O mês da Coréia::A América Latina e a Guerra da Coréia::

Em 27 de junho de 1950, apenas dois dias depois da invasão da Republica da Coréia pelas tropas da República Democrática da Coréia, os EUA levaram o caso ao Conselho de Segurança da ONU. O Secretário Geral, rapidamente, considerou o evento uma agressão contra a liberdade e solicitou aos países-membros que disponibilizassem tropas para emprego imediato sob a bandeira das Nações Unidas.

Com relação a América Latina, o Departamento de Estado dos EUA via uma oportunidade para atuar colaborativamente com a Organização dos Estados Americanos.  Diplomatas norte-americanos concentraram esforços na Bolívia, Chile, Uruguai, México, Peru e Brasil. Os resultados foram decepcionantes: Bolívia e Uruguai chegaram a oferecer tropas, mas logo voltaram atrás, diante da má reação da população; Chile e México, temendo reações adversas, despediram os enviados dos EUA sem nenhuma promessa de comprometimento de qualquer espécie. Peru e Brasil mostraram certo interesse em contribuir com a ONU, desde que os EUA se comprometessem em aumentar substancialmente a assistência econômica e militar.

O Pentágono, por sua vez, não via nenhuma vantagem em mobilizar nações não-comunistas cuja contribuição militar  dependeria totalmente dos EUA, num momento em que o país não tinha nem pessoal nem equipamento nem munição em números suficientes para as próprias necessidades. De início, os EUA estabeleceram que as nações dispostas a lutar “pela liberdade e contra a agressão comunista” teriam de financiar parte da própria contribuição, e residia aí parte do problema, já que os países da região encararam a imposição como sinal de descaso. Posteriormente, os departamentos de Estado e de Defesa concordaram em providenciar o equipamento e transporte das tropas através de um empréstimo especial, pelo qual as nações participantes pagariam. A divulgação dessa proposta foi o suficiente para que 29 nações oferecessem assistência militar, médica ou econômica, embora nenhuma fosse da América Latina.

O relacionamento político-diplomático do Brasil com a Coréia do Sul teve início em junho de 1949. O Brasil foi o oitavo país do mundo e o segundo latino-americano (o primeiro foi o Chile) a reconhecer oficialmente a república coreana. Os motivos que levaram ao estabelecimento de relações diplomáticas com a República da Coréia se articulam ao contexto da Guerra Fria. Nos anos que se seguiram a formação da ONU o Brasil se integrava ao bloco ocidental, liderado pelos EUA. Em 1950, a representação brasileira votou favoravelmente às decisões da ONU que condenavam o conflito entre o norte e o sul da Coréia. Os EUA, entretanto, demandavam do Brasil atuação mais incisiva, solicitando o envio de tropas. Em prinípio, o governo Dutra viu na situação uma oportunidade para arrancar dos EUA tanto ajuda econômica quanto militar, mas, diante da retiscência dos enviados norte-americanos, retraiu-se, limitando o auxílio à abertura de uma linha de crédito para a aquisição de matérias primas e ao envio de alimentos e medicamentos para a Coréia do Sul.

Não é que não tenham acontecidos reações à situação na Ásia. O Exército brasileiro, cuja oficialidade tinha postura conservadora, tendia a considerar a guerra como manifestação da luta entre “bloco democrático” e “bloco comunista”. Poucos dias após a abertura do conflito, todas as guarnições militares foram colocadas de prontidão e em seguida, os comandantes militares consultaram o governo sobre a possibilidade do país se juntar ao esforço da ONU contra os comunistas. É possível que tenha havido alguma pressão dos oficiais norte-americanos que serviam no Brasil junto à Missão Militar dos EUA, treinando os militares locais.

Fora o nervosismo militar, a única manifestação observada aconteceu na cidade de Recife. A Rádio Jornal do Comércio organizou, junto com as autoridades eclesiásticas da região, uma missa pelo fim da Guerra da Coréia, que reuniu aproximadamente 40 mil pessoas no estádio do Retiro.

O fato é que não havia concordância interna sobre que atitude tomar, e a questão acabou posta em segundo plano. Militares, políticos conservadores e até setores da Igreja alegavam que os acordos militares de assistência múua entre Brasil e EUA deviam ser cumpridos. Mas nem no interior do Exército havia concordância: as alas nacionalistas discordavam fortemente de qualquer envolvimento brasileiro e chegavam a criticar o governo sul-coreano. Em artigo publicado na imprensa, o capitão Humberto Freire de Andrade teceu duras críticas contra o governo de Singman Rhee, que afirmava responsável pela guerra, e chegava a elogiar o norte comunista pelas políticas sociais e a realização de uma reforma agrária. Esse Freire de Andrade, pouco mais de dez anos depois acabou transferido para a reserva pelo Ato Institucional n° 3, de 9 de abril de 1964…

O único governo latino-americano a se manifestar foi o da Colômbia, chefiado pelo conservador Mariano Ospina Perez, então em fim de mandato. De imediato, a fragata  “Almirante Padilla” foi posta à disposição do Comando Unificado das Nações Unidas. Em 14 de julho, nova solicitação da ONU postulou ajuda militar efetiva, e levou o governo colombiano a disponibilizar tropas, mas sem indicar o efetivo, e quando estariam prontas.

Os problemas começaram imediatamente. Deslocando 2290 toneladas e tripulada por 190 oficiais e marinheiros, a “Almirante Padilla”, ex-PF (patrol frigate, em inglês) USS “Groton”, fazia parte de uma classe “Tacoma“, navios construídos às centenas durante a 2ª GM, para escolta de comboios. Terminada a guerra, esses navios, em variados estados de conservação, foram postos em reserva, e, posteriormente, repassados aos governos de aliados menores, dentro dos programas de ajuda militar. Em 1947 os EUA cederam a “Groton” para a Colômbia. O estado de conservação do navio, que já não era bom, deteriorou-se rapidamente, e a Colômbia não dispunha de instalações especializadas para repará-lo. O governo norte-americano, interessado em tornar a defesa da Coréia do Sul um “caso mundial”, dispôs-se a realizar reparos de urgência no navio, o que obrigou a Marinha da Colômbia a deslocá-lo para San Diego, Califórnia, onde chegou em setembro. Em novembro de 1950 foi considerado em condições de operar, e navegou para o Japão, onde chegou em abril de  1951. Foi incorporado, em 1 de maio, à uma força naval multinacional, a “Força Tarefa 95”, comandada pelo contra-almirante Alan Smith, na base naval de Sasebo. O navio colombiano foi designado para o GT 95.5, com funções de vigilância, escolta e bloqueio de uma área do litoral norte-coreano. Posteriormente, a fragata “Capitán Tono” (ex-USS “Bisbee”) substituiu a “Almirante Padilla”, que retornou à Colômbia. A “Capitán Tono”, curiosamente, era um navio da classe da “Almirante Padilla”, adquirido na própria Coréia para possibilitar a continuação da atuação colombiana lá. A Marinha da Colômbia permaneceu em operação na região até 11 de outubro de 1955, ou seja, mais de dois anos depois de firmado o armistício. A “Almirante Padilha” teve, em 1964, o inglório fim de naufragar depois de encalhar em rochedos no Caribe.

Quanto às forças de terra, a situação foi mais complicada ainda. A Colômbia, estava, na época, mergulhada em uma crise política, com o Congresso nacional fechado e vivendo uma virtual ditadura civil-militar. Ospina se preparava para entregar o governo a seu sucessor, Laureano Gómez. Anticomunista convicto e líder de uma ala radical dos conservadores, Gómez via o envio de tropas para combater ao lado da ONU como forma de diminuir a antipatia dos norte-americanos pelos conservadores colombianos, que não escondiam o fascínio pelo fascismo. Assumindo o novo governo em 1 de agosto, no dia 7 o ministro da guerra formalizou a vaga oferta de tropas. Em 1951, depois de uma confusa chamada de voluntários, e em meio a rumores de golpe de estado, a unidade, com aproximadamente 1100 efetivos, dirigiu-se para 12 semanas de treinamento nas proximidades de Bogotá. Em 21 de maio de 1951, embarcada em um transporte da Marinha dos EUA, partiu para o Oriente. Seu comandante era o tenente-coronel de infantaria Jaime Polanía Puyo, que se queixava amargamente da falta de equipamento e do baixo nível das tropas. A tropa colombiana desembarcou em Pusan, na Coréia do Sul, em 16 de junho, sendo saudada pelo presidente da República da Coréia em pessoa. Agregado ao 8º Exército dos EUA, imediatamente foi colocada em instrução de 6 semanas, e recebeu parte de seu equipamento de combate. Ao fim do treinamento a unidade foi incorporada ao 21º Regimento da 24ª Divisão de Infantaria do Exército dos EUA.

 Batalhão_Colombia

O comandante da 24ª Divisão, general-de-brigada Blackshear Bryan colocou o Batalhão Colômbia no 21º RI devido a este ser comandado por um hispano-americano fluente em espanhol, coronel Ginés Pérez. A base da unidade era a localidade de Chunchon. O “Batalhão Colômbia” foi considerado reserva do 21º RI, e a avaliação dos norte-americanos foi que a unidade dificilmente teria condições de entrar em combate. Ainda assim, um arranjo político fez com que uma companhia colombiana fosse enviada, em 7 de agosto, data nacional, realizando patrulhas de reconhecimento ofensivo.  

O “Batalhão Colômbia” permaneceu em ação até o fim das hostilidades. A tropa colombiana ainda permaneceria na península até o final de outubro de 1954. O número de baixas subiu a 131 mortos em combate, 69 desaparecidos e 448 feridos em ação, totalizando 648 baixas, sobre um toal de 3.089 combatentes que passaram pelo teatro coreano ao longo desse tempo, integrados a três batalhões que se sucederam. Proporcionalmente, o número de ccasualidades foi 21 por cento, o que é extremamente alto – os norte-americanos, por exemplo, sofreram, proporcionalmente em torno de 11 por cento de casualidades.

A alta proporção de baixas sofridas pelo “Batalhão Colômbia” tem sido atribuídas a diversos motivos, que vão desde o baixo nível de treinamento, passando por equipamento inadequado, operações mal-planejadas, emprego em condições adversas, até a implicância do novo comandante norte-americano do 31º Regimento de Infantaria dos EUA, coronel William Kern. Esse oficial substituiu o hispano-americano coronel Pérez, e foi acusado de enviar os colombianos para situações de combate para os quais os colombianos não estariam preparados. De qualquer forma, os colombianos ainda hoje se orgulham da atuação de sua pequena unidade no contexto daquele grande conflito::

O mês da Coréia::MIA, de volta ao lar, 50 anos depois::

Os EUA se envolveram, no século 20, em mais de 40 guerras e incidentes militares, das mais diferentes intensidades. Nunca foram divulgados dados exatos, mas calcula-se que mais de 600.000 militares tenham sido mortos em combate, em conseqüência dessas guerras. Aos mortos somam-se milhares de MIAs, ou seja, Missing In Action, “Desaparecidos em Ação”, basicamente um soldado morto em combate, cujo corpo não foi recuperado. Embora o imaginário norte-americano seja pleno de lendas que falam em “campos de prisioneiros secretos”, onde soldados americanos seriam mantidos ilegalmente presos, após o fim das hostilidades, isso nunca se comprovou (exceto, é claro, nos filmes de Sylvester “Rambo” Stalone e de Chuck “Braddock” Norris). O governo dos EUA nunca levou a sério essas histórias: os MIAs estavam mesmo mortos,sem ter tido seus corpos entregues às famílias para sepultamento. As forças armadas e o Departamento de Defesa dos EUA consideram trazer seus rapazes de volta um dever que não expira, e mantém vários departamentos especializados em identificar restos mortais localizados. Esses departamentos atuam tendo por filosofia as palavras do General dos Exércitos dos EUA John J. Pershing: “Diante de Deus, temos a obrigação moral de garantir que nossos rapazes voltem para casa.”::

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O Departamento de Prisioneiros de Guerra e Pessoal Desaparecido (DPMO) do Departamento de Defesa dos EUA anunciou que os restos mortais de quatro militares norte-americanos desaparecidos em combate durante a Guerra da Coréia foram identificados e tiveram seus restos mortais entregues às suas famílias para sepultamento, com todas as honras militares. Representantes do Exército e da Força Aérea encontraram-se com familiares para explicar os processos de recuperação e identificação dos cadáveres, e para coordenar os funerais com honras militares. Entre outras técnicas de identificação forense e evidências circunstanciais os cientistas do Comando Unificado de Levantamento de Prisioneiros e Desaparecidos de Guerra (JPAC) e do Laboratório de Identificação por DNA das Forças Armadas usaram análise de DNA mitocondrial e comparação de arcada dentária.

Foram identificados os restos de quatro militares desaparecidos em combate.

O capitão-aviador William K. Mauldin, da Força Aérea dos EUA, natural de Pickens, estado da Carolina do Sul. Derrubado em 21 de fevereiro de 1952, quando pilotava um RF-51 Mustang numa missão de reconhecimento sobre a República Democrática da Coréia, Mauldin foi sepultado em 18 de julho de 1993, em Easley, no mesmo estado. O restos do oficial foram encontrados em uma de 208 caixas, enviadas para os EUA pelos norte-coreanos entre 1991-1993, contendo possíveis restos de combatentes norte-americanos. A caixa continha fragmentos de equipamento individual de tripulante de aeronave e a documentação enviada pelos norte-coreanos dava conta de um piloto retirado morto de uma aeronave derrubada no local onde Mauldin se perdera.

O terceiro-sargento Gene F. Clark, do Exército dos EUA, natural de Muncie, estado de Indiana, foi identificado em 1993, e sepultado em sua cidade natal. Membro da Companhia L, 8º Regimento de Cavalaria, 1ª Divisão de Cavalaria, foi supostamente morto durante o “incidente da Cabeça do Camelo”. Os restos foram exumados em 1993, e, como continham uma plaqueta de identificação (dogtag) com os dados de Clark, foram colocados em uma caixa separada, o que facilitou o trabalho, que foi completado através do exame da arcada dentária.

O cabo Steven Lucas do Exército dos EUA, de Johnson City, estado de Nova Iorque, fazia parte Companhia de Petrechos Pesados da 31ª Equipe Regimental de Combate (em inglês, RCT, ou Regimental Combat Team, força  com efetivo menor que uma brigada, formada integrando-se temporariamente partes de diversos regimentos), que foi engajada por forças inimigas nas proximidades do Represa de Choisin, em 29 de novembro de 1950. A 31ª ERC foi obrigada a se retrair (recuar combatendo) durante nos dias 29 e 30 de novembro, data em que Lucas foi visto pela última vez. Seus restos, incompletos, estavam em uma das 208 caixas enviadas em 1994 pelos norte-coreanos, e foram identificados em 2008, graças a exames de DNA mitocondrial.   

O primeiro-sargento W. T. Akins, do Exército dos EUA, Companhia Médica do 8º Regimento de Cavalaria, 1ª Divisão de Cavalaria, desaparecido no dia 1º de novembro de 1950, em combate contra tropas chinesas durante a retirada da curva do rio Kuryong, próximo a Pusan, Coréia do Norte, no encontro conhecido como “incidente da Cabeça do Camelo”, durante a batalha de Unsan.  Akins foi sepultado no Cemitério Nacional de Arlington (Washington, DC). Em abril de 2007, o governador do Novo México, Bill Richardson e o Secretário de Assuntos de Veteranos Anthony Principi, negociando diretamente com os norte-coreanos, conseguiram o repatriamento de seis caixas contendo restos humanos de possíveis militares dos EUA. A documentação norte-coreana dava conta que os restos tinham sido localizados perto de Unsan. A identificação foi feita por comparação de DNA. Akins foi um dos mais de 350 combatentes dados como desaparecidos nessa batalha.

O mês da Coréia::As Nações Unidas

Sessão do Conselho de Segurança da ONU, 27 de junho de 1950, que estabeleceu a Resolução 84. Note-se a poltrona vaga do representante da União Soviética

Sessão do Conselho de Segurança da ONU, 27 de junho de 1950, que estabeleceu a Resolução 84. Note-se a poltrona vaga do representante da União Soviética

Dois dias após a invasão da Coréia do Sul, o Conselho de Segurança das Nações Unidas lançou um apelo aos países membros da organização para que se unissem em torno do objetivo de expulsar os agressores da porção sul da península. Essa resolução, de número 84, também indicava os EUA para organizar a implementação da resolução, coordenar e dirigir as ações militares da ONU. Nomeado comandante das forças das Nações Unidas, o general de exército Douglas MacArthur estabeleceu, em 24 de julho, o Quartel-General Geral do Comando das Nações Unidas. Nos meses seguintes, tropas dos EUA foram o único obstáculo entre o Exército Popular da República Democrática da Coréia e a vitória total. A intervenção das tropas da ONU demoraria até 29 de agosto, quando a 27ª Brigada da Comunidade Britânica desembarcou em Pusan. Unidades de outros países se juntaram, em rápida sucessão, ao Comando das Nações Unidas: Austrália, Bélgica, Canadá, Colômbia, Etiópia, Filipinas, França, Grécia, Holanda, Luxemburgo, Nova Zelândia, Tailândia e Turquia. A União Sul-Africana disponibilizou unidades aéreas que lutaram com outras nações que haviam se juntado ao Comando das Nações Unidas. Dinamarca, Índia, Noruega e Suécia disponibilizaram unidades médicas e a Itália enviou um hospital, mesmo não sendo membro da ONU (a Itália foi admitida à ONU em 1955).

Quando o armistício foi assinado, em 27 de julho de 1953, as forças das Nações Unidas alcançavam 932.964 efetivos. O maior contingente era o da República da Coréia, com 590.000 efetivos. Os *EUA tinham, naquele momento, 302.000 homens. A *Grã-Bretanha empenhava aproximadamente uma divisão, com pouco mais de 14.000 homens, seguido pelo Canadá, com pouco mais de 6.000, a *Turquia, com pouco menos de 5.500 e a Austrália, com 2.200. Filipinas, Nova Zelândia, Etiópia, Tailândia, Grécia, *França, e Colômbia empenhavam entre 1.500 e 1.000 efetivos, cada. Bélgica, e África do Sul  enviaram, respectivamente, 900 e 826 militares. O menor contingente foi o do Luxemburgo, com 44 militares.

Não se sabe com certeza quantos militares sul-coreanos morreram em combate. Dados oficiais, calculados com auxílio dos EUA, dão conta de quase 138.000; outros números dão conta de algo entre cento e cinqüenta e duzentos mil mortos. Os *norte-americanos perderam 33.629, os britânico, 1.109, os turcos, 717, os canadenses, 516, os australianos, 339, os franceses, 287, os grego, 194, os colombianos, 146, os tailandeses, 136, os etíopes, 122, os holandeses, 120, os belgas, 97, os filipinos, 92, os neozelandeses, 31, os sul-africanos, 20 e os luxemburgueses, 7.

Calcula-se que tenham entrado em combate, ao longo dos três anos de hostilidades, por volta de 850.000 sul-coreanos, 700.000 norte-americanos e 120.000 das Nações Unidas.

Cultura material militar::O mês da Coréia::PPSh

A esta altura, todo mundo já sabe que o mês de junho marca o 59° aniversário da eclosão da Guerra da Coréia. Como já vimos em outro lugar, em 1945, pelo menos em aparência era concordância entre os aliados uma solução de consenso para a situação política da península. Na prática, as áreas de ocupação soviética e norte-americana passaram a se organizar por conta própria a partir de 1946. No norte, sob controle de tropas soviéticas, uma administração nos moldes da URSS foi montada, a partir de 1946, contando inclusive com um dispositivo militar, baseado nas unidades guerrilheiras sob controle centralizado. O futuro líder da Coréia do Norte, Kim Il-sung, depois de conduzir guerrilhas na fronteira entre a Manchúria e a Coréia do Norte, refugiou-se na União Soviética e acabou a 2ª GM como capitão do Exército Vermelho.  Durante a guerra, a guerrilhas coreanas eram armadas principalmente com equipamento fornecido pela China. Isto significava que o principal armamento disponível era de origem norte-americana, pois os soviéticos não queriam provocar os japoneses, mantendo-se neutros durante toda a guerra no Extremo Oriente.

Encerrada a 2ª GM, a situação mudou radicalmente. Com a ocupação da porção norte da península, os soviéticos passaram a fornecer apoio técnico e logístico ao governo estabelecido em sua zona de ocupação, logo após a Conferência de Moscou, realizada em dezembro de 1945. Nessa época, os coreanos incorporados ao Exército Vermelho retornaram à Coréia,  e os soviéticos passaram a fornecer grandes quantidades de material bélico estocado da 2ª GM, e que estava, naquele momento, sendo substituído. O novo exército norte-coreano recebeu tanques T-34/85 (que, na URSS, começou a ser substituído, em 1947, pelo *modelo T-54), canhões de emprego geral de *ZIS-3/76 mm e submetralhadoras PPSh. Esta última se tornou a principal arma da infantaria norte-coreana durante a guerra que se seguiu::

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A origem das submetralhadoras remonta ao final da 1ª GM. A tentativa de superar o impasse da guerra de trincheiras mostrou que um dos problemas (não o único) era a incapacidade das pequenas unidades de infantaria (esquadras e pelotões) em concentrar fogo de modo suficiente para superar posições de metralhadoras. A criação, pelos alemães, de forças especiais de infantaria conhecidas como “Tropas de choque” (Stösstruppen), altamente móveis e destinadas a procurar oportunidades de infiltração na linha de defesa adversária apontou a necessidade de uma nova arma de infantaria. Essa arma deveria ser leve e capaz de prover fogo em peso suficiente para confrontar posições teoricamente mais fortes. A resposta foi a adoção de uma arma com a conformação de uma pistola semi-automática, utilizando o mesmo tipo de munição (cartuchos curtos com projetis arredondados), mas capaz de disparar em rajadas.

Essa arma era a submetralhadora, ou como a chamaram os alemães, “pistola-metralhadora”. A primeira arma a incorporar totalmente o conceito de submetralha surgiu em 1918, desenhada por Louis Schmeiser e fabricada por Bergman Waffenfabrik. A *Maschinenpistole Model 1918, ou MP18 usava o cartucho Parabellum 9X19 do exército alemão. No período pós-guerra, o exame dessa arma por ingleses e norte-americanos, e seu uso durante a guerra civil na União Soviética levaram ao surgimento de diversos modelos similares, distribuídos principalmente entre forças policiais. A Guerras do Chaco foi o primeiro conflito no qual o uso militar de submetralhadoras mostrou-se viável e fez a balança pender para um dos lados. Nas guerras Civil Espanhola e Russo-Finlandesa, a submetralhadora consolidou-se como arma de infantaria, e alguns especialistas chegaram a afirmar que a era dos fuzis de ferrolho teria chegado ao fim. Essa previsão não se realizou devido a certos limitações que os engenheiros não conseguiram superar: baixa potência do projetil de pistola e sua baixa precisão. Entretanto, os teóricos da Wehrmacht consideraram, a partir de 1936, que a sub-metralhadora poderia ser complemento ao poder de fogo dos fuzis de ferrolho, principalmente no combate à curta distância. Unidades de infantaria chegaram a distribuir uma submetralhadora para cada dez fuzis; nas unidades motorizadas essa proposção chegava até 4X10, sendo que em unidades de choque (infantaria das divisões blindadas e pára-quedistas) a proporção era de 5X10.

Versão original da Pistolet Pulemjot Shapagina 41, com alça de mira graduada para até 500 metros

Versão original da Pistolet Pulemjot Shapagina 41, com alça de mira graduada para até 500 metros

Entretanto, foi no Exército Vermelho que essas experiências alcançaram seu grau mais extremo. Seu instrumento foi a Pistolet-pulemjot Shpagina 41 (“pistola-metralhadora de Shpagin”) ou PPSh-41. Concebida pelo armeiro Georgii Shpagin, em 1940 e distribuída a partir da primeira metade de 1941.

Infantaria soviética. Em primeiro plano, um soldado aponta uma PP Sh 41

Infantaria soviética. Em primeiro plano, um soldado aponta sua PP Sh 41 versão 1943

No início de 1940, Shpagin, desenhista do ateliê Krokov (localidade nas cercanias de Moscou) começou a projetar uma nova submetralhadora. Até então, o Exército Vermelho estava equipado com o modelo PPD (Pistolet-pulemjot Degtyarova), concebido a partir de 1934 com base na alemã Bergman MP-28. Na Guerra de Inverno na Finlândia, tropas finlandesas equipadas com submetralhadoras mostraram superioridade arrasadora em situações de combate aproximado. A *PPD, modelos 34 e 38, foi modificada e distribuída com com base nessa experiência. Entretanto, era cara e difícil de fabricar, e sua manutenção, fora de condições de quartel, bastante complicada. Um ano depois, a invasão alemã e a retirada desorganizada do Exército Vermelho fez com que enormes quantidades de armas fossem abandonadas, e as fábricas não se mostravam capazes de substitui-las na mesma proporção.

A PPSh-41 foi concebida para ser uma alternativa barata e simples às PPD. Todas as partes, com excessão do cano, eram em metal estampado (o que diminuía o tempo de fabricação pela metade) e a maior parte da montagem era feita através de solda elétrica. A parte mais complexa do conjunto era o carregador tipo tambor, de 71 cargas, copiado exatamente do modelo usado pela filandesa *Suomi KP-31.

Tratava-se de uma arma acionada por ação de recuo simples, operando a partir da câmara aberta (quando armada, o extrator permanecia aberto). Sua cadência de fogo chegava a 900 salvas por minuto, o que era considerado demasiado alto para condições de combate de infantaria. Essa cadência era permitida em função do uso do cartucho “TT” 7.62X25 (Tokarev) modelo 1930 (cópia adaptada do cartucho alemão Mauser 7,63 mm), que possibilitava ao projétil uma velocidade de boca de até 450 metros por segundo. A PPSh 41 podia disparar em regime automático e semi-automático, embora os modelos posteriores a 1943 permitissem o disparo apenas em automático. A alta cadência de fogo a tornava uma arma instável, com forte tendência a elevar o cano, que um compensador/freio de boca rudimentar tentava corrigir. Essa característica tornava o tiro pouco preciso, e a efetividade do disparo dificilmente ultrapassava 100 metros. A alça de mira das primeiras versões podia ser regulada para até 500 metros; as versões posteriores passaram a ser dotadas de uma alça com apenas duas marcações: 100 e 200 metros. Em combate, a arma era geralmente apontada por alinhamento do cano com o alvo. O carregador tipo tambor (na imagem, o da Suomi, idêntico aos soviéticos) era considerado um dos pontos altos da arma. Entretanto, era difícil de municiar, seu transporte era incômido e a fabricação rústica o tornava frágil. Modelos posteriores da arma incorporaram um carregador convencional, tipo caixa, de 35 cargas.

As grandes qualidades da “pá-pá-txá” (como era chamada pelos usuários) eram a resistência e durabilidade. Capaz de suportar grande quantidade de sujeira e variações extremas de temperatura, necessitava de pouca manutenção. A *desmontagem era muito simples e o número de peças, relativamente pequeno. Um pino na parte posterior do receptor era solto, deixando que a metade superior fosse movida para cima, num movimento basculante. O interior do receptor se abria, expondo o bloco de culatra e a mola.

Quase 5,5 milhões de exemplares desta arma foram produzidos até ao fim da 2ª GM. Para termo de comparação, a Alemanha produziu, entre 1938 e 1945, aproximadamente 2,5 milhões de submetralhadoras, das quais mais de 1 milhão eram MP38/40

Depois de 1941, * unidades alemãs em combate permitiam que seus integrantesusassem a PPSh, chegando algumas a estocar munição “TT”. As dimensões entre os dois cartuchos eram próximas, o que levou a Wehrmacht a considerar a adaptação da enorme quantidade de PPSh capturadas em 1941 para disparar munição 9X19 mm. A adaptação obrigava a mudança do cano e do uso de um adaptador no receptor, de modo a permitir o uso do carregador de 32 cargas da ERMA MP38. A adaptação recebeu a notação MP717(r).

A produção continuou até pelo menos 1950, quando foi descontinuada em função da padronização do fuzil de assalto AK47. Entretanto, as grandes quantidades estocadas foram distribuídas entre os países da Europa Oriental e aos *aliados asiáticos. Quantidades consideráveis também foram fabricadas por alguns desses países. A República Popular da Coréia foi um dos países a receber enormes quantidades de armas soviéticas. Nesta *imagem, armas soviéticas da 2a GM, com uma PPSh versão 43. Essas armas foram capturadas no perímetro de Pusan. Curiosamente, o rifle no centro é um Arisaka 7,7 japonês.

As táticas desenvolvidas pelo Exército Vermelho durante a guerra baseavam-se no uso de submetralhadoras por infantes cuja atuação seguia o princípio da massa e da velocidade. Transportados até o campo de batalha em caminhões não protegidos ou montados no dorso de tanques, os infantes eram lançados diretamente contra as linhas inimigas, disparando suas armas logo após saltarem dos veículos, ou após percorrerem distâncias não muito grandes, depois de desmontarem dos caminhões. O peso de fogo era a única garantia de sucesso dessa tática, e tinha de ser conseguido a qualquer custo, daí a adoção quase universal de submetralhadoras. Entretanto, essa tática costumava a provocar grandes baixas, sem contar a dependência da disponibilidade de veículos e de quantidades consideráveis de combustível. Como forma de compensar a superioridade dos defensores alemães, em geral ocupando posições preparadas, os soviéticos faziam preceder os assaltos de infantaria móvel por pesadas barragens de artilharia. O uso massivo de foguetes não guiados articulava-se a esse contexto. Esse tipo de tática exigia grandes concentrações de tropas, o que explica a opção soviética pelo esforço ao longo da região dos rios Don-Dnieper, mobilizando forças moderadas nas outras frentes.

O Exército Popular da República Democrática da Coréia foi treinado para adotar essas mesmas táticas. A superioridade numérica e em volume de armamentos – notadamente o número de tanques e peças de artilharia) destinava-se a reproduzir, tanto quanto possível, a forma soviética de fazer a guerra. Até mesmo a proporção relativamente pequena de aviação espelhava o fato de que, no teatro europeu, as forças soviéticas acostumaram-se a lutar com pouco apoio aéreo. A vitória pareceu fácil, no início, em função da desproporção numérica. As forças armadas da República da Coréia, além de menores em efetivos, praticamente não dispunham de tanques e artilharia. Conforme os EUA, sob a bandeira da ONU, começaram não apenas a empenhar efetivos consideráveis no teatro coreano, como treinar e armar tropas sul-coreanas, a incapacidade da Coréia do Norte em substituir as pesadas baixas que sofreu entre setembro e novembro de 1950 quase significaram a derrota.

A PPSh teve, tanto nas mãos dos norte-coreanos quanto, a partir de novembro de 1950, dos 300.000 “voluntários” chineses enviados para a Coréia, notável participação na Guerra da Coréia. Pode-se dizer que foi o último conflito no qual submetralhadoras tiveram papel de destaque. A partir de então, essa praticamente desapareceu como arma de infantaria, ficando restrita às Forças Especiais e corporações de polícia.::

Um rapaz (das Forças Especiais) às Terças::O mês da Coréia

Equipe de Forças Especiais do Exército Popular da República Democrática da Coréia. Essas unidades apoiam os objetivos operacionais de unidades maiores, aplicadas em missões de infantaria ligeira e reconhecimento. Equipes de combate deverão buscar terrenos críticos e postos de Comando e Controle. Obrigar a mobilização operacional de forças de reserva dos EUA e da República da Coréia, e atacar e assediar unidades maiores e seus postos de comando também são objetivos estabelecidos. Incurssões sobre objetivos civis de interesse militar (usinas de força, vias de comunicação e outros) também estão entre as missões designadas.

Equipe de Forças Especiais do Exército Popular da República Democrática da Coréia. É o uniforme de FE mais estranho que já vi - parecem saídos direto da Segunda Guerra Mundial.

Estimativas da Inteligência Militar do Exército dos EUA dão conta de que o Exército Popular da Rebública Democrática da Coréia  pode mobilizar em torno de 80.000 efetivos considerados de Forças Especiais. Caso sejam corretos, esses dados o colocariam como  o maior contingente desse tipo, na Ásia. As FE da Coréia do Norte  teriam por função apoiar objetivos operacionais de unidades maiores (divisões e brigadas), em missões de infiltração e reconhecimento. As bases dessas unidades ficam situadas imediatamente atrás da Zona Desmilitarizada, e a inteligência sul-coreana e observações de reconhecimento por satélite observam constante treinamento de equipes de combate. É suposto que, em caso de guerra, as FE norte-coreanas serão lançadas em áreas críticas, de modo a obrigar a mobilização operacional de forças de reserva dos EUA e da República da Coréia, através do assédio a unidades maiores e seus postos de comando. Incursões contra objetivos civis de interesse militar (usinas de força, vias de comunicação, telecomunicações, por exemplo) também estão entre as missões possivelmente designadas. A inteligência norte-americana calcula que o nível de treinamento e aprestamento dessas unidades é alto, e elas dispõem de equipamento de boa qualidade.

O mês da Coréia::Um resumo sobre a Guerra da Coréia::

A Coréia do Norte foi organizada rapidamente entre 1946 e 1948, com apoio da União Soviética. Até mesmo o Departamento de Estado norte-americano reconheceu que o norte comunista estruturou-se de modo altamente bem-sucedido, montando rapidamente um sistema político e militar sólido e razoavelmente eficiente. O sistema politico comandado por Pyongyang começou com um Departamento Administrativo das Cinco Províncias, em outubro de 1945. Em fevereiro de 1946 o Departamento foi reorganizado numa nova repartição, denominada Comitê Provisório do Povo Norte-Coreano. Em fevereiro de 1947 o Comitê passou a ser permanente, como órgão de governo da região norte da península. Ainda antes disso, os comunistas, por intermédio de acordos, incorporaram os grupos de esquerda que, sem estar sob o comando único, alinhavam-se na oposição ao modelo político proposto pelos aliados e à presença de ex-colaboradores dos japoneses no governo. Esse movimento completou-se em agosto de 1946, com a criação do Partido dos Operários da Coréia.

As forças armadas norte-coreanas foram criadas em meados de 1946, com apoio técnico e doutrinário da União Soviética. Entre 1946 e 1949, os soviéticos levaram pelo menos 10.000 norte-coreanos para freqüentar academias militares na União Soviética, para se formarem como oficiais. Um sistema de recrutamento baseado no modelo chinês tinha sido instituído logo depois da guerra, e duas divisões de infantaria (por volta de 35.000 efetivos) tinham sido enviadas para participar da guerra civil chinesa (1945-1949), durante a qual foi formado o Exército Voluntário Coreano, dissolvido com a vitória comunista. Com o retorno dessas unidades, a Coréia do Norte dispunha de um núcleo treinado de combatentes altamente motivados.

Em junho de 1950, as forças armadas coreanas tinham um efetivo entre 150.000 e 200.000 combatentes, organizados em oito divisões de infantaria completas, duas divisões de infantaria incompletas e uma *divisão blindada. O equipamento era soviético, do tipo usado na 2ª GM.

Em comparação, os sul-coreanos praticamente não tinham forças armadas dignas do nome. Os efetivos eram reduzidos, o governo não confiava plenamente no comando e, em função disso, não mostrava interesse em desenvolver a estrutura militar. Os equipamentos eram antiquados e praticamente não haviam tanques e artilharia. A aviação era composta por modelos norte-amercanos do início dos anos 1940 (basicamente treinadores avançados T-6 e aeronaves de ligação e observação). Em 25 de junho de 1950, no dia do início da guerra, a Força Aérea da República da Coréia (em inglês, ROKAF) dispunha de 64 pilotos qualificados.

O desenvolvimento da situação após o início da guerra confirmou a desproporção das forças envolvidas. O comando do exército norte-coreano mostrou surpreendente competência, adotando uma estratégia apropriada e tirando proveito da capacidade de movimento de suas forças. Em apenas três dias a capital sul-coreana foi ocupada e, na segunda semana de agosto, as forças do país tinham sido empurradas para o sudeste da península, em torno da cidade de Pusan. Com ajuda de tropas norte-americanas enviadas às pressas, controlavam meros 12.000 km2 de território.

Os norte-coreanos e seus assessores políticos e militares soviéticos e chineses esperavam que, no caso de uma vitória militar rápida seguida do colapso do governo sul-coreano, os norte-americanos abdicariam de intervir no conflito. Tal não aconteceu, e em 26 de junho, Truman ordenou o deslocamento de forças navais norte-americanas para a costa da Coréia do Sul, com ordens de intervir no conflito. Em 30 de junho tropas do exército norte-americano foram despachadas do Japão, ao mesmo tempo que os EUA convocaram o Conselho de Segurança da ONU. Como era esperado, a ONU, através da Resolução 84, posicionou-se em defesa da Coréia do Sul. Os EUA foram autorizados a indicar o comandante das forças a serem providenciadas e essas forças passaram a usar a bandeira da organização como insígnia. O general Douglas MacArthur foi indicado para o cargo e, depois de breve preparação, lançou uma operação anfíbia contra o porto de Inch’on, em 15 de setembro. Ao longo de seis dias (16-22 de setembro), mais de 50.000 efetivos, dos Marines e exército, e quase 7.000 veículos foram desembarcados na região de Inch´on. Os três primeiros dias presenciaram uma vitória decisiva, com as tropas dos EUA desbaratando diversos contra-ataques e destruindo uma divisão blindada norte-coreana. A superioridade aérea dos EUA era total e possibilitou que o impulso em direção a Seul acontecesse com relativa facilidade. Em 25 de setembro, o comandante das operações declarou Seul liberada. A vitória só não foi completa porque as forças das Nações Unidas não conseguiram impedir que uma quantidade significativa de tropas norte-coreanas se retirasse para o norte.

No mundo inteiro, os observadores seguiram os norte-americanos na suposição de que a guerra não iria durar muito. Não era uma suposição absurda: as forças das Nações Unidas, compostas por contingentes (a maioria simbólicos) de 23 nações, rapidamente recuperam o território ocupado pelos norte-coreanos e, em outubro de 1950, lançaram-se através do Paralelo 38. Em 19 de outubro, a situação se inverteu de modo diametral. Fortes contingentes da ONU desembarcam na cidade portuária de Wonsan e na província de Riwon, ambas banhadas pelo Mar do Japão, a partir do qual operavam as forças navais da ONU. Tropas sul-coreanas seguindo por terra juntaram-se a esses contingentes para ocupar Pyongyang. Em campos no sul, 135.000 prisioneiros norte-coreanos esperavam, conformados, pelo fim da guerra.

Ninguém poderia imaginar que avaliações equivocadas do governo dos EUA sobre a disposição da China para a luta, somadas ao egocentrismo de MacArthur, acabariam por prolongar a “guerra que estava ganha” por quase dois anos mais.::