O mês da Coréia::MIA, de volta ao lar, 50 anos depois::


Os EUA se envolveram, no século 20, em mais de 40 guerras e incidentes militares, das mais diferentes intensidades. Nunca foram divulgados dados exatos, mas calcula-se que mais de 600.000 militares tenham sido mortos em combate, em conseqüência dessas guerras. Aos mortos somam-se milhares de MIAs, ou seja, Missing In Action, “Desaparecidos em Ação”, basicamente um soldado morto em combate, cujo corpo não foi recuperado. Embora o imaginário norte-americano seja pleno de lendas que falam em “campos de prisioneiros secretos”, onde soldados americanos seriam mantidos ilegalmente presos, após o fim das hostilidades, isso nunca se comprovou (exceto, é claro, nos filmes de Sylvester “Rambo” Stalone e de Chuck “Braddock” Norris). O governo dos EUA nunca levou a sério essas histórias: os MIAs estavam mesmo mortos,sem ter tido seus corpos entregues às famílias para sepultamento. As forças armadas e o Departamento de Defesa dos EUA consideram trazer seus rapazes de volta um dever que não expira, e mantém vários departamentos especializados em identificar restos mortais localizados. Esses departamentos atuam tendo por filosofia as palavras do General dos Exércitos dos EUA John J. Pershing: “Diante de Deus, temos a obrigação moral de garantir que nossos rapazes voltem para casa.”::

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O Departamento de Prisioneiros de Guerra e Pessoal Desaparecido (DPMO) do Departamento de Defesa dos EUA anunciou que os restos mortais de quatro militares norte-americanos desaparecidos em combate durante a Guerra da Coréia foram identificados e tiveram seus restos mortais entregues às suas famílias para sepultamento, com todas as honras militares. Representantes do Exército e da Força Aérea encontraram-se com familiares para explicar os processos de recuperação e identificação dos cadáveres, e para coordenar os funerais com honras militares. Entre outras técnicas de identificação forense e evidências circunstanciais os cientistas do Comando Unificado de Levantamento de Prisioneiros e Desaparecidos de Guerra (JPAC) e do Laboratório de Identificação por DNA das Forças Armadas usaram análise de DNA mitocondrial e comparação de arcada dentária.

Foram identificados os restos de quatro militares desaparecidos em combate.

O capitão-aviador William K. Mauldin, da Força Aérea dos EUA, natural de Pickens, estado da Carolina do Sul. Derrubado em 21 de fevereiro de 1952, quando pilotava um RF-51 Mustang numa missão de reconhecimento sobre a República Democrática da Coréia, Mauldin foi sepultado em 18 de julho de 1993, em Easley, no mesmo estado. O restos do oficial foram encontrados em uma de 208 caixas, enviadas para os EUA pelos norte-coreanos entre 1991-1993, contendo possíveis restos de combatentes norte-americanos. A caixa continha fragmentos de equipamento individual de tripulante de aeronave e a documentação enviada pelos norte-coreanos dava conta de um piloto retirado morto de uma aeronave derrubada no local onde Mauldin se perdera.

O terceiro-sargento Gene F. Clark, do Exército dos EUA, natural de Muncie, estado de Indiana, foi identificado em 1993, e sepultado em sua cidade natal. Membro da Companhia L, 8º Regimento de Cavalaria, 1ª Divisão de Cavalaria, foi supostamente morto durante o “incidente da Cabeça do Camelo”. Os restos foram exumados em 1993, e, como continham uma plaqueta de identificação (dogtag) com os dados de Clark, foram colocados em uma caixa separada, o que facilitou o trabalho, que foi completado através do exame da arcada dentária.

O cabo Steven Lucas do Exército dos EUA, de Johnson City, estado de Nova Iorque, fazia parte Companhia de Petrechos Pesados da 31ª Equipe Regimental de Combate (em inglês, RCT, ou Regimental Combat Team, força  com efetivo menor que uma brigada, formada integrando-se temporariamente partes de diversos regimentos), que foi engajada por forças inimigas nas proximidades do Represa de Choisin, em 29 de novembro de 1950. A 31ª ERC foi obrigada a se retrair (recuar combatendo) durante nos dias 29 e 30 de novembro, data em que Lucas foi visto pela última vez. Seus restos, incompletos, estavam em uma das 208 caixas enviadas em 1994 pelos norte-coreanos, e foram identificados em 2008, graças a exames de DNA mitocondrial.   

O primeiro-sargento W. T. Akins, do Exército dos EUA, Companhia Médica do 8º Regimento de Cavalaria, 1ª Divisão de Cavalaria, desaparecido no dia 1º de novembro de 1950, em combate contra tropas chinesas durante a retirada da curva do rio Kuryong, próximo a Pusan, Coréia do Norte, no encontro conhecido como “incidente da Cabeça do Camelo”, durante a batalha de Unsan.  Akins foi sepultado no Cemitério Nacional de Arlington (Washington, DC). Em abril de 2007, o governador do Novo México, Bill Richardson e o Secretário de Assuntos de Veteranos Anthony Principi, negociando diretamente com os norte-coreanos, conseguiram o repatriamento de seis caixas contendo restos humanos de possíveis militares dos EUA. A documentação norte-coreana dava conta que os restos tinham sido localizados perto de Unsan. A identificação foi feita por comparação de DNA. Akins foi um dos mais de 350 combatentes dados como desaparecidos nessa batalha.

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