Um sistema de armas às… (Ahhh, quando der… Não tenho tanto tempo quanto gostaria)::A arma submarina alemã: o argumento do mais fraco (no mar)


Nosso amigo Pax, um interessado em sistemas de armas, postou, outro dia, uma interessante nota aqui no causa::  – a “batida”, em pleno oceano, de dois submarinos nucleares, um francês e outro inglês (andam dizendo que os submarinos ingleses rodam Windows… Deve ser maldade, não?..). Eu sempre disse que o sistema de armas estratégicas britânico e francês é, mais que uma política de dissuação, e junto com as ilhas Malvinas e a Guiana Francesa, a última e nostálgica referência ao tempo em que essas duas “potências” não dependiam dos EUA para se defender. Mas submarinos são submarinos, e um submarino nuclear (segundo apurei, a Marinha Real tem 11 deles e a Marine Nationale, 13) não é pouca coisa. Hoje em dia, não são, de modo algum, os sistemas de armas navais mais avançados, mas ainda mantêm uma capacidade de causar danos inversamente proporcional a seu tamanho e custo. Antigamente se dizia que a arma submarina era “a arma do mais fraco”. Não deixa de ser verdade – na guerra das Malvinas, a existência de dois submarinos classe IKL-209 na Marinha Argentina foi a única ameaça que os britânicos não puderam deixar de considerar – o que alterou de forma notável a organização da força tarefa britânica. Vamos, então, falar alguma coisa sobre submarinos. Não os nucleares, nem os convencionais. Falemos daqueles que ainda hoje atraem muita atenção – os da Kriegsmarine, a marinha de guerra alemã. E já que é quase carnaval, podem tomar esse post como homenagem às papagaiadas imperiais franco-britânicas dignas de um bloco de sujos – como uma batida entre submarinos…::

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Qualquer pessoa que conhece alguma coisa sobre a Segunda Guerra Mundial sabe da importância que, nesse conflito, teve a arma submarina. O “barco submarino” era uma arma nova, então – fez sua estréia na Grande Guerra, e, ainda assim, sob as discussões de se as regras do corso, elaboradas no século XVIII, ainda valeriam nesse novo tipo de guerra contra as rotas mercantes.  As “boas normas” até então usuais diziam que um navio suspeito seria abordado, passaria por inspeção e, caso se encontrasse carga de utilidade bélica, tripulação e passageiros seriam desembarcados e só então, afundado o navio. Depois que a Alemanha resolveu mandar às favas esse “costume tradicional e usual da guerra naval”, o resultado foram quase três milhões de toneladas de navios afundados em pouco mais de um ano, por umas 150 unidades de diversas classes.

O Tratado de Versalhes proibiu a Alemanha de fabricar e possuir armas ofensivas, e os submarinos eram considerados, dentre essas, uma das principais.  Curiosamente, as restrições foram parcialmente suspensas com o Tratado Naval Anglo-Germânico, de 1935. A Alemanha pôde restabelecer uma esquadra que incluía certo número de submarinos. No ano seguinte, quando Hitler determinou o rearmamento pleno, militares e industriais aderiram gostosamente à orgia armamentista que se seguiu, mas a Marinha de Guerra era a menor prioridade, em função da complexidade da construção de navios e das limitações econômicas da Alemanha.

A coisa é mais-ou-menos assim: embora não incorporasse diretamente muita tecnologia, a indústria naval da época era dispendiosa, para qualquer sistema econômico. Um vaso de guerra, não importa o tamanho, agregava pouco mais da metade do peso em em ligas metálicas especiais: metais de alta taxa de dureza, materiais resistentes à corrosão, materiais resistentes ao calor, e por aí vai. Além do mais, um estaleiro exige grande aporte de mão-de-obra especializada, uma logística industrial complicada e instalações difíceis de construir e manter. E a marinha de guerra disputava espaço com a marinha mercante, porque os navios de carga, embora muito menos complexos e dispendiosos, também exigiam investimento razoável.

 

 O início da 2a GM pegou a esquadra alemã com apenas 25 por cento dos navios planejados e ficou claro que não seria possível colocar rapidamente um número de vasos de superfície que possibilitasse participação efetiva na guerra. Assim, foi dada prioridade à construção de submarinos. O alto comando nazista considerava que esses poderiam ser muito mais efetivos  contra os interesses britânicos que os navios de superfície. A participação pífia da Marinha na campanha de 1940 mostrou que a avaliação não era absurda.

 

Os submarinos começaram a guerra sem restrições. Poucos dias após o início do conflito, uma ação espetacular mostrou aos britânicos o tamanho da bobagem que tinham feito em 1935: o submarino U-47 penetrou as defesas (frouxas) de Scapa Flow e afundou um couraçado – velho, mas uma unidade da Marinha Real… E na principal base da Esquadra Metropolitana. Quase seis anos depois, 784 afundamentos e cerca de 28.000 marinheiros mortos, a arma submarina alemã afundara junto com a Alemanha nazista. Não é, entretanto, nosso objetivo contar essa história – existem fontes muito boas, na Grande Rede, e o interessado em submarinos e na guerra que eles travaram pode começar a pesquisar aqui.

 

 Entretanto, um dado sempre despertou minha curiosidade: dentre a enorme quantidade de artefatos gerados pela Segunda Guerra Mundial, alguns itens existem aos milhares: por exemplo, armamento portátil, uniformes, equipamentos de campanha. Outros itens são um tanto mais raros, como por exemplo, tanques e outros veículos de combate. Os navios de guerra estão dentre os mais raros.

 

O motivo é simples: navios de uma nação derrotada não tem muita utilidade, uma vez que precisam do apoio constante de uma estrutura industrial (as bases navais são o que de mais próximo existe de um complexo industrial adaptado para fins militares). Encerrada a guerra, os navios inimigos ou são transformados em sucata ou relegados a usos secundários. Ou descartados: usados como alvos de exercício ou simplesmente afundados.

 

Foi o caso de quase todos os submarinos alemães, após a rendição: a operação Deadlight, conjunto de ações planejadas pelas marinhas norte-americana e inglesa, destinou-se a dar fim aos submarinos entregues pelas tripulações. Calcula-se que um número próximo a 220 unidades tenham sido afundadas pelas próprias tripulações. Outros 39 foram usados em diversos tipos de testes.

 

Restam hoje apenas três submarinos alemães dessa época. Um deles, o mais notório, tem a triste memória de ter sido o único a ser render em combate: o U-505, que atualmente repousa no Museu de Ciência e Indústria de Chicago. O U-2540, depois rebatizado “Wilhem Bauer” encontra-se exposto na cidade de Bremen. O terceiro e mais recente é o U-534, retirado do fundo do mar no final os anos 1990 e atualmente transformado no objeto mais importante em exposição no Museu Naval de Birkenhead Docks, em Liverpool:: 

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