Historinhas de Natal de causa::O Natal da FEB


Ano Novo (31 de dezembro, 1944) em Porreta, nos Apeninos. Da esquerda para a direita, capitães Figueiredo, Salamini, Pará; general de divisão Mascarenhas, tenente Abott; capitães Brandão, Romaguerra e Melo Cahu

Digamos que a Força Expedicionária Brasileira (FEB), uma das maiores contribuições brasileiras à luta contra o fascismo, também não era uma instituição natalina. Mas, ainda assim, o país que lhe deu origem era já naquele tempo, uma nação de católicos, onde o Catolicismo era uma espécie de religião oficial informal. Assim, a tropa brasileira foi para a guerra levando sua religiosidade junto com o equipamento. Melhor seria dizer que a religiosidade era parte do equipamento…

A Força Expedicionária Brasileira passou um Natal na Itália, o de 1944, debaixo de um frio infernal, visto que aquele inverno foi o pior registrado no continente europeu, em muitos anos. Ainda assim, os soldados brasileiros não deixaram de comemorar, e esse Natal quase sempre aparece nas recordações dos expedicionários ainda vivos. A maioria deles fala na saudade da família e dos amigos. Também comentam sobre a neve “que não era tão branquinha quanto aparecia nas gravuras natalinas que circulavam, naquela época” (como ainda hoje) pelo Brasil. O frio extremo (em alguns pontos dos Apeninos alcançou 20 graus negativos) interrompeu as operações, pois tornava o terreno montanhoso, já extremamente difícil para ações militares, impraticável. Os combatentes de ambos os lados se escondiam onde podiam. O soldado Aribides Pereira, da Bateria de Comando da Artilharia Divisionária, então com 24 anos, procedente de Santa Maria, no Rio Grande, recorda ter passado o Natal num casario nas proximidades de Porreta. Não deixou de ter festa: os soldados brasileiros arrumaram carne de carneiro fresca junto aos italianos. A festa deu direito, inclusive, a uma ou duas doses de grappa, uma aguardente italiana fortíssima, e que muitos dos que estiveram lá consideram a única forma eficaz de espantar o frio. O lugar tinha até árvore de Natal. Por sinal, são muitos os testemunhos que declaram que esse símbolo da festa cristã se espalhava apor toda a frente. Segundo o correspondente de guerra Joel Silveira, se viam árvores de Natal “nas estradas, nas vitrines das cidades, nos hospitais e no abrigo das patrulhas avançadas”. O depoimento de Joel, que foi correspondente dos “Diários Associados”  junto a FEB, sintetiza o que, com certeza, era o sentimento de todos os combatentes, em todas as frentes (talvez até entre os soviéticos, mas é suposição…): “Aqui no nosso quartel, o correspondente Bagley já levantou sua árvore e nela dependurou esferas iluminadas e pequenas velas de todas as cores. É um grande prazer, à noite, quando o frio é total lá fora, olhar aqueles verdes e tão retos ramos de pinheiro, distrair os olhos no mundo brilhante da árvore e pensar nos amigos e pessoas queridas que estão muito longe.”::

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