O (segundo) mês da Guerra do Paraguai::Para finalizar, um pouco sobre tradição::


Parte1-3Todos os exércitos do mundo – ou, pelo menos, os exércitos que contam… – têm suas unidades tradicionais. O Exército britânico, por exemplo, é atualmente a força terrestre das Forças Armadas Reais. Entretanto, não tem o Royal no título: historicamente, as forças de terra da Grã-Bretanha eram convocadas localmente, por ordem do Parlamento e não da Coroa, pois esta, a partir da Revolução Gloriosa de 1689, foi proibida de ter homens de armas sob seu comando direto. Entretanto, algumas unidades tem o título de “real”, por ter membros da  Família Real como comandantes honorários – por exemplo, o 5° Regimento de Infantaria, ou Real Regimento de Fuzileiros de Northumberland, cujo comandante honorário (“coronel honorário”) era o duque de Northumberland; o Real Regimento de Fuzileiros de Warwick, tradicionalmente the Warwickshires, tinha como coronel honorário o duque de Warwick. Esses caras são, diretamente, parentes do ocupante do trono (em 1968, essas e mais seis unidades foram reunidas no Real Regimento de Fuzileiros, que continua a tradição militar das antigas unidades “pedestres”). Já dos “Guardas Galeses”, todo mundo conhece o Primeiro Batalhão, a “Guarda Real”: foram formados em 1915, em função da Primeira Guerra Mundial e têm o Príncipe de Gales como coronel honorário. Já do Exército norte-americano, atualmente todo mundo conhece a 101ª Divisão de Infantaria Paraquesdista, as “águia berradoras”. Essa unidade, dissolvida após o fim da guerra, tornou-se “pop” em função do patrioteiro Band of Brothers, ótima história de guerra e sofrível livro de história militar do historiador Stephen Ambrose. Poderíamos citar outras unidades tradicionais, no exército russo, como a atual Infantaria Russa de Guardas, continuadora da Infantaria de Guardas Soviéticos. Essas unidades remontavam aos guardas do czar Pedro, o Grande, regulamentados em 1690. Foram extintas em 1918, pela Revolução Soviética, mas durante a Segunda Guerra Mundial, a insígnia de “Guarda Soviética” passou a ser atribuída a unidades (por exemplo, esta aqui, caso você leia inglês) que tivessem se distinguido em combate. Depois da guerra, a distinção foi retida, e mesmo depois do fim da URSS, não desapareceu. Atualmente, unidades dos exércitos da Rússia, Belarus (antiga Bielorussia) e Ucrânia mantêm a designação “de Guarda” em função das tradições do extinto Exército Soviético.

Poderíamos passar muitas páginas falando de unidades militares tradicionais. No entanto, por ora basta saber que a tradição é muito importante na constituição não apenas das forças armadas, mas do serviço público como um todo. No caso do Brasil, as constantes “reformas” que são feitas, a cada governo que entra não deixam perceber essa tradição, mas temos pelo menos duas instituições que são reconhecidas internacionalmente, por colegas e especialistas de outros países: o Itamarati e o Patrimônio Histórico Nacional. A diplomacia é parte do aparelho de Estado em todos os países do mundo, e constitui um corpo profissional altamente reconhecido pela sociedade – basta ver a quantidade de “avenidas” e “ruas” Barão do Rio Branco que existem ao longo de todo o país (se você não sabe quem foi o barão – pelo amor de Deus! – clique aqui). Já o IPHAN, repartição pública criada em 1937 por Getúlio Vargas, por influência de intelectuais modernistas como Rodrigo Melo Franco de Andrade e Mário de Andrade (não eram parentes…), teve a participação de gente como Carlos Drummond de Andrade e Lúcio Costa, figuras extremamente representativas da moderna tradição brasileira. A tradição portanto consolida as instituições, porque faz com que seus membros se sintam parte de uma coletividade que transcende o tempo, por ter história e memórias a compartilhar. Sem medo de se tornar reduntante, o redator de causa:: repete outra vez: um povo que não sabe sua história não é nada. E a história das instituições é parte da história nacional. Continuaremos falando no assunto mais um pouco…::

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3 pensamentos sobre “O (segundo) mês da Guerra do Paraguai::Para finalizar, um pouco sobre tradição::

  1. Ótimo texto bitt, você bem que poderia fazer um post sobre a série Band of Brothers hein? Aproveitando e falava sobre The Pacific hehehe
    Quanto a essa nomenclatura de “Real” das forças armadas britânicas, eu achava que vinha da idade média, porque pelo que eu li, os nobres daquela época tinham suas próprias forças que eram reunidas pelo Rei em época de conflitos.

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