Drops para o fim de semana::Declínio?.. Provavelmente…


Seção 8ª das Normas de uso do Pavilhão dos EUA: "O pavilhão nacional nunca deverá ser hasteado com o campo da união para baixo, a não ser em casos de séria desgraça ou em que as vidas e propriedades se encontrem sob grave ameaça."

O redator:: tem andado bastante assoberbado, de modo que o blogue das boas causas passa por mais um período de vacas magras. Entretanto, para não perder a simpatia dos oito ou nove leitores, causa:: publica um texto bastante interessante, pirateado (estamos na Grande Rede, afinal…) do Washington Post (quem manda eles disponibilizarem a edição completa?..). Foi publicado na coluna, assinada pelo jornalista Robert McCartney, no domingo, 4 de julho. Para quem não lembra, é o feriadão em que os norte-americanos comemoraram 244 anos da fundação do país, o Independence Day. O texto de McCartney chama atenção pelo pessimismo intrínseco, mas também pela dose de auto-indulgência que vaza por todas as letras. Por algum motivo, a conclusão lembrou ao redator:: a cena final do filme “O franco-atirador”, de Michael Cimino – um grande filme sobre a história recente dos EUA. O que uma coisa pode ter com a outra? Bem… Leiam o texto, vejam o filme. Para a parte, “leiam o texto”, aqui vai uma tradução (possivelmente capenga…) feita às pressas pelo próprio redator. causa:: pede, pois a indulgência de seus cultíssimos e cosmopolitas leitores::

O país está em declínio? Provavelmente, mas um salto adiante é possível.

O feriado nacional mais patriótico (o da independência) me trouxe uma pergunta: os EUA estão em declínio? Não estou sozinho nessa divagação. Gastaria uma semana para ler todos os livros e artigos sobre o tema, publicados nos últimos anos. Muitos comparam nossa sociedade ao Império Romano. O título de um livro expõe o tema de forma resumida: Nós somos Roma?” (Nota do redator:: – fui procurar esse livro e até pensei em comprar, mas… Tenho melhores usos para 32 dólares. Para quem tiver curiosidade – e paciência para ler em inglês, uma resenha aqui)

É uma situação incomum para os americanos. A história do país tem sido, em geral, de expansão e ascendênc. Após a Segunda Guerra Mundial, éramos uma superpotência; quando a URSS entrou em colapso, nos tornamos a única superpotência.

Três fatos explicam nosso tropeço. Um é a ascensão da China, vista como um concorrente para nos substituir no topo. Outro é a crise de 2008, que prejudicou a confiança no nosso modelo de economia de livre mercado. O terceiro é a percepção de que o país não é capaz de lidar com seus maires desafios: déficit orçametário, desemprego, vício em petróleo, imigração e deterioração da infraestrutura.

Para responder é necessário dividir a pergunta em duas partes. Estamos em declínio em relação a outros países? E estamos em declínio em termos absolutos?

Em força militar, por exemplo, os EUA estão inquestionavelmente no topo. Nossos gastos excedem o dos dez países que mais investem em defesa e nossa tecnologia não tem igual.

O governo Bush nos custou a boa vontade no exterior. Também complica quando uma instituição amerinana, Wall Street, era o principal acusado no pior desmoronamento financeiro global em sete décadas.

Pelo lado bom, Barack Obama é bem visto no exterior. A democracia e a liberdade americana ainda inspiram estrangeiros. A cultura popular americana, de Hollywood ao Facebook ainda é dominante.

Um campo em que perdemos espaço foi na economia. Em parte porque o restante do mundo, especialmente a Ásia, está nos alcançando. O problema é que a ecnomia global é desequilibrada. A globalização, que defendemos, levou à exportção de milhões de empregos americanos. Isso significa que estamos administrando déficits comerciais. O país está dividido entre duas escolhas dolorosas> Devemos gastar mais para combater o desemprego? Ou devemos conter o déficit do governo?

Essas incertezas levam à outra metade da da questão: estamos em declínio em termos absolutos? A nossa cultura política está tão emperrada qie somos incapazes de lidar com antigos problemas? As provas, no momento, sugerem que a resposta é “sim”. Considerando três problemas:

1. O vazamento no Golfo do Méxiconos fez lembrar de nossa dependência de petróleo, mas não há movimentos para substituir nossos hábitos energéticos.

2. Todos lamentam a violação das leis de imigração, mas nossos líderesnão chegam a um acordo que poderia fornecer a mistura de anistia gradual, sanções a empregadores e um programa de trabalhador visitante.

3. A infraestrutura está se deterioriando, de estradas a linhas de metrô. Mas a população não quer pagar mais para resolver o problema.

Na raiz do impasse está a profunda discordância entre progressistas e conservadores sobre o t amanho e o papel do governo. Para acabar com isso, é necessário um grande compromisso. Como condição para elevar os fundos públicos, os progressistas precisam mostrar que sabem usar o dinheiro sabiamente. Conservadores devem demonstrar que se preocupam com o bem comum.

Então, a resposta à pergunta: sim, os EUA estão em declínio, principalmente porque deixamos nossa economia e cultura política se deteriorarem. Mas ainda podemos reverter o quadro. Precisamos retomar a visão e a coragem do nosso primeiro governo nacional. Com isso, os EUA podem retomar a ascensão que têm experimentado desde 1776.

Muito bem… É um texto pessimista por apontar algumas questões que não têm volta. Talvez a parte política seja assunto mais do gosto de nosso colega NPTO – por sinal, o texto parece ao redator:: exemplo acabado de “na ´teoria a prática é outra”… Alguns pontos, entretanto, saltam à vista, e, já que causa:: tem bosquejado o assunto – grande estratégia – vejamos… Por exemplo, é fato que os EUA continuam a maior potência militar do planeta, e isso tão cedo não mudará. Por outro lado, desde a Segunda Guerra Mundial, não conseguem vencer guerrinhas bestas como a do Vietnam e do Afeganistão (que, se prestarmos atenção à mídia, está se configurando como mais um fiasco monumental). O estilo de guerra dos EUA é como o estilo de vida dos EUA: perdulário, dependente de combustível e pouco disposto ao sacrifício. Exércitos viciados em apoio aéreo e alta tecnologia que desaprenderam o verdadeiro espírito da guerra – quer se queira, quer não – de que falavam gente como Grant, Custer e Patton: “tripas e glória”. Parece que as “tripas” e a “glória” estão agora do outro lado, e a “alta tecnologia” serve apenas para massacrar civis, vez por outra. 

A Guerra Fria, diriam alguns… A Guerra Fria não conta. Não foi “guerra”, propriamente dita, mas um movimento de política internacional que levou os EUA ao início do ciclo de déficits que vêm até hoje, e que lhe tiraram a paz (para usar um trocadilho muito ao gosto de Wiston Churchill). A tendência à “desmaterialização” da econômia a que se refere o colunista foi um desses movimentos – tornar o capitalismo mais eficiente significou desmontar o estado de bem-estar social que vigorou nos EUA e na Europa Ocidental desde 1950. Ninguém pensou em buscar uma sociedade solidária e auto-sustentável, mas em criar condições para que o espírito de predação e autofagia pudesse novamente vigorar. O redator:: se pergunta se não estaria na capacidade do estado em suprir as necessidades de seus cidadãos, a verdadeira “força” do Ocidente, e não residiria aí sua capacidade de mobilização internacional. Explica-se, então, a incapacidade não apenas dos EUA, mas  da economia ocidental (afinal, a Europa também está virando geléia, não está?..) em lidar com o problema do modelo de expansão econômica, que implica em lidar com a questão do tal “mercado” (na verdade, o sindicato de parasitas que domina a cena política), do desemprego, das matrizes energéticas e da economia industrial. Certamente um monte de sábios resmungará, de forma complacente: não é assim tão simples. De fato, mas não significa que não hajam alternativas. Faltou, no texto incrivelmente auto-indulgente de MsCartney, pelo menos indicar que a verdadeira coragem talvez esteja em admitir que o tempo de “donos do mundo”, para os EUA, possivelmente acabou::

Anúncios

5 pensamentos sobre “Drops para o fim de semana::Declínio?.. Provavelmente…

  1. Bitt, boa noite.

    Voltar a 1776 implica fechar fronteiras e “se virar” com o que eles tem por lá, coisa inimaginável dada a dependência de manufaturados “baratos”.

    O déficit bem que poderia ser baixado substancialmente com a extinção de bases militares espalhadas pelo mundo e término dos dois principais conflitos mas, a indústria (e congressistas) não deixarão isso rolar.

    O sucateamento não é só no aspecto visível citado, aí entram siderúrgicas e outras “de base” além da agricultura (não pense que os cinturões agricultáveis estão impunes depois de décadas de exploração intensiva, o solo se fué, só plantam com muito adubo e agrotóxicos).

    Uma “Terceira Grande Guerra Mundial” talvez solucionasse o problema deles, “biblicamente” é até possível (é só ler o “Apocalipse”), a coisa provavelmente terá Europa e interesses na Ásia ou África como justificativa para tal.

    Estou como você, só divagando….

    🙂

  2. Recentemente assisti um documentário que falava sobre como a divida pública amaricana chegou a níveis estratosféricos ultimamente e ainda tende a aumentar, já passou dos 8 trilhões e durante o governo bush aumentou coisa de mais de 1 trilhão, acho que o nome do documentário é L.O.U.S.A., e não só os gastos militares, mas outros como medicare, medicaid, e outros gastos sociais também começam a pesar bastante na balança.

    • Recentemente, na página da Federação dos Cientistas Atômicos dos EUA, vi uma informação interessante, com bastante detalhes: o orçamento militar dos EUA é maior do que a soma dos dez maiores, contados a partir do segundo lugar. O problema é que a chantagem militar não deixou de ser moeda política, após a Guerra Fria. Tirado este aspecto, restaria aos EUA competir de igual para igual com uma constelação de potências grandes (China, Alemanha, Japão) e médias (Reino Unido, Russia, Brasil, India…). Agora basta perguntar porq ainda são necessários arsenais nucleares gigantescos, em mãos dos EUA e da Rússia. Meia-dúzia de MIRVs (vetores de reentrada com ogivas múltiplas) para cada lado não seriam suficientes? Ou pq a Rússia precisa de submarinos de patrulha orbitando a costa dos EUA?

  3. bitt,

    Pois é, a Guerra Fria induziu a essa cultura do desperdício : “Agora basta perguntar porq ainda são necessários arsenais nucleares gigantescos, em mãos dos EUA e da Rússia. Meia-dúzia de MIRVs (vetores de reentrada com ogivas múltiplas) para cada lado não seriam suficientes? Ou pq a Rússia precisa de submarinos de patrulha orbitando a costa dos EUA?” Coisa de quem não foi capaz de se adaptar aos novos tempos, principalmente num tema tão nevrálgico quanto o militar, em que várias guerrinhas/invasõesinhas bestas, como a invasão de Granada serviam pra desviar os americanos dos problemas domésticos e provar a supremacia em armas da terra dos bravos.

    Eu poderia escrever mais, seu texto, como sempre, é saboroso, mas acho e aí vai talvez, o meu lado esquizofrênico (pelo excesso), que o Rubens Ricupero escreveu um artigo interessante na Ilustríssima da FSP, de domingo (11/07). Como é para assinantes, peço vênia pra colar aqui:

    ” RUBENS RICUPERO

    Lugar para sonhar

    ——————————————————————————–
    Jovens europeus e dos EUA perderam a capacidade de sonhar, que migrou para países como China e Brasil
    ——————————————————————————–

    “A Europa continua a ser o melhor lugar para viver, mas não é bom lugar para sonhar.” Essa frase deu o tom a seminário de que participei em Portugal sobre o futuro europeu.
    Lembrei do que se dizia nos anos em que eu morava em Genebra: a Suíça era o país escolhido pelos ricos e famosos -Chaplin, Simenon, Graham Greene- não para viver, mas para morrer ou para esperar a morte com conforto e tranquilidade.
    No contexto atual, é diferente; França, Itália, Espanha ainda são maravilhosas para se viver. Só que os jovens não têm mais futuro. Perdeu-se a esperança: a capacidade de crer que o dia de amanhã será melhor do que hoje, assim como hoje foi presumivelmente melhor que o dia de ontem.
    O fenômeno não é restrito ao âmbito europeu. Nos Estados Unidos, a geração dos que completaram 18 anos no início do milênio não é mais capaz de reproduzir o desempenho dos pais e avós.
    O desemprego nessa faixa está em 14%. Contando os que desistiram de buscar emprego, ultrapassa os 30%, níveis próximos aos da depressão dos anos 30.
    Comparou-se muito a crise financeira de 2008 ao estouro da Bolsa de 1929. Acreditou-se que a eleição de Obama traria de volta o espírito mágico do New Deal de Franklin Roosevelt, antecipando a ressurreição da economia americana.
    A realidade tem sido bem mais amarga: o desemprego teima em se manter perto de 10%, o país está ideologicamente dividido e polarizado, o sistema político tem medo até de prorrogar os benefícios aos milhões de desempregados. O otimismo da Era Roosevelt parece mais inatingível do que nunca.
    Enquanto americanos e europeus discutem se a prioridade é cortar o deficit ou continuar a gastar para reavivar a economia, a capacidade de sonhar emigrou para outras latitudes. Quem sonha agora são os jovens chineses.
    Sonhos singelos -comprar um minúsculo apartamento, precondição para poder casar, ganhar um pouco mais na fábrica- ou sonhos de consumo como das moças que esperam horas na fila para poder comprar artigos de grifes francesas de luxo em Xangai.
    Os brasileiros também conseguiram ingressar na categoria dos povos que começaram a poder sonhar: com a casa própria, com o carro, um futuro para os filhos melhor que o deles. Juscelino Kubitschek tinha logrado vender ao país a ideia do desenvolvimento.
    Talvez o maior êxito do presidente Lula tenha sido o de tornar contagiante a ideia do “sonho brasileiro” de consumo na hora em que o “sonho americano” entrou em crise.
    Em sua “História da Guerra Fria”, André Fontaine intitulou o tomo dedicado à coexistência pacífica da época de Kruschev de “Uma só cama para dois sonhos”. A referência era a um provérbio chinês: “Leste e Oeste dormem no mesmo leito, mas sonham sonhos diferentes”.
    A fim de devolver aos jovens a possibilidade de sonhar, é preciso unificar os sonhos de velhos economistas e políticos. O sonho de reequilibrar o orçamento terá de ser conciliado com o mais urgente, de reinventar uma economia dinâmica e rica em empregos.
    No Brasil, sonho intenso, de acordo com o hino, já se sonha muito. Convém moderar o excesso antes que o sonho vire pesadelo, pois de pouco serve se o sonho for intenso, mas breve.

  4. Bitt, aproveitando a excelente referência da nossa Alba, estendo a questão do Ricúpero sobre os arsenais nucleares: para que serve a OTAN? Esta foi criada na Guerra Fria para “deter a ameaça vermelha na Europa”, havendo mesmo uma organização similar “do outro lado”, o Pacto de Varsóvia. A guerra acabou, o pacto foi extinto e seus antigos membros batem à porta da OTAN para se filiar. Mas qual o grande inimigo que há para justificar que esta organização não somente permaneça como ainda se amplie? Não me venham falar no “Terrorismo Internacional”, cujo combate é 99% de inteligência e 1% de ação localizada. Eu tenho a impressão que a OTAN permanece por simples inércia, para manter um clima de tensão que não faz qualquer sentido, para justificar gastos multibilhonários em armas e pesquisas militares, para embasar intervenções americanas como sendo de uma aliança mais representativa etc. etc. Enfim, a OTAN virou uma OEA, o que reduz as antigas potências européias a repúblicas de bananeira. O que você acha disto?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s