O mês da Coréia::Um resumo sobre a Guerra da Coréia::


A Coréia do Norte foi organizada rapidamente entre 1946 e 1948, com apoio da União Soviética. Até mesmo o Departamento de Estado norte-americano reconheceu que o norte comunista estruturou-se de modo altamente bem-sucedido, montando rapidamente um sistema político e militar sólido e razoavelmente eficiente. O sistema politico comandado por Pyongyang começou com um Departamento Administrativo das Cinco Províncias, em outubro de 1945. Em fevereiro de 1946 o Departamento foi reorganizado numa nova repartição, denominada Comitê Provisório do Povo Norte-Coreano. Em fevereiro de 1947 o Comitê passou a ser permanente, como órgão de governo da região norte da península. Ainda antes disso, os comunistas, por intermédio de acordos, incorporaram os grupos de esquerda que, sem estar sob o comando único, alinhavam-se na oposição ao modelo político proposto pelos aliados e à presença de ex-colaboradores dos japoneses no governo. Esse movimento completou-se em agosto de 1946, com a criação do Partido dos Operários da Coréia.

As forças armadas norte-coreanas foram criadas em meados de 1946, com apoio técnico e doutrinário da União Soviética. Entre 1946 e 1949, os soviéticos levaram pelo menos 10.000 norte-coreanos para freqüentar academias militares na União Soviética, para se formarem como oficiais. Um sistema de recrutamento baseado no modelo chinês tinha sido instituído logo depois da guerra, e duas divisões de infantaria (por volta de 35.000 efetivos) tinham sido enviadas para participar da guerra civil chinesa (1945-1949), durante a qual foi formado o Exército Voluntário Coreano, dissolvido com a vitória comunista. Com o retorno dessas unidades, a Coréia do Norte dispunha de um núcleo treinado de combatentes altamente motivados.

Em junho de 1950, as forças armadas coreanas tinham um efetivo entre 150.000 e 200.000 combatentes, organizados em oito divisões de infantaria completas, duas divisões de infantaria incompletas e uma *divisão blindada. O equipamento era soviético, do tipo usado na 2ª GM.

Em comparação, os sul-coreanos praticamente não tinham forças armadas dignas do nome. Os efetivos eram reduzidos, o governo não confiava plenamente no comando e, em função disso, não mostrava interesse em desenvolver a estrutura militar. Os equipamentos eram antiquados e praticamente não haviam tanques e artilharia. A aviação era composta por modelos norte-amercanos do início dos anos 1940 (basicamente treinadores avançados T-6 e aeronaves de ligação e observação). Em 25 de junho de 1950, no dia do início da guerra, a Força Aérea da República da Coréia (em inglês, ROKAF) dispunha de 64 pilotos qualificados.

O desenvolvimento da situação após o início da guerra confirmou a desproporção das forças envolvidas. O comando do exército norte-coreano mostrou surpreendente competência, adotando uma estratégia apropriada e tirando proveito da capacidade de movimento de suas forças. Em apenas três dias a capital sul-coreana foi ocupada e, na segunda semana de agosto, as forças do país tinham sido empurradas para o sudeste da península, em torno da cidade de Pusan. Com ajuda de tropas norte-americanas enviadas às pressas, controlavam meros 12.000 km2 de território.

Os norte-coreanos e seus assessores políticos e militares soviéticos e chineses esperavam que, no caso de uma vitória militar rápida seguida do colapso do governo sul-coreano, os norte-americanos abdicariam de intervir no conflito. Tal não aconteceu, e em 26 de junho, Truman ordenou o deslocamento de forças navais norte-americanas para a costa da Coréia do Sul, com ordens de intervir no conflito. Em 30 de junho tropas do exército norte-americano foram despachadas do Japão, ao mesmo tempo que os EUA convocaram o Conselho de Segurança da ONU. Como era esperado, a ONU, através da Resolução 84, posicionou-se em defesa da Coréia do Sul. Os EUA foram autorizados a indicar o comandante das forças a serem providenciadas e essas forças passaram a usar a bandeira da organização como insígnia. O general Douglas MacArthur foi indicado para o cargo e, depois de breve preparação, lançou uma operação anfíbia contra o porto de Inch’on, em 15 de setembro. Ao longo de seis dias (16-22 de setembro), mais de 50.000 efetivos, dos Marines e exército, e quase 7.000 veículos foram desembarcados na região de Inch´on. Os três primeiros dias presenciaram uma vitória decisiva, com as tropas dos EUA desbaratando diversos contra-ataques e destruindo uma divisão blindada norte-coreana. A superioridade aérea dos EUA era total e possibilitou que o impulso em direção a Seul acontecesse com relativa facilidade. Em 25 de setembro, o comandante das operações declarou Seul liberada. A vitória só não foi completa porque as forças das Nações Unidas não conseguiram impedir que uma quantidade significativa de tropas norte-coreanas se retirasse para o norte.

No mundo inteiro, os observadores seguiram os norte-americanos na suposição de que a guerra não iria durar muito. Não era uma suposição absurda: as forças das Nações Unidas, compostas por contingentes (a maioria simbólicos) de 23 nações, rapidamente recuperam o território ocupado pelos norte-coreanos e, em outubro de 1950, lançaram-se através do Paralelo 38. Em 19 de outubro, a situação se inverteu de modo diametral. Fortes contingentes da ONU desembarcam na cidade portuária de Wonsan e na província de Riwon, ambas banhadas pelo Mar do Japão, a partir do qual operavam as forças navais da ONU. Tropas sul-coreanas seguindo por terra juntaram-se a esses contingentes para ocupar Pyongyang. Em campos no sul, 135.000 prisioneiros norte-coreanos esperavam, conformados, pelo fim da guerra.

Ninguém poderia imaginar que avaliações equivocadas do governo dos EUA sobre a disposição da China para a luta, somadas ao egocentrismo de MacArthur, acabariam por prolongar a “guerra que estava ganha” por quase dois anos mais.::

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8 pensamentos sobre “O mês da Coréia::Um resumo sobre a Guerra da Coréia::

  1. Interessante como os dois lados caíram nessa ilusão de que a guerra estava ganha, não? Para os norte-coreanos se esperava uma guerra rápida e vitória fácil, esperando que o grande irmão do outro lado ficasse no sua.

    Não muito depois os americanos, esperando que o grande irmã do outro lado também ficasse na sua também bateu com a realidade.

    Estou curioso pelo seu relato sobre a maior retirada da história militar americana. O que acho engraçado é que já vi americanos afirmando que os EUA venceram a guerra da coréia.

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