Um sistema de armas às terças::Antey 2500 (S-300V) Mobile Universal Air & Missile Defense System


Uma notícia esquisita, dentre as diversas notícias esquisitas divulgadas na semana passada.

(O Globo)Irã diz ter planos para contra-atacar(20 de setembro)

Em outro foco de tensão, o vice-comandante de operações da Força Aérea Iraniana, Mohammad Alavi disse que existe um plano para bombardear Israel caso seu país seja atacado. Analistas especulam que Israel poderia realizar um ataque preventivo contra usinas nucleares do Irã, onde países ocidentais acreditam que Teerã desenvolva tecnologia para fabricar bombas.

Já Condoleezza Rice criticou a estratégia da agência da ONU para o caso e defendeu “uma diplomacia com dentes” para deter os planos iranianos.

– A via diplomática pode funcionar, mas é preciso trabalhar com incentivos e dentes.

Caso seja realmente realizado um ataque contra o Irã, o que os israelenses e seu “irmão maior” poderão encontrar pela frente? Certamente não um país totalmente banguela. E que “dentes” parecem estar realmente preocupando as competentes forças de defesa de Israel?

Em uma palavra: o Sistema Móvel Universal de Defesa Aérea e Anti-Míssil Antey S300V.

É um projeto da empresa Antey, do conglomerado estatal russo de defesa Almaz-Antey, sobre o qual falamos semana passada. O objetivo do projeto é oferecer um sistema de defesa anti-aérea e anti-míssil em “estado-de-arte” e, ainda assim, acessível a países que não poderiam arcar com os custos de tecnologia de última geração.  

Trata-se de um upgrade do já bem conhecido S-300, sistema russo de defesa aérea e contra mísseis projetado pela Almaz-Antey, cuja função é a defesa contra aeronaves e mísseis de cruzeiro. Projetado para a Força de Defesa Aérea da União Soviética no início dos anos 1970, tem sido aperfeiçoado desde então, recebendo desde novos radares e sistemas de guiagem até novos veículos transportadores.

Esse sistema foi reconhecido, nos meados dos anos 1980 como uma das mais mortíferas ameaças que uma aeronave pode encontrar num campo de batalha moderno. Em suas versões mais recentes, apresenta eletrônicos altamente avançados e resistentes à contramedidas, e vetores de grande capacidade de manobra e dotados de cabeça de combate de alta eficiência. Isto os torna capazes de engajar e superar desde aeronaves pilotadas até mísseis balísticos, em perfil de vôo de todas as altitudes.

Correntemente, existem três versões em serviço.

A mais antiga delas é o S300P (denominado pela OTAN como SA-10 Grumble), que se tornou operacional em 1978. Esse sistema foi sendo aperfeiçoado até os meados dos anos 1980, pois o radar da versão original, um sistema conhecido como TVM (Track Via Missile), apresentava problemas em rastrear alvos em vôo de muito baixa altitude. O TVM consiste num radar semi-ativo combinado com um sistema de guiagem a rádio de alta freqüência, e corrigir os problemas significaria praticamente recolher o armamento. Na época, os soviéticos decidiram introduzir um sistema totalmente separado, criando um novo equipamento de guiagem, que capacitou o Grumble a engajar alvos voando a 25 metros de altitude, ou seja, na linha do solo.

Por volta de 1985 uma nova versão apresentava um vetor, o 5V55KD. O lançamento era feito “a frio” (que hoje é característica estandartizada dos vetores do sistema), através de gás inerte sobre alta pressão. As versões posteriores utilizavam um sistema de guiagem baseado em radar semi-ativo e capacidade para cabeça de combate nuclear. O novo sistema de guiagem aumentou a precisão do conjunto, e lhe deu capacidade anti-balística verdadeiramente eficaz. 

Esse sistema é transportado por caminhões de 4 eixos GAZ, imagem muito comum nas paradas militares de Primeiro de Maio, na Praça Vermelha da antiga União Soviética.

As duas outras versões são variantes do sistema s300V, bastante diferente dos S300 originais, a começar pelo veículo transportador sobre  esteiras, cuja mobilidade é considerada da classe “qualquer terreno”. Co

nsiste em um conjunto de sub-sistemas  que incluí radares TVM aperfeiçoados, um posto central de comando com equipamentos de comunicação e contra-contramedidas eletrônicas (ECCM) e vetores interceptadores. Esse sistema, ao contrário daquele q foi nosso tema da semana passada, utiliza mísseis de longo alcance, todas as altutudes  e com capacidade de atuar em qualquer condição meteorológica. O sistema é pensado para a proteção de forças móveis e posições estáticas. É eficaz para a interceptação de mísseis táticos de interdição, sistemas livres e mísseis balísticos de médio alcance. Possui capacidade de interceptar mísseis de cruzeiro, aeronaves de asa rotativa e aeronaves não-tripuladas.

Utiliza dois tipos de vetores.

O 9M83ME (Tipo I, conhecido pela OTAN como SA-12A Gladiator) pode ser usado contra mísseis balísticos de curto e médio alcance, e também contra foguetes livres do tipo Scud, Esses vetores tem alcance de até 1.100 km, e uma velocidade final (de queda) de cerca de 3000 metros por segundo. Em modo de interceptação de aeronaves, pode engajar um alvo voando numa altura de até 25.000 metros, à distâncias de até 75 quilômetros do ponto de bateria. O Gladiator alcança uma velocidade maxima constant de 1700 metros por segundo (aproximadamente 7000 quilômetros por hora), o que o torna efetivo contra qualquer tipo de vetor atmosférico atualmente em serviço.

O 9A82ME (Tipo II, conhecido pela OTAN como SA-12B Giant) é o vetor do sistema projetado principalmente com vistas à interceptação de mísseis balísticos de médio alcance (os sistemas conhecidos como MRBM), com alcance de até 2.500 quilômetros e velocidade final de 4.500 metros por segundo. Alvos similares voando em altitudes pré-mesosféricas – 30 a 35 mil metros) podem ser engajados à distâncias de até 200 quilômetros a uma velocidade de 2.600 metros por segundo.

Cada unidade pode engajar múltiplos alvos através de um radar de alerta antecipado e um ou mais radares de varredura setorial, unidades de guiagem multicanal e um posto de comando reunindo equipamentos de comunicação e de ECCM. As unidades de disparo compreendem transportadores/lançadores, cada um carregando quarto vetores Gladiator. No caso do Giant, o veículo lançador transporta dois vetores, sendo que outros dois são mantidos em reserva em um veículo separado. A unidade típica de lançamento, conforme a doutrina do exército russo consiste de grupos de unidades de lançadores de interceptadores de médio alcance ou de uma combinação de lançadores de interceptadores de médio e longo alcance.

Os investimentos feitos no projeto também visam um vazio existente no mercado para a venda de kits de upgrade para as diversas versões S300P do Sistema Almaz de Defesa Aérea e contra Mísseis, que dispõe de diversos usuáriosos princpais sendo a China, o Vietnam, a República de Chipre (que transferiu suas baterias para a Grécia) e a Índia, além de diversas ex-repúblicas soviéticas. A Argélia, o Irã e a Síria possuem sistemas em número desconhecido e não existem informações sobre se estão operacionais.  

O equivalente mais próximo do S300V é o norte-americano MIM-104 Patriot. Mas o sistema russo é muito maior e utilize mísseis mais pesados. Embora nenhuma das versões do S300 tenha sido testado em combate, especialistas da Europa Ocidental tem afirmado que a posse dessas armas em mãos de sírios e iranianos consistirá em séria alteração no equilíbrio de forças da região. A insistência dos EUA para que a Rússia não vendesse esses sistemas aos dois principais inimigos de Israel parece confirmar essa hipótese.

Pois é… Os judeus tem com que se preocupar. Assistam o filminho. Dá pra ver porque::

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15 pensamentos sobre “Um sistema de armas às terças::Antey 2500 (S-300V) Mobile Universal Air & Missile Defense System

  1. Céus, é sensualidade demais para esses tempos quentes e secos no planalto. 🙂

    Sempre achei interessante essa diferença entre as doutrinas orientais e ocidentais em termos de como lidar com o poderio aéreo. Os russos sempre tiveram uma grande preocupação com a estrutura de defesa aérea enquanto para os ocidentais a solução está em caças melhores. Um quer resolver o problema do chão, o outro dos ares.

    Porém, no vietnam quando os americanos se dispuseram a um ataque em larga escala as coisas complicaram para os defensores. Pois apesar da alta concentração, o sistema de defesa não conseguiu segurar os B-52. Afinal não foram abatidos em número suficiente para frear a ofensiva. E com os portos negados pelas minas americanas, logo não puderam repor a municação e voltaram para a mesa de negociação. Nesse ponto imagino como os resultados do bombardeio americano (operação linebacker 2) foram decepcionantes e assustadores para os soviéticos.

    No oriente médio, houveram momentos em que as defesas egípcias e sírias conseguiram compensar a ausência de superioridade aérea, e negar o apoio aéreo da IAF. Mas novamente não conseguiram sustentar essa situação.

    Portanto me pergunto esse foco da doutrina russa em defesa antiaérea realmente funciona?

  2. Bitt:

    As últimas “guerras” estão se dando em local quente (durante o dia) e sêco, os melhoramentos em defesa aérea estão sendo testados. Desenvolvimento em equipamento aéreo, aviônicos e mísseis também.
    Sua cobertura sobre o assunto é impecável, parabéns.
    Curiosidade mata.
    Há alguma preocupação no desenvolvimento de veículos anfíbios e outros equipamentos do tipo por aí?

  3. Pingback: Pobres quartas-feiras

  4. Não existem provas concludentes de que o Irão, a Síria ou a Argélia já possuam os sistemas anti-aéreos S-300V (NATO codename SA-12A Gladiator). Tudo não passa pois de meras especulações.

    Segundo informações pesquisadas noutras fontes, o Departamento de Defesa dos EUA afirma que nada no mundo pode deter os ataques aéreos em massa e as suas missões de saturação e destruição de defesas inimigas, estejam elas onde estiverem!

    É a velha máxima da doutrina do Poder Aéreo:
    “-Uma Força Aérea moderna deve estar sempre em largo adiantamento sobre os avanços inimigos do momento, ou seja, “um passo à frente” de quaisquer tipos de ameaças, sejam quais forem!
    Apreciar a evolução futura da situação estratégica global, imaginar um Sistema de Armas susceptível de fornecer capacidade requerida para esta evolução, visar a qualidade técnica adaptada que farão a permanência da superioridade bélica das aviações militares dos nossos aliados ou dos nossos adversários, estes são os deveres prioritários constantes de um Estado-Maior encarregado de procurar em permanência o Instrumento Militar Supremo para uma eficiente Política de Defesa!
    O Poder Aeroespacial constitui, muito mais do que qualquer outro domínio, o principal índice revelador da vitalidade e capacidade de uma nação. Nele, está sintetizado o supra-profissionalismo e a dinâmica intelectual dos seus melhores recursos humanos, a capacidade empreendedora do seu tecido industrial e da sua ciência de ponta, materializando-se como o factor mais decisivo na escala da hierarquia dos estados e do respectivo gráu de influência, seriedade e credibilidade ao nível global. Torna-se evidente que o Poder Aéreo aliado à alta tecnologia, sempre transmitiu uma imagem mais forte do que qualquer outra. A aviação militar representa a expressão máxima do Poderio Militar Mundial, sendo a única componente intrinsecamente estratégica. É também a única com capacidade de Projecção Global de Força, dotada com a exclusiva capacidade de velocidade de intervenção como Força de Reacção Rápida, instantânea e em permanência, até quando, quanto, e onde for precisa.
    Uma capacidade industrial e tecnológica elevada na área aeroespacial, traduz-se, em termos reais, na avaliação da Força Total de um estado, serve de alicerce ao Peso do Poder e define a hierarquia da Unidade Política no conceito das relações internacionais.
    Não é por acaso que os EUA sempre foram, ao longo do Século XX, o principal bastião da Liberdade e o maior garante da Segurança, da Lei, da Ordem, da Justiça, da Democracia e da Paz no mundo. Se os EUA têm a maior importância política, a maior influência, o maior prestígio e a maior relevância a nível mundial, se na premente necessidade de encimarem uma luta contra o Eixo do Mal formado pelos estados párias e regimes tiranocráticos que têm programas de armas de destruição maciça ou que apoiam o terrorismo internacional, se são capazes de ir contra tudo e contra todos, inclusivé contra influentes organizações mundiais como a ONU ou se durante mais de sessenta anos foram um autêntico braço de ferro contra o Bloco Comunista da ex-URSS… tudo isso se deve exclusivamente à colossal força hegemónica do seu impressionante Poder Aéreo, capaz de por si só dominar o mundo!
    É este Poder Aéreo, extremamente avassalador e dominante, que sempre legitimou as pretensões mais ambiciosas dos políticos e militares norte-americanos, a bem da Democracia e da Liberdade, contra o Terrorismo e contra os regimes párias selvagens, ditadores e fascistas (Irão, Síria, Coreia do Norte…), que o fomentam e patrocinam.
    Quando os EUA querem ir para a guerra, nada os impede, simplesmente o mundo pára… e assiste!”

    (Publicado recentemente na Revista “Mais Alto” – FAP).

    Saudações!

    Manuel Cunha (Tenente especialista da FAP-Força Aérea Portuguesa)

  5. Bem Proftel, no caso dos dias não sei se poderia concordar. Os ataques iniciais, aqueles planejados justamente para derrubar as defesas antiaéreas são noturnos. Os bombardeios iniciais na antiga iugoslávia, kossovo e iraque foram noturnos. Creio que a única exceção foi o Afeganistão, mas os talibãs também não tinham nada muito avançado para defesa antiaerea.

    Depois das defesas eliminadas aí sim os ataques foram para o dia.

  6. Renato:

    Sim, coloquei o “durante o dia” vinculado ao clima quente e sêco, desértico, sei que as noites são extremamente frias e os ataques iniciais foram noturnos.
    O bitt tem escrito muita coisa nova em relação ao armamento utilizado nessas condições, meu questionamento é quanto ao desenvolvimento de armas para uso por exemplo numa região onde um desembarque marítimo for necessário.
    🙂

  7. prof, sds
    Sei da existência de armamento “tropicalizado”, ou seja, adaptado para condições extremas de temperatura e rusticidade. As aeronaves e veículos de combate têm versões deste tipo – basta citar que os americanos estão “perdendo” equipamento numa taxa mto mais alta do que o esperado em função do desgaste provocado por abrasão – vento, calor e areia, combinados. Imagino q os mísseis devam ser assim pq tem mto material eletrônico embarcado.

  8. Obrigado pelo excelente comentário. Embora não concordemos politicamente, certamente convergimos no que diz respeito à área técnica (embora meus conhecimentos estejam mais no campo de relações internacionais e história militar).

    Certamente a possibilidade de que sírios ou iranianos resistam eficazmente a um ataque dos EUA é nula. Entretanto, a presença de sistemas avançados de def. AA nesses países desencorajaria Israel, e é este o ponto q defendo. Qto à presença de sistemas S300V nos países citados, de fato, vc tem razão – encontrei citações à presença do SA10 na Argélia e a possibilidade não confirmada de entrega de SA12A ao Irã.

    De toda maneira, a presença de baterias TOR (SA19) no Irã (e, possivelmente na Síria) se torna um fator desencorajador de uma agressão. Por mais “democratas” e “fomentadores da liberdade” que sejam, as forças armadas dos EUA nunca parecem dispostas a enfrentar perdas do próprio lado, devido ao excesso de interferências na condução da guerra.

    Mas isto é outra história..

  9. Oi Proftel,
    ok entendi o seu ponto. 🙂 Realmente a diferença de ambiente pode provocar surpresas desagradáveis.
    Na I guerra do golfo, por exemplo, os tornados tiveram surpresas desagradáveis ao voar no deserto plano com o mesmo perfil planejado para a montahosa europa. O que custou vários tornados para a defesa aérea, incluindo 1 contra um Mig-29.

    Sobre os americanos, até concordo que seria de difícil para impossível resistir a um ataque deles em grande escala. Mas como eles geralmente estão atacando e não defendendo o conceito de baixas intoleráveis envolve números bem menores. Convenhamos as perdas do Vietnã e do Iraque atual são meras ferroadas na capacidade combativa dos EUA e mesmo assim já causam a comoção que vemos atualmente.

    Resumindo, taticamente eles podem, mas o conflito vai além do nível tático.

  10. Sr. Bitt

    Penso que o facto de haver esses sistemas de defesa aérea no Irão (cerca de 20 baterias TOR M1/SA-15 Gauntlet) poderá ser eventualmente um factor táctico sempre a ter em conta,… dissuasor e “desencorajador” é certo… um tanto limitativo, mas com certeza absoluta jamais impeditivo!

    Essas baterias autopropulsadas de defesa anti-aérea, à falta de comprovação em guerra real contra aparelhos ocidentais, têm logo à partida as seguintes considerações:
    Hipotéticamente têm tantas hipóteses de abaterem um qualquer avião norte-americano ou da NATO como serem imediatamente destruídas pelos próprios aviões (em missões específicas de supressão de defesas inimigas SEAD). Basta a sua rede operativa de radares de aquisição e comando e control ser eliminada para ficarem totalmente inoperativos. A partir daí, os autopropulsados serão fácilmente arrasados pelos mísseis anti-radiação (que há muitos e altamente letais). Esses sistemas anti-aéreos poderão eventualmente revelarem-se efectivos contra determinados tipos de aviões menos bem equipados em autodefesas, mas decerto serão inviáveis em relação a outros bem equipados com modernos e sofisticadíssimos sistemas ASPJ e de “jammings” activos (ECM/ECCM/LCM/IRCM/chaff/flares dispensers) que cobrem e interferem em toda a gama de espectros de frequências em “multi-salto”). Ora neste plano puramente de tecnologia de ponta na área electrónica quem domina, sem a menor dúvida, continuam a ser os ocidentais com um avanço aplastante por parte dos centros de pesquisa da USAF/US NAVY, centros de testes e pelos imensos institutos politécnicos dos EUA que sempre tiveram uma fortíssima presença no domínio da Defesa.
    Portanto, acredito veemente e com a máxima certeza que a Rússia, como reza o seu historial, nesse domínio continua a estar muitos degráus abaixo das capacidades dos EUA e da NATO.

    Muito mais perigosos que esses escassos sistemas terrestres de defesa meramente localizada (cujos lóbulos de cobertura podem ser fácilmente “driblados” por EW/ECM/ECCM/ELINT e contornados) são os ainda um tanto numerosos sistemas de defesa aérea altamente móvel, de cobertura aérea ampla e de longo alcance, com velocidade supersónica, capazes de cobrir rápidamente com um “guarda chuva” defensivo toda a amplidão do Irão e em todas as direcções, defendendo qualquer lugar do país por mais recondito e afastado que esteja! Estou óbviamente a falar dos cerca de 20 caças iranianos F-14A Tomcat (modernizados por vários programas de Upgrade), dos 40 excelentes Mig-29A Fulcrum-A foragidos do Iraque (e incorporados no efectivo da IRIAF), dos cerca de 45 pequenos F-5E Tiger II muito ágeis e altamente esquivos à detecção radárica e ainda dos cerca de 45 a 50 veteranos F-4D/E Phantom II que são sempre uns experimentados e perigosíssimos aparelhos a ter em conta. Os mísseis ar-ar por eles aerotransportados podem esticar ainda muito mais o alcance do seu longuíssimo aguilhão, já de si preocupante. Não esquecer que a IRIAF possui ainda um arsenal considerável de mísseis ar-ar de longo alcance AIM-54A Phoenix (equivalentes ao standard AIM-54C via-upgrade chinesa), imensas centenas de temíveis AIM-7E/F Sparrow (“upgradizados” com electrónica chinesa) e com capacidades fenomenais práticamente equivalentes aos modernos (AMRAAM) AIM-120C. Sabe-se que a IRIAF opera também um número substancial de mísseis ar-ar chineses PL-2/5/8/11/12 além de arsenais de avançados e perigosíssimos AA-10 Alamo e AA-11 Archer russos com capacidades multidireccionais “all aspect” (inclusivé para trás, via-capacete electro-digital HMS). Não esquecer ainda que os F-14A Tomcat (Upgrade), graças às capacidades possantes do seu avançadíssimo radar AWG-9, podem funcionar como detectores antecipados multidireccionais de ameaças aéreas, uma espécie de “mini-AWACS”. Esse radar pode detectar mais de 150 alvos simultâneamente a mais de 300Km de distância, identificar e seleccionar os 20 mais ameaçadores, e abater de uma só salva nada mais que 6 deles de cada vez com os mísseis ar-ar “dispare-e-esqueça”. Agora imagine-se o que poderão fazer os 20 interceptores Tomcat em cada dia/noite de missões. Podem realmente erguer uma muralha defensiva, sobre todo o Irão, prácticamente impenetável. Não é por acaso que os F-14 Tomcat foram durante 34 anos (até recentemente) os “guardiões da frota naval dos EUA”, montando em pareceria com o aparelho de detecção aérea antecipada E-2 Hawkeye (AEW) um “guarda chuva” protector sobre toda a frota de navios e submarinos da US Navy, cobrindo prioritáriamente os anéis dos perímetros de longa e média distâncias.

    Mas há ainda um aspecto importantíssimo e deveras vital a ter em atenção: o Irão não possui uma rede de Comando, Control e Comunicações C3I digna deste nome. De facto, é uma falha gravíssima e é precisamente por aqui que a porca troce o rabo!
    Uma nação desprovida duma rede desse género é certeiramente violável perante invasões do seu espaço aéreo e está derrotada logo à partida. A partir daqui:

    “-quem controlar o ar, dominará a terra e o mar” (Gen. Giulio Douhet)

    Esta é a “Chave da Vitória”!
    Em consequência, abre-se todo o processo duma derrota rápida, implacável, que destruirá não só todo o programa nuclear iraniano, como contemplará a destruição alargada de todas as instalações das forças armadas iranianas além da destruição física das suas componentes própriamente ditas. Tal como no Iraque, essa campanha de ataques aéreos visará em apenas 72 horas (segundo estimativas do Pentágono) não só o programa nuclear em pleno como o próprio regime tirano iraniano, derrocando-o pela base tal como um castelo de cartas.
    As forças armadas iranianas num todo, as bases aéreas, os sistemas de radar, as baterias SAM e AAA, os portos da Marinha Iraniana, os seus navios e lanchas, as vias de comunicação terrestres, as instalações do exército e seus veículos e tanques, as comunicações e redes de comando… e tudo que sirva de apoio e logística serão rápidamente destruídos quebrando-se a espinha dorsal do próprio país.
    As instalações do programa nuclear, dissimuladas e espalhadas um pouco por todo o mapa iraniano, serão visadas pelos ataques aéreos em pleno, estejam enterradas onde estiverem (nem que para isso sejam usadas bombas “penetrators” de alta precisão-cirúrgica ou até “mini-nukes” ou ainda engenhos nucleares tácticos).

    No fundo é a velha máxima:
    “-São os caças e os bombardeiros que, ao serem as forças bélicas mais poderosas, mais decisivas, mais dominadoras e mais predominantes em todas as frentes, ganham não só as batalhas cruciais como todas as principais campanhas.
    Ao contrário das outras forças, operam tridimensionalmente sobre todos os cenários bélicos, semeando a destruição por toda a parte… sobre a terra, sobre o mar e… no ar!
    Para além disso, com as suas bem sucedidas acções defensivas, impedem o alastramento das incursões inimigas para outras frentes, defendendo não meros pelotões de soldados ou ínfimos locais diminutos, mas países inteiros do espectro da Guerra!”
    (in As Grandes Batalhas Aéreas da Segunda Guerra Mundial).

    “-Ao nível táctico e estratégico, o Poder Aéreo é que modela todo o corpo da Guerra, destruindo nações inteiras, de dentro para fora, tornando-as infuncionais.
    Quando essas nações não pudem funcionar, as suas forças armadas seguem-lhes o exemplo!”
    (disse em 1945 o Gen. Dwight Eisenhower, comandante supremo das forças aliadas na Europa).

    “-O efeito moral e material dos bombardeamentos estratégicos supera largamente os efeitos das lutas terrestres numa proporção de 100 para 1. É fundamental criar o Maior Efeito Destruidor possível.
    Foi o Poder Aéreo aliado na Primeira e Segunda Guerras Mundiais, e em todos os conflitos que se lhe seguiram, que traçou e abriu o caminho para a Liberdade e para a Democracia, eliminando a Tirania!”
    (Gen. do Ar Hugh Trenchard da RAF num discurso na Câmara dos Comuns em 1945).

    “- Sem desprimor para as forças militares de superfície, que dentro das suas imensas limitações também fizeram o melhor que puderam, a verdade pura e crua é que foram os aviões aliados os grandes protagonistas das principais batalhas que viraram os ventos da História. Os aviões de guerra, foram (e continuarão a ser) destacadamente os meios bélicos que tiveram a acção mais arrasadora, mais vasta, mais abrangente e mais decisiva. Foram os meios aéreos que, actuando sobre as três dimensões (terra, mar e ar) com um alcance e uma abrangência incomparáveis, provocaram as maiores repercussões e geraram as maiores consequências para os países beligerantes. O que daí resultou foi a Ordem Mundial equilibrada pela balança de forças, com especial destaque para os Poderios Aéreos bipolares das duas superpotências EUA versus URSS!”
    (Revista “Mais Alto” – FAP).

    Ora nem mais!
    É bom que os regimes párias do Irão, Síria, Coreia do Norte, China, Rússia, Cuba, Venezuela, movimentos esquerdistas, comunas “Staline-saudosistas”, anti-imperialistas, anti-semitas, pró-islâmicos e outros escumas afins… aprendam o seguinte:

    “- Nenhuma nação jamais poderá garantir a sua defesa e integridade física sem o escudo protector de uma forte aviação!” (Gen. Billy Mitchell).

    “-Se o atacante conquistar o domínio dos céus, o defensor está perdido!” (Almirante Carl Vinson).

    Mas sugiro-lhe que leia também a minha intervenção no seu blog sobre o (SAM) TOR M1. Já lhe enviei duas vezes o mesmo texto, pos julguei que o sistema link de envio estava com problemas. Daí tentei por duas vezes. Deve encontrar lá alguma coisa! Veja isso, ok? Estão lá considerações importantes que o aconselho a ler com tempo e calma.

    Despeço-me com as melhores saudações e cumprimentos pessoais!

    Ten. Manuel Cunha (FAP)

  11. Ah Proftel, realmente sua preocupação é muito pertinente. No caso dos russos, lembro que eles tem um longo histórico de criação de máquinas resistentes a más condições de uso.

    Não sei se isso permanece no caso atual, mas nos tempos da guerra fria eles sempre tiveram essa preocupação

  12. Renato e bitt:

    Qualquer leitura mais aprofundada sobre as campanhas da II Guerra no norte da África mostra o estrago que a areia fazia nos motores a pistão.
    Foi desenvolvido na época o cromeamento dos anéis para melhorar a durabilidade dos motores à gasolina utilizados nos tanques Shermann, Jeep’s e aviões (são interessantes as fotos destes com enormes filtros de ar).
    Trabalho com equipamentos de informática aqui em Goiás, sei o que um cooler pode significar na durabilidade desse equipamento (aliás não monto um gabinete sem um cooler no HD, aumenta a durabilidade em até três anos).
    Fico aqui imaginando o que as interpéries não estão fazendo com esse equipamento delicado lá no Iraque, Afeganistão e possivelmente (espero que não), no Irã.
    Sempre que vejo fotos dos conflitos atuais procuro mirar o que há no fundo da foto, em algumas se apresentam equipamento sucateado (e imagino que não é pouco). Daí veio a curiosidade sobre o assunto.

    Quanto à um efetivo ataque ao Irã, creio que essas defesas estão muito bem protegidas em túneis.
    O relevo proporciona um excelente refúgio para esse equipamento.
    Não se pode imaginar um campo de batalha como o papel de parede do Windows XP numa guerra moderna.
    O bitt já deve ter tido essa impressão com alguns comentaristas por aí que associam determinado equipamento à um terreno plano e gramado (rsrsrsrs) esses não devem ter feito o serviço militar (rsrsrsrsrs).
    Voltando ao assunto, no caso específico do Irã concordo com um comentário que o bitt fez sobre o relevo.
    E, isso me fez lembrar um velho filme, “Os Canhões de Navarone”.
    Gostei do pedaço bitt.
    Tô por aqui.

  13. bitt:

    Olha, tô achando meio complicado navegar entre os post’s e os comentários, da uma olhada nisso.

    🙂 🙂

  14. Prof e Renato,
    de fato vcs tem razão. Esse formato não está agradando. Eu mesmo tenho dificuldade em operar com ele. Estou pensando em compor uma webpage. Esses blogs oferecem recursos mto limitados e acabam se tornando cansativos, caso os textos forem mais longos.

    As observaç~eos sobre o clima quente são interessantes. Parece q, de fato, nenhuma providência é totalmente eficaz contra condições como aquelas. Li na biografia de um piloto da Luftwaffe q pilotou aeronaves iraquianas em 1941 que os filtros eram qse inúteis, visto q a areia se inflitrava também através de cubos de hélice, cabine, cano das armas, e por aí vai. Fico imaginando como os países da região lidam com este problema.
    Tenente,
    uma verdadeira aula!
    Jamais imaginei q o Irã ou a Síria possam se opor aos EUA. Imagino q com exceção de Rússia ou China, ninguiém possa. Por outro lado, o Irã é capaz de opr-se eficazmente à Israel, e as considerações que estou fazendo dizem respeito à essa hipótese. A IIRAF é grande e, segundo avaliações recentes (publicadas em Jane´s), tem tripulações bem treinadas. Todos os vetores passaram por diversos tipos de upgrade, com apoio russo e chinês. Claro que não podemos saber a realidade até, como disse vc, “a porca torcer o rabo”. Por outro lado, com relação aos EUA, se o poder militar deles é isuperável, pelo mns daqui a futuro previsível, por outro lado não parecem preparados para conflitos de baixa intensidade, como nos mostra a situação no Iraque. Por outra, a economia euroipéia ainda é mto dependente do petróleo da região. Esta, acho eu, continuará sendo a melhor defes

  15. Vejo eu que neste momento os EUA, não podem confrontar com a Russia pois os armamentos Russos escalares, são superiores aos do EUA, e Israel vejo que a Esquadra da marinha dos EUA, esta comprometida por causa dos Misseis MOSKIT, sem falar nos canhões de tesla Russos que são muito mais supériores aos canhões maericanos se hoje acontecer um embate entre os RUSSOS e os AMERICANOS provavelmente os americanos irão perder este jogo e serão humilhados para sempre, e o Brasil será a segunda potência do mundo onde os americanos irão lavar as privadas dos quarteis do Russos e os Brasileiros pisarão o solo americano juntos com as tropas do IRÂ e e as tropas das CHINA, RÁ RÁ.

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