Uma moça (de uniforme) às Segundas::

As Forças Armadas brasileiras ainda são um tanto machistas. Em 2008, segundo dados do Ministério da Defesa, estavam incorporadas 4.486 oficiais, graduados e praças do sexo feminino, num universo total de aproximadamente 289.000 tropas (190.000 no Exército, 49.000 na Marinha e 50.000 na Aeronáutica). Ou seja, menos de 2 por cento do efetivo. A Marinha, a primeira das forças a admitir o sexo feminino em seus quadros, comporta quase metade do total, seguida pela Aeronáutica e o Exército. Curiosamente, a resistência à presença feminina no ambiente militar ainda é maior no meio civil do que no interior das Forças Armadas. Entretanto, a única força na qual as mulheres atuam efetivamente na primeira linha é a Aeronáutica, em cuja academia já é reservado um porcentual de vagas (uma em cada cinco) para pilotos e intendentes. Na Marinha e no Exército, as mulheres cumprem funções auxiliares, principalmente nos quadros técnicos especializados e de saúde.

Primeiro-sargento do Quadro Auxiliar Feminino da Marinha recebendo a Ordem do Mérito Tamandaré

Primeiro-sargento do Quadro Auxiliar Feminino da Marinha recebendo a Ordem do Mérito Tamandaré

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Submarinos brasileiros: a eleição de 2010 desce às profundezas da Amazonia Azul::

Aqueles poucos que tiveram paciência de chegar até o fim da parte 1, não apenas lendo o texto mas também os recursos adicionais introduzidos pelo redator um tanto sádico, já podem começar a fazer um julgamento menos parcial sobre o assunto. Será que podem mesmo?.. Digamos, como as garotas lá do Rio de Janeiro: “médio” – será preciso ler as outras partes. Aí sim será possivel uma visão de conjunto que nem a imprensa e muito menos os jornalistas tem facitado. Mas de submarinos, aí o redator garante – a turma deve estar entndendo um pouco::

Parte 2Por volta do início dos anos 1980, a Marinha começou a procurar novos submarinos. A retirada prematura dos Oberon ingleses de serviço, e o envelhecimento das unidades de origem norte-americanas tornaram a aquisição de peças de reposição um verdadeiro pesadelo. Foram examinadas propostas da Itália, Suécia, França e Alemanha. Na época, a indústria naval italiana deixara de projetar submarinos; a Suécia colocava grandes dificuldades para exportação de armas (situação que, na atualidade, mudou radicalmente). Restaram a França e a Alemanha. A escolha só poderia ser a do modelo alemão IKL209-1400, praticamente o único disponível para exportação num mercado naturalmente restrito. Em 1984 foi decidido que seriam adquiridas, inicialmente, duas unidades, uma a ser construída nos estaleiros Howaldtswerke Deutsche Werft (HDW), em Kiel, Alemanha e outra no Rio de Janeiro. Isso porque as negociações com o governo alemão envolviam um fato novo: a exigência da transferência de tecnologia de construção. Não foram muito simples, mas o momento ajudava: a economia européia, e particularmente a alemã, estava mergulhada numa crise sem precedentes, com alto nível de desemprego industrial, o que facilitou as tratativas, tanto técnicas quanto de financiamento. Apesar das dificuldades, em 1985 o governo brasileiro decidiu adquirir mais duas unidades, a serem construídas no Brasil. Engenheiros e operários especializados foram enviados à Alemanha para estágio em empresas envolvidas no processo, enquanto no Brasil eram realizadas obras no AMRJ. A estatal NUCLEP foi considerada capaz de executar o casco interno (ou “casco de pressão”). Essa empresa já havia adquirido tecnologia metalúrgica avançada, em função do acordo nuclear Brasil-Alemanha (de 1975), naquele momento em banho-maria devido à situação econômica calamitosa do Brasil (que acabaria influenciando fortemente o cronograma da parte brasileira do projeto). No AMRJ foram fabricados o casco externo, vela, lemes, sistemas de imersão/emersão e outros equipamentos. O processo envolveu a construção de quatro seções separadas, com peças vindas de diversos lugares, e montadas no Rio de Janeiro.

Em 1997 foi decidida a construção de uma quinta unidade, um pouco modificada com base na experiência adquirida pela Marinha na operação dos quatro IKLs brasileiros. O cronograma de todas as unidades, mas particularmente dessa quinta foi fortemente afetado pelas diversas crises econômicas pelas quais o país passou no período, e, notadamente pelas restriçoes orçamentárias impostas à Marinha. Por sinal, essas restrições também afetaram, de modo quase patético, o cronograma da corveta Barroso, unidade de superfície de complexidade tecnológica relativamente baixa, mas que levou mais de dez anos para ficar pronta (por sinal, o redator recomenda a leitura atenta do dossiê para que se veja onde pode dar, nesses casos, a “transferência de tecnologia”alemã…).

Ainda hoje se discute o alcance da transferência de tecnologia realizada ao longo do processo dos IKL-209. Embora a Marinha tenha adquirido capacidade técnica de fazer toda a manutenção (alguns dizem que era a principal demanda dos militares brasileiros), não domina completamente o processo de projeto. A seção de vante do submarino, onde se localizam importantes equipamentos (inclusive do sistema de armas) veio pronta da Alemanha; certas partes do sistema de imersão/emersão também vieram prontas, assim como todos os equipamentos eletrônicos. Oficiais da Marinha, a começar pelo comandante da corporação, se dizem insatisfeitos com o fato de que os equipamentos eletrônicos são revisados apenas por técnicos alemães. Ainda assim, em 2005, a Marinha parecia satisfeita com seus IKL, cujo desempenho era o melhor de toda a história da Força de Submarinos. Em 2005, o governo começou a falar em adquirir duas unidades de um modelo mais novo, o IKL 214, versão simplificada do IKL 212, adotado pelas marinhas alemã e italiana, e em modernizar as outras cinco. Na época, foi ventilado nos meios especializados que o contrato, no total, mais de 1,3 bilhões de dólares.

O problema é que existem controvérsisas em torno da eficácia do IKL-214, a começar pelo sistema de propulsão AIP. Recentemene, a Grécia, país membro da OTAN, teve problemas sérios com uma unidade do tipo, que estava sendo construída em estaleiros gregos. Em testes, o navio se revelou muito instável em todas as condições de mar, e o sistema AIP foi criticado gerando alta assinatura térmica, quando em velocidade (segundo a imprensa especializada, esse é um problema de todos os IKL atualmente em operação). O navio acabou sendo devolvido à Alemanha, A Marinha Portuguesa também recusou o

Entretanto, na época, duas questões já tinham de ser consideradas: a decisão brasileira de construir um submarino nuclear de ataque (SSN, no jargão militar) e a Estratégia de Defesa Nacional (então em discussão inicial, e sacramentada pela Presidência da República em 18 de dezembro de 2008)::

Duas frases: o dia é bom para pensar::

Estamos abrindo, aqui no causa::, o mês dos submarinos brasileiros. Passaremos agosto falando de temas relacionados com o assunto. Então, nada melhor que começar com algumas frases que colocam o resumo do tema. E depois ler os postos que o redator está armando para divertir vocês::

Essa opção [pelo IKL-214] baseia-se, basicamente, além do fato da Marinha estar satisfeita com o desempenho dos seus atuais submarinos, nas indiscutíveis vantagens decorrentes da manutenção de uma linha logística já existente, tanto na parte relativa ao material (construção e manutenção), como na concernente à formação do nosso pessoal. Almirante-de-esquadra Roberto Guimarães Carvalho, comandante da Marinha, em dezembro de 2006 – citado pelo blog Poder Naval em julho de 2009

A Alemanha não transfere tecnologia de projeto nem de manutenção dos submarinos. Na construção dos atuais submarinos que o Brasil opera [IKL-209], a “seção de vante” (proa), onde ficam os tubos de lançamento de torpedos, veio pronta da Alemanha e a manutenção dos sistemas de combate (sonares, sistema de direção de tiro, etc.) só é feita com a presença de técnicos alemães. Comando da Força de Submarinos, 17 de julho de 2009 – citado pelo blog Poder Naval em julho de 2009

…a proposta francesa inclui quatro submarinos convencionais, com respectiva transferência de tecnologia de construção; a transferência de tecnologia de projeto de submarinos, inclusive de seus sistemas de combate; o projeto e a construção de um submarino de propulsão nuclear; o projeto e a construção de um estaleiro dedicado à fabricação de submarinos de propulsão nuclear (e convencionais) e de uma nova base naval, capaz de abrigá-los. Press-release distribuído pelo CENTRO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA MARINHA em 24 de julho de 2009

“Antes de tudo, temos o prazer de informá-lo que o governo da República Federal da Alemanha aprovou o pedido feito pela HDW para transferir à Marinha Brasileira a tecnologia do projeto de submarino, para o desenvolvimento de seu próprio grande submarino que poderá receber a propulsão nuclear atualmente sendo desenvolvido pela Marinha Brasileira.” Trecho de carta enviada ao Ministro da Defesa do Brasil pelo embaixador da República Federal daAlemanha no Brasil, citada em O Globo pelo jornalista José Meirelles Passos::

 

A história da guerra do ponto de vista dos micróbios::

Pensei nesse tema ao ler um texto já meio antigo (neste ambiente, um mês é tempo pra caramba…) no Darwiniano. Falo do comentário sobre um livro que eu já conhecia. Trança daqui, trança dali, acabei lembrando de outro e de outro, que considero também muito interessantes. E trança daqui, trança dali (com uns pulos na Grande Rede), acabou me ocorrendo o óbvio: com freqüência, micro-organismos acabam sendo convocados para a guerra, para serem engajados na modalidade que é chamada “guerra biológica”. Bom, trança daqui, trança dali, acabei fazendo um pequeno (mas pequeno mesmo…) resumo do “estado atual da questão”. Quem quiser saber mais pode ler dois excelentes textos aqui e aqui. Sugiro que o façam – acaba sendo divertido: no fim, a gente concluí que, sem sombra de dúvida, a humanidade é maluca…

O uso de toxinas produzidas por organismos vivos como armas de guerra, de modo a causar toxinfecções capazes de interferir no esforço de guerra do inimigo é mais difundido do que se possa imaginar. Talvez tão velho quanto a própria guerra. Sociedades de nível tecnológico muito rudimentar perceberam a possibilidade de usar toxinas produzidas por animais como forma de potencializar suas próprias armas, tanto na caça quanto na guerra – suponho que todo mundo já tenha ouvido falar do veneno curare, empregado por sociedades indígenas. Na Antiguidade, não era incomum que fontes de água fossem contaminadas com animais mortos – comportamento que os romanos consideravam “digno de bárbaros e escravos”; também não são incomuns os relatos de cidades sob sítio alvejadas com carcaças de animais e até corpos de vítimas de doença.  A partir do século 18 e, marcadamente, no século 19, os mesmos estudos que identificavam e isolavam agentes microbianos e seus produtos tóxicos, buscando curar ou controlar doenças, acabaram por mostrar ao Estado e seus agentes militares as possibilidades para esse tipo de guerra. No final do século 19, a Alemanha já promovia pesquisas visando determinar o potencial de determinados micro-organismos como arma militar. Na 1a GM, gado contaminado com antraz (infecção bacteriana comum no gado que, em certas condições, pode ser letal para humanos) e melioidose (infecção bacteriana de alta taxa de letalidade) chegou a ser contrabandeado para a Bélgica e França. A convenção de Genebra de 1925 tentou banir o uso desse tipo de meio, pela proibição do uso de armas químicas e biológicas (proibição depois confirmada pela Conferência Mundial de Desarmamento, de 1932), mas sem grande sucesso. Os países não-signatários (como o Japão) ignoravam as normas e os signatários, alegando necessidades de defesa, diminuiam mas não interrompiam as pesquisas.

Desde então, os estudos sobre o uso de armas biológicas colocam diante da humanidade um cenário de pesadelo (e também de non-sense). Os japoneses, durante a 2a GM, utilizaram amplamente os resultados de pesquisas nesse campo, inclusive sobre os melhores vetores dessas armas: milhões de pulgas contaminadas com agentes bacterianos letais foram espalhadas pela China, e também foi testada a pulverização de aerosóis (microgotículas) com culturas de Yersinia Pestis, bactéria causadora da peste pneumônica. Findas as hostilidades, embora diversos militares japoneses fossem julgados como criminosos de guerra por promoverem essas experiências e propor sua utilização maciça, os resultados das pesquisas e a possibilidade de seu uso não foram banidos. Os EUA já tinham suas próprias pesquisas desde 1941, num centro instalado em Fort Detrick, situado em Frederick, Maryland. Por ironia (ou não, sabe-se lá…), essa base estava subordinada ao Comando Médico do Exército dos EUA, e sediava o Programa de Armas Biológicas do Exército. Durante muito tempo, uma das principais linhas de trabalho desse programa foi a viabilização da produção, em escala industrial, de botulina, toxina de altíssimo grau de letalidade produzida por uma bactéria anaeróbica. Embora os EUA neguem até hoje, diz-se que certa quantidade desse material foi levada para a Europa em 1944, em um navio que acabou atingido durante um ataque aéreo. Em 1969, os EUA resolveram ratificar a Conferência de Genebra de 1925, e, na prática, o governo norte-americano passou a assegurar que armas biológicas e químicas nunca seriam usadas ofensivamente. As pesquisas para produção dessas armas foram desativadas e uma agência intergovernamental encarregada de pesquisas sobre bio-defesa passou a coordenar os órgãos existentes.  A União Soviética começou a pesquisar armas biológicas antes da 2a GM, e essas pesquisas foram aceleradas durante a Guerra Fria. No final dos anos 1970, eram conhecidos onze laboratórios em atividade. É interessante (bem, digamos que mais parece humor negro) observar que a pesquisa em engenharia genética, na ex-URSS, se desenvolveu a partir das buscas por armas biológicas eficazes – inclusive uma cepa de varíola que pudesse ser colocada em um míssil intercontinetal. Mesmo após a détente dos anos 1970, os laboratórios soviéticos continuaram funcionando. Com o fim da URSS e as dificuldades econômicas da Rússia, acredita-se que as pesquisas tenham sido reduzidas ao mínimo.

Na atualidade, a ameaça dos agentes biológicos não diminuiu. EUA e Rússia conservam, em laboratórios de alta segurança (mas conservam…) coleções de micro-organismos letais, inclusive da varíola. Embora sem fornecer provas convincentes, os serviços secretos dos EUA e da Grã-Bretanha acusaram o regime baathista do Iraque de promover pesquisas com agentes biológicos; atualmente, a mesma acusação é feita pelos EUA e Israel contra o Irã; a Coréia do Norte é frequentemente acusada pelos EUA e Coréia do Sul de promover pesquisas desse tipo; da China também é dito possuir estoques secretos de agentes biológicos letais. E, por fim, o bioterrorismo é posto como uma das principais ameaças. Todos sabemos que já foram ensaiados ataques que tentavam promover a contaminação por antraz, colocado, em pequenas quantidades, dentro de envelopes de correspondência. Mas, o que não sabemos é que, até agora, foi a única ameaça objetiva registrada::

Um rapaz (das Forças Especiais) às Terças::Todo mundo ama um atirador de escol::

Pelo menos é o que parece, em função do interesse que os (poucos ) cometadores aqui do causa:: demonstram ter pelo assunto…

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Dois militares da Força Aérea dos EUA demonstram a “posição de amigo para atiradores de escol”. Os dois são membros do 506º Esquadrão de Segurança das Forças Expedicionárias, estacionado na Base Aérea de Kirkuk, Iraque. Essa instalação aloja uma “equipe de engajamento aproximado de precisão”,  composta por atiradores de escol da Força Aérea. Esses caras são especialista em “ações anti-sniper”, que buscam “anular” (ou seja, “matar”, na língua dos não-militares) atiradores terroristas  que ataquem forças dos EUA ou da coalizão. Cada base aérea dos EUA no Iraque aloja uma equipe dessas, geralmente composta por seis grupos. O número de atiradores de escol (jargão do Exército Brasileiro, claro) empenhado no Iraque é, proporcionalmente, muito maior do que o empenhado na 2a GM – tentem adivinhar o porquê… A arma é um rifle M24SWS (Sniper Weapon System), versão militar do rifle esportivo Remington, cal. 7.62X51 NATO. Essa arma já foi retirada do inventário do Exército dos EUA, mas continua muito popular, devido ao peso, considerado relativamente baixo (5,571 quilos, descarregado, sem o telescópio). A munição 7.62 é considerada excelente para a função, devido à potência do cartucho. O “amigo”  procura o alvo com um telêmetro ótico portátil::

Uma moça (de uniforme) às Segundas::

Agora que a moça do Pedro Doria se foi…

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Terceiro-sargento Theresa Lynn Flannery, infantaria do Exército dos EUA.  A sargento Flannery, que, na adolescência foi “Miss Teen” do condado de Madison, largou os estudos ginasiais aos 17 anos para alistar-se no Exército, onde permaneceu por 4 anos. Em 2003, se voluntariou para o Iraque, e, aos 26 anos, após uma operação realizada em Najaf, Iraque, em abril de 2004, tornou-se portadora das condecorações Estrela de BronzeCoração Púrpura.

Cara nova para o Causa::

Pois é, como é possível notar, causa:: mudou de cara. Depois de experimentar algumas dezenas de templates, optei por este, bem classiquinho e que, me pareceu, torna a leitura, principalmente de textos curtos, mais confortável. O cabeçalho não ficou lá muito bom, mas esse é um ponto mal-resolvido na interface: nunca descobri como conciliar título, epígrafe e imagem. A epígrafe sumiu, pois. A coisa toda ficou um pouco mais leve, me parece…

Continuam valendo as regras básicas – não há regras básicas, e quem quiser copiar o textos, pode, no todo ou em parte. Não precisa nem citar a fonte – mas, para quem o fizer, agradecimentos antecipados e penhorados do redator.

Com o fim do Weblog (toque de recolher e discretas lágrimas..) passo a recomedar, como flancos do causa:: o blog do comandante james bond, o Darwiniano, o Blog do Mr. X, o Ágora com Dazibao no meio, o NPTO e o Pandorama, como retaguarda (retaguarda mesmo – onde colocam os combatentes cansados para descansar).  São os blogs que eu leio com mais frequência.

É isso aí – peço aos amigos aqui do causa:: que preencham as estrelinhas – estou curioso para saber se a cara nova do causa:: agradou::