Historinhas de Natal de causa::Wehrmachtweinachten::


Dando continuidade a nosso levantamento de instituições nada natalinas afetadas pelo espírito de Natal, causa:: localizou um interessante artigo (em inglês) publicado pelo pesquisador Jason Pipes, do excelente sítio de história da Wehrmacht Feldgrau. Pipes descreve, com muitos detalhes, como eram as comemorações de Natal da Wehrmacht. Por mais esquisito que possa parecer falar em nazistas comemorando o Natal, devemos lembrar que pouco menos de 90 por cento da população da Alemanha, em 1939, se declarava cristã, protestante ou católica. A ditadura implantada em 1933 nunca chegou a declarar-se anti-religiosa ou anti-clerical, de modo que os alemães  continuaram a praticar suas crenças. Por sinal, muitos religiosos colaboraram intensamente com os nazistas. Para além, o Natal é uma festa particularmente significativa na Europa Central e do Norte, onde se originaram muitas das tradições associadas à festa natalina. A árvore de natal, por exemplo, é resquício de práticas das antigas tribos germânicas, assim como o uso de guirlandas de folhas de carvalho na porta das casas (visavam afastar os maus espíritos). Os nazistas tentavam capitalizar essas (e muitas outras) tradições ancestrais do povo alemão.

Muitos combatentes alemães, dos mais fanáticos, consideravam que a “superioridade ariana” derivava, dentre outros motivos, da religiosidade. O coronel SS e líder dos rexistas valões, Leon Degrelle, se declarava “profundamente católico”. Após a guerra, falou sobre o Natal que, em 1943, passou junto aos valões (belgas que reivindicavam uma nacionalidade própria) que atenderam em grandes números à convocação para formar uma força com o efetivo de brigada, que, para fins de propaganda, recebeu o nome de 28ª Divisão de Infantaria Waffen SS “Wallonien”:

“De madrugada, os tiros foram cessando. Nosso capelão, deu a Comunhão às tropas, que chegavam da frente, esquadrão após esquadrão, para tomar lugar na capela ortodoxa onde os padres valões, trajados em seus uniformes acinzentados juntaram-se, de modo verdadeiramente cristão, ao velho sacerdote do vilarejo russo, que usava sua mitra púrpura. Os corações, dos soldados, tristes e amargurados, se acalmaram. Seus amados pais, esposas e filhos, em casa, tinham participado da mesma Missa e recebido a mesma Eucaristia. Os soldados voltaram para suas posições com suas almas simples, puras como a grande estepe branca, que cintilava na manhã de Natal.”

Depois da guerra, Degrelle fugiu para a Espanha, ode viveu de forma considerada faustosa e espalhafatosa, sempre se declarando cristão e anticomunista. Abaixo, causa:: publica algumas fotos que mostram como era a comemoração de Natal entre as tropas da Wehrmacht. Não devia, por sinal, ser muito diferente daquelas festejadas pelo inimigo.

Efetivos da companhia de metralhadoras do Regimento de Infantaria 24, da 21ª Divisão de Infantaria, comemora o Natal nos alojamentos da unidade, em território polonês, dezembro de 1939.

A ceia de Natal, numa unidade não-identificada da Luftwaffe, provavelmente em dezembro de 1942. Muitas dessas fotos eram tomadas por elementos das Propaganda Kompanie, unidades equivalentes aos correspondentes de guerra dos aliados.

Graduados de uma unidade do exército (Heer; Wehrmacht - "Força Militar" - era a denominação do conjunto das forças armadas) recebem cartas e pacotes de casa. É, provavelmente, o Natal de 1943, pois o soldado no centro usa um uniforme do padrão de camuflagem denominado Erbsenmuster ("padrão grão de ervilha"), que começou a ser distribuído no final desse ano.

Anúncios

4 pensamentos sobre “Historinhas de Natal de causa::Wehrmachtweinachten::

  1. Estou certo de que todos os sete ou oito frequentadores do blog (contadinhos…) já viram, mas sempre é bom recordar o filme relativamente recente, de cujo título me esqueci, que retrata (dramatizando, é claro) o famoso evento de confraternização natalina ocorrido nas tricheiras do front ocidental, creio que em 1915. Sei que soa absurdo e é mesmo, mas a 1ª Guerra Mundial foi a última guerra “civilizada”, ou talvez fosse melhor denominá-la “convencional”, quando os combates se davam entre combatentes e a população civil não era o alvo principal, como passou a ser desde a Segunda. Desde então, só fez piorar.

  2. Vi o filme sim, Luiz, e de fato a guerra total envolvendo a população civil foi uma das faces mais cruéis da Segunda Guerra.
    Quanto ao “pudor” do Bitt em mostrar os alemães como seres humanos que vivenciam o Natal, e não bestas apocalípticas como na propaganda cinéfila pós-guerra, lamento, mas compreendo.
    De minha parte, 99,99% dos soldados eram apenas cumpridores do seu dever, e deveriam ser venerados como heróis, como a maioria dos que perecem em batalha.

  3. Diogo, meus parabéns pela sua coragem e honestidade. Se o nazismo foi algo abominável, a demonização dos alemães contemporâneos, que em boa parte perdura até hoje, também é. Conseguir a superação do bloqueio propagandístico-ideológico americano é um feito para poucos. Compreender os povos em seus tempos também. Abraços, cara, um ótimo ano de 2010!

  4. Bitt e demais frequentadores.

    Um ótimo natal (e já adianto também uma boa passagem de ano) estarei “em trânsito” (vou prá Sampa com a patroa e a Duda).

    Meu presente pra vocês é esse:

    “O Legislativo holandês acaba de aprovar uma lei polêmica: a proibição de moderação em blogues. Segundo Ehsan Jami, autor do projeto de lei, a medida visa a garantir a liberdade de expressão na internet: “- Os holandeses encaram a internet como uma ferramenta que deve trabalhar em prol da liberdade de expressão. Quando uma pessoa se acha no direito de moderar a outra, apagando um comentário, ela está indo de encontro a esse princípio. A Holanda sempre esteve na vanguarda de medidas que defendem a liberdade.”, argumenta.

    A lei foi aprovada e entrará em vigor em 22 de janeiro de 2010. Jami tem a esperança de que o exemplo de seu país influencie outros países da União Europeia: “-Tenho a esperança de que as pessoas vão entender o recado. Considerar válido tudo o que o outro tem a dizer, isso sim é liberdade de expressão”.”

    Pelo jeito já começou um movimento pela volta da liberdade na Rede.

    hehe.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s