu a notação M1903A1, mas poucos foram fabricados. Em 1932 foram iniciados estudos para uma nova arma padrão, o que criou um vazio, visto que a produção do Springfield foi muito diminuída. Em 1936 o Garand M1 já estava pronto, mas as dificuldades de adaptação da indústria tornaram a distribuição lenta. Além do mais, as primeiras amostras apresentaram desempenho pífio, sem que as providências adotadas para sanar os problemas mostrassem resultados. Todas as armas em já mãos do exército foram recolhidas e o sistema de ação a gás, totalmente refeito. Embora a versão resultante funcionasse perfeitamente bem, a distribuição da nova arma foi inicialmente lenta, e o governo resolveu que o M1903, mais simples e mais barato, deveria continuar existindo. Em 1940, com a decisão da ampliação do exército, foi resolvido que uma versão simplificada deveria ser produzida, adotando métodos simplificados de fabricação – basicamente a adoção de peças estampadas onde fosse possível, um novo aparelho de pontaria (com orifício de mirada central – “grão de pimenta”) e a adoção da coronha “A1”, que foi apelidada de “coronha C” ( em inglês, C-stock). A maioria dos “US Rifle M1903A3”, como passaram a ser denominados continuou a ter raiamento de 4 sulcos, embora uns poucos tenham recebido raiamento de 2 sulcos, novidade que diminuia o desempenho da arma sem facilitar a produção. Uma versão denominada “M1903A4” foi distribuída para atiradores de escol (snipers), adaptada para uso de miras telescópicas.

O fuzil M1903 é, basicamente, uma arma longa de operação manual, alimentada por clipe pré-preparado de 5 cargas, *bloco de culatra semi-rotativo acionado pelo atirador a cada disparo. O mecanismo de culatra é uma cópia do sistema Mauser, com algumas modificações no trancamento. A diferença mais notável entre o M1903 e o Mauser 1898 é a alavanca de acionamento do ferrolho, que, nesse último, é reta e no primeiro, curvada para baixo. O sistema de segurança é igual ao do fuzil alemão, com uma trava localizada na parte posterior do bloco de culatra.

O Springfield era uma arma confiável – talvez não tão boa quanto o Mauser, mas resistente e precisa. No início da guerra, enquanto os EUA se adaptavam para suportar o peso de ser o “arsenal da democracia”, o M1903 foi amplamente distribuído para as forças armadas. No teatro do Pacífico, chegou a superar o Garand M1, que no início era muito sensível à umidade. Mas no final de 1944, calcula-se que uns sete milhões de M1 tivessem sido fabricados. O motivo pelo qual a FEB não os recebeu é simples: o número astronômico não era suficiente para atender a todos os combatentes nem mesmo nas forças armadas dos EUA (nas quais serviram cerca de 13 mihões de pessoas, mais de 8 milhões das quais no exército). Ainda assim, os “pracinhas” se saíram bem, pois eram considerados bons atiradores até mesmo para os padrões norte-americanos.::

15/05/2009

Duas frases para pensar::Afinal, é Sexta-feira::

Para pensar sobre o que representou o Brasil na Segunda Guerra Mundial. Pensando bem, duas é pouco. Que sejam quatro::

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A FEB era um bom resumo do povo do Brasil, não só porque tinha soldados de todos os seus Estados e de todas as classes sociais e de cultura, como porque levava todos os seus defeitos e improvisações, todas as suas  incoerências e mitos, todas as falhas e virtudes desse povo.

Rubem Braga, cronista, escritor, e correspondente de guerra, julho de 1969.

Eu sentia que meus olhos estavam virando verde de ver tanta água.

José Carlos de Miranda Corrêa, 2º tenente-aviador, Força Aérea Brasileira, falando em 1993, sobre as longas patrulhas em aeronaves Catalina.

Confio que compartilhe da minha convicção de que acordos assinados em 3 de março constituem a base de um novo e proveitoso desenvolvimento entre os dois países. Graças à dilatação do acordo de empréstimos e arrendamentos  e às listas de entregas que foram combinadas, as Forças Armadas Brasileiras num prazo muito menor do que tínhamos preveamente julgado possível, estarão equipadas … [e] capazes de desempenhar sua parte na defesa do seu país e do continente.

Carta de Franklin Roosevelt a Getúlio Vargas, abril de 1942.

Quando você voltar para casa/ fale a todos sobre nós e diga:/ por seu amanhã, / lhes demos nosso hoje.

Inscrição no memorial aos soldados bitânicos mortos na batalha de Kohima (Índia Oriental), 1944::

Minha comemoração particular do fim da 2a GM::

Esta comemoração particular começa um tanto atrasada, visto que o redator andou encalacrado com tarefas bem menos interessantes. Sem problemas – começaremos hoje, 15 de maio, data em que as últimas forças alemãs na Europa Central, Noruega e no mar (em 8 de maio, ainda havia certa de 75 submarinos em patrulha)  depuseram, organizadamente, suas armas diante de forças aliadas e seguiram para campos de internação geralmente situados na própria Alemanha::

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Segundo os termos da rendição incondicional assinada em 8 de maio (e repetida pelo menos dez vezes nos sete dias seguintes), não apenas os militares alemães deveriam depor armas. Também as milícias (como, por exemplo, a organização paramilitar Volksturm), organizações de treinamento da Juventude de Hitler, Guarda Anti-aérea (Luftschutz) e forças policiais foram convocadas a se render. Tratava-se, segundo um oficial inglês, de “um cenário de pesadelo”, com milhões de pessoas a serem abrigadas, alimentadas e vigiadas.

Inicialmente havia intenção por parte dos aliados em fazer uma triagem rigorosa entre os cativos de modo a identificar indivíduos que pudessem ter cometido crimes de guerra. Com o tempo, essa triagem revelou-se impossível, e o problema dos prisioneiros passou a ser tratado de duas formas: norte-americanos e britânicos (e com alguma relutância, os franceses) colocaram a questão no âmbito da “desnazificação”; os soviéticos consideraram todos os membros das forças armadas, das organizações civis militarizadas e do serviço público como criminosos ou cúmplices.

Em 1945 a Alemanha tinha 8 milhões de nazistas declarados (aqueles que eram membros inscritos do NSDAP); a reconstrução urbana, os serviços públicos, a iniciativa privada, no pós-guerra, teriam de ser assumidas por parte dessa gente. No caso dos aliados, esse curso de ação envolvia problemas irresolvíveis. O resultado é que milhares de criminosos notórios acabaram passando pelo processo absolutamente incólumes – como foi o caso do general SS Karl Wolff (que negociou a rendição das tropas alemãs na Itália), Aribert Heim, Adolf Eichmann, Joseph Megele, Oswald Kaduk, dentre outros. No caso soviético, milhares de homens foram mantidos em internamento e trabalhos forçados até 1956, quando os últimos foram libertados por iniciativa de Nikita Kruschev, que, então, tentava se aproximar com a Europa Ocidental.

Os prisioneiros mais notórios foram, sem dúvida, os líderes políticos e militares do regime. Vinte e quatro deles, considerados os mais representativos dentre os capturados com vida, foram levados a julgamento, numa decisão que remonta a 1943, com a “Declaração de Moscou”. Esse documento foi elaborado em conjunto, ao longo de outubro daquele ano, pelo Secretário do Exterior dos EUA, Cordell Hull, o Ministro de Assuntos Estrangeiros da Grã-Bretanha, Anthony Eden e o Comissário do Povo para Assuntos Estrangeiros, Venchieslav Molotov. Segundo o texto  os líderes das nações empenhadas na luta contra o nazismo não apenas estabeleciam o princípio da “rendição incondicional” como reafirmavam a disposição de levar a julgamento todos os líderes nazistas, de forma a chamá-los à responsabilidade pelos atos cometidos até aquela data, e por cometer, por seus agentes. Em novembro, Rooselvelt, Churchill e Stalin assinaram conjuntamente a declaração, que foi divulgada no mesmo dia. O resultado objetivo, cerca de três anos depois, foi o estabelecimento do Tribunal Penal Internacional, que julgou os principais líderes nazistas na cidade alemã de Nuremberg.

O serviço público alemão existente desde 1933 foi dissolvido e colocado sob controle militar aliado. A Wehrmacht (forças armadas alemãs, organização criada em 1935) deixou de existir e - juntamente com o Partido Nacional-Socialista e as SS - foi declarada “organização criminosa”, visto ter sido um dos principais instrumentos da “guerra de agressão”. Seus líderes perderam os postos militares e foram considerados passíveis de imputação. Isso significaria, eventualmente, o julgamento de mais de 6000 oficiais-generais e de dezenas de milhares de oficiais superiores. Isso não foi feito, e nem era o objetivo. O que os aliados pretendiam era manter milhares de generais e oficiais superiores prisioneiros, por tempo mais longo, e que centenas deles pudessem ser interrogados por autoridades civis (policiais, por exemplo) – o que, segundo as normas internacionais de tratamento de prisioneiros, não poderia ser feito. Alguns desses oficiais-generais e oficiais superiores foram, de fato, condenados a sentenças que chegavam à prisão perpétua, mas a maior parte deles foi libertada e alguns, eventualmente, tornaram-se os chefes das novas forças armadas alemãs criadas em 1955.

No início dos anos 1950, não havia mais prisioneiros de guerra no lado aliado, e uma quantidade relativamente pequena de ex-nazistas esperava por julgamento. A necessidade de preparar a Alemanha Ocidental para a desocupação e estabelecimento de um governo autônomo, assim como o  início da Guerra Fria, em 1948, levaram os aliados a lançar mão de muitos dos recursos humanos formados aos longo dos 12 anos de regime nazista. Para além disso, depois da guerra, os EUA, a Grã-Bretanha, França e URSS, cada um ocupando parte da Alemanha, promoveram a desnazificação de forma diversa, o que acabou produzindo resultados diversos. A partir de 1946, os aliados ocidentais concluíram que não poderiam investigar toda a população alemã e passaram a classificar ex-nazistas em cinco categorias, das quais quatro tornavam o classificado  imputável: Grandes ciminosos, Criminosos, Criminosos MenoresCúmplices e Não-imputáveis. Foram distribuídos 25 milhões de  Fragenbogen (questionários), dos quais uns 16 milhões retornaram às autoridades de ocupação (principalmente na zona norte-americana: ingleses e franceses levaram a coisa menos a sério). Esse era um artifíco para que cada alemão classificasse a si mesmo, mas o fato é que os questionários foram tratados com desinteresse e desdém. Muitos daqueles que, em outra situação, teriam sido colocados nas três primeiras categorias, mentiram, e não apenas escaparam de qualquer punição como se qualificaram para funções na administração pública. Uma boa parte das novas forças armadas e forças policiais, bem como do serviço público, tinha algum grau de envolvimento com o governo de Hitler. “Era inevitável” – disse, anos depois, um funcionário norte-americano – “pois, de outra maneira, teríamos levado vinte anos ou mais para recolocar a Alemanha para funcionar.” Em 1949, as investigações que ainda prosseguiam sobre a conduta de funcionários públicos civis e militares foram encerradas na zona ocidental. Os soviéticos agiram de modo ainda mais pragmático: simplesmente trataram a questão dentro de objetivos políticos mais amplos, que poderiam ser resumidos em consolidar, na zona soviética, a dominação comunista.::

08/05/2009

Minha comemoração particular do fim da Segunda Guerra Mundial::

Pois é. Estão lembrados? Na data de hoje, 64 anos atrás, o mundo se livrava da praga do fascismo.  Devíamos comemorar com mais entusiasmo. Eu vou comemorar aqui – quem quiser, comemore comigo. Começa hoje. Vai pelo mês inteiro. E o tema vai ser um só: participação do Brasil na guerra.::

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Monumento aos Mortos da 2a Guerra Mundial. Cruz Alta, RS (Foto do STte-Art Artemio Bueno Rosa Jr)

Monumento aos Mortos da 2a Guerra Mundial. Cruz Alta, RS (Foto do STte-Art Artemio Bueno Rosa Jr)

21/04/2009

Um rapaz (das Forças Especiais) às Terças::Dragões das Minas::

E já que hojé é dia 21 de abril…::

Tiradentes em uniforme da Regimento de Dragões das Minas. Imagem (muito idealizada) de José Washt Rodrigues, 1940

Tiradentes em uniforme da Regimento de Dragões das Minas. Imagem (muito idealizada) de José Washt Rodrigues, 1940

O nome ”dragão” (em inglês dragoon) refere-se a um soldado de cavalaria leve, em oposição às tropas de “cavalaria couraçada”. Essas tropas descendem da cavalaria auxiliar que, no início da Idade Moderna, dirigia-se ao campo de batalha montada, mas combatia a pé, como infantaria. A partir do século XVI, com a disseminação de armas de fogo e de lançadores de flechas mecânicos extremamente potentes (chamados *bestas), tropas couraçadas começaram a sumir dos campos de batalha, e a cavalaria, em particular, ganhou novas missões: reconhecimento e incursões de flanco. Portavam armamento consideravelmente mais leve, como arcos, sabres, lanças e armas de fogo adaptadas para serem usadas com uma única mão.  As armaduras, durante algum tempo usadas por *tropas a pé, no início do século XVIII, tinham sido totalmente abandonadas, por não proverem proteção eficaz contra armas de fogo. Foi mantido apenas o capacete, em metal ligeiro, dotado de uma crista rígida destinada a prover alguma proteção contra golpes de sabre. No Brasil colonial [para mais informações sobre a defesa da colônia, clique aqui], essas tropas eram, em geral de*milícias“, ou seja, tropas da “2a linha”, que complementavam a ”1a linha”, ou seja, o exército profissional. Essas tropas tinham organização parecida com  do exército, mas eram providas por pessoal local, moradores das freguesias em torno da sede.:: 

20/03/2009

Seis anos depois::

… talvez um dia expliquem para esses caras – como eles se meteram nessa?..

http://www.msnbc.msn.com/id/21134540/vp=29763864&#29764811

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