Eu as amo e as odeio::Uma preciosidade dinamarquesa e um equívoco brasileiro::A Madsen::


Semana passada, causa:: apresentou uma jóia pouco conhecida da armaria mundial. Falemos de outra, menos conhecida ainda. Pensando bem, talvez nem tão pouco conhecida (ao menos de nós, brasileiros), mas possivelmente mal-identificada: a submetralhadora Madsen. Uma arma portátil muito interessante, por vários motivos, que veremos abaixo. E se você a achar familiar, não se avexe – é mesmo familiar…

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 A empresa dinamarquesa Dansk Rekyl Riffel Syndikat/Dansk Industri Syndikat é uma fabricante bastante tradicional de armas de fogo, situada na região de Copenhague. Tratava-se de um conglomerado de diversas indústrias e oficinas pertencentes ao estado, inclusive forjas e metalúrgicas de precisão e seu fundador, oficial de artilharia Vilhelm Madsen, foi projetista da primeira metralhadora portátil operacional (lançada em 1903) conhecida. Madsen teve seu nome de tal forma associado às armas automáticas dinamarquesas, que essas armas passaram a ser chamadas indistintamente de  “Madsen”. No início da Segunda Guerra Mundial, o DISA estava envolvido com o projeto de uma submetralhadora, mas em 1940, com a ocupação da Dinamarca, os projetos foram descontinuados. Com o fim da guerra, a Dinamarca, com seu parque industrial muito pouco danificado, pôde retomar alguns dos projetos abandonados: um deles foi o da submetralhadora Madsen. Colocada muito rapidamente no mercado, com a notação M/46, era desenhada em torno do cartucho padrão Parabellum (9X19 mm) e dada como a última arma longa fabricada no mundo com partes de madeira (o punho de pistola). A velocidade de boca era de 390 m/s e a cadência de tiro teórica, de 550 salvas por minuto. Em 1949 passou a ser oferecida em outra versão, notação M/49, na qual as partes de madeira foram eliminadas. Essa arma é interessante pelo desenho bastante inovador. Sua principal característica era o corpo estampado em duas metades (direita e esquerda) articuladas por uma dobradiça-parafuso pivotante, na qual estava adaptada a coronha rebatível, feita de metal tubular. As metades se abriam sem se separar, expondo o mecanismo de operação (elaborado em torno do princípio de ação de recuo) acomodado na metade direita. Uma vez fechada a “caixa”, as duas metades eram fixadas na frente por uma porca, que também servia para fixar e ajustar o cano. Na parte superior do corpo encontrava-se a alça de mira e a alavanca de armar. A posição da alavanca, bastante incomum (até então, eram geralmente posicionadas no lado direito, adiante do punho de pistola), facilitava o uso da arma por canhotos, e se tornou bastante comum nos anos 1960. O conjunto inteiro pesava 3170 gramas e media, com a coronha rebatida, 530 mm. Em 1950, uma nova versão, M/50, introduzia algumas pequenas modificações, a principal era uma trava de segurança situada atrás do receptor do carregador. Na forma de uma lingüeta, ao ser empunhado o receptor, a trava liberava o disparo pela pressão do punho do atirador. Em 1953 DISA apresentou a última versão nessa linha, a M/53, que só diferia das anteriores pelos carregadores curvos para 35 cargas e um encaixe para baioneta no cano.

 

Quem se lembra..?
Quem se lembra..?

As diversas versões da Madsen foram vendidas para vários países asiáticos e sul-americanos, visto que a Dinamarca, no pós-guerra, estava disposta a oferecer seus produtos a preços muito competitivos. A exceção foi o Brasil, autorizado, em 1953, a fabricar a arma localmente. Como o Exército Brasileiro tinha, depois de 1945, adotado o armamento de padrão norte-americano, uma modificação local adaptou a arma para o uso do cartucho 45 ACP, usual em armas automáticas daquele país, e desde 1949 fabricados no Brasil. A versão local da M/50 passou a ser fabricada pela Indústria Nacional de Armas de Fogo S.A, empresa privada paulista fortemente subsidiada pelo governo federal. Assim surgiram as “INA”, adotadas a contragosto pelo exército, marinha, força aérea e com mais simpatia pelas forças policiais. O problema é que a potência do cartucho ACP mostrou-se excessiva para o projeto original, e a mola recuperadora era frequentemente danificada após um número muito baixo de disparos. Não se tem notícia do número exato de armas fabricadas, mas acredita-se ter chegado a mais de dez mil, até a desativação da empresa, em meados dos anos 60. Ainda assim, um número substancial delas subsiste nos paióis de algumas polícias militares, corpos de bombeiros e tiros de guerra, por todo o país::

 

 

 

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