Duas frases: o dia é bom para pensar::


Estamos abrindo, aqui no causa::, o mês dos submarinos brasileiros. Passaremos agosto falando de temas relacionados com o assunto. Então, nada melhor que começar com algumas frases que colocam o resumo do tema. E depois ler os postos que o redator está armando para divertir vocês::

Essa opção [pelo IKL-214] baseia-se, basicamente, além do fato da Marinha estar satisfeita com o desempenho dos seus atuais submarinos, nas indiscutíveis vantagens decorrentes da manutenção de uma linha logística já existente, tanto na parte relativa ao material (construção e manutenção), como na concernente à formação do nosso pessoal. Almirante-de-esquadra Roberto Guimarães Carvalho, comandante da Marinha, em dezembro de 2006 – citado pelo blog Poder Naval em julho de 2009

A Alemanha não transfere tecnologia de projeto nem de manutenção dos submarinos. Na construção dos atuais submarinos que o Brasil opera [IKL-209], a “seção de vante” (proa), onde ficam os tubos de lançamento de torpedos, veio pronta da Alemanha e a manutenção dos sistemas de combate (sonares, sistema de direção de tiro, etc.) só é feita com a presença de técnicos alemães. Comando da Força de Submarinos, 17 de julho de 2009 – citado pelo blog Poder Naval em julho de 2009

…a proposta francesa inclui quatro submarinos convencionais, com respectiva transferência de tecnologia de construção; a transferência de tecnologia de projeto de submarinos, inclusive de seus sistemas de combate; o projeto e a construção de um submarino de propulsão nuclear; o projeto e a construção de um estaleiro dedicado à fabricação de submarinos de propulsão nuclear (e convencionais) e de uma nova base naval, capaz de abrigá-los. Press-release distribuído pelo CENTRO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA MARINHA em 24 de julho de 2009

“Antes de tudo, temos o prazer de informá-lo que o governo da República Federal da Alemanha aprovou o pedido feito pela HDW para transferir à Marinha Brasileira a tecnologia do projeto de submarino, para o desenvolvimento de seu próprio grande submarino que poderá receber a propulsão nuclear atualmente sendo desenvolvido pela Marinha Brasileira.” Trecho de carta enviada ao Ministro da Defesa do Brasil pelo embaixador da República Federal daAlemanha no Brasil, citada em O Globo pelo jornalista José Meirelles Passos::

 

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9 pensamentos sobre “Duas frases: o dia é bom para pensar::

  1. Bitt, isto não é um pré-julgamento, pois o incrível Nelson Jobim já está mais do que julgado. Este acordo com a França para compra de submarinos piores por um preço dez vezes maior é uma das mais fabulosas negociatas que este país jamais viu. Se um acordo com a França numa área onde a Alemanha detém excelência fosse usado para conseguir vantagens deste país, como a transferência de tecnologias sensíveis, este jogo já teria cumprido o seu papel. Mas, qual nada, o Jobim foge da convocação do Congresso alegando mil compromissoszinhos, como o diabo da cruz. No dia sete próximo, o “dia da pátria terá” uma comemoração a altura dos tempos lulistas: um prejuízo pavoroso para o país celebrado como mais uma conquista do governo popular.

  2. Luiz, tendo a não concordar com vc, a não ser no fato – indiscutível – de que as coisas, com este governo, poderiam ser bem mais transparentes, poupando, inclusive, chateações. Mas vamos esperar os postos. Só posso adiantar que a classe Scorpène não é assim tão ruim, não.

    Darw, sei lá… Alguns oficiais de marinha com quem conversei dizem que o buraco é mais embaixo, e que a “transferência de tecnologia” alemã foi assim-assim. Passei as últimas duas semanas pesquisando o assunto, e… Bom…

  3. Uma das prioridades da Marinha é a criação de um submarino nuclear. Portanto me pergunto como os alemães vão transferir tecnologia para apoiar a produção do nosso submarino nuclear se eles mesmos não tem um, coisas que os franceses já dominam.

    Problemas, qualquer projeto tem, a Grécia e Portugal rejeitaram o IKL-214 e os Chilenos tem suas reclamações sobre o Scorpene (ver blog naval), mas é nisso que a MB tem de trabalhar para escolher e melhorar o novo projeto.

  4. Darw, na verdade os alemães estão putos conosco e parecem ter suas razões. Pelo que ouvi o Brasil ia comprar os IKL-214 e a contrapartida seria uma siderúrgica no Rio, mas o Jobim teria roído a corda quanto entrou no ministério. No mais todos os lados fazem lobby pesado, já ouvi falar inclusive que os americanos não tem interesse que o Brasil avance com os franceses e estaria discretamente apoiando os alemães. Se bem me lembro na época do SIVAM os americanos derrubaram os franceses na base da canelada.

  5. Renato e bitt,
    Mas qual seria a razão dessa disputa entre os EUA e a França?
    Mal aí se a pergunta é muito básica, mas eu sou completamente leigo nesses assuntos…

  6. Bitt, ainda não li seu novo post sobre o assunto, mas cabe perguntar: o fato da classe Scorpène “não ser assim tão ruim” a faz valer dez vezes mais do que o IKL-214 rejeitado pela Grécia e Portugal?

  7. Luiz, tentarei esclarecer esses pontos, se bem que certeza, certeza, só com o Almirantado e com o MinDef. E aida estou pesquisando, mas uma coisa garanto: o mês vai ser mto divertido!

  8. Darw, acho que o lance entre os franceses e americanos é concorrência comercial mesmo. Afinal são negócios caríssimos e uma forma de manter influência duradoura no cenário mundial.

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