Uma moça (em uniforme) às Terças::

Eis que a seção favorita dos oito leitores retorna, na madrugada de quarta-feira. Não era para ser terça? Tanto faz… E já que a semana é mesmo da linhagem AK…

Reservista do Exército Russo em treinamento de tiro de precisão com *AK-74M (na foto, com um lança-granadas GP-25 de 40 mm). Na primeira foto, a atiradora traça o alvo (geralmente a 100 metros/109,3 jardas de distância). A arma está travada em posição de segurança (no destaque, a posição da alavanca de armar, a janela de ejeção fechada e a chave de segurança  para cima). Na segunda foto, a moça pega o carregador e coloca na janela do receptor. E… Olha só: ela é bonita, benza´Deus (depois do fim do materialismo ateu, Deus na Rússia pode…)::

Um rapaz (das Forças Especiais) às Segundas::

O rapaz é bem conhecido. Gostemos ou não, temos de admitir – um tremendo organizador (também… aprendeu com os melhores – os norte-americanos). Ao fundo, sua arma favorita: AKS74U, versão do AK74 distribuída ao exército russo a partir dos anos 1990, facilmente reconhecível pelo freio de boca. Foi desenhada especialmente para forças especiais, com o alcance notavelmente menor do que o das versões convencionais, devido ao encurtamento do cano, que, nessa versão, tem apenas 210 mm. O desempenho geral em distâncias maiores que 200 metros é pobre, e a arma chega a ser considerada, por algumas fontes especializadas, como uma submetralhadora.

A linhagem AK::Os sucessores do AK::

parte3Em meados dos anos 1960, por diferentes motivos, tanto os EUA quanto diversos de seus aliados da OTAN questionavam o uso do cartucho 7.62X51 mm NATO. O Exército dos EUA adotara, desde 1957, um fuzil automático para essa minição, o *Springfield M14 (um excelente artigo sobre essa arma, em português, aqui), de fato uma versão aperfeiçoada do M1 Garand da 2ª GM. Em termos de desempenho, o M14 era excelente. Em termos de desenho, era pesado e longo, ainda muito assemelhado aos desenhos da 2ª GM (conhecidos, nos EUA, pela designação “fuzil de combate” ou battle rifle – se você lê inglês, mais informações aqui). Mas não era o único problema. Outro motivo residia no fato de que a munição 7.62X51 NATO é bastante pesada. Um cartucho dessa munição pesa cerca de 20 gramas (9,50 para o projétil), o que significa que 20 cartuchos pesarão por volta de 400 gramas, além do peso do carregador. Nessas condições, um carregador tipo “caixa” dificilmente comportaria mais do que 20 cargas sem tornar a arma excessivamente pesada.  O número de carregadores que um soldado poderia transportar, em situação de combate seria, pois limitado. Além do mais, a munição 7.62 NATO era, por projeto, bastante potente, o que provocava um alcance útil de uns 600 metros, bem maior do que os estudos mostravam necessário. Desde meados dos anos 1950 norte-americanos e europeus estudavam um cartucho de menores dimensões e menor potência. No caso norte-americano, a experiência inicial no Vietnam acabou por selar a sorte do M14. Os AK47, AKM, e as diversas variantes do “Tipo 56” chinês surpreenderam de tal maneira os norte-americanos que, em 1969, já não haviam quase fuzis M14 entre a infantaria dos EUA na Indochina.

Os soviéticos, por sua vez, sentiam o mesmo problema. Embora o cartucho M1943 fosse um pouco mais leve (o projétil pesava por volta de 8 gramas) e menos potente que seu equivalente ocidental, ainda assim, era pesado e potente. Não que não tivesse qualidades, mas também tinha defeitos de projeto. O principal era o desenho, chamado de *“popa de barco” (uma tradução livre de boat-tail), que melhorava desempenho aerodinâmico e tornava a trajetória muito tensa. Essa característica, combinada à dureza do material de que era fabricado o projétil, uma liga de chumbo e açoa recoberta por uma jaqueta de cobre de razoável espessura, criava um inconveniente: em distância de tiroteio (50 até 300 metros), a trajetória dificilmente se alterava quando encontrava obstáculos de baixa dureza (como madeira ou o corpo humano). Isso significava que, frequentemente, os ferimentos provocados não eram incapacitantes. Ao contrário, em proporção muito alta o tratamento era fácil e permitia que a baixa rapidamente voltasse à linha de frente. No final dos anos 1950, os chineses fizeram algumas modificações no cartucho que o tornaram um pouco mais eficiente. O material do corpo do projétil passou a ser o aço-carbono (muito mais dúctil do que a liga original) recoberto por uma jaqueta de cobre de menor espessura. O sucesso da combinação da linhagem AK (a maior parte de origem chinesa) com a munição produzida na China e Vietnam do Norte (com padrões chineses) provocaram avaliações equivocadas por parte da inteligência norte-americana. Já os soviéticos fizeram, desde o final dos anos 1950, avaliações exaustivas baseadas na observação das manobras anuais do Pacto de Varsóvia e das atividades militares de países fora de sua esfera direta de influência, como a Crise de Suez e das guerras dos Seis Dias e do Yom Kippur).

Os exercícios anuais do Pacto de Varsóvia eram particularmente importantes para essas avaliações. Embora o Pacto nunca tivesse tido grande importância na estratégia militar geral soviética e servisse mais como instrumento de controle dos aliados e de política externa, as manobras permitiam que o desempenho das forças armadas tanto soviéticas quanto dos outros países membros fosse examinado. A partir do final dos anos 1950, os soviéticos passaram a treinar um único objetivo geral: a invasão dos países ocidentais. A importância atribuída ao movimento e à mecanização, que sempre fora grande, aumentou. Na primeira metade dos anos 1960 se desenvolveu de um novo tipo de guerra móvel, com ênfase no assalto blindado, em ambiente nuclear. A distribuição de novos tipos de APC (do inglês Armoured Personnel Carrier), destinados a entregar as esquadras de infantaria diretamente no ponto de combate demonstrou a necessidade de maior cadência de fogo e, portanto, maior capacidade de transporte individual de munição preparada.  Uma observação interessante retirada do Vietnam é que um combatente a pé conseguia transportar de 6 a 8 dos carregadores curvos do AK47/AKM (eram basicamente iguais, pesando por volta de 450 gramas, com 30 cargas) sem ter sua mobilidade comprometida. A nova doutrina previa combatentes atirando diretamente dos veículos, através de escotilhas, antes mesmo de desembarcar – quando iria precisar de mais munição.

Um novo cartucho vinha sendo estudado desde o início dos anos 1960. O desenvolvimento foi acelerado conforme se observava a tendência, entre as principais potências do Ocidente, da adoção do calibre .223 (Remington)/5.56 (NATO) – que vinha sendo introduzido paulatinamente desde o Vietnam. O novo projétil, cujo modelo definitivo entrou em produção apenas em 1974, já estava disponível, para testes de campo, por volta de 1967. Recebeu a notação M74, e aos poucos deveria substituir o M1943. Isso levaria, claro, alguns anos – até porque não havia arma para ele.

O novo cartucho tinha características bastante diversas do M1943. O projétil, totalmente jaquetado, é bastante leve, pesando cerca de 3,2 gramas. Manteve a filosofia boat-tail, feito de aço, com uma curta seção frontal de chumbo, recoberto por uma jaqueta de cobre. Entretanto, o conjunto não alcança a ponta da jaqueta, de modo que uma pequena quantidade de ar fica presa naquele ponto.

Trata-se de um desenho muito pouco usual. A deformação da ponta oca da jaqueta, provocada pelo impacto do projétil contra o alvo, em teoria, desbalanceia o conjunto e o faz mudar de direção enquanto percorre a seção de trajetória dentro do alvo. No caso do corpo humano, isso potencializaria a capacidade de provocar ferimentos graves. Essa teoria nunca foi exatamente provada, e, segundo estudos realizados nos EUA e Inglaterra, o projétil 5.45 não produz ferimentos maiores do que seu equivalente ocidental, o 5.56 mm. A carga de pólvora química alojada no estojo de 39 mm, redesenho do M1943, de menor diâmetro, teve de ser diminuída, e provocava, ao ser detonada, uma quantidade de energia mais baixa, mas suficiente para imprimir ao projétil uma velocidade inicial de 900 m/s ao deixar o cano de 41,5 cms, mantendo um alcance eficaz de 300 a 350 metros.

O fuzil desenhado para usar o novo cartucho começou a ser distribuído em 1974,  embora os estudos de projeto tivessem começado, segundo a maior parte das fontes, em meados dos anos 1960. Os testes começaram no fim da década, e, curiosamente, o mais convencional dentre os avaliados era exatamente o apresentado pelo bureau de Kalashnikov. O protótipo, denominado A-3 é, basicamente, um AKM redesenhado para utilizar o cartucho de potência intermediária. A explicação parece simples: embora outros bureaus de projetos tivessem apresentado protótipos bem inovadores, e um desses tivesse sido considerado muito bom – o AS-006 Konstantinov – o A-3, sendo cópia redesenhada do AKM, não criaria problemas de produção industrial e poderia utilizar o ferramental já existente. Também foi levado em conta que o funcionamento do fuzil já era bem conhecido entre os mais de 3 milhões de militares soviéticos.

Inicialmente, o AK-74 foi distribuído para utilização pela infantaria motorizada da União Soviética. O *sistema de operação por recuperação de gás é idêntico ao da geração anterior, inclusive nos detalhes do pistão recuperador, ferrolho rotativo e ausência de válvulas de sangramento de gás. Embora guarde um alto nível de comunalidade com os AK da geração anterior, no que tange às peças, o AK-74 apresenta modificações significativas com relação a seus antecessores. A primeira e mais notável é o peso: vazio, o modelo padrão tem exatos 3 quilos, que aumentam para 3, 4 depois de receber o carregador (feito em fibra de vidro de alto impacto, com uma estranha coloração marrom-avermelhada) com 30 cargas de munição. 

O cano, cujo interior é cromado, foi redesenhado, e o raiamento, devido ao calibre e potência da munição, modificado, embora o giro continue sendo para a direita. Em função da potência da munição, o freio de boca aumentou de tamanho. Apresenta duas frestas à frente de três orifícos laterais, posicionados de modo que o sangramento de gás atue para evitar que a arma corcoveie em demasia. Essa *peça, rosqueada na parte anterior do cano, também cumpre o papel de supressor de chama. O sistema de pontaria foi modificado, com o redesenho da alça de mira. Sob o cano, um sistema de suportes combinando alças duplas e um trilho simples permite a instalação de uma baioneta- padrão tipo 6H4 (semelhante à usada no AKM) e lança-granadas de 40 mm BG-15 (o mesmo usado no AKM) ou GP-25.

Nas primeiras versões, a coronha e empunhadura posterior (“de pistola”) eram feitas em fibra de vidro de alta resistência. Uma versão destinada à distribuição entre tropas aerotransportadas surgiu quase imediatamente: o *AKS-74. É um AK-74 com uma coronha dobrável, embora de desenho diferente da anterior de arame de aço. O objetivo seria facilitar o transporte em aeronaves e em condição de salto. Essa versão tornou-se muito popular entre a infantaria blindada: dentro dos então quase onipresentes *BTR-60 e *70, onde se acotovelam até 14 combatentes, além dos três tripulantes, há muito pouco espaço disponível.

No geral, o AK-74 cumpriu sua função. Extensivamente testado na desastrosa guerra do Afganistão, diversas versões foram surgindo, acrescentando detalhes que tornavam a arma mais versátil, como diversos tipos de adaptadores para visores noturnos, novos materiais (polímeros) para a coronha e as empunhaduras, e pequenos redesenhos no freio de boca. Em 1979 uma versão encurtada, o AK-74U começou a ser distribuída, visando cumprir o papel de submetralhadora (experiências similares foram feitas pelos norte-americanos no Vietnam). O encurtamento radical do cano, reduzido à metade (210 mm) criou diversos problemas de tiro e acabou obrigando um redesenho com alteração do regime de torção do raiamento (o número de voltas que o projétil faz dentro do cano). O desenho e posição da alça de mira também foram modificados, em função do encurtamento da arma e de seu alcance.

No início dos anos 1990, a versão final, denominada *AK-74M (de Modernizirovanniy ou “modernizado”) se tornou padrão no exército russo e das nações da Comunidade de Estados Independentes. Essa versão incorporou grande número de peças em polímero, inclusive uma coronha dobrável que se tornou padrão. Um pouco depois, uma série conhecida pelos especialistas como “centurial”, por incluir o números da série 100 na notação, foi lançada, destinada principalmente à exportação: os AK-101, AK-102, AK-103, AK-104 e AK-105. Adotam diversos calibres e têm conseguido boa penetração no mercado internacional. Por sinal, dentre as diabruras que fazem de *Hugo Chavez o espantalho favorido de nossa vibrante imprensa, uma das maiores foi adquirir 100.000 unidades da versão AK-103, que utiliza a munição M1943. Parte da compra deverá ser produzida em uma fábrica local (na foto, o travesso empunha um AK103 de fabricação russa).

Como se vê, a linhagem AK está longe de terminar e mesmo na Rússia, sua “pátria-mãe”, diversas outras armas têm surgido e sido sistematicamente recudas pelas forças armadas nacionais::

Datas relevantes de causa::O Irã dos aiatolás se torna balzaquiano::

O blogue das boas causas anda meio devagar, em função das muitas atividades que o redator cumpre, e que por vezes cobram seu preço, em tempo e concentração. Entretanto, não o blogue não podia deixar de acender umas velinhas (31, mais exatamente) para a passagem, em Primeiro de Fevereiro, de mais um aniversário da Revolução Islâmica no Irã. De fato, é uma data que também deveria ser comemorada nos EUA, mais particularmente nos salões de festas secretos da CIA e da menos votada Agência de Segurança Nacional (NSA, em inglês – responsável pelo monitoramento de comunicações eletrônicas e operações de inteligência eletrônica – ELINT/SIGINT).  Uma festa dessas certamente reuniria um monte de gente, viva e morta: Jimmy Carter e Zbigniew Brzezinski, Richard Helms (diretor da CIA nos governos Johnson e Nixon), Henry Kissinger, Saddam Hussein, os executivos das companhias de petróleo, e por aí vai.  É interessante observar que, se o mundo for justo (e sabemos que é…), o aiatolá Ruhollah Khomeini, sua trupe de radicais e até mesmo os atuais espantalhos-mores iranianos, o aiatolá Khamenei e o presidente iraniano Ahmedinejad também estariam lá, comendo bolo. Entretanto, como essa festa não vai acontecer, causa:: catou na Internet um excelente artigo publicado no blogue do jornalista especializado em relações internacionais Argemiro Ferreira. O blogue de Ferreira é parada obrigatória deste humilde redator, pela qualidade das análises que apresenta. Passemos à leitura.

O artigo começa interessante já no título – BLOWBACK. Este termo designa, em inglês, a ação do gás gerado pela detonação da carga de propelente de um cartucho ou foguete, que provoca o recuo da arma, no caso de um tiro, ou uma chama de expansão rapidíssima e extremamente quente, no caso de um foguete. Os oito leitores de causa:: talvez lembrem daquela língua de fogo que se sucede ao disparo de um RPG7/7B. Embora nunca tenha pensado no assunto, o redator imagina se a expressão também não teria o significado da nossa “tiro no pé”. Se não tem, deveria ter. É a mais adequada definição para os resultados da atuação norte-americana naquelas plagas.

Posteriormente, causa:: tecerá alguns comentários que são mais da praia que frequenta – a análise militar. Argemiro comete alguns deslizes, nesse campo, mas que nem chegam a arranhar a blindagem de sua erudição::

Datas relevantes de causa:: Dois de fevereiro::

Houve noites tépidas ou manhãs claras, eu lembro. Mas não importa ao monstro. Ele é apenas dentes e morte, o cheiro do frescor não lhe causa espécie. O que olha são apenas os ossos a esmigalhar. (Isaak Bluhmnstein, 16 anos, morto em Stalingrado, ca. novembro, 1942)

Quase ninguém lembrou- o próprio redator ia esquecendo, mas no dia 2 de fevereiro, 66 anos atrás, entre as ruínas da cidade de Stalingrado, às margens do rio Volga, o fascismo entrava em curva descendente. Esse redator sem o menor talento literário poderia escrever outro texto analítico, mas certamente eles já existem por aí, melhores. Então… Rendamos tributo. E, nas entrelinhas, deixemos claro: não podemos esquecer!::

Carta a Stalingrado (Carlos Drummond de Andrade)

Depois de Madri e de Londres, ainda há grandes cidades!/ O mundo não acabou, pois que entre as ruínas outros homens surgem, a face negra de pó e de pólvora,/ e o hálito selvagem da liberdade/dilata os seus peitos, Stalingrado,/ seus peitos que estalam e caem,/ enquanto outros, vingadores, se elevam.//A poesia fugiu dos livros, agora está nos jornais./Os telegramas de Moscou repetem Homero./ Mas Homero é velho. Os telegramas cantam um mundo novo/ que nós, na escuridão, ignorávamos./ Fomos encontrá-lo em ti, cidade destruída,/ na paz de tuas ruas mortas mas não conformadas,/ no teu arquejo de vida mais forte que o estouro das bombas,/ na tua fria vontade de resistir.// Saber que resistes./ Que enquanto dormimos, comemos e trabalhamos, resistes./ Que quando abrimos o jornal pela manhã teu nome (em ouro oculto) estará firme no alto da página./ Terá custado milhares de homens, tanques e aviões, mas valeu a pena./ Saber que vigias, Stalingrado,/ sobre nossas cabeças, nossas prevenções e nossos confusos/pensamentos distantes/dá um enorme alento à alma desesperada e ao coração que duvida.// Stalingrado, miserável monte de escombros,/ entretanto resplandecente!/ As belas cidades do mundo contemplam-te em pasmo e silêncio./ Débeis em face do teu pavoroso poder,/ mesquinhas no seu esplendor de mármores salvos e rios não profanados,/as pobres e prudentes cidades, outrora gloriosas, entregues sem luta,/ aprendem contigo o gesto de fogo./Também elas podem esperar.// Stalingrado, quantas esperanças!/ Que flores, que cristais e músicas o teu nome nos derrama!/ Que felicidade brota de tuas casas!/ De umas apenas resta a escada cheia de corpos;/ de outras o cano de gás, a torneira, uma bacia de criança./ Não há mais livros para ler nem teatros funcionando nem
trabalho nas fábricas,/ todos morreram, estropiaram-se, os últimos defendem pedaços negros de parede,/ mas a vida em ti é prodigiosa e pulula como insetos ao sol,/ ó minha louca Stalingrado! // A tamanha distância procuro, indago, cheiro destroços sangrentos,/ apalpo as formas desmanteladas de teu corpo, / caminho solitariamente em tuas ruas onde há mãos soltas e relógios partidos,/ sinto-te como uma criatura humana, e que és tu, Stalingrado, senão isto?/ Uma criatura que não quer morrer e combate,/ contra o céu, a água, o metal, a criatura combate,
contra milhões de braços e engenhos mecânicos a criatura combate,/ contra o frio, a fome, a noite, contra a morte a criatura combate,/ e vence.// As cidades podem vencer, Stalingrado!/ Penso na vitória das cidades, que por enquanto é apenas uma fumaça subindo do Volga./ Penso no colar de cidades, que se amarão e se defenderão contra tudo./ Em teu chão calcinado onde apodrecem cadáveres, a grande Cidade de amanhã erguerá a sua Ordem.::

Um rapaz (das Forças Especiais) às Terças::Um AK de ouro::

Na foto aquele que é, possivelmente, um dos AKs mais famosos, dentre os mais de 50 milhões fabricados (de fato, um AKS da primeira versão, o que se pode notar em função da ausência de freio de boca e de rebites na caixa da culatra): o AK de ouro de Saddam Hussein. Foi encontrado durante a operação Endurance Freedom, depositado num museu saqueado pelos militares norte-americanos, na capital iraquiana. Existem diversas explicações para a origem da arma: a mais plausível diz que teria sido presente dos soviéticos. Faz sentido: Saddam foi um dos melhores clientes dos armamentos oferecidos pela URSS. Na empunhadura dianteira da arma pode-se ver uma chapa de prata com as armas iraquianas e a inscrição “Ao senhor presidente da República do Iraque”. Na realidade o fuzil é folheado a ouro por processo eletroquímico, e não poderia ser de outra forma. O ouro não serve como material para armas de fogo, já que derrete em uma temperatura relativamente baixa. De fato, o ditador iraquiano parecia a-do-rar armas de ouro; foram tantas as encontradas lá que os americanos puderam até presentear seus aliados com algumas delas::