Uma fortificação, posto que é segunda::Eben-Emael::


Está bem, é terça… Mas ninguém é perfeito, não é?::Por sinal,

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Imagem esquemática da fortaleza de Eben-Emael e dos pontos de pouso dos planadores alemães.

Imagem esquemática da fortaleza de Eben-Emael e dos pontos de pouso dos planadores alemães.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na década de 1930, as lembranças da Primeira Guerra Mundia e da “perda do movimento” na Frente Ocidental ainda eram fortes. A paralisação de milhões de homens e de centenas de milhares de peças de armamento de todos os tamanhos, uns diante dos outros, num terreno atravessado por estreitas linhas de fortificações efêmeras formadas por valas, acantonamentos e postos de fogo – as trincheiras -, pesava na imaginação de militares, políticos e do cidadão comum. Assim, muitos países europeus se iludiram achando que linhas de trincheiras tornadas permanentes por meio de aço e concreto desencorajariam qualquer inimigo. Diversos desses sistemas de fortificações foram construídos, entre os anos 1920 e o final dos anos 1930. O mais conhecido deles foi a linha Maginot, sistema articulado de fortificações e obras defensivas cobrindo a fronteira franco-alemã; a linha Siegfried planejada para cobrir a fronteira ocidental da Alemanha; o sistema de fortificações na fronteira entre a URSS e a Polônia nem sequer foi completado. Em 1932, os militares belgas, conscientes da vulnerabilidade do vale do rio Maas, iniciaram a construção de uma gigantesca fortificação, na forma aproximada de um triângulo isósceles. A fortaleza de Eben-Emael, como foi chamado o complexo, ocupava uma área total de uns 7.500.000 m2: cobria o canal Albert, entre Liège e Antuérpia, e deveria tornar a fronteira belgo-germânica impenetrável. As principais construções eram subterrâneas: postos de comando, depósitos, alojamentos, cozinhas, latrinas, enfermarias, situadas até 60 metros no subsolo. Os postos de combate eram construídos em aço e concreto, e a artilharia principal foi postada nos pontos mais elevados de uma colina situada no centro da área, dominando as vias de acesso, o rio Maas e o Canal Albert. Os canhões mais leves e postos de metralhadora foram instalados nas linhas exteriores, em profundidade – uns cobriam os outros. O lado leste do triângulo era garantido pela presença do canal Albert, que atravessava a colina, observado por muralhas de até 60 metros de altura; o lado oeste possuía um sistema de canais, que, a partir do rio Maas permitia o rápido alagamento de uma grande área, adjacente aos acessos principais; o lado sul, que corresponderia ao menor do triângulo, era garantido por obstáculos contra infantaria e fossas anti-tanques. Mais de cinco quilômetros de corredores e túneis interligavam os diversos postos. Como obra militar, era realmente impressionante (clique aqui e aqui, para algumas vistas da fortificação na atualidade); quando deveria ter sido ativada, em 10 de maio de 1940, não serviu para nada: uma companhia de tropas aeromóveis (85 efetivos), muito bem equipada, treinada e comandada, levou apenas algumas horas para dominar e render um efetivo dez vezes maior (1200 defensores). Ambos os lados não sabiam, mas estavam testemunhando o fim de uma era iniciada quinhentos anos antes, com o ocaso dos castelos e a difusão definitiva da arma de fogo::

Por sinal, uma boa história do assalto aero-terrestre a Eben-Emael pode ser lida no ótimo blog Memórias do Front – que aconselho para os que gostam particularmente da 2a Guerra Mundial::

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3 pensamentos sobre “Uma fortificação, posto que é segunda::Eben-Emael::

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