É um bom dia para pensar::


O historiador P. D. Smith escreveu um livro que foi recentemente traduzido para nosso português, e tem sido a leitura de cabeceira do redator nos últimos dois meses: Os homens do fim do mundo. Leitura um tanto pesada, mas esclarecedora aobre as relações entre guerra e ciência. E também sobre as relações quase sempre ambíguas dos cientistas com os assuntos da guerra e da política. Sugiro uma olhada cuidadosa não só aos sete leitores (contadinhos…), mas a todos quanto estejam realmentei interessados em entender um pouco mais sobre os nós de nossa modernidade. Em seguida, uma pequena amostra, selecionada de modo a também comemorar o fim da primeira matança industrial da história, que pudemos comemorar dois dias atrás – 11 de novembro, 1918::

Nenhum tiro foi disparado … um número considerável de russos envenenados pelo gás … jaziam deitados ou retorcidos, em condição lamentável. Senti-me profundamente envergonhado e perturbado. Afinal de contas, também sou culpado por essa tragédia. Otto Hahn, citado por P. D. Smith, p. 112.

Nunca esquecerei o que vi em Ypres, depois do ataque a gás. Homens caídos ao longo de toda a estrada entre Poperinghe e Ypres, exaustos, ofegantes, limpando um muco amarelo de suas bocas, com os rostos azuis e atormentados. Era horroroso, e era tão pouco o que podíamos fazer por eles. Nenhum texto de nenhum livro que eu tenha visto descreve, ou sequer chega perto, do horror daquelas cenas. Você saía daquele lugar com vontade de ir imediatamente ao encontro dos alemães para esganá-los, para que eles pagassem de algum modo pela sua ação diabólica. Melhor a morte súbita do que aquela agonia horrível. G. W. G. Hughes, tenente-coronel, Corpo Médico do Exército Britânico, citado por P. D. Smith, p. 117.

Como se fosse sob um mar verde/ Nos meus sonhos, diante de minha vista impotente/ Ele me procura, engasgado, soluçando e se afogando. Wilfred Owen (poeta-soldado, morto em ação na batalha do rio Sambre, 4 de março de 1918) Dulce et Decorum est, citado por P. D. Smith, p. 115.

Primeiro surpresa; em seguida, medo; depois, quando os primeiros flocos da nuvem os envolveram, deixando-os asfixiados e em agonia por não poder respirar – pânico. Os que conseguiam mover-se tratavam de escapar e de afastar-se, em geral em vão, da nuvem que os seguia inexoravelmente. Samuel Auld, químico, major do exército britânico, autor de um livro clássico sobre armas químicas, descrevendo um ataque com gás de cloro, na Frente Ocidental, em 1915, citado por P. D. Smith, p. 115.

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