Um rapaz das Forças Especiais::Regimento Sampaio::


Formatura comemorativa na passagem do 242° aniversário.

Como todos os oito ou nove leitores assíduos já devem ter percebido, toda vez que causa:: passa por um período de vacas magras (em função das 202 atividades que o redator:: mantém ao mesmo tempo…), no período seguinte, uma porção de textos desencontrados começam a ser postados. É quase como se todos os assíduos tivessem de ter seus  variados gostos em torno de história militar, estratégia, cultura material militar, curiosidades, etc., etc.,  satisfeitos. Assim, visto que ante-ontem foi publicado um texto mais “cabeça”, hoje o redator:: continuará dando vaza a sua insistência nessa coisa antiga e fora de moda chamada “tradição”, abominada por cada nove entre dez intelectuais moderninhos.

E para fazer com que essas pessoas (que não entenderam os objetivos do apelo de Dunga ao patriotismo – voltaremos a esse assunto, que dá muita liga…) torçam o nariz com ainda maior intensidade, vamos apresentar, hoje, a mais tradicional dentre as tradicionais unidades de “infantaria combatente” (como são chamadas, no EB as unidades de pronto emprego): o Primeiro Batalhão de Infantaria Motorizado (Escola), mais conhecido como “Regimento Sampaio”.

Como pesquisador amador de assuntos militares, o redator:: , embora entenda a importância da tradição como fator aglutinador de qualquer corporação, civil ou militar, não simpatiza com a genealogia de unidades militares que descobre origem de tropas blindadas brasileiras lá no Portugal manuelino. O contexto dos exércitos e da guerra no Antigo Regime torna impossível, na opinião aqui do blogue, traçar continuidades reais entre as unidades atuais e aquelas apontadas, trezentos ou quatrocentos anos atrás, como suas antecessoras. Assim, causa:: não irá buscar as origens do Regimento Sampaio no Terço do Rio de Janeiro (ou “Terço Velho“), tropa criada por ordem do governador-geral do Brasil, Mem de Sá, em 1567. O Terço Velho existiu de modo mais-ou-menos intermitente ao longo de todo o período colonial, e, em 1793, formou, com uma unidade trazida de Portugal em 1767, o Primeiro Regimento de Infantaria do Rio de Janeiro. Essa unidade foi depois incorporada ao exército da nação que se formou em 1822.

A Guerra do Paraguai, por outro lado, já permite traçar maiores continuidades com nossa época. Em 1864 a abertura das hostilidades do Paraguai contra Brasil e Argentina, encontra o “Primeiro de Infantaria” na região sul do continente, onde havia participado das guerras no Uruguai. Em 1865, o comandante do Exército Imperial na região do conflito, general Manuel Luís Osório, mandou criar uma nova unidade, a Terceira Divisão de Infantaria (3ª DI), que reuniu algumas unidades. Seu primeiro comandante foi o coronel Antônio de Sampaio. Dentro da genealogia militar que causa:: prefere levantar, este é o primeiro galho da árvore genealógica do Regimento Sampaio.

A 3ª DI, em função de ser lançada sempre na primeira linha, acabou recebendo dos soldados o apelido de “Divisão Encouraçada“. Seu comandante, pouco depois promovido a brigadeiro, sempre se destacava por “comer chumbo” junto com a tropa. Não é tão estranho: era um soldado de carreira, tendo iniciado sua trajetória militar em 1830, quando sentou praça no Exército Imperial. Seriamente ferido na batalha de Tuiuti, em 24 de maio de 1866 (curiosamente, data de seu aniversário…), morreu quando era evacuado para a retaguarda. Os restos do brigadeiro cumpriram um périplo que deve ter sido quase tão grande quanto as marchas que a “Encouraçada” cumpriu durante os mais de cinco anos da conflagração (o leitor que se interessar pelas andanças dos ossos do patrono da infantaria brasileira pode clicar aqui; um histórico da 3ª DI, aqui). O título honorífico de “Divisão Encouraçada” foi atribuído à 3ª Divisão de Exército, uma grande unidade de cavalaria mecanizada constituída em 1979, dentro da reorganização do Exército Brasileiro.

O segundo – e muito mais frondoso – “galho genealógico” do “Regimento Sampaio” cresce a partir da reorganização do Exército Brasileiro levada a efeito a partir de 1908, pelo ministro da Guerra marechal Hermes da Fonseca. A reorganização era reivindicação dos militares que vinha desde a segunda metade do século 19. Uma das principais proposições era a profissionalização do exército. A partir de 1905, o péssimo estado da força terrestre (e também da Marinha, mas as desventuras desta ficam para outra vez…) e as constantes questões de fronteiras, que poderiam exigir, eventualmente, intervenção militar, tornavam urgente uma completa reforma. Uma das providências foi a negociação do envio de uma “missão militar” à Alemanha. Entre 1908 e 1910, três grupos de oficiais militares brasileiros lá estagiaram, para observar as doutrinas e métodos utilizados naquele país. De volta ao Brasil, esses jovens oficiais tornaram-se alvo do interesse, principalmente, da jovem oficialidade, grupo que via com desconfiança os generais (“gordos e acomodados”) e, principalmente, os civis (os “casacas”, “egoístas e dissimulados”) . Um forte movimento de conotação política, disfarçado sob a égide de “profissionalização”, surgiu entre essa oficialidade, e seus integrantes foram apelidado, algo pejorativamente, de “jovens turcos”. O termo acabou sendo adotado pelo próprio movimento, pois os militares brasileiros simpatizavam com o espírito reformador dos oficiais turcos. Esses, aglutinados em um movimento militar liderado pelo major Mustafah Kemal Atatürk (“pai dos turcos”), reivindicavam a modernização da sociedade turca no início dos anos 1910. Durante a 1ª GM, Kemal revelou-se competente comandante de tropas, o que só fez aumentar sua popularidade entre os militares brasileiros (mais sobre os jovens turcos?.. Dê uma paradinha aqui).

Esses oficiais brasileiros criaram, em 1913, a revista “A Defesa Nacional“, a princípio destinada a veicular as idéias do grupo. Logo a publicação (que existe até hoje) se tornou veículo das idéias políticas da jovem oficialidade, e foi fator para o sucesso das reformas.

Um dos principais pontos da reorganização era a transferência das principais unidades militares para sítios situados fora das cidades. Muitos oficiais “tarimbeiros” (de tropa) reclamavam que, dispersa pela cidade do Rio de Janeiro, a corporação não tinha como realizar exercícios em nível maior que o de batalhão. Uma das propostas setoriais apresentadas e levadas a cabo foi a construção da Vila Militar (hoje em dia bairro de classe média na Zona Oeste da cidade). O lugar era, originalmente, uma grande fazenda, e, no início do século 20, gastava-se um dia de marcha para chegar até lá. A construção de quartéis e residências começou em meados de 1908, e correu paralela à reestruturação do exército, ficando pronta em 1915. A demora deveu-se, em parte, a dificuldades em se localizar um sítio que fosse adequado a grandes exercícios militares, e à necessidade de instalar uma via férrea que ligasse a capital aos quartéis.

A reforma do Exército também implicou na introdução de nova doutrina, que tornasse a força capaz adotar, pelo menos em parte, os procedimentos da guerra moderna que as potências  européias estavam praticando, desde meados do século 19. Esse novo estilo de guerra tinha ficado evidente no rápido conflito entre franceses e alemães: movimentos amplos e rapidamente executados, iniciativa e poder de fogo superior apontavam para a superioridade da organização militar alemã. Foram essas novas normas organizativas que a reforma de Hermes da Fonseca tentou implantar no Brasil – embora não houvesse comparação possível entre a formação social alemã e a brasileira. Dentro desse espírito, o Exército da República – que então não tinha completado ainda duas décadas – buscou se reinventar, e foi criado, em 1908, o Primeiro Regimento de Infantaria, depois de extinto o antigo, aquele criado no final do século 18. Como diversas outras criadas na época, a nova unidade baseava-se no modelo “ternário”, adotado pelo exército alemão. Isso quer dizer que era organizado em torno de três batalhões, cada um com aproximadamente 700 homens (três companhias mais tropas especializadas). Para a formação do “Primeiro”, foram reunidos três batalhões, que já existiam desde o Império: o Primeiro de Infantaria (cujo quartel ficava em São Cristóvão), o Sétimo de Infantaria e o Vigésimo de Infantaria, unidades que remontavam ao Império, com longa tradição militar e experiência de combate. Essas unidades foram reformadas e reunidas na nova unidade orgânica.

O “Primeiro de Infantaria” foi uma das primeiras unidades do EB a emigrar para a Vila Militar. A partir de então, esteve presente em diversos eventos de caráter político, como a Revolução de 1930, a Guerra Civil de São Paulo, em 1932, e a repressão à Intentona Comunista de 1935. Em 1940, seguindo a tendência do Estado Novo em valorizar a história como fonte da tradição e do espírito de corpo, que levou à adoção de diversos personagens militares como patronos das forças singulares, armas e especialidades militares, o então “Primeiro de Infantaria” recebeu a denominação de “Regimento Sampaio”. O próprio Sampaio foi guindado à condição de “patrono da arma de infantaria”. 

Em 1943, com o Brasil em guerra contra o Eixo e a criação da  FEB, o “Regimento Sampaio” foi designado para integrar a divisão de infantaria a ser formada. Um dos motivos (talvez o principal) é bastante prosaico: geralmente, os chefes políticos do Exército cumpriam seus períodos de oficiais inferiores (segundos- e primeiros-tenentes, capitães e majores) em regimentos aquartelados na Vila Militar, para ficarem perto do Rio de Janeiro; outro motivo é que o “Primeiro” sempre foi considerado unidade de elite, e não passava pela cabeça dos chefes do Exército deixá-lo de fora da FEB – ainda que o estado de aprestamento não fosse lá dos melhores. Como, diga-se de passagem não era em todo o Exército.

A formação da FEB incluiu também os regimentos 6º de Infantaria (de Caçapava, São Paulo, o “Regimento Ipiranga“) e 11° de Infantaria (de São João Del Rei, Minas Gerais, atualmente 11° Batalhão de Infantaria de Montanha, o “Regimento Tiradentes”, atualmente os “boinas cinzas”, unidade de Pronto Emprego). Claro que a inclusão dessas unidades visava premiar, politicamente, os principais estados da Federação, embora a incorporação de efetivos tenha sido feita em todo o Brasil. O país teria certa dificuldade (para sermos condescendentes…) em formar uma tropa capaz de combater em contexto moderno. A organização do Exército baseava-se ainda nos ensinamentos da Missão Militar Francesa, contratada depois da 1ª GM. A FEB teve de se adequar à organização adotada pelos norte-americanos, que, por sua vez, vinham reorganizando suas forças armadas desde o final dos anos 1930. Os EUA tinham adotado, a partir de 1939, uma estrutura orgânica e administrativa semelhante aquelas adotadas na Europa. Contando com um potencial humano superior ao da Alemanha (em 1940, tinha uma população de uns 170 milhões de habitantes, contra 90 milhões da Alemanha), os planejadores norte-americanos imaginaram que poderiam contornar certos problemas aumentando o tamanho das grandes unidades (as divisões).

Neste porto, vale um parentese para examinar exatamente o que constitui uma “divisão” – no caso que nos interessa, uma divisão no formato norte-americano, aquele que foi copiado pela FEB – e pelo “Primeiro de Infantaria”.

Os EUA mobilizaram sessenta e sete divisões de infantaria durante a 2ª GM, dentre as  quais em torno de quarenta eram consideradas “de primeira linha”. Quarenta e duas divisões serviram no ETO (Teatro de Operações Europeu) e no MTO (Teatro de Operações do Mediterrâneo); as restantes 23 foram alocadas no PTO (Teatro de Operações do Pacífico). Essas unidades eram baseadas em conceito relativamente novo – de fato, tinham sido formadas para a guerra que se avizinhava.

A primeira forma de organização divisional adotada pelos EUA surgiu durante a 1ª GM. Eram organizadas com base no modelo francês, mas, depois da Guerra esse modelo foi substituído por outro, híbrido, que adotava a organização “ternária” – cada divisão possuía três regimentos de infantaria e cada regimento era dotado de três batalhões. Completavam a unidade elementos de artilharia divisionária, formados por quatro batalhões; um esquadrão motorizado de reconhecimento com certa capacidade de choque; unidade de engenharia, serviços médicos e pessoal administrativo. O Estado-maior era único, atendendo a toda divisão, embora os regimentos tivessem os seus.  O comandante era um general de duas estrelas (no exército dos EUA, major-general), que podia ter um general de uma estrela (brigadeiro, posto inexistente no Exército Brasileiro) ou um coronel como assistentes. A artilharia era comandada por outro brigadeiro, os regimentos de infantaria, por coronéis, e tenente-coronéis comandavam os batalhões. Essa organização foi consolidada em 1940-1941. Por volta do início de 1943, com a estabilização da frente do Pacífico e o início dos preparativos para os desembarques no norte da África, a dificuldade de formar oficiais e, principalmente, encontrar oficiais para serem promovidos a generais fez com que os postos de comando intermediários fossem rebaixados. Os regimentos de menor efetivo (como os de cavalaria, ou seja, infantaria blindada) ou de segunda linha (como os de colored troops, unidades de negros comandadas por oficiais brancos da Guarda Nacional e de engenharia de contruções) passaram a ser comandados por tenentes-coronéis, e os batalhões de infantaria, por majores com experiência de tropa (mais tarde, de combate).

A dotação de pessoal e veículos das grandes unidades era constantemente aumentada, com base na experiência de combate. Em meados de 1944, chegou ao ponto de reunir pouco mais de 14.300 efetivos, uns cinqüenta canhões de campanha (três baterias de obuses 105 mm – em inglês, field howitzer , rebocados por caminhões, e uma bateria de obuses 155 mm); havia também uma bateria de canhões AT de 57 mm e cerca de 1400 veículos. As divisões de infantaria “de primeira” também dispunham de algo entre oito e doze aeronaves ligeiras de observação.

Os regimentos de infantaria reproduziam a organização da divisão, cada qual com três batalhões, cada um com três companhias; em cada batalhão, uma quarta companhia encarregava-se dos “petrechos pesados”, ou seja, metralhadoras pesadas – montadas em tripés e operadas por uma “seção” de quatro homens – e morteiros leves. Os batalhões dispunham de uma quarta companhia, “de comando e serviços”, que reunia Inteligência, Reconhecimento, Comunicações, Engenharia, Saúde e Administração, alcançando, quando completos, pouco mais de 900 efetivos, comandados por um tenente-coronel ou major. No total, um regimento de infantaria, comandado por um coronel, reunia cerca de 3.300 efetivos. Já as unidades “divisionárias”, que reuniam o pessoal da artilharia divisionária, comunicações, engenharia de combate, transportes, logística, saúde, administração, o Estado-maior e, em certos casos, infantaria de reserva, chegavam a 5.000 efetivos.

Em teoria, era um organização capaz de dar conta de um setor de frente de aproximadamente trinta quilômetros de largura e profundidade variável, conforme o terreno. A experiência de combate mostrou que a teoria, na prática, era outra, e de fato, bastavam algumas semanas em combate para que a frente se tornasse “porosa”, já que as baixas não eram repostas em tempo hábil. Esse era o problema que os alemães não tinham conseguido resolver, depois de 1943; os norte-americanos só vieram a senti-lo plenamente no final de 1944, com a inesperada contra-ofensiva das Ardenas.

A FEB foi organizada como um tropa norte-americana do tipo descrito acima, o que não foi feito sem bastante trabalho. A principal unidade era a 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária que, com pequenas diferenças (por exemplo, não recebeu obuses 105 automóveis, que se tornaram comuns na época da chegada à Itália, não tinha artilharia anti-aérea e o principal armamento de infantaria era o fuzil M1903 Springfield), era igual às divisões de infantaria norte-americanas. O “Primeiro de Infataria” era o primeiro regimento da FEB. A organização da tropa começou com estágios de oficiais nos cursos regulares de infantaria e artilharia, em Fort Benning, Georgia e, mais tarde, com toda a tropa instruída no Brasil conforme os  padrões norte-americanas e complementando a instrução na Itália, nas diversas “Escolas Treinamento de Comando e Combate” (Leadership and Battle Training School). Valeu à pena – apesar das controvérsias que existem até hoje, no geral, a tropa brasileira se saiu bem. E graças ao período de quase nove meses integrado ao MTO, o Exército Brasileiro tomou contato com as doutrinas militares que iriam prevalecer nas seguintes três décadas, adquiriu experiência de combate e, principalmente, constituiu uma tradição de inestimável valor memorial. 

De volta ao Brasil, a FEB foi mantida como base para o que talvez tenha sido a maior reorganização pela qual o EB passou desde sua criação como corporação de estado, em 1822. Envolvidos na Guerra Fria, os norte-americanos queriam conquistar a fidelidade das forças armadas de seus aliados periféricos, cujas sociedades consideravam suscetíveis à “influência de Moscou”. Dentre outros, dois métodos se destacaram: oferecer o concurso de instrutores militares e disponibilizar a esses aliados certa quantidade de armamento relativamente moderno a preços subsidiados, através dos Acordos de Cooperação Militar e dos Programas de Vendas Estrangeiras (Foreign Military Sales) que decorreram deles, a partir de 1947. O resultado é que, dez anos após o final da 2ª GM, o Brasil estava entre os aliados mais confiáveis dos EUA e o Exército tinha alcançado o maior efetivo desde a Guerra do Paraguai, sendo o maior da América Latina, e talvez um dos três maiores do Hemisfério Sul. No início dos anos 1960, podia colocar em campo, caso necessário, um corpo blindado (uma divisão blindada e duas motorizadas) e cinco divisões de infantaria, com um complemento de umas 200 peças de artilharia de campanha dos mais variados calibres.

Embora a base da estrutura persistisse aquela adotada para a FEB e depois disseminada pelos instrutores norte-americanos, diversas reorganizações administrativas e orgânicas foram implementadas, ao longo da segunda metade do século 20. Um aspecto que, entretanto, ainda ligava o exército de então aquele reformado em 1908 era a Vila Militar, que, em 1960, era o maior aquartelamento de tropas terrestres da América Latina.

Do ponto de vista organizacional, algumas mudanças foram sendo implementadas nos anos 1950, de modo a aumentar a eficiência administrativa. Mas apenas nos anos 1970 o Exército passou por nova reestruturação, que viria a modificar a organização adotada nos anos imeditamente posteriores à Segunda Guerra Mundial. O novo formato começou a ser estudado no final dos anos 1960, e buscava dar à força terrestre maior flexibilidade, baseada sobretudo em padrões mais avançados de integração e mobilidade. As antigas grandes unidades de armas (divisões de cavalaria e infantaria e os regimentos de cavalaria mecanizada e blindada) foram reunidas em grandes unidades denominadas “Divisões de Exército”, formações de todas as armas, capazes de alto grau de iniciativa. As principais unidades orgânicas passaram a ser as brigadas, unidades de arma, de efetivo maior do que o dos antigos regimentos, organizadas em torno de tropas motorizadas, com complementos próprios de artilharia e engenharia. Essa nova proposta de organização levou, em 1971, à extinção do Primeiro Regimento de Infantaria e, em seu lugar foi criado o 1° Batalhão de Infantaria Motorizado (Escola), ou 1° BIMtz(Es). Essa unidade é concebida para ser referência do Exército Brasileiro, no que tange à aplicação de doutrinas e métodos, e foi integrado à uma nova grande unidade,  a 9ª Brigada de Infantaria Motorizada, núcleo do Grupamento de Unidades Escola do EB.

A 9ª BdaInfMtz, dentro da nova doutrina, que vem sendo implantada no Exército desde os anos 1980, é uma das unidades da Força de Deslocamento Rápido/Pronto Emprego. A idéia do Pronto Emprego firmou-se quando o Exército, a partir dos anos 1980, posto diante de sucessivos cortes de verba e da diminuição progressiva de seu orçamento, passou, na prática, a ser divido em dois (embora nenhum milico admita isso…): o Pronto Emprego e o resto. O Pronto Emprego – cujo conceito baseia-se em discussões realizadas, nos anos 1990, no âmbito da ONU – é parte do EB capaz de ser rapidamente mobilizada e colocada, em caso de necessidade, em condições de deslocamento, por terra, ar ou mar. Sob a essa designação estão unidades consideradas de elite, com dotação de pessoal, equipamentos e suprimentos mantidos, tanto quanto possível, próximos do ideal. A FDR está subordinada administrativamente à 1ª Divisão de Exército, e a 9ª Motorizada é considerada núcleo dessa força, juntamente com os pára-quedistas, os “boinas cinzas” e os aeromóveis – e também os Fuzileiros Navais. Suas principais unidades são o “Primeiro de Infantaria”, o “Segundo de Infantaria” (o tradicionalíssimo “Dois de Ouro”, que disputa com o “Sampaio” a honra de ser a mais antiga unidade do EB…), o 15° Regimento de Cavalaria Mecanizado (Escola), o também tradicional “ReCMec”, a primeira motorizada do Exército formada no espírito das novas doutrinas, em 1946 (vale à pena dar uma paradinha aqui), o Batalhão Escola de Engenharia, o tradicional (como não seria, devem estar se perguntando os oito ou nove leitores…) “Batalhão Villagran Cabrita”  e o Batalhão Escola de Comunicações. Outras unidades estão integradas à esta brigada, mas o “Primeiro de Infantaria” junto com as outras duas (o “Dois de Ouro” e o “ReCMec”), são as jóias da coroa, não só do GUES, mas do Exército Brasileiro::

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2 pensamentos sobre “Um rapaz das Forças Especiais::Regimento Sampaio::

  1. Pingback: Declínio? Provavelmente o pior possível – o fim dos sonhos:: « Causa::

  2. Boa noite!
    Hoje dia dos Pais, relembrei um desejo que o meu pai sempre teve e não pode concluir, obter informações sobre a sua integração no 1º Regimento Sampaio em 1947 sob o certificado de nº 01315. O que ele pretendia é ser reconhecido como um dos Pracinhas que ficaram à disposição do Brasil. Guardou o seu emblema (Leão) com muito zelo e orgulho.
    Obs: Caso tenha alguma informação, gentileza nos encaminhar.
    Obrigada.
    Marilene Pinheiro (Filha)

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