A Rússia Pós-Putin::


E causa:: retorna, depois de uma longa semana de ausência. O problema é que o redator tem outras atividades, sem dúvida alguma menos interessantes, mas que têm de ser cumpridas.

Imagino a falta que os tarados devem ter sentido da sensualidade dos sistemas de armas das terças – afinal, dizem que armas são uma forma de extensão da potência sexual do homem. Imagino, então, que não exista ninguém na face deste planeta tão atraentequanto George Walker e sua contrafacção russa, Vladímir Vladímirovitch – afinal, os dois dispõem de potência suficiente para detonar o mundo sete vezes… Será que as mulheres ficam excitadas com tamanha sensualidade…

Portanto, vamos ver se colocamos o “Sistema de armas” da terça no ar hoje ou amanhã.

Por ora, vamos nos estimular com uma interessante análise da situação política da Rússia após Putin. Afinal, por mais duvidosas que sejam suas práticas políticas, Putin estabilizou o país, após o fracasso da fórmula “Comunidade de Estados Independentes”. Não sei se a memória política dos leitores chega a tal ponto, mas refiro-me à situação em que se encontrava a URSS logo após o fracasso da tentativa de golpe militar: Gorbatchev presidente da União Soviética e o bêbado pop Bóris Ieltsin como presidente da Rússia. Em setembro de 1991, uma sessão extraordinária do Congresso dos Deputados do Povo reuniu os dois mais os presidentes de nove repúblicas soviéticas, os quais apresentaram um plano de transição que buscava estabelecer os parâmetros para uma nova união entre as diversas repúblicas, extinguindo formalmente a estrutura de poder criada em 1921.

Embora contasse com o apoio dos líderes ocidentais, a posição de Gorbatchev, bastante frágil, era agravada pela situação econômica. A desorganização da economia era visível nas prateleiras vazias dos supermercados e nas filas intermináveis para comprar produtos básicos e no colapso da infra-estrutura. Durante algum tempo, o país parecia destinado a esfacelar-se.

Em 8 de dezembro, numa espécie de golpe branco contra Gorbatchev, os presidentes das repúblicas da Rússia, Ucrânia e Bielo-Rússia, reunidos na cidade de Brest na Bielo-Rússia, criaram a Comunidade de Estados Independentes (CEI), decretando o fim da União Soviética. Alguns dias mais tarde, em 17 de dezembro, Gorbatchev foi comunicado de que a União Soviética seria extinta oficialmente na passagem de Ano Novo.

O resto da história já é mais conhecido: Ieltsin tornou-se governante de fato, mas o modo como o URSS foi desmontada lançou um verdadeiro o país num verdadeiro caos. Ieltsin mostrou-se totalmente inconfiável, e as nações ocidentais não cumpriram as promessas de ajuda econômica, fazendo ao contrário, exigências de desarmamento que não poderiam ser aceitas pois a estabilidade do governo da Rússia dependia do apoio das forças armadas, por um lado, e, por outro, do establishment da burocracia do partido e da comunidade de informações e segurança. Foi desse establishment, que havia aparelhado fortemente o aparato de Estado, na época da URSS, que saiu Vladimir Putin.

Putin tinha sido um funcionário de alto escalão da KGB, durante o período final da URSS. Ligado ao círculo de Iuri Andropov, antecessor de Gorbatchev, renunciou ao cargo de diretor de relações externas da KGB em 1991 para entrar na carreira política. Em 1996 foi nomeado ministro de políticas externas no governo de Ieltsin. Eleito presidente da Federação Russa em março de 2000, desde então tem feito uma política que alterna a modernização do país com o restabelecimento gradual da estrutura política da antiga URSS. A conjuntura econômica extremamente favorável permitiu que a infra-estrutura produtiva fosse reorganizada, utilizando as bases montadas durante o regime comunista. Dentre outros sucessos a Rússia tem se tornado um produtor considerável de tecnologia, principalmente nas áreas de telecomunicações, telemática, química e aeronáutica. A indústria de armamentos tem funcionado como agregadora desse processo.

O artigo abaixo foi publicado pelo excelente Jornal de Defesa e Relações Internacionais, e é de autoria do analista Alexandre Reis Rodrigues. Sofreu algumas adaptações para o “português brasileiro”, mas de resto, não sofreu alterações.

Divirtam-se.

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Para quem se entretém em especular sobre o que poderá vir a ser a Rússia depois de Putin abandonar a Presidência no próximo ano, o espaço para prever mudanças é já quase inexistente. É cada vez mais claro que, mesmo sem Putin na Presidência, a Rússia continuará a ser exatamente aquilo que tem sido sob a sua liderança.

Putin, como sempre disse, vai respeitar a Constituição e nem sequer quer acolher a disponibilidade dos seus correligionários para adaptá-la, permitindo-lhe um terceiro mandato. Contenta-se em aceitar a liderança do partido majoritário “Rússia Unida”, que lhe foi oferecida dias atrás. Essa posição o torna o virtual eleitor de si mesmo para o cargo de primeiro-ministro do futuro governo. Embora tenha dito ser muito cedo para falar nisso, também tem dito ser hipótese “realista”.

Putin, mais uma vez, mostra grande capacidade de surpreender a todos: ninguém chegou a imaginar a possibilidade apresentada pelo partido. Analistas sugerem que Putin se inspirou na trajetória de Deng Xiaoping, que, mesmo fora da presidência do país e do partido, continuou a ser o líder de fato da China, entre 1978 e 1990.

O cargo de primeiro-ministro é geralmente o primeiro passo para ser presidente, mas o contrário não é usual. No entanto, no caso de Putin, vem ao encontro de interesses de médio prazo, para os quais não falta apoio. É a melhor forma de continuar a dirigir ativamente os destinos do país até poder, à luz da Constituição, voltar à Presidência.

A grande maioria na Rússia parece simpatizar com essa solução, por ver em Putin a garantia de um Estado forte, nacionalista, que, baseado nos valores tradicionais russos, continuará a se expandir economicamente. Um exemplo da popularidade de Putin: o Prêmio Nobel Alexandre Soljenitsin, depois de ter recusado de Ieltsin (que responsabilizava pelo estado de miséria do povo russo) uma importante homenagem, não hesitou em aceitá-la de Putin.

Se o seu sucessor for um correligionário absolutamente leal como, por exemplo, Viktor Zubkov, recentemente nomeado para primeiro-ministro, o período de Putin como líder partidário/primeiro-ministro poderá ser mais curto que o esperado. Zubkov, um ilustre desconhecido, aparentemente sem maiores ambições políticas e já com 65 anos, pode dar uma ajuda resignando ao cargo mais cedo.

Se esta hipótese se confirmar, Sergei Ivanov e Dmitri Medvedev, apontados como os mais prováveis sucessores de Putin, serão os maiores prejudicados. Isto, no entanto, interessa muito pouco; Putin pode lidar com estes “problemas”: sua popularidade lhe permite escolher e adotar a estratégia que lhe for conveniente.

Segundo especialistas na Constituição russa, o primeiro-ministro pode exercer o poder efetivamente, relegando o Presidente ao papel de figura simbólica. É o que convém a Putin e Zubkov provavelmente já está ciente que a sua inesperada nomeação para o cargo de primeiro-ministro terá esse preço.

Os EUA não vão ter facilitada a resolução dos graves conflitos em que estão envolvidos, principalmente, o do Iraque e Irã. Já não é questão de ter ajuda da Rússia- é ter que enfrentar a sua oposição. Putin não parece disposto a ver a Rússia perder mais da influência que a ex-URSS teve durante a Guerra Fria. Parte da que já foi perdida – a Europa Oriental – é irrecuperável, mas Ucrânia, Geórgia, Bielorússia ainda são altamente dependentes da Federação Russa. Nos Países Bálticos, Putin pressionará para que cesse o apoio ocidental à hostilidade latente à Rússia, e que haja limites à presença da OTAN. Outro ponto de atrito considerável é o escudo antimíssil planejado pela administração norte-americana para instalação na Polônia e República Tcheca.

Putin sabe que os EUA precisam da Rússia para resolver, entre outros, os problemas do Irã e Iraque. Embora não querendo um Irã com armas nucleares, certamente não se importará se a república islâmica complicar a já difícil vida dos EUA, prolongando a permanência dos norte-americanos no Iraque. Teerã nem precisa ser incentivada, bastando alimentar a hostilidade que, há quase um quarto de século, envenena as relações entre os dois países. O problema é isto implica em que a Rússia conclua da central nuclear de Bushehr, ponto bastante complexo. Pôr a central em funcionamento colocará o Irã a um passo do estatuto de potência nuclear.

Moscou quer atrasar o mais possível a perda do principal instrumento de influência sobre o Irã, o que acontecerá quando a central nuclear começar a funcionar e os iranianos deixarem de precisar da assistência russa; também não quer entrar em atrito com os países árabes sunitas do Médio Oriente, que vêem com apreensão a ajuda dada ao Irã. Em artigo anterior a partir desta hipótese, desenvolvi a idéia de que a central não será concluída no atual mandato de Putin.

No entanto, o problema deverá surgir, fatalmente, em 16 de outubro quando Putin visitar Teerã, quando pretende reunir os outros países banhados pelo mar Cáspio, para discutirem interesses comuns. O que for então decidido dará uma indicação do tipo de equilíbrio que a Rússia vai procurar manter para não perder a atual oportunidade de continuar a dificultar a vida a Bush, de modo a negociar em posição vantajosa e não deixar o Irã enveredar por caminhos que lhe convêm tanto quanto aos EUA. Vai ser interessante acompanhar o processo::

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5 pensamentos sobre “A Rússia Pós-Putin::

  1. Pôxa, a Birmânia fica longe pacas… Parei de me interessar por aquilo na época da “Estrada”… :c) Atualmente prefiro gente mais simpática, sabe, como o pessoal do Irã… :c))

  2. O Putin tem carisma;
    O Putin é nacionalista e,
    Eslavo gosta disso.

    Os russos já comeram o pão que o diabo amassou, estão naquelas de “não meche em time que está ganhando”.
    É por aí…

  3. Comparado ao caos do período Ieltsin o Putin já garantiu um lugar na história. Acho que a grande cartada dele foi levantar a moral do povo russo.

    No mais sempre achei que os russos tem um fraco por líderes fortes e impiedosos. E ele soube fazer isso numa boa medida. O cuidado em seguir a constituição foi uma jogada de marketing sofisticada, afinal acho que ele não tem o menor interesse em parecer um chavez ou fidel. Também não está afim de botar investidores e compradores para correr.

    Bonzinho ou malzinho, acho que o cara foi um estadista.

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