Cultura Material militar::A linhagem FAL::Parte 2::


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Parte 2/3 O sucesso do FAL pode, em princípio até parecer estranho, se olharmos de perto esse artefato militar. Segundo a Desciclopédia, “… é um fuzil reconhecido por ser tão potente como uma AK-47, tão preciso quanto um M-16 e conseguir pesar tanto quanto um par dos mesmos. Também é conhecido por ser usado por uma porção de militares no mundo inteiro, desde a SAS até o BOPE, e por ser o maldito fuzil que o sargento obriga você a carregar de uma mão só durante a vigia da madrugada, no Exército Brasileiro.” Muitos militares que manusearam o FAL concordariam com essa gozação, mas também reconheceriam que essa arma tem qualidades inegáveis. De fato, é um pouco longo, para os padrões atuais: a versão padrão, cano leve, tem 109,5 cm de comprimento, com o cano medindo 53,3 cm. O peso, sem a munição, é de 4.325 g. O carregador-padrão de aço com 20 cargas pesa 790 g, sendo que a ejeção do estojo vazio se dá pelo lado direito do receptor. O material de fatura do cano, do receptor e do mecanismo de culatra é o aço forjado, com a coronha e punho de pistola feitos em plástico de alta resistência. O comprimento do cano e da arma resultam do redesenho feito para o uso do cartucho 7.62 NATO, cuja potência necessita tanto de um conjunto de maior peso quanto de um maior número de voltas do raiamento.

O FAL é apresentado, atualmente, em três versões: a standart, *uma versão com coronha rebatível e cano encurtado, e *uma terceira, com “cano pesado”, no qual a arma é configurada para disparar apenas em modo automático, dotada de um bipé. O cano pesado possibilita um regime de disparo continuo, no qual o atrito do projétil e a expansão do gás desgastam menos o raiamento. Essa versão, dispondo de um carregador de 30 cargas, visa dotar a esquadra de infantaria de uma metralhadora ligeira com a mesma mecânica das armas individuais, o que torna a manutenção de campo menos complexa.

Tecnicamente, o FAL pode ser definido como um fuzil de fogo seletivo, com cadência de tiro de até 650 salvas por minuto, capaz de três regimes de disparo: semi-automático simples (uma salva de cada vez), semi-automático repetitivo (3 ou 4 salvas a cada disparo) e automático. A alimentação é por carregador, que pode conter de 5 até 30 cargas.

A operação é a gás, ou seja, o sistema é posto em movimento através da recuperação de parte do gás gerado pela explosão do propelente do cartucho. Com a câmara trancada, o acionamento do gatilho solta a mola, que leva o ferrolho, onde se encontra alojado o percursor, para frente. Parte do gás resultante da explosão da carga entra por um tubo instalado sobre o cano e empurra um pistão que, ligado ao ferrolho, o lança para trás. O conjunto ferrolho-percursor (chamado bloco de culatra) está ligado a uma mola. Quando esta se tensiona, o tranco imprime um rápido movimento para baixo numa peça basculante (faz um movimento rotativo, fixada por um pino) na parte anterior do ferrolho. Esse movimento expõe o ejetor e lança o estojo vazio para fora, enquanto um novo cartucho é admitido na câmara da arma (esse sistema é chamado, em inglês, tilting breechblock). O resto da operação resulta da inércia do conjunto, que retorna a posição empurrado pelo movimento de distensão da mola.

Nesse ponto reside um problema: o FAL foi desenhado, inicialmente, para utilizar a munição alemã 7.92X33 mm. A adaptação para a munição .280 não implicou nenhuma dificuldade, visto que não havia grande diferença de potência entre uma e outra. A adaptação para a munição T-65 era outro caso: tratava-se de um cartucho muito mais potente. Assim, o peso do conjunto teve de ser aumentado, para que as repetidas explosões não destruíssem a arma. Adaptado à munição norte-americana, o ferrolho-basculante exigiu uma caixa da culatra forjada em aço de espessura maior do que a inicialmente prevista. Tentativas posteriores feitas para reduzir o peso e o custo de produção deram em nada, pois a peça basculante, apoiada na caixa de culatra, exigia alta resistência, provida pela espessura e peso do metal.

Um regulador permite que a quantidade de gás lançado no sistema seja escolhida pelo operador , possibilitando que o excesso, que simplesmente aumenta a intensidade do recuo, seja eliminado da arma. Novamente, o excesso de potência do cartucho 7.62 NATO cria um problema, visto que, em modo automático, o excesso de gás, mesmo regulado, tende a fazer a arma “corcovear”, diminuindo a precisão do disparo.

Não era o único problema observado nessa arma. O que não impediu que o FN FAL se destacasse entre os fuzis de assalto de seu tempo. Bélgica e Venezuela foram os primeiros a adotá-lo, em 1954. A Inglaterra adotou uma versão desenvolvida a partir do FN, como *L1A1-SLR (de Self-Loading Rifle). Nas duas décadas seguintes, África do Sul, Alemanha, Argentina, Austrália, Áustria, Butão, Brasil, Cambodja, Canadá, Grécia, Holanda, Índia, Irlanda, Israel, Malásia, Nova Zelândia, Portugal, Rodésia, Tailândia, Turquia e Uruguai o adotaram. Nos final dos anos 1950, estudos feitos nos EUA e na Europa começaram a dar razão à defesa que a Grã-Bretanha tinha feito, no início da década, dos cartuchos intermediários. O surgimento do padrão 5.56X45 mm NATO começou a eclipsar a munição 7.62. No início dos anos 1990, todos os países da NATO já haviam substituído suas armas pessoais de infantaria 7.62X51 por rifles 5.56. O 7.62 persistiria como munição de metralhadoras ligeiras, terrestres e aéreas. Mas o FAL continuou em ação, e tudo indica que seu tempo esteja longe de terminar.::

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2 pensamentos sobre “Cultura Material militar::A linhagem FAL::Parte 2::

  1. Oi, eu sou militar da infantaria 5ª RM 20º BIB e pode ter certeza que eu conheço o FAL muito bem e eu li o primeiro post sobre a criação do FAL e os motivos políticos é exelente, parabéns, irei repasar. Só adcionando uma informação.

    “*uma versão com coronha rebatível e cano encurtado*” = Para-FAL

    “*uma terceira, com “cano pesado” = FAP, fuzil automático pesado

    Vlw e parabéns pelos artigos.

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