Os F14 iranianos em ação::


Os Tomcat iranianos logo iriam ser lançados em ação. Os vôos soviéticos sobre território iraniano eram constantes, e, em 1978, começaram a aparecer os MiG25RBS, monitorando o litoral iraniano do Mar Cáspio. Os soviéticos acreditavam que os sistemas iranianos poderiam dar pistas sobre os sistemas eletrônicos norte-americanos, pois a região tinha diversos postos de monitoramento da CIA. Depois de uma série de tentativas, um esquadrão de F14 foi deslocado para a região, juntamente com pessoal de terra e um reabastecedor 707 especialmente desenhado para funcionar como “Comando & Controle”. Uma espécie de cilada foi cuidadosamente arquitetada, com pares de F14 voando cada um armado com dois AIM54. Em 3 de outubro de 1978, um possível alvo soviético foi detectado e chegou a ser iluminado pelos radares de bordo, mas a missão foi abortada antes que qualquer míssil chegasse a ser lançado. Ainda assim, uma série de observações interessantes foi feita a partir dessa missão. A principal delas que o sistema de interferência soviético era incapaz de “jammear” o radar AWG9.

A revolução islâmica de 1979 interferiu com o programa de desenvolvimento dos F14, visto que os norte-americanos não estavam dispostos a permitir que um sistema de armas avançado em mãos hostis. Mas o fato é que já haviam centenas de especialistas treinados nos EUA, inclusive mais de 80 pilotos. Embora técnicos norte-americanos tenham tentado sabotar mísseis AIM54 e motores de reserva, o pessoal iraniano já era capaz de fazer manutenção no equipamento.

Uma boa situação, pois logo a nova força aérea do Irã teria muita ação pela frente.

Os primeiros combates entre Iraque e Irã aconteceram em 4 de setembro de 1980. Imediatamente depois delas, a agora denominada Força Aérea da República Islâmica do Irã começou a recolocar em operação os F14, cujo nível de aprestamento era baixíssimo: as aeronaves apresentavam defeitos, os radares não funcionavam direito e as tripulações ainda eram bastante inexperientes. No início da guerra, o número de unidades em disponibilidade era calculado em 77 unidades, mas apenas 26 eram capazes de entrar em operação, o que colocava uma disponibilidade de oito a dez aeronaves. Os iranianos conseguiam preparar 12 unidades.

Em 22 de setembro, 18 F14 eram considerados aptos para combate, mas não estavam no ar quando aconteceram os primeiros ataques da aviação iraquiana contra bases das forças armadas islâmicas do Irã. No dia seguinte, os F14 decolaram pela primeira vez, escoltando aviões-tanque 707, que abasteciam F4 enviados contra o Iraque. No dia seguinte, um MiG21RF (reconhecedor tático) foi a primeira vitória registrada por um F14A em combate. Ao longo dos dois meses seguintes, 25 outras aeronaves iraquianas seriam derrubadas pelos F14. A maioria foi de MiG23BN, uma versão de exportação do caça soviético. Até dezembro de 1980, outros 34 aviões iraquianos foram apanhados pelos F14. Um destes foi danificado, e foi só.

Seria uma longa guerra.

O filminho mostra um combate entre F14A e MiG23 líbios. As cenas talvez tenham sido próximas ao que aconteceu entre Irã e Iraque::

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6 pensamentos sobre “Os F14 iranianos em ação::

  1. Biit, como sempre’, ótimo post.
    Sempre entro aqui. Não comento muito por falta de tempo mesmo.
    Tenho sentido falta da sua participação lá no Weblog.

    Um abraço,
    André

  2. Me lembro vagamente de ler a respeito de uma versão do Phoenix de fabricação local no Irã. O fato é que eles fizeram milagres para manter a força aerea no ar. Mas também tem uma certa tradição de se gabar de vaporware militar.

  3. bitt:

    Gostei, há um negócio que me deixa curioso.
    Será que os norte americanos já desmontaram algum MIG de última geração, desses que a gente vê em exposição?
    O desenvolvimento desses caças é interessante.

  4. Monsores,
    valeu – um elogio é sempre uma força, agora q ando sem tempo… Por sinal, vc saberia explicar como posso colocar livros na coluna ao lado, como faz o Pedro Dória?

    Mota,
    Existe um livro interessante sobre esse tema. Parece q o fato dos iranianos terem conseguido inclusive melhorar o radar AWG9 mexeu mto com os ocidentais, q juravam q a FA iraniana iria para o brejo, com a saída dos técnicos americanos. Mas os persas realmente tem tradição militar, se bem q não sei se tradição conta, atualmente. Os pilotos alemães sempre ficam na rabeira, nos exercícios da OTAN

    proftel,
    suponho que a versão mais moderna, com vetoração de empuxo e asas de perfil super-crítico, ainda não; a tecnologia VTI foi desenvolvida pelos russos, e parece q deu “vida nova” para o Fulcrum (eles chegaram a oferecer para o Brasil, depois no progr FX). Vou dar uma olhada na Rede. Sei q a Alemanha Ocidental incorporou uma esquadrilha de MiG29, 48 unidades, que são usadas agora como agressores, e repassou uma parte deles (acho q 8) pros EUA. Mas são da versão mais antiga, dos meados dos 80, q dependia de monitoração externa de alvos – ou seja, caças de 3,5 geração.

  5. Bitt, você teria que mudar o theme.
    Além disso, o PD usa a versão completa do WordPress. Você usa a On-line. Se usasse a completa, veria que existe um lugar onde você pode criar páginas ou acrescentar colunas ao seu tema. Ao acrescentar colunas, você escolhe o seu conteúdo, que pode ser o page roll, ou pode ser as categorias dos seus posts, ou links para outros blogs. Além disso, você pode personalizar cada espaço, colocando ali até mesmo fotos, como o caso do PD, que põe a foto do livro.

    Bitt, desculpe demorar pra responder. Mande-me um e-mail. Posso te ajudar bastante com essas coisas. Se quiser, até faço pra você.

    Abraço!

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