Causa::

10/02/2009

Recordar é viver::Como o Ocidente constuma a tratar as nações árabes::

Agora que os EUA parecem dispostos a abrir negociações com Irã, e agora que Israel, desde sempre, vitupera tendo como fundo musical o tiroteio de suas armas de última geração (em boa parte financiadas pelos EUA), talvez algumas pessoas tenham a curiosidade aguçada por saber quais são os antecedentes históricos dessa situação. Já falamos alguma coisa em torno da Guerra dos Seis Dias, quando todos os problemas da região parecem ter começado. Digamos que começou uma espécie de “segundo capítulo” uma vez que Israel, então, conseguiu aquilo que os especialistas militares chamam de “vitória decisiva”. O primeiro capítulo começa em 1948, e o enredo apresenta a nação judia “lutando pela sobrevivência” contra vizinhos odientos e incivilizados. Esse “primeiro capítulo” teve várias “cenas”. Escolhemos uma delas. Recordar é viver…::
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A descolonização do Império Britânico veio relativamente rápido após a Segunda Guerra Mundial. Em 1947 foi concedida a independência a Índia, ao Paquistão e a Birmânia; no ano seguinte, foi a vez do Ceilão. O processo não deixou de ser sangrento – milhões de hindus e mulçumanos foram massacrados em faxinas étnicas e nos subseqüentes deslocamentos populacionais -, mas a potência colonial em si recuou relativamente ilesa. Um levante comunista, na vizinha Malásia, no entanto, levou o governo britânico, em junho de 1948, a declarar um estado de emergência que só seria suspenso doze anos mais tarde, com a derrota dos rebeldes. Mas, de modo geral, e apesar da retirada de residentes e administradores coloniais da Índia e de países vizinhos, a saída da Grã-Bretanha do sul da Ásia foi menos traumática do que se poderia esperar.
No Oriente Médio, a situação foi mais complicada. No território da Palestina, sob mandato britânico, a Grã-Bretanha, em 1948, declinou de suas responsabilidades - ainda que sem grandes tribulações. No Iraque, Grã-Bretanha e EUA tinham interesses em comum, relacionados ao petróleo, mas, finda a guerra, os EUA, progressivamente  substituíram o Reino Unido na condição de potência dominante. Mas foi num país que jamais tinha sido colônia britânica onde a Grã-Bretanha, paradoxalmente, vivenciou todas as ironias dramas da descolonização, colhendo, como “cereja do bolo”, uma derrota acachapante: o Egito. Essa história toda se passou ao longo de alguns anos, entre 1954 e 1956, e recebeu o nome de “Crise do Canal de Suez”. Foi quando a Grã-Bretanha, pela primeira vez, passou por um tipo de humilhação internacional que já era bem conhecida pelos franceses.
O interesse britânico no Egito tinha dois nomes (talvez “tags”, como dizemos nesses blogs…): subcontinente indiano e necessidade de petróleo. Os britânicos tomaram o Cairo em 1882, em plena época de ouro do imperialismo, treze anos depois da abertura do Canal de Suez. Até a Primeira Guerra Mundial, o Egito foi comandado, de fato, por um residente britânico (durante a maior parte do período o temível lorde Cromer). De 1914 a 1922, o Egito foi protetorado britânico, antes de se tornar independente. As relações entre os dois países permaneceram estáveis, por algum tempo, sendo formalizadas através de um tratado em 1936. Todavia, em outubro de 1952, o novo governo do Cairo revogou o referido tratado .Em resposta, os britânicos, receosos de perder o acesso privilegiado a um curso de água, estrategicamente crucial, reocuparam a Zona do Canal.
 Dois anos depois, o então tenente-coronel Gamal Abdel Nasser, tornou-se chefe de governo e passou a exigir a retirada dos britânicos do Egito. Cada vez mais dependente do petróleo barato e pago em libras, transportado através do Canal , os britânicos tentaram transigir. Conforme Anthony Eden, então ministro das Relações Exteriores, advertiu em fevereiro de 1953, ao Conselho Ministerial Britânico, “a ocupação militar pode ser mantida à força, mas, no caso do Egito, a base que apóia tal ocupação será de pouca utilidade, se não houver mão-de-obra local que a sustente.”

O resultado foi que, em outubro de 1954, Londres assinou um acordo para evacuar a base de Suez em dois anos. O acordo previa que a presença militar britânica no Egito poderia ser retomada caso seus interesses na região fossem ameaçados. O acordo foi cumprido e em 13 de junho de 1956 os últimos soldados britânicos deixavam Suez. Aquela altura, o coronel Nasser já se tornava um problema. Seu carisma funcionava como um imã para os radicais árabes da região. E como se não bastasse, apareceram os soviéticos: em setembro de 1955, o Egito anunciou uma grande transação de armas com a Tchecoslováquia.
Já em 1956, Eden e seus assessores comparavam Nasser a Hitler: uma ameaça diante que era preciso enfrentar, e não se curvar. Paris tinha a mesma visão, embora a insatisfação francesa tivesse motivos diversos: Nasser era um a influência negativa sobre os súditos franceses do norte da África. Os americanos também não nutriam nenhuma simpatia pelo presidente do Egito. Durante uma reunião com Tito, na Iugoslávia, em julho de 1956, Nasser expediu uma declaração de “não-alinhamento”, explicitamente declarando o Egito independente do Ocidente. Os norte-americanos sentiram-se ofendidos,e interromperam as conversações sobre o financiamento para a represa de Assuan, a ser construída no Nilo. Uma semana depois, Nasser nacionalizou a Companhia do Canal de Suez. O motivo é fácil de entender: o Canal era em território egípcio, porém a maior parte das receitas recolhidas nele destinava-se à companhia de capital estrangeiro.
A reação inicial das potências ocidentais foi o estabelecimento de uma frente, convocando uma reunião em Londres para decidir a resposta a Nasser. Realizada em 23 de agosto, dela resultou um “plano”, a ser apresentado ao governo egípcio pelo primeiro-ministro australiano Menzies. Todos pareciam esperar que a proposta fosse rejeitada, como de fato, foi. Os delegados que haviam comparecido ao encontro em Londres voltaram a se reunir entre 19 e 21 de setembro, e criaram a Associação dos Usuários do Canal de Suez. Nesse ínterim os britânicos anunciaram que encaminhariam a disputa ao fórum das Nações Unidas.
Até aquela altura os britânicos procuravam alinhar a sua reação a de Washington, já que o débito da Grã-Bretanha com os EUA era grande. Londres suspeitava, desde antes da Segunda Guerra, das motivações  norte-americanas quanto à região. Acreditava-se que Washington pretendia substituir a Grã-Bretanha no Oriente Médio, motivadas pela retórica norte-americana freqüente sobre a ” autodeterminação dos povos” ,que Londres via como recurso para seduzir elites locais. Mas as relações entre os dois países eram, de modo geral, boas. A dinâmica da Guerra Fria encobria os ressentimentos mútuos, e os britânicos achavam que podiam contar com a simpatia dos EUA. Assim, embora o próprio Eisenhower lhes dissesse que se preocupavam demais com Nasser, os líderes britânicos confiavam que, caso a situação esquentasse, teriam o apoio norte-americano.
Foi nesse contexto que o primeiro-ministro britânico  resolveu dar uma lição no egípcio mal-comportado. A despeito dos frequentes recursos feitos à ONU, britânicos e franceses consideravam a associação morosa, pouco enérgica e, de fato, não queriam uma solução diplomática. O governo britânico então, deu início a conversações secretas com a França, para buscar uma solução militar conjunta: a invasão do Egito. Em 21 de outubro, os planos foram ampliados com a inclusão dos israelenses. Estes tinham interesses bastante claros: uma linha precária de cessar-fogo tinha sido estabelecida entre Egito e Israel, em fevereiro de 1949, através de um armistício. Ambos os lados, entretanto, a consideravam inaceitável, e as hostilidades eram freqüentes principalmente na região de Gaza. Desde julho de 1951 os egípcios bloqueavam o golfo de Aqaba, restringindo o comércio e a locomoção dos israelenses. Israel pretendia reduzir a esfera de ação de Nasser e garantir os interesses territoriais e de segurança nacional do país, no Sinai e nas áreas circunvizinhas.
O grupo reunido secretamente chegou a um acordo. Israel atacaria o exército egípcio no Sinai, avançando para ocupar toda a península, inclusive o Canal de Suez, no limite ocidental. Franceses e britânicos expediriam um ultimato, exigindo que os dois lados recuassem e então, comoforças neutras, em nome da comunidade internacional, atacariam o Egito. A ofensiva começaria pelo ar e continuaria por mar. Assumiriam o controle do Canal, sob a alegação de que o Egito não tinha competêcia para controlar um recurso tão importante. O plano foi mantido em absoluto segredo.
A princípio, tudo pareceu correr bem. Em 29 de outubro, as forças israelenses avançaram pelo Sinai. Ao mesmo tempo, de Malta, navios britânicos zarparam para o leste. No dia seguinte, Grã-Bretanha e França vetaram uma moção da ONU que determinava o recuo de Israel e expediram um ultimato aos beligerantes, exigindo que  cessassem as hostilidades e aceitassem a ocupação militar anglo-francesa da Zona do Canal. No outro dia, aviões britânicos e franceses atacaram campos de aviação egípcios. Em 48 horas os israelenses concluíram a ocupação do Sinai e de Gaza, ignorando a determinação de cessar-fogo expedida pela Assembléia Geral da ONU. Por sua vez, os egípcios afundaram navios no Canal de Suez, impedindo qualquer navegação. Dois dias depois, em 5 de novembro, as primeiras tropas anglo-francesas de infantaria desembarcaram no Egito.
As coisas então começaram a dar errado. A resistência egípcia foi maior do que o esperado, e apesar dos ataques aéreos vindos de três direções, aeronaves egípcias, provavelmente pilotadas por soviéticos e tcheco-eslovacos, teimavam em contra-atacar. Os israelenses não conseguiram alcançar todos os objetivos propostos. Em 6 de novembro Eisenhower foi reeleito presidente dos EUA e logo depois, Washington reagiu com indignação inesperada a conspiração anglo-franco-israelense. Londres e Paris haviam intencionalmente violado a carta e o espírito da Declaração Tripartite de 1950, tratado que comprometia Grã-Bretanha, França e EUA a agirem contra o agressor, na eventualidade de qualquer conflito entre Israel e os árabes. Os EUA passaram a exercer pressão sobre os britânicos, exigindo que  sustassem a invasão do Egito. Para desgosto dos britânicos, chegaram a ameaçar suspender o apoio a libra esterlina. A desvalorização da libra, os britânicos não poderiam encarar, pois traria conseqüências internas e possivelmente derrubaria o governo:  Eden acabou cedendo. Em 7 de novembro, apenas dois dias após a descida de tropas aero-transportadas britânicas em Port Said, as hostilidades cessaram. No mesmo dia, a ONU autorizou o embarque de uma Força de Paz para o Egito, aceita por Nasser, em 12 de novembro, desde que a soberania egípcia não fosse violada. Três dias depois, a Força de Paz da ONU chegou ao Egito, e em 4 de dezembro avançou para o Sinai. Lá, permaneceria durante 10 anos.
O Brasil integrou, ao longo desse tempo, a Força de Emergência das Nações Unidas, com o 3° Batalhão de Infantaria/2º R.I., cuja base ficava na Vila Militar, Rio de Janeiro. A unidade ficou baseada na Faixa de Gaza e no Sinai, entre 1957 e 1967, integrando a 1a Força de Emergência das Nações Unidas. Foi a primeira experiência das Forças Armadas brasileiras em missão de paz da ONU. O batalhão integrava aproximadamente 600 efetivos, que se revezavam em períodos de aproximadamente 6 meses. Passaram por Suez uns 6.000 oficiais e praças brasileiros. O Brasil exerceu o comando operacional da UNEF 1 em duas oportunidades: de janeiro a agosto de 1964, com o general-de-brigada Carlos Paiva Chaves, e de janeiro de 1965 a janeiro de 1966, com o general-de-divisão Sizeno Sarmento::

 

 

 

 

 

 

27/01/2009

Um sistema de armas às terças::Centurion-Sh´ot::Se não o melhor, um dos melhores::

E causa:: volta com a mais popular das colunas (essa coisa chama “coluna”..? Socorro, alguém que entenda do assunto!!!): “Uma sistema de armas as terças”, para quem já se deliciou com “Uma moça às segundas“, lá no PD. Sinceramente? A moça é jóia, mas sou mais o tanque… Divirtam-se! 

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Em 1943, o Departamento de Projetos de Tanques do Exército britânico foi consultado sobre um novo tanque pesado, designado A41. A preocupação maior do alto comando era a ameaça dos canhões alemães de 88 mm, e o Ministério da Guerra demandava um aumento da resistência geral, confiabilidade,  e a capacidade de resistir ao impacto direto de um “eight-eight“. Tudo isso sem superar o peso de 40 t – capacidade máxima das carretas de transporte usadas na época…

O DPT respondeu apresentando um desenho no qual uma suspensão de seis rodetes de retorno, em que o espaço entre o segundo e o terceiro rodetes era aumentado. A suspensão adotada foi do tipo Horstman, com molas horizontais externas. O casco foi desenhado em torno da blindagem inclinada (sloop armor) preparado para receber uma torre parcialmente fundida montando um canhão de alta velocidade e 76,2 mm (“17 libras”, na referência inglesa). A planta de potência era a Rolls-Royce Meteor, uma versão para tanques do motor Merlin de 20 cilindros.

Logo ficou claro que um veículo de 40 toneladas ,não seria capaz de resistir a impactos de 88 mm. Fora isso, o desenho mostrou-se soberbo, nos testes, de modo que o projeto de uma versão mais pesada logo foi iniciado. O A41 mostrava ter a resistência dos tanques de infantaria e a velocidade e agilidade dos tanques-cruzadores. Seu desempenho acabou convencendo o alto comando britânico a criar designação de “tanque universal”, que eliminava a diferença entre os dois tipos de veículo. O protótipo de 40 t foi denominado “Centurion Mark I”.

O Mark I apresentava certas características de desenho que o igualavam ao Pantera alemão e ao T-34 soviético: blindagem muito dura com desenho sloop em todas as superfícies frontais, e uma torre com forte proteção. Ainda assim, mostrou-se razoavelmente veloz e muito manobrável. Logo surgiu uma versão Mark II, com blindagem aumentada. Foi essa versão que entrou em produção de série, embora não a tempo para participar de qualquer das frentes da Segunda Guerra Mundial.

Pouco antes da entrada em serviço, a Real Fábrica de Artilharia completou os testes de um canhão de 84 mm (“20 libras”), que se mostrou extremamente potente. Esse foi o armamento principal da versão Mark III do Centurion, montado numa torre totalmente fundida. A nova versão também incorporou um sistema de estabilização automatizado para o canhão, de modo a possibilitar tiros mais precisos em movimento, motor mais potente e novo sistema de pontaria. A produção do Mark III começou em 1948-49, tornando-se a versão padrão do exército britânico.

Centurion Mk II em exposição no Museu Militar do Reduto, nos EUA

Centurion Mk II em exposição no Museu Militar do Reduto, nos EUA

 

 

Em meados dos anos 1950, o aparecimento do tanque soviético T-54 levou a que os britânicos se convencessem da necessidade de redesenhar o Centurion, de modo a dota-lo da versão L/7 (para tanques) do canhão L/52 de 105 mm. Este projeto, completado poucos anos antes, se mostrou extremamente bem-sucedido. Todas as versões do tanque, nos vinte anos seguintes, utilizaram o canhão L/7 como armamento principal.

O Centurion foi produzido até 1962, e continuou em serviço, no exército britânico e nos países da Commonwealth até 1980. Variantes especializadas (veículos de engenharia de combate e de manutenção de campanha) estiveram na ativa até 1994. Os Centurions participaram da Guerra da Coréia e da Guerra do Vietnam (em unidades autralianas) e estiveram nos regimentos aquartelados na Alemanha durante a Guerra Fria. A versão de demolição viu ação na operação “Tempestade no Deserto”, em 1991.

Um lote de Centurions Mark III foi entregue a Israel em 1963, dos estoques ingleses. Até então, o principal tanque do inventário israeli era o Sherman M-50, norte-americano, que tinha passado por diversas adaptações locais. A opção pelo Centurion foi feita depois que os norte-americanos recusaram-se a fornecer os tanques M-48 Patton, capazes de fazer frente aos T-54 e T-55 entregues pela URSS aos exércitos do Egito e Síria.

As FDI tiveram, no início, grandes problemas de treinamento e manutenção com os Centurions. O sistema, projetado tendo em vista as condições européias, mostrou-se muito frágil para o tipo de terreno encontrado no Oriente Médio. As constantes falhas mecânicas acabaram por levar os israelis a recolherem todos os Centurions disponíveis e proceder uma completa reengenharia da parte mecânica. Além do mais, os próprios norte-americanos afirmavam que o canhão de 84 mm da versão Mark III era insuficiente para encarar a blindagem de mais de 100 mm dos novos tanques soviéticos. Em 1965, Israel adquiriu alguns M-48 da Alemanha e várias centenas de canhões L7 diretamente dos britânicos, peças instaladas nos Centurions. O resultado foi um tanque bastante diferente da versão original, razão pela qual foi re-designado de

Concepção artistica da primeira versão do Sh´ot, estando bem visivel o canhão L/7
Concepção artística da primeira versão do Sh´ot, estando bem visível o canhão L/7

Sh´ot (“Açoite”) pelas FDI. Em 1966, as dificuldades financeiras britânicas os fizeram aceitar a participação de Israel no projeto do tanque de batalha (Main Battle Tank, ou MBT, em inglês) Chieftain. Além da participação no projeto, os ingleses abriram aos judeus a oportunidade de adquirir mais três centenas de Centurions Mark V disponíveis em seus estoques. Todos esses foram convertidos para a versão Sh´ot, e tiveram participação destacada na Guerra dos Seis Dias: os M-48 jordanianos foram amplamente derrotados pelos tanques israelis repotenciados. Depois da guerra, os M-48 e até mesmo os Sherman M-50 receberam o upgrade planejado para os Centurion. Por outro lado, a superioridade de desempenho do motor Continental instalado nos M-48 norte-americanos levou Israel a substituir a planta de potência original de seus Mark III e V por versões importadas desse motor.

Depois de 1967, entretanto, o governo britânico, seguindo a tendência européia, passou a não entregar sistemas de armas de última geração aos países do Oriente Médio. O resultado foi o cancelamento da participação de Israel no projeto do novo  tanque de batalha britânico. Prevendo a dificuldade em conseguir, futuramente, armamento de primeira qualidade, o governo determinou que a indústria militar local iniciasse o projeto para dotar as FDI de um tanque totalmente fabricado nacionalmente. Essa foi a origem do projeto Merkava, mas enquanto este não era posto em serviço (o que só iria acontecer no início dos anos 1980), a solução foi a compra de todos os lotes disponíveis de Centurions, e do M-60 (uma versão muito melhorada do M-48) diretamente dos EUA.

A experiência militar de Israel resultou em diversas modificações nos aproximadamente 550 Centurions que passaram por suas unidades blindadas. A disponibilidade, pelos principais adversários árabes, dos mais modernos blindados do arsenal soviético obrigou a constantes respostas, em termos de modernização e aumento do armamento. Em meados dos anos 1990, dificilmente os projetistas do A41 de 1945 reconheceriam seu projeto; mesmo a silhueta do tanque tinha mudado fortemente. Foi nessa época que ampla disponibilidade do modelo local Merkava levou à retirada de serviço dos últimos Centurions.

O filminho a seguir é muito interessante, por mostrar as capacidades de manobra e velocidade do Centurion, e, no final, o método de pontaria desenvolvido pelos ingleses no final dos anos 1950 e que se tornou padrão até o surgimento dos telêmetros a laser.

http://www.youtube.com/watch?v=STSJdT2Ih_o

 

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