Cultura material militar::Capacetes::


Nunca imaginei que o assunto “capacetes” fosse tão interessante. O que sei é que a cultura material militar é assunto bastante variado, e inúmeros interessados. Acho Muitos dos que escrevem sobre o assunto são historiadores da tecnologia, que buscam aprofundar todos os aspectos dessa questão. Mas boa parte dos interessados escritores e leitores são, por exemplos, colecionadores de “militaria”, ou seja, de antiguidades produzidas pela atividade militar, seja na guerra ou fora dela; outros, também extremamente ativos, são os artesãos produtores e colecionadores de soldadinhos de brinquedo e modelismo militar em geral. Essas práticas, apesar do nome, não são coisa de criança, mas um dos hobbies mais praticados no mundo, que envolve um mercado de bilhões de dólares e milhões de aficcionados.::

 

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parte2/3O capacete francês tipo “Adrian” foi, então, distribuído a outros exércitos, mesmo antes da 1a GM terminar. Grande número deles chegou até as tropas russas destacadas para servir na Frente Ocidental. Os russos se interessaram pela proteção individual, e consta que tinham tentado introduzir chapas de metal sob seus tradicionais quépis. Os primeiros capacetes entregues às tropas do czar eram de fabicação francesa e tinham a águia de duas cabeças da dinastia Romanov estampada na metade anterior.

 

Não levou muito tempo para que os russos começassem a produzir seus capacetes na indústria local. Tratava-se de uma cópia simplificada do “Adrian”, e foi introduzida em 1916. Nessa versão, a ventilação (constituída, nos exemplares franceses, por orifícios localizados por baixo de uma “crista” metálica situada no topo da carapaça), era menos definida, tornando o equipamento um tanto desconfortável de usar. O item era distribuído às tropas sem insígnias ou distintivos.

 

A Revolução de Outubro de 1917 tirou a Rússia da Guerra, sem que houvesse acontecido qualquer outra medida que não o tratado de Brest-Litovski, o que deixou os enormes exércitos russos mais-ou-menos intocados, embora bastante maltratados pelas condições da paz. A Guerra Civil que estourou logo a seguir colocou lançou, uns contra os outros, vários exércitos e milícias razoavelmente dotados de efetivos, armamentos e suprimentos: diversas facções de partidários do czar (geralmente conhecidos como “brancos”), simpatizantes liberais, milicianos religiosos e anarquistas e o Exército Vermelho. Poucas dessas tropas, entretanto, tinham, em seu equipamento individual padrão algum tipo de capacete. É certo que muitos dos “Adrian” de fabricação local estavam em mãos das diversas tropas, mas também eram vistos, em alguma quantidade, capacetes alemães capturados e, em menor número, o modelo usado pelo exército austro-húngaro.

 

Depois da vitória do Exército Vermelho, e da consolidação da União Soviética, em dezembro de 1922, o novo governo começou a reorganizar as forças militares. Essa reorganização significou um novo ordenamento na distribuição de armas e equipamentos, e os capacetes disponíveis foram padronizados, sendo mantidos apenas os “Adrian” locais, nos quais a estrela vermelha, símbolo do novo estado substituiu a águia Romanov.

O período entre-guerras testemunhou a reorganização social, econômica e militar do país, mas, em termos gerais, os uniformes de campanha da época do Império Russo foram mantidos, exceto pelo abandono de cores que, como o branco, remetiam à casa Romanov. Alguns experimentos com novos modelos de capacete foram feitos, mas em pequena escala e sem grande conseqüência. Um dos modelos testados, do qual restou certo número de exemplares, tinha formato semelhante ao modelo 1916 alemão. Em 1936, entretanto, foi introduzido um modelo que seria padronizado, conhecido como Kaska M36, também chamado SSh36 (de Stalnoy Shlyem – capacete de aço) ou, menos frequentemente, “Schvartz” (em função do desenhista, Aleksandr Shvartz), trata-se de um modelo que os especialistas entendem como de transição, conservando certas características da versão russa do “Adrian”, como o sistema de ventilação tipo “crista” – embora alguns digam que também seria projetado para suportar golpes de sabre, mas já com o desenho que se consolidaria na 2a GM. Em 1940, esse modelo começou a ser substituído pelo Kaska M40, que já tinha o desenho que, em fotografias e filmes, reconhecemos como “capacete russo”.  

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Equipe de lança-chamas, Berli, 1945. Os dois combatentes usam o capacete SSh40; o soldado em primeiro plano usa um tipo primitivo de colete à prova de balas.

Um dado interessante é o fato de que os capacetes russos, desde o “Schvartz”, eram usados pelos soldados junto com o casquete militar (pilotka), que, colocado sob a armação interna de lona, tornava o conjunto mais confortável.

O M40 tinha, no interior de sua armação, espaço suficiente para que o casquete fizesse parte do conjunto. Em 1941, quando da invasão da URSS, o SSh36 já estava em processo de substituição, nas tropas de linha de frente. Pequenas modificações, introduzidas ao longo da guerra (em função do grande número de fábricas dedicadas a produzir esse item de equipamento) não mudaram o desenho, considerado, ainda hoje, muito bom. Esse modelo continuaria em serviço, nas diversas nações do Pacto de Varsóvia, até os anos 1990.

Acabou? Não – essa conversa de capacetes ainda vai durar. Esperem pela próxima semana ou mandem mensagens pedindo pelamordedeussss que o redator mude de assunto…:: 

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7 pensamentos sobre “Cultura material militar::Capacetes::

  1. Sem entrar no mérito político, mas os alemães eram imbatíveis em design, principalmente no quesito capacete e uniformes de oficiais.

    Mas, acho um ícone, também, aqueles capacetes americanos da Guerra do Vietnã, com “suporte” para os cigarros.

    Fera demais.

  2. Interessante é que esse hábito de colocar o chapéu por dentro da capacete praticamente virou tradição no exército vermelho. No filme 9º Pelotão, vários paraquedistas aparecem assim.

  3. Diogo, pelo que vi o capacete soviético também tinha aquele recuo para proteger a nuca.

    Inclusive como no capacete alemão a proteção da nuca era longa, não prejudicava o tiro deitado não?

  4. Os capacetes são questão de design, de forma mais estrita, os uniformes são mais uma questão de tradição. O curioso é q os atuais reunem funcionalidade e tradição: a primeira, no desenho e nas cores; a segunda, nas insíginias (espada inclusive), distintivos de posto, escudos de unidades, e por aí vai. Do capacete alemão ainda vamos falar (segure a respiração!); os uniformes de oficial, no caso alemão, eram diferentes no que diz respeito ao uniforme de passeio, q incorporava calças e botas de cavaleiro, espada, quepi e platinas. No resto (cor, tipo da túnica, fechamento, cinturão, arma pessoal) era exatamente igual ao dos sub-oficiais. Boa parte dos acessórios foram herdados do exército prussiano, q, por sua vez, vinha de um regulamento de meados do século 19, qdo foi adotada a cor “cinza de campanha), uma espécie de verde oliva mais claro. As insígnias, baseadas na estilização de folhas e frutos do carvalho e nas cores prata (para oficiais subalternos) e dourado (para oficiais superiores e generais), além das golas verde-escuras, eram herança da casa Hohenzollern (a dinastia de Frederico o Grande).

  5. Para um soldado o capacete é uma proteção para que o inimigo nao estoure seus miolos tão fácil.
    Estes boiolas aí de cima não sabem nada de guerra!Seus nazistas de merda!

  6. Sou novato no assunto mas tenho uam duvida sobre capacetes de fibra. sobre qual era seu uso e por que eram feitos de fibra?

    • N, suponho q vc esteja falando sobre uns capacetes q eram usados, até os anos 1980, sob o capacete de aço. Aquilo foi inventado nos anos 1950 em função do fato de que diziam q o capacete de aço era mto incômodo. Assim, o sujeito colocava primeiro o de fibra (onde estava o sistema de ajuste e jugular) e por cima ia o de aço, q se adaptava perfeitamente ao de fibra. Qdo o cara não estava em serviço de combate, usava so o de fibra, q era mto leve. Com o surgimento dos capacetes de kevlar, inventados, se não me engano, pelos israelenses, e a adoção pelos americanos, do capacete PASGT M88, q é aquele capacete de kevlar q os americanos e mtos de seus aliados (inclusive o EB) usam atualmente, a coisa toda foi descontinuada.

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