Duas frases para pensar::Afinal, é Sexta-feira::

Duas só, não, quatro – semana passada não teve…

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O poder em vontade, a vontade em ambição/E a ambição, lobo universal,/Duplamente acompanhada de vontade e de poder,/Precisa fazer uma vítima/E, por fim, se autodevorar.

William Shakespeare (1554-1616), Troilus and Cressida

Em vez de unidade entre as grandes potências – tanto política quanto econômica – depois da guerra, há desunião completa entre a União Soviética e seus satélites de um lado, e o resto do mundo de outro. Em suma, são dois mundos, em vez de um.

Charles E. Bohlen (1904-1974), 1947

O poder militar que ocupava o alto do sistema deparou … com poder ainda maior baseado na vontade popular na base. Como no jogo de crocket em Alice no País das Maravilhas, em que os malhos eram flamingos e as bolas eram ouriços, os peões no jogo da Guerra Fria, erroneamente vistos como objetos inanimados pelas superpotências, ganharam vida em suas mãos  e começaram, universalmente e sem interrupção, a tratar de seus planos e ambições.

Jonathan Schell (1943), 2003

Um mundo melhor será aquele em que as promessas de desarmamento se realizem, os preceitos do Direito Internacional sejam obedecidos pelas grandes potências, as diferenças econômicas entre os Estados se reduzam e o meio ambiente seja preservado.

Samuel Pinheiro Guimarães Neto (1939), 2007

Cultura material militar::Capacetes::

Capacetes militares talvez estejam dentre os itens mais representativos dos exércitos. Embora sejam uma peça de equipamento militar e um item de proteção individual, a utilidade desses artefatos transcende sua mera materialidade. Capacetes praticamente simbolizam a atividade militar por excelência. Quando um general quer parecer combatente, põe na cabeça um capacete de aço (basta lembrar da famosa fotografia de Patton, fazendo pose com um capacete cromado). Mais do que isso, capacetes representam, através de uma operação lingüística chamada metonímia, a própria guerra. Afinal, o que vem à cabeça de todo mundo, diante da simples silhueta de um Stahlhelm M1935?.. O que é um Stahlhelm?.. É o que vamos ver, em seguida.

 

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Capacetes feitos de metal, madeira ou couro, foram usados desde a Antigüidade, para proteger a cabeça dos combatentes. Podem ser considerados a primeira forma de proteção corporal, juntamente com os escudos, e certamente antecederam outras peças como peitorais, perneiras e manoplas. Mas o surgimento da arma de fogo tornou esse tipo de proteção inócuo, visto que a metalurgia da época não oferecia materiais resistentes contra um tiro de pólvora. Os capacetes acabaram relegados a funções cerimoniais, .

Até o final do século 19, as “coberturas” (como os militares chamam, até hoje, qualquer tipo de chapéu) tinham a função de proteger o soldado contra condições climáticas (sol, chuva, etc.) e compor o uniforme (são ótimo lugar para se usar distintivos, insígnias, cores…). Com a eclosão da 1ª GM, as novas condições de combates nas trincheiras da Frente Ocidental provocaram enorme número de ferimentos na cabeça, em ambos os lados. Ficou evidente que era necessário algum tipo de equipamento para, pelo menos, diminuir o grau de incidência daquele tipo de casualidade.

 

 O desastre do Marne, em setembro de 1914, precipitou a mudança dos uniformes franceses, que, até aquele ano ainda eram compostos por uma túnica azul-ferrite (um azul quase negro) e calças… vermelhas (acreditem vocês  ou não). No final do ano, começaram a ser distribuídos entre as tropas os uniformes horizon-bleu (“azul-celeste”), e, junto com eles, os soldados franceses começaram a receber um novo tipo de quépi. Esses quépis trouxeram algumas tentativas de aumentar a proteção ao soldado: pequenas placas e carapaças de metal adaptadas ao interior do chapéu.

 

 Conforme a guerra avançava, os especialistas médicos notaram que a maioria dos ferimentos na cabeça não eram provocados por balas, mas por pedaços de metal pequenos, de baixa velocidade e trajetória irregular (“estilhaços”), resultantes da fragmentação de projéteis de artilharia. Contra uma bala de rifle moderna, ogival (pontiaguda) e impulsionada por pólvora química (“sem fumaça”), não havia proteção possível – a não ser que o soldado estivesse disposto a usar na cabeça uma carapaça de quatro ou cinco quilos; já contra estilhaços, uma chapa de metal relativamente delgada poderia ser suficiente.

 

 Pouco depois do Marne, pelo final do ano, surgiu o boato de que os soldados estavam usando panelas e sopeiras de metal na cabeça. Essa história talvez tenha resultado da confusão provocada, em observadores da imprensa, pelo surgimento de uma carapaça de metal, distribuída aos soldados pelo intendente-geral do exército, general Agust Louis Adrian, em 1914. Segundo se conta, essa desconfortável peça de equipamento passou a ser usada principalmente para tomar sopa. Longa vida ao sempre criativo soldado de linha, independente da nacionalidade…

 

Ainda assim, durante algum tempo, o exército francês insistiria em distinguir, em combate, tropas especiais através de elmos coloridos e brilhantes: dragões e couraceiros, sapadores e artilheiros. Esses artefatos cerimoniais, sobrevivências de uma época em que espadas e lanças eram armas efetivas, dificilmente serviam no ambiente da guerra industrial plena. Logo seriam eclipsados pelos “cascos de aço”.

 

O modelo francês, denominado “Adrian”, aperfeiçoamento do equipamento distribuído em 1914, passou a fazer parte do equipamento padrão da infantaria. Isso foi em meados de 1915. Oficialmente denominado “M15” o modelo “Adrian” era baseado no capacete usado pelos bombeiros franceses, embora sua construção fosse muito mais complexa, devido à necessidade de aumentar a funcionalidade. Várias peças de metal estampado, muito delgadas (no máximo 0,7 mm de espessura) eram soldadas e rebitadas juntas. O resultado era uma carapaça de tamanho padrão, dotada de abas, frontal e traseira, e um tipo de crista, que protegia orifícios de ventilação (quatro ou cinco, dependendo da origem). A armação interna consistia em dois anéis de tiras de couro, em forma de “D”, presos ao corpo de metal por alças. Essa estrutura, provida de cadarços, apoiava o conjunto no alto da cabeça do usuário, que o regulava para seu tamanho apertando ou afrouxando os cadarços. Esse sistema tinha a vantagem de prover alguma ventilação, pois mantinha a carapaça de metal ligeiramente afastada do couro cabeludo do usuário. O conjunto era preso à cabeça por uma alça (“jugular”), regulada por fivela deslizante. O conjunto pesava aproximadamente 1000 gramas, o que tornava seu uso um tanto desconfortável.

Cinco fábricas foram montadas para fabricar capacetes, e calcula-se que, pelo final de 1915, uns três milhões já estivessem disponíveis.

 

O “Adrian” era entregue aos soldados em acabamento horizon-bleu, semelhante ao do uniforme M14. Como a pintura, esmaltada, tendia a refletir luz, por volta do final do ano os franceses introduziram uma cobertura de tecido, azul-claro ou cáqui. Embora a idéia fosse boa, oficiais médicos imaginaram que o tecido, introduzido em ferimentos na cabeça, pudesse provocar complicações sérias, e aconselharam que fosse abandonada, o que aconteceu pouco depois.

 

O enorme número de capacetes fabricado durante a guerra (estima-se que tenha alcançado mais de seis milhões de unidades) fez com que o “Adrian” continuasse a ser utilizado também no período entre-guerras. E que fosse adotado, ainda durante a guerra, por outras nações, tão díspares quanto a Bélgica e o Brasil (que recebeu alguns em 1917, trazidos pelos observadores enviados à Europa, mas não o adotou). Os mais improváveis soldados a usar o “Adrian”, entretanto, foram os russos – tanto dos do exército do czar quanto seus sucessores comunistas.

Vamos ver este ponto depois. Como essa matéria é longa, vamos dividi-la em caítulos, para que o redator e os leitores tenham mais diversão… Ah, até lá, vejam esse filminho recolhido no… Vocês sabem onde. Eu mesmo nunca tinha visto nada tão didático…::

Uma fortificação, posto que é Segunda::Fort Drum, Filipinas::

Maquete do Fort Drum, conforme fotos, 1922-1941

Maquete do Fort Drum, conforme fotos, 1922-1941

Conhecido como “Encouraçado de Concreto”, essa curiosa fortificação tem o nome oficial de “Fort Drum”, em homenagem ao general Richard C. Drum. No local, a ilha El Fraile, na baía de Manila, já existia uma fortificação espanhola, antes de 1898. Depois da tomada das Filipinas pelos EUA, na curta guerra Hispano-Americana, em 1898, foram feitos planos para o estabelecimento de uma rede de fortificações, entre Bataan e Corrigidor. O forte a ser instalado na ilha El Fraile, poderosamente artilhado, deveria garantir o acesso sul da baía de Manilha. Entre 1909 e 1919, a ilha foi aplainada até pouco acima do nível do mar e coberta com uma espécie de cúpula de concreto, cujo formato lembrava um navio, com pouco menos de 110 metros de comprimento e 43 metros em seu ponto mais largo. O que seria a coberta principal ficava 12 metros acima da superfície do mar, e chegava a ter a espessura de 6 metros, em concreto e ferro. Instaladas sobre essa “coberta” estavam duas torres blindadas, cada uma delas montando dois canhões de 14 polegadas (350 mm), que constituíam a bateria principal. As baterias secundárias, instaladas nas muralhas laterais norte e sul (“bombordo” e “estibordo”), montavam quatro canhões de 6 polegadas (150 mm), em casamatas de aço. No que seria a “popa” do “navio”, os projetistas colocaram uma espécie de superestrutura e um “mastro”, onde estavam instaladas cabines de observação e levantamento de dados para controle de fogo. O apelido de “Encouraçado de Concreto” veio do fato de que, à distância, até mesmo marinheiros experientes costumavam confundir a instalação com um navio de guerra real. Em entre dezembro e abril de 1942, quando do ataque japonês contra as Filipinas, Fort Drum, cujos canhões eram usados para apoiar as tropas que lutavam em Bataan, foi alvo de cerca de um milhão de disparos, feitos por artilharia naval japonesa e bombas lançadas por aviões, sem que sua proteção fosse rompida. De fato, segundo o testemunho de membros da guarnição de quase 500 homens, aprisionados pelos japoneses em 6 de maio de 1942, a falta de fontes de água doce foi o que condenou a fortaleza. Em abril de 1945, elementos da 38a Divisão de Infantaria do Exército dos EUA empreenderam, juntamente com unidades da Marinha, uma campanha para anular Fort Drum, no qual se entrincheirava uma guarnição japonesa. Diversas ações se iniciaram no dia 11 e, pouco menos de uma semana depois, os norte-americanos voltavam a subir à bordo do “Encouraçado de Concreto”. 

Um sistema de armas às … Quando der…::Oerlikon bitubo KD35::

Estive ocupado, esta semana, de modo que todos os posts atrasaram. Imagino a tristeza geral… Mas foi apenas um atraso. Continuo com o plano de atualizar posts antigos e interessantes, visto que causa:: já tem uns dois anos rolando (e umas 50.000 visitas… O que eu acho pouco, muito pouco…). Portanto, divirtam-se com um equipamento que integra o inventário do Exército Brasileiro, e é um item ainda totalmente operacional, em diversas forças armadas::

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A história. O canhão anti-aéreo bi-tubo KDA calibre 35 mm é uma arma destinada à defesa de ponto contra aeronaves em vôo de baixo nível e alta velocidade. Foi projetado na pela empresa Oerlikon, da cidade de Zurique, na Suiça, no início dos anos 50.

Um clássico: Oerlikon KDA 35 mm em bateria.

Um clássico: Oerlikon KDA 35 mm em bateria.

 

O canhão automático remonta ao período final da 1a GM. Foi desenvolvido por um engenheiro alemão que descobriu uma forma de diminuir a cadência de fogo diminuindo o efeito de “ação de recuo a gás” e, assim, a velocidade com que os cartuchos são admitidos na câmara. Introduzido em pequenas quantidades pelos alemães no fim da guerra, o canhão automático foi aperfeiçoado no período entreguerras, e se difundiu principalmente como armamento aéreo e anti-aéreo de defesa aproximada, tanto de solo como naval.

 

Oerlikon KDC. Defesa de ponto para belonaves, no caso, uma instalação Otomat, italiana.

Oerlikon KDC. Defesa de ponto para belonaves, no caso, uma instalação Otomat, italiana.

 

A Oerlikon entrou no ramo dos canhões automáticos quando, em meados dos anos 1920, adquiriu uma empresa que havia, logo após a guerra, adquirido a patente do canhão automático alemão. De posse desse desenho, já bastante aperfeiçoado, Oerlikon desenvolveu, no período entreguerras, um canhão calibre 20 mm que tanto servia para uso em aviões quanto em navios. Essa arma foi amplamente usada por todos os beligerantes, durante a 2a GM. Fabricada em diversas versões, sob licença, na Alemanha, Inglaterra e EUA, equipava até aviões japoneses. Conhecida como “Tipo S” (em função da munição utilizada) tornou-se a arma anti-aérea mais difundida da 2a GM.

 

O uso, amplamente disseminado durante a guerra, do bombardeio de picada e do ataque ao solo, conduzidos por ambos aeronaves muito ágeis contribuiu para aumentar a importância da artilharia anti-aérea de pequeno calibre. Conforme a guerra se desenrolava, o aumento da velocidade e da proteção das aeronaves logo obrigou ao aumento da cadência de fogo dessas armas, que, teoricamente, podiam alcançar até 450 salvas por minuto, mas, em combate, dificilmente alcançava mais de 180. A Wehrmacht começou a considerar o uso de canhões bitubo e quadritubo (conhecidos como Flak Vierling), embora tivesse dúvidas em torno da real eficácias dessas armas. Na metade da guerra, quando o calibre 20 mm começou a mostrar-se ineficaz, os alemães se voltaram para o calibre 37 mm, que vinha sendo desenvolvido desde os anos 1930.

Após a guerra, examinando alguns exemplares do canhão anti-aéreo alemão, os suíços chegaram à conclusão de que a munição de 37 mm alemã era muito mais eficiente que a utilizada no canhões AAe L60 aliados, baseados no modelo sueco Bofors. Um desenho totalmente novo, baseado no conceito alemão, resultou no cartucho 35X228 mm, pesando 550 gramas, HE (alto-explosivo), com velocidade de boca de 1175 m/s e alcance máximo de 4000 metros.

Em torno da munição 35X228 começou a ser projetado um canhão bitubo, 90 calibres, operação de recuo a gás, com uma cadência de tiro de 550 salvas por minuto por tubo, denominado KD. A série KD tem no KDA e no KDC seus principais itens, sendo o primeiro uma versão destinada a montagens terrestres e o KDC, a montagens navais. Colocada no mercado em 1959, veio a se tornar um dos mais bem-sucedidos produtos da indústria bélica suíça. A série C foi colocada em serviço em 1972, destinada à defesa de unidades navais.

Na atualidade: a série GDF.Os sistemas Oerlikon mais difundidos, as série GDF-001 até 005, alcançam uma cadência de fogo de até 1100 disparos. Na prática, os manuais recomendam rajadas de 2 segundos, o que significa 40 salvas por tubo, ou 80 salvas, ou um peso de fogo da ordem de 22 quilos em cada rajada. Essa capacidade de saturação pode ser ampliada pelo uso de duas unidades. A operação pode ser feita por um único artilheiro, é totalmente automatizada, sendo que a conteira (movimento lateral) e a elevação são controladas por motores elétricos de alto desempenho, acionados por joystick. 

A máxima eficiência do sistema exige a combinação das armas com unidades de controle de fogo baseadas em radar. Esse sistema, cujo nome comercial é Skyguard, é fabricado pela própria empresa. Colocada no mercado no final dos anos 1970, o Skyguard é instalado em um trailer, e pode ligar até 3 unidades bi-tubo, que passam a ser acionadas de maneira coordenada. O sistema comprende vários sub-sistemas: localizador de varredura ampla com identificador de intrusos (IFF) gerando acompanhamento e seleção de alvos. A aquisição de alvos pode ser feita por radar ou sistema optrônico baseado em TV, de modo a oferecer opções contra engajamento anti-radar. As baterias são controladas por rede de micro-ondas, podendo ou não haver interferência humana no acionamento final. O sistema é acompanhado por gerador e, com administração de energia, pode ficar ativo por até 36 horas.

Na atualidade, o Grupo Oerlikon-Contraves faz parte da Divisão de Produtos de Defesa Aérea do Grupo Rheinmetall, empresa alemã de longa tradição nesse mercado específico (longa mesmo – forneceram boa parte dos armamentos utilizados pela Alemanha nazista…). A empresa está desenvolvendo, juntamente com a britânica Royal Ordnance, um sistema de defesa anti-aérea e antimíssil denominado Millenium, projetado em torno do cartucho AHEAD. Trata-se de um sistema totalmente computadorizado, comandando um conjunto de canhões da versãoGDF-007, montados de modo a funcionar como canhão rotativo, monitorados por sistema de direção de tiro de alta precisão. O cartucho AHEAD (35X173mm) é o tipo de munição chamado “inteligente”: contém uma espoleta que é programada ao deixar o tubo, e “acompanha” a trajetória do alvo (geralmente um míssil ou projétil de carga oca). Ao explodir, libera fragmentos diante do alvo. A cadência desse fogo desse sistema pode ser regulada, variando o número de salvas. Por ser passivo, o projétil é resistente a todo tipo de contramedidas eletrônicas. O sistema também pode ser programado para engajar alvos aéreos a distâncias de até 2.500 metros e alvos de superfície a até 4.000 metros.

Oerlikon KDC 005. Base para os sistemas de defesa ativa pesquisados por norte-americanos e britânicos.

Oerlikon KDC 005. Base para os sistemas de defesa ativa pesquisados por norte-americanos e britânicos.

 

Um sistema semelhante, embora baseado no reparo norte-americano Bushmaster, para defesa ativa de veículos, está sendo projetado pela Rheinmetall, destinado à defesa aproximada de ponto.

 

Dados técnicos. Calibre – 35mm; Comprimento do cano (exceto nas versões GDF-006 e 007) – 90 calibres (31500 mm); Velocidade de boca -1175 m/s; Cadência de fogo – 2 x 550 = 1100 disp./min; Peso do conjunto (sem munição) – 7760 kg; Peso do conjunto (munição embarcada, 268 salvas por tubo) – 8200 kg.

Tipos de munição disponíveis (35X228): Anti-aéreas – HE (High Explosive – 550 grs); HEI (High Explosive Incendiary – 610 grs); Anti-carro – APDS (Armour Piercieng Discarding Sabot – 294 grs), APFSDS (Armor Piercing Fin Stabilized Discarding Sabot 375 grs); Defesa ativa de ponto – FAPDS (Frangible Armour Piercieng Discarding Sabot – 375 grs), AHEAD (Advanced Hit Efficiency And Destruction – 750 grs):: 

 

 

 

 

 

 

Uma fortificação, posto que é segunda::

fortcopa

Desde a instalação da cidade do Rio de Janeiro na região do morro do Castelo, sua defesa era feita por um anel de fortificações – cuja eficácia era bastante questionável. A posição mais avançada dessa linha de defesa era uma bateria instalada na Ponta da Igrejinha, na Praia de Nossa Senhora de Copacabana, citada desde a segunda metade dos Setecentos. No início do século 20, a Revolta da Armada mostrou que a capital da República era bastante vulnerável a um ataque por navios. Foi então decidida a construção de uma grande fortificação no antigo sítio. O major-engenheiro Tasso Fragoso fez o projeto, que foi depois detalhado nas Usinas Krupp. A construção foi feita com peças de concreto pré-moldadas, fabricadas na Alemanha. Tratava-se de uma estrutura acasamatada, projetada em torno de canhões de grosso calibre e grande alcance. A instalção foi iniciada em 1908. Ocupando uma área de cerca de 114.000 m2, o Forte de Copacabana foi inaugurando em 28 de setembro de 1914 (veja aqui uma outra interessante foto do Forte). As paredes externas, voltadas para o mar, tem 12 m de espessura, e protegem salas de comando, unidades de direção de tiro, paióis, casas de máquinas, tudo servindo às baterias principais, equipadas com canhões Krupp de 305mm e secundárias, de 190mm e 75mm. As duas primeiras montam 4 bocas de fogo (duas de cada calibre) assentadas em torres giratórias de aço, acionadas por motores elétricos. Na ápoca da inauguração, era a mais moderna fortificação da América Latina. A eficácia da tecnologia alemã foi testada em 1922, quando o encouraçado “São Paulo”, um Dreadnought da Marinha Brasileira disparou cinco salvas, contra o forte, conseguindo dois impactos diretos (gostaria de saber onde caíram os outros disparos…). A instalação permaneceu intacta, e a marca de um dos impactos ainda é visível em uma das cúpulas de aço. O Forte de Copacabana foi desativado como unidade militar em 1986.