Cultura material militar::Walther PP::A arma do comandante James Bond::


Não é exagero dizer que o surgimento da Walther PP, em 1929, tornou todas as pistolas semi-automáticas existentes, se não obsoletas, no mínimo meio sem-graça. Essa arma lançou o conceito moderno de arma para defesa pessoal, incorporando todos os recursos que seriam padrão nas décadas seguintes. Causa:: como sempre faz o deleite de seus 21 leitores fanáticos por tecnologia militar::

 

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O engenheiro Carl Walther fundou, em 1886, na cidade de turingiana de Zella-Mehlis, a Waffenfabrik Walther. Depois de uns vinte anos produzindo armas de caça, na primeira década do século XX começou a fabricar de pequenas pistolas calibre 6,35mm e 7,65mm, ambos do padrão ACP. O que transformou suas armas num sucesso quase imediato foi a alta portabilidade: cabiam facilmente num bolso de calça. Mas não eram propriamente armas militares, mas pessoais, e se tornaram muito populares entre oficiais e graduados do Königswehr, o Exército Imperial.

Pode-se dizer que essa virada foi obra de Fritz Walther, filho de Carl. Fritz estava interessado em pistolas semi-automáticas. Ele se empenhou em convencer o pai de que aquele era o futuro das armas de fogo. Em 1908 a empresa apresentou o Model 1, primeira arma com aquela tecnologia.

Nesse momento, apesar da qualidade excepcional de seus produtos, eles em nada se diferenciavam daqueles comercializados pelas dezenas de outros produtores de armas que existiam na Alemanha na década de 1920. As armas militares e armas de caça tem de ter um grande “poder de parada” – a capacidade de derrubar o adversário. Ninguém sabia como determinar o “poder de parada” de uma arma, mas a experiência de campo (além de alguns experimentos bizarros) mostrava que calibres pequenos (pouca potência e baixo peso do projétil) provocavam pouco dano em uma pessoa, que assim podia ser controlada sem necessariamente ser morta. Esses se mostravam apropriados para tarefas policiais e defesa pessoal. Um deles era o .32 ACP (ou 7.65X17 mm), popular entre as polícias européias. Desenhado nos EUA por John M. Browning, foi utilizado pela Fabrique Nationale Herstal, da Bélgica, a partir de 1899. Seu baixo peso e pequeno porte permitiram o surgimento de uma série de armas semi-automáticas de “ação dupla” baseadas no princípio de “recuo curto do cano”, sistema idealizado no final do século XIX para armas militares.

Na Europa, desde princípio do século XX, as polícias vinham adotando armas semi-automáticas de calibres intermediários (principalmente o 7,65X17 mm e o .38 ACP – também conhecido como 9X17mm Short), em substituição aos revólveres de ação simples. Entretanto, as pistolas semi-automáticas disponíveis, apesar de relativamente leves, ainda eram consideradas canhestras e pouco confiáveis.

Finda a Grande Guerra, a Walther continuou no ramo, e lançou uma pistola – Model 8, calibre 6,35mm Browning – que incorporava um sistema bastante eficaz de desmontagem. Com a arma descarregada, o guarda-mato era puxado para baixo e para a esquerda. Liberado, o conjunto do ferrolho desloca-se para a frente, soltando a mola de recuperação. O cano, fixo ao chassi da arma, permanecia no lugar. A montagem implicava no procedimento inverso.

Esse foi o sistema adotado na walther-pp2Polizei Pistole, lançada em 1929. Mas a grande inovação trazida pelo modelo PP foi o sistema de “ação dupla” bem sucedido, aliado à uma trava de segurança muito eficaz, o que permitia que as PP fossem transportadas com um cartucho na câmara. Além disso, se distinguiam pelo desenho altamente funcional, muito compacto e fácil tanto de transportar quanto de usar. A PP pesava 660 gramas, tinha o cumprimento total de 17 cm, com o cano de 9,8 cm, com um cartucho na câmara e sete no carregador.

O enfoque da companhia na área de segurança era grande, e apenas dois anos depois, em 1931, era lançada a 200px-walther_ppk2PPK, significando Polizei Pistole Kurz (“curta”). Não considerando o peso de aproximadamente 520 gramas, comprimento de 15,5 cm (e uma carga a menos disponível – 1+6), a PPK era exatamente igual a sua antecessora, só que ainda mais fácil de portar – e esconder. O sucesso foi imediato.

Pouco antes da Segunda Guerra Mundial, a Walther ainda iria lançar outra arma curta destinada a tornar-se um clássico: a P-38. Essa, entretanto, era uma arma militar, projetada em torno do cartucho Parabellum, padrão na Wehrmacht. Os modelos PP e PPK continuaram a ser distribuídos entre as forças policiais e oficiais civis do Partido Nacional-Socialista. Adolf Hitler tinha uma, com a qual colocou fim à própria vida, em abril de 1945::

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4 pensamentos sobre “Cultura material militar::Walther PP::A arma do comandante James Bond::

  1. Sempre tive vontade de ter uma. E já tive uma apontada pra mim. Juro, o pai de uma namorada, um capitão de corveta, fragata, sei lá, nunca lembro a hierarquia da Marinha.

    A historinha: a filha de 19 anos me conquistou. Eu já tinha quase 30. Trabalhávamos na mesma empresa de tecnologia. Começamos a namorar e a menina foi dormir comigo em casa. No sábado de manhã ligou para a mãe que disse para irmos lá antes da praia, que ela e o pai queriam me conhecer. Fui inocente. Assim que cheguei o cara entrou pra dentro do apartamento e trouxe uma PPK e um 38 e colocou em cima da mesa de centro da sala. Perguntei pra ele: “é uma PPK?”. O cara ficou sem graça e disse que sim. Depois perguntei: “e me diga um motivo para o Sr usá-la contra mim?”

    Sua resposta: “É que minha filha é séria”. Disse que gostava da menina, que eu era sério também (era, não sei se sou mais). Acabamos virando amigos.

    Um tempo depois o cara foi comandar os portos em Vitória. Um dia me liga e pede pra eu ir dormir com a filha dele que estava com febre. Cada coisa. Um dia escrevo um livro.

  2. Pax, o sujeito devia ser capitão de corveta, se o q vc está contando se passou no final dos setenta. Na idade da filha, o posto do pai seria por aí (equivale a major, no exército). Meu pai era um pouco mais, nessa época – capitão de mar e guerra. Passou à reserva como contra-almirante, em 1982. Fiquei com a PPK dele, q não era Walther (certamente a de seu amigo tamb não era) – era uma versão de fabricação francesa, Manuhrin (Manufature des Machines dua Haute Rhin). Reconhecível pelo fato de ser marron escura. A Marinha comprou um lote delas em 1954, para serem vendidas aos guardas-marinhas, já q o exército achava q não havia motivo para q oficiais navais tivessem alrmas militares.

  3. + Olá, Bitt… claro que cedo ou tarde eu iria descobrir este post. Eu também já tive uma walther ppk em minhas mãos e, mais recentemente, uma p99. Curiosamente, 007 foi forçado a usar este equipamento no lugar das Berettas, que amava {assim como o carro favorito de 007 nunca foi o Aston Martin e, sim, o Bentley}.

    Mas o meu sonho de consumo mesmo é a arma introduzida nos romances subsequentes de John Gardner, a ASP 9mm, considerada pelos fãs a arma perfeita para o agente secreto de Sua Majestade. Antiga mas revolucionária, essa bichinha é linda.

    PS: eu não sabia qual era seu blog, nunca tinha visitado, mas gostei dos temas bélicos. Voltarei sempre.

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