Direto da Guerra Fria::SSN classe Akula


Ainda estamos no mês dos submarinos brasileiros – e a polêmica não diminuiu em nada, pelo contrário, aumentou, com a colocação política da França como pole-position para fornecer aeronaves de 5a geração apra a FAB. Mas Segunda-feira é dia de “rapaz”, mas o redator encontrou algo que, no momento, parece mais interessante: uma relíquia da Guerra Fria, mas que talvez possa enriquecer um pouco mais a “cultura submarinística” dos agora seis leitores  (contadinhos…) de causa:: Senhores, conheçam o mais espetacular submarino de ataque jamais construído: a classe “Schucka” (“pique”, uma longa lança usada no fim da Idade Média por tropas a pé, que revolucionou a arte da guerra), nome-código para a OTAN, “Akula” (“Tubarão”, em russo). Não se deve confundir essas  naves com a classe “Tufão”, essa composta por submarinos de patrulha:: 

Os “Akula” surgiram em 1986. A classe é dividida em três subtipos (dados gerais para os “Akula II” aqui), e não são submarinos de patrulha, ou seja, plataformas de lançamento de mísseis balísticos (SSBN, no jargão na Marinha dos EUA), mas *submarinos de ataque (SSN, no jargão na Marinha dos EUA). Sua função principal seria caçar submarinos de patrulha dos EUA; secundariamente, teriam por função atacar vasos de guerra de alta velocidade. Somente em condições especiais seriam lançados contra a navegação mercante. Deslocando mais de 7500 toneladas na superfície e 9100 quando em mergulho, a classe incorporou um sistema de casco duplo composto por um casco interno de pressão e um casco externo mais leve. Esse sistema, o mesmo adotado pelos SSBN da classe “Tufão”, tornou possível aos projetistas desenhar o casco exterior (o casco de imersão) como uma carenagem, de maneira a torna-lo mais hidrodinâmico, o que resultou numa nave muito veloz e extremamente manobrável, quando submersa. Já foram reportados submarinos dessa classe deslocando-se a cerca de 36 nós sob a água.

Submarino nuclear de ataque classe "Akula II", fotografado nas proximidades das Ilhas Sakhalina. O desempenho, em termos de manobrabilidade e velocidade, dessa classe de naves, é superior sob a água do que na superfície.

Submarino nuclear de ataque classe "Akula II", fotografado nas proximidades das Ilhas Sakhalina. O desempenho, em termos de manobrabilidade e velocidade, dessa classe de naves, é superior sob a água do que na superfície.

O principal armamento dessa classe de naves são 4 tubos de 533 mm e 4 de 650 mm. O inventário de vetores  varia de torpedos Tipo 53, de 533 mm, torpedos *Tipo 65, de 650 mm, mísseis superfície-superfície Novator RPK2 Viyugo (SS-N-15 “Starfish”, no jargão da OTAN, com alcance de aproximadamente 45 quilômetros) e Novator *RPK-6 Vodopei (SS-N-16 “Stallion”), ambos mísseis de cruzeiro anti-navio com capacidade de transportar ogivas de explosivo nuclear. Os torpedos anti-navio e anti-submarino, com alcance de até 100 quilômetros, são disparado pelos tubos de 650 mm. Já os de 533 mm são de menor alcance. Mísseis superfície-ar podem ser disparados através dos tubos de 533mm.

As classes “Akula Reforçado” e “Akula II” receberam mais 6 tubos de  533 mm montados no casco externo, que não podiam ser recarregados depois de usados. A baixa disponibilidade dos torpedos Tipo 65 fez com que os soviéticos acrescentassem aos tubos de 650 mm um equipamento que capacitava essas plataformas a utilizar armamento fabricado para os tubos menores. Os tubos de 650 mm também podiam ser usados para lançar minas.

Um dos aspectos distintivos dos “Akula” é o enorme bulbo situado à ré do casco, na posição do leme. Essa estrutura contém um sonar que, lançado a reboque, pode aumentar o grau de varredura e fazer diminuir a interferência dos ruídos de deslocamento do próprio barco, quando em alta velocidade.

Outra vista de um "Akula II" na superfície. Note a estrutura do sonar rebocado, tipo de "abertura sintética".

Outra vista de um "Akula II" na superfície. Note a estrutura do sonar rebocado, tipo de "abertura sintética".

O subtipo “Akula Reforçado” era, de fato, uma melhoria dos “Akula I”, que recebeu sistemas eletrônicos mais modernos, notadamente um sonar de abertura sintética. Mas o subtipo “Akula II”, surgido no início dos anos 1990 era, de fato, uma nova classe, cuja principal novidade era um sistema de diminuição de ruídos. Um novo tipo de sonar foi incorporado, totalmente gerenciado por processadores, e considerado como tendo a mesma performance dos equivalentes norte-americanos. Um outro ponto que, na época, deixou muito apreensivos os planejadores navais do Ocidente foi o fato de que os “Akula II”, submersos, eram mais silenciosos do que seus equivalentes norte-americanos da classe “Los Angeles”. Embora uma série de teorias conspiratórias atribuam os avanços soviéticos à uma suposta colaboração involuntária dos japoneses, ao vender à URSS, no início dos anos 1990, sistemas de desenho computadorizado (CAD) de última geração, de fato a Marinha da URSS vinha se desenvolvendo de modo notável desde os anos 1960. Foi a época em que o almirante-de-esquadra SergeyGorshkov revelou-se um dos maiores pensadores navais surgidos no pós-guerra.  Alçado ao comando da força por Nikita Khrushchev, logrou, a paratir de então, convencer as lideranças soviéticos a fazer pesados investimentos em todos os tipos de equipamento e infra-estrutura. Essa política de longo alcance tornou a URSS, no fim dos anos 1960, uma potência naval global. Assim, os avanços soviéticos na técnica de abafamento de sons subaquáticos explica-se no contexto do desenvolvimento geral da tecnologia naval naquele país.

Depois do fim da União Soviética e da crise econômica que se seguiu, um acordo entre EUA e Rússia implicou na desativação dos submarinos de patrulha da classe *“Tufão”. Os “Akula I” também foram desativados, mas os “Akula Reforçados” e “Akula II” não só continuaram em serviço como foram melhorados.

Em 2008, naves da classe “Akula” se tornaram os únicos submarinos nucleares já exportados. A ìndia arrendou um “Akula II” por período de 10 anos, com opção, ao término, para compra de duas unidades. Informes divulgados no Ocidente dão conta de que o submarino deverá ser entregue no final deste ano. Os indianos estão desenvolvendo o próprio submarino nuclear, mas o projeto tem sofrido sucesivos atrasos, de modo que o arrendamento foi considerado uma solução aceitável. A China também estuda a aquisição de duas unidades::

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2 pensamentos sobre “Direto da Guerra Fria::SSN classe Akula

  1. Bitt,

    Os russos vendendo submarinos nucleares? Já sabia do caso da ìndia, mas China? A crise está braba!

    Meu caro Bitt, como mencionei em outro comentário, estou lendo o livro “Submarine” do Tom Clancy, sem versão em português, e ele menciona, com segurança, que a classe 688, popularmente conhecida pelo barco que a iniciou, o Los Angeles (USS 688), que a classe é composta pelos mais silenciosos barcos de ataque já lançados ao mar, e creio que ele estava levando em conta os relatórios da comunidade de informações a respeito da performance dos barcos russos.

    Os 688 são velozes e silenciosos, e isso foi conseguido à custa, entre outras coisas, de seu casco delgado, o que implica em sacrifíciios na vida a bordo (um consolo para quem reclama das acomodações dos Scorpène, recém contratados pelo Brasil).

    De todo modo, sei que os relatórios de desempenho desses barcos são sigilosos e o que se divulga são performances mais ou menos genéricas, talvez em uma manobra de contra-informação para obrigar o outro lado a se mexer.

    Não sou projetista naval e, portanto, não sou especialista em hidrodinâmica mas para os meus olhos a classe Akula e suas versões não me parecem muito, er… hidrodinâmicas… Então conseguir altas velocidades submerso combinado com baixo nível de ruído irradiado significa que eles fizeram um trabalho magnífico para obetr a contenção do ruído, principalmeente porque, com o esse reator à água pressurizada em plena carga para entregar os trinta e seis nós, as bombas de resfriamento devem fazer um barulho danado.

    É muito bom que voc~e escreva sobre esas coisas, Bitt. Já que faremos parte da comunidade que opera submarionos nucleares (e também que os projeta, constrói e repara, assim espero) é bom que tenhamos uma cultura submarina.

    Abraço,

    Cláudio Melo.

  2. Pelo que eu soube os russos ainda são fortes apenas em construção de submarinos. Por outro lado teriam perdido capacidade na produção de navios de superfície como porta-aviões e fragatas. Como na estrutura soviética cada república se especializava em uma área, o expertise em porta-aviões era ucraniano. Parece até que os russos estão fazendo acordos com a França (é, a nossa atual amiga mesmo) para a produção de fragatas.

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