Um sistema de armas às terças::F-16 Fighting Falcon


Certos blogueiros adoram mulher, ao ponto de colocá-las no seus blogs como assunto… Nada contra. Tendo a concordar – mulher é bom, bonito e… ahnnn… interessante (digamos assim). Mas neste blog, lamento: elas só entrarão caso estejam relacionadas com uma guerra qualquer. Quem sabe… Golda Meir; ou Margaret Tatcher… Condi Rice (tem caras por aí tarados o suficiente para querer ver a Condi pelada).

Não, não. Não farei isso com os leitores. Melhor eleger um bom sistema de armas, que seja altamente sofisticado, lindo. Sexy.

Está combinado, então – toda terça-feira, um sistema de armas. :c) Sempre os meus favoritos.

 








Lockheed-Martin F-16 Fighting-Falcon

Tipo: Caça

 Ano: 1976 

Operadores: Bélgica, Chile, Cingapura, Coréia do Sul, Dinamarca, Egito, Emirados Árabes, Estados Unidos, Grécia, Holanda, Indonésia, Israel, Noruega, Nova Zelândia, Paquistão, Portugal, Tailândia, Taiwan, Turquia, Venezuela 

Motorização: 1 turbofan Pratt & Whitney F100-PW-220 ou General Eletric F110-GE-129 (últimas versões), com pós-combustão 

Pesos: Vazio, 8.433 kg; Máximo na decolagem, 19.187 kg 

Dimensões: Altura, 5,09 m; Envergadura, 9,45 m; Comprimento, 15,03 m 

Performance: Vel. Máxima, Mach 2.05 a 16.000 m; Vel. máxima ao nível do mar, Mach 1.2; Teto de serviço, 16.750 m; Carga G máxima em curva estreita +9 

Autonomia: Máxima (com tanques externos), 3.891 km; Raio de ação,547 km

Armamento: 1 canhão rotativo multicanos Vulcan M61 20 mm com 860 salvas; Mísseis: AAM – IR AIM-9 Sidewinder, ASRAAM; médio/longo alcance guiado por radar – AIM -7 Sparrow, AIM-120 AMRAAM; ASM AGM-84E SLAM, AGM-154A/B JSOW e AGM-65 Maverick, ARM AGM-88 Harm e Shrike; anti-navio, AGM-65 Harpoon, bombas guiadas a laser, guiadas por GPS, JDAM e queda livre.

 

 

Histórico e aspectos técnicos gerais

Mesmo com quase pouco mais de 25 anos de serviço, o Lockheed-Martin F-16 Fighting Falcon (“Falcão-caçador”) continua sendo uma dos principais aeronaves de combate do mundo, e provavelmente ainda permanecerá em atividade no mínimo pelas próximas duas décadas. Suas origens remontam aos primeiros anos da década de 1970, resultantes do programa LWF (Light-Weight Fighter, ou “Aeronave de Caça Leve”). Inicialmente, tratava-se de um estudo da Força Aérea dos EUA destinado a demonstrar a viabilidade de uma aeronave leve, com boa capacidade de combate e baixo custo. Transformado em RFP (Request for Proposals – “Solicitação de Propostas”), o programa despertou interesse em cinco empresas, das quais duas foram selecionadas pela USAF em abril de 1972: Northrop, com o Project 600 Cobra Concept (designado YF-17 pela USAF) e General Dynamics (depois adquirida pela Lockheed) com o Model 401 (para a USAF, YF-16). O YF-16 revelou-se, na fase de protótipo, superior ao YF-17 em quase todos os parâmetros: aceleração, autonomia e raio de ação. Em janeiro de 1975 a USAF declarou o avião da General Dynamics vencedor, anunciando, em julho, uma aquisição inicial de 650 unidades do F-16A (monoposto) e F-16B (biposto).

 

O objetivo do projeto era fornecer um equipamento destinado a complementar as capacidades do F-15A Eagle da McDonnel-Douglas, que tinha entrado em serviço em 1974 e era um caça de superioridade aérea.

O F-16A/B de série era equipado com o radar AN/APG-66, e aviônicos, equipamentos eletrônicos e plataforma de tiro bem mais modernos do que os das versões de teste. O canopí “bubble” de plexiglass de alta densidade proporciona ao piloto amplo campo de visão para o piloto. O assento ejetável ACES II zero-zero inclinado a 30º possibilita alta tolerância a cargas g e escape em altas velocidades. O F16 foi o primeiro caça norte-americano equipado com o sistema HOTAS (hands on throttle and stick), sistema que substituí o tradicional manche central e permite ao piloto realizar as principais operações de controle com uma única mão.

O armamento principal constitui-se de um canhão GE M61A1 Vulcan de 20mm, de uso múltiplo. Para missões ar-ar são utilizados mísseis aam (air-to-air míssil) IR AIM-9 Sidewinder, de guiagem infravermelha, capazes de engajar alvos a curto alcance e numa posição de no máximo 15 graus em relação à proa da plataforma. Posteriormente, uma versão dos A/B conhecida como Block 15 recebeu radares que permitiram a utilização do míssil BVR (beyond visual range – “fora do alcance visual”) AIM-7 Sparrow. Atuando como aeronave tática, o F-16A/B pode ser dotado de bombas tipo cluster, guiadas a laser, de queda livre e mísseis anti-radar Maverick.

Tendo sido adquirido em grandes quantidades pelos EUA e por diversos países aliados, os lotes iniciais de F-16A e B passaram por várias melhorias logo ao início de sua vida operacional, que atingiram os sistemas da aeronave, estrutura, equipamentos defensivos, radar, capacidade de manobra e motorização. Muitas vezes, essas mudanças resultavam num equipamento totalmente recondicionado, em “estado de arte”. Entretanto, mesmo depois dos upgrades, a aeronave mantinha a designação F-16A ou B, mas adicionava um novo block number (número de lote): Block 5, Block 10, Block 15, dependendo da época e intensidade das modificações. Em 1982, a partir da série “lote” 25, mudanças mais profundas, projetadas para aeronaves novas de fábrica introduziram outra notação: F-16C (monoposto) e F-16D (biposto). Essas aeronaves foram as primeiras a operar o míssil ar-ar AIM-120 AMRAAM (Advanced Medium-Range Air-to-Air Missile – “Míssil ar para ar avançado de médio alcance”). Trata-se de um vetor super-sônico com alcance de 60 quilômetros e incorporando o conceito fire and forget (“atire e esqueça”), ou seja, guiagem totalmente independente de três fases: lançamento orientado pelo computador da aeronave; fase de vôo, com sistema de navegação inercial totalmente passivo, imune à contramedidas; engajamento do alvo, guiado por radar ativo. Os F-16C/D podiam realizar missões ar-ar e ar-terra com alto índice de eficiência, o que os tornava superiores aos F-16A/B, otimizados apenas para missões ar-ar, tendo as missões ar-terra como complementares, ou seja – não podiam ser considerados verdadeiros caças táticos.

Os F-16C/D são, de fato, novas aeronaves que utilizam a plataforma F-16. Receberam um novo radar, o AN/APG-68, HUD (head-up display, um sistema que projeta dados no visor do capacete do piloto, permitindo-lhe olhar para a frente durante 85 por cento do tempo de missão) de ângulo aberto, GPS, MFD (multi-frequency discriminator, um tipo de localizador de freqüências que permite à aeronave identificar de que tipo de rastreamento está sendo alvo) e capacidade de ECM – contramedidas eletrônicas.

Nos anos 90, a plataforma passou por novos aperfeiçoamentos, baseados principalmente na experiência de combate real obtida na Guerra do Golfo e nas sugestões feitas pelos israelenses (tidos pelos próprios norte-americanos como os melhores pilotos de F-16 do mundo). O resultado foram os F-16CG/DG “lote” 40/42, equipados com nova motorização e um controle de vôo digital integrado totalmente novo, incorporando capacidade de combate all-weather (“qualquer tempo”, que permite ao piloto voar em visibilidade 0-2, ou seja, nenhuma) obtida através de acompanhadores de terreno look-down (radares secundários que “enxergam” a altitude graças a interpretação de ondas de freqüência altíssima lançadas diretamente ao solo) e designadores de alvo a laser. A partir dessa versão, os Fighting-Falcon passaram a ser totalmente pilotados por 16 computadores integrados, que tanto conduziam a plataforma quanto monitoravam e engajavam os alvos. O piloto apenas supervisionava o conjunto, determinando direção, velocidade e despacho do armamento. Quando a velocidade supera os 1320 km/h ou em certas situações (por exemplo, curvas de alto g) é “impedido” de pilotar, total ou parcialmente, pelo computador.

A série atual do F-16 é o “lote” 50/52. A variação da numeração indica a motorização (50 – Pratt&Whittney; 52 General Eletric). Os novos F16CJ/DJ incorporam melhorias consideráveis em seus equipamentos. O radar AN/APG-68V.5 é capaz de operar em 25 modos ar-ar e ar-superfície – quer dizer, monitora 25 alvos ao mesmo tempo, no ar e na superfície, podendo “enxergar” alvos no ar a distâncias que chegam a 296 km e alvos de superfície em movimento e cursos discrepantes.

A versão F-16CJ/DJ “lote” 50/52 foi oferecida ao Programa F/X da FAB, no início da década de 2000. Não tinha grandes chances, visto que, apesar da previsão de longa vida útil, essas aeronaves já eram consideradas ultrapassadas. Entretanto, agora essa situação mudou um pouco. Com as dificuldades observadas na adaptação do novíssimo Raptor F-22 e os atrasos no programa JSF, que incorporará o F-35 como substituto do F-16, a USAF contratou, junto à Lockheed-Martin um programa de modernização de todos os seus F-16, que permitirá a incorporação de alguns dos componentes do F-35 e da nova geração de armamentos planejados para essa nova aeronave. Alguns especialistas consideram que, lá pelo ano 2025, a USAF talvez ainda esteja operando o F-16, o que o fará uma das aeronaves de vida útil mais longa da história do poderio aéreo.

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7 pensamentos sobre “Um sistema de armas às terças::F-16 Fighting Falcon

  1. Este é um bom exercício para as terças. IMHO O que acho interessante na concepção do Falcon é que ela representa um modelo de transição dos grandes interceptadores especializados para os pequenos e ágeis caças multifuncionais.

    Inclusive o F/A-18 Hornet da marinha foi um “sobrinho” do finado F-17 da Northrop que perdeu a concorrência para o Falcon não?

    Eu confesso que nunca botei muita fé nele para o F-X brasileiro, primeiro pelas limitações de transferência de tecnologia porém acho que ele seria uma boa opção para substituir os F-5 (que ainda vai demorar mais uns bons anos com a versão F-5M).

    De qualquer forma o F-16 foi para mim um dos últimos representantes dos tempos antes da BVR caças de verdade do tempo em que a agilidade e habilidade contavam muito. Estarei sendo um falso nostálgico.

    Se aceita uma sugestão recomendo o site http://www.acig.org é um bom grupo de na database de oriente médio há uma artigo sobre os F-16 israelenses em combate.

  2. Valeu, Renato pela sugestão!

    A esta altura, acho q tvz seja mesmo melhor esperar para ver a possibilidade de adquirir um caça de 5a geração. Eu torcia (como 80 por cento dos caçadores da FAB) pelo SU35. Os outros 20 por cento Estavam pelo Mirage 2000.

  3. Bitt,

    parabéns pelo teu blog. Não sou fã de guerra, nem de armamentos, mas leio seu blog de forma cotidiana. Fui pego pelo teu artigo sobre a necessidade ou não da bomba sobre Hiroshima e Nagasaki. Muito bom!

  4. Eu também torcia pelo SU-35 acho que a estrutura tem mais futuro que o já combalido Mirage (se pelo menos fosse o Rafale).

    Mas devagar andam as coisas, espero que saia o F-X2 para resolver isso de uma vez. Enquanto, em terra, o projeto do substituto do Urutu já deu partida.

  5. Bitt, você acha que ainda há possibilidade de termos os SU35, atualizado de preferencia?
    Neste novo cenário de polarização entre os EUA e a Russia é capaz de os gringos nos darem de graça um lote de F16C…

  6. Rodrigo, acho q agora não… Segundo meus amigos do ramo, a FAB prefere esperar pra ver o q vai aparecer no mercado. A questão básica é q a diferença de performance entre os caças de 4a geração estendida e os de 5a é enorme, e o investimento poderia ser posto no lixo em dez anos. E tem outra idéia, q é projetar um avião aqui mesmo. Seria algo do tipo do caça chinês ou do coreano. Essa idéia eu acho fantástica – já temos tecnologia pra isso

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