Tecnologia naval::Elektroboote e seus sucessores::


Ainda estamos no mês dos submarinos, e causa::, no interesse da cultura submarinística de seus seis leitores (contadinhos…), introduz um assunto que certamente contribuirá para que esses famosos “poucos” possam assessorar, caso necessário (e sempre é…) a grande imprensa, quando nossos vibrantes editores resolverem falar mal do governo recorrendo a temas quetais. É um assunto longo e fascinante. Assim, vamos dividi-lo em três partes, de modo a aprofundá-lo ao máximo. Como o redator (nunca generoso o suficiente para compensar a paciência dos “poucos”) pretende que esse tema se articule aos “Submarinos brasileiros” ( você não é um dos poucos, veja aqui, aqui e aqui), esse texto deve ser lido em conjunto, se possível, antes de uma nova leitura do outro. Divirtam-se, pois::

Parte1A Alemanha entrou na guerra em setembro de 1939 com uma máquina militar em todos os sentidos, discutível. Já apontamos, aqui no blogue das boas causas, como a pusilanimidade das potências ocidentais permitiu que uma liderança sem escrúpulos e plena de ousadia, escorada numa máquina militar de porte apenas mediano e preparação discutível, nocauteasse a Europa e, por um par de anos, encostasse o mundo nas cordas. A vantagem alemã, se sabe atualmente, era uma concepção inovadora de como fazer a guerra e como usar equipamentos conceitualmente inovadores – basicamente o motor a combustão interna e o avião.

Dentre as forças armadas alemãs, a marinha de guerra era, de longe, a mais fraca. Os motivos pelos quais um regime militarista tão agressivo abriu mão do controle dos oceanos é fácil de entender, embora a explicação seja complexa – de modo que abriremos mão de nos enfronharmos nela. Na guerra anterior, uma “corrida naval” travada a partir de 1906 com a Inglaterra resultara numa enorme esquadra de batalha que, no fim das contas, permaneceu “engarrafada” nas águas costeiras do Báltico, tendo travado apenas uma grande batalha naval – a batalha da Jutlândia – em que, embora conquistasse uma vitória tática, permaneceu estrategicamente em xeque. Pelo tratado de Versalhes, a Alemanha não poderia mais ter armas ofensivas, e a enorme esquadra foi dividida entre os vencedores ou simplesmente afundada. A partir do programa de rearmamento de 1935, um ambicioso plano naval projetava que, entre 1947 e 1949, a Alemanha teria uma esquadra de superfície capaz de se opor à Grã-Bretanha e superior à da França. Esse plano, denominado “Plano Z”, foi abandonado em 1939, pouco antes do início das hostilidades. Foi considerado por Hitler como um desperdício de material, potencial industrial e humano. Entretanto, até o final de 1940, a Marinha de Guerra (Kriegsmarine) fazia parte do plano estratégico geral do Reich. Os navios de superfície já construídos ou em fase de incorporação foram mantidos dentro de uma concepção de disputar com os soviéticos a superioridade no Báltico e de manter o controle das águas do Mar do Norte adjacentes à Península da Escandinávia. O desempenho pífio na batalha da Noruega (onde foi perdida a quarta parte da esquadra de superfície de primeira classe) acabou levando ao abandono completo do que restava do re-aparelhamento naval.

Nessa época, a Marinha de Guerra dispunha de 57 submarinos organizados em seis esquadrões, dentre os quais 32 eram do tipo “de esquadra”, com capacidade de patrulha oceânica. Os outros 25 eram do tipo costeiros de 250 toneladas de deslocamento. O limitado número de unidades disponíveis (em junho de 1940 estavam em patrulha seis unidades) limitava a possibilidade de que pressão eficaz fosse exercida pela arma submarina. Em março de 1941, a disponibilidade de 30 novas unidades e a aceleração da produção permitiu que a Alemanha lançasse uma campanha muito intensa contra a navegação oceânica da Grã-Bretanha, iniciando o conjunto de ações que passaria a ser conhecido como “Batalha do Atlântico::

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