Mais observações estratégicas sobre um período chato e outra comparação estapafúrdia::


O destino que aguarda o PSDB?.. Coluna alemã massacrada em Falaise (Normandia, agosto de 1944).

Já que a análise das eleições, no planeta blogue, continua estupenda, causa::, que não é do ramo, opta por divertir os assíduos estabelecendo comparações estapafúrdias… mas talvez, nem tanto. A de hoje apareceu logo cedo, num clarão provocado pela revista dos bons blogues sobre o tema. Um deles, particularmente interessante, pode ser lido no blogue do “intelectual clandestino” Hugo Albuquerque, o “Descurvo”. Basicamente, Hugo defende que a manutenção do governo paulista pelo PSDB é condição de sobrevivência para o partido, que, em caso contrário, acabaria quase um partido nanico. Diz o “clandestino”, a certa altura: “Nesse aspecto, a manutenção do governo paulista é essencial para a existência do PSDB enquanto um partido grande. Além do Governo FHC, o privatismo em São Paulo foi um dos sustentáculos fundamentais do tucanato. Depois da desindustralização de bons nacos do estado e de sua estagnação econômica severa aguda nos anos 80 e 90, a privatização do aparelho público, seja pelo sistema de concessões ou pelo esvaziamento dos serviços públicos, tornou-se um meio interessante para o PSDB se manter no poder: Esse parasitismo público era o meio para manter a hegemonia, construindo saídas para grupos empresariais falidos – que giravam em torno da indústria – e assim produzir uma saída razoável para o Capital, o que deu incrivelmente certo pela falta de uma oposição no plano estadual e pela bem-sucedida máquina de propaganda local. Esses setores tornaram-se a mola propulsora do partido. Dilma já está em primeiro em São Paulo e o partido precisa garantir Alckmin contra Mercadante, senão é fim de jogo. Uma derrota parece difícil de acontecer, mas eleições estaduais têm variações na intenção de voto sempre bem voláteis  e os riscos são claros.” Diria que a postulação é aguda, como são diversas outras que o redator:: tem encontrado por aí. Mas esta é particularmente aguda por lembrar uma das piores situações me que se pode ver metido um comandante de exércitos em campanha.

Indo ao ponto: o partido do “Zé” se encontra num “bolsão”. E de bolsão, causa:: entende. Resumindo, é quase um cerco, quando uma grande formação militar se vê quase totalmente privada de contato direto com suas próprias linhas, lhe restando apenas um corredor de comunicações com o exterior, o que acaba expondo o que quer que transite por ali a forte assédio pelo adversário. A solução, em geral, é tentar retirar o máximo possível de tropas e equipamentos antes que a “boca do saco” se feche. Quando isso acontece e se estabelece o cerco (ou “caldeirão”, como dizem os alemães) as coisas se tornam muito mais difíceis, visto que as forças trancadas são fervidas até o desmanche.

A situação atual do PSDB evoca ao redator:: reconhecidamente delirante duas situações da 2ª GM: Staingrado e Falaise. Pensando bem, a situação da candidatura “Zé” ainda não evoca Stalingrado – causa:: imagina que os nove ou dez leitores conheçam esta última muito bem, mas vale lembrar que Stalingrado foi um cerco que resultou em uma catástrofe local – embora não tenha sido uma batalha decisiva. Ainda assim, essa campanha marca o limite da blitzkrieg na Frente Oriental, e é considerada como um dos pontos de inflexão da guerra. A operação foi desencadeada pelos alemães na segunda semana de dezembro de 1941. Na primeira fase, grupos de choque formados por divisões blindadas, divisões de infantaria e divisões motorizadas empurraram os soviéticos e os colocaram em situação crítica. O mágico von Manstein, autor, quase dois anos antes, na Frente Ocidental, do truque do “Corte de Foice”, lançou as vanguardas blindadas e motorizadas em pequenos grupos. Essa fase foi uma aula de blitzkrieg – movimento sem parar, facilitado pelas condições do terreno (o solo, congelado, era ideal para o corrida dos blindados). Uma série de golpes em diferentes lugares em rápida sucessão, encontrar um ponto instável, para onde convergiu o grosso da infantaria – o malfadado Sexto Exército era, basicamente, uma reunião de unidades convencionais. De início, pareceu que os alemães poderiam romper as linhas soviéticas e envolver o adversário, mas a luta dentro da cidade em ruínas converteu-se num impasse. A resistência dos flancos soviéticos manteve abertas as linhas de comunicação, por onde convergiram reforços que possibilitaram o contra-ataque. À esta altura, a vanguarda blindada alemã estava esgotada e teve de parar – e a oportunidade da vitória escapou. A força de von Manstein, ao tentar liberar o Sexto Exército, viu-se reduzida à metade de seus efetivos. Acabou forçada a se retirar, abandonando a cidade. Após este revés, os alemães não conseguiram mais restaurar a situação favorável na curva do rio Don e caíram na defensiva. Alguma similaridade com a situação atual do PSDB? Possivelmente: após os erros da fase inicial da campanha, com o “Zé” tentando se fazer passar por “candidato do Lula”, dificilmente a candidatura voltará à ofensiva ou conseguirá “estabilizar a frente” – ou seja, chegar até um segundo turno. O grande erro, causa:: concluí, depois de examinar os blogues dos especialistas, foi não perceber que Dilma, de fato, é Lula amanhã, e que de fato, o grosso do eleitorado a vê como continuação do governo Lula. Aqui em Minas, onde vive o redator::, eleitores de Anastasia têm dito que “o modelo de Aécio” ainda não está maduro. O que parece significar que até a classe média, por mais antipatia que tenha de Lula (e aqui em Minas, a ntipatia não poderia ser maior…) está com medo de apostar em outra coisa.

De uma forma um tanto envergonhada, boa parte dos blogueiros parece declarar, nas entrelinhas, que a oposição está morta (se algum dos nove ou dez leitores duvidar, recomenda o redator:: exame atento do último parágrafo desta ótima análise). Até mesmo o lado direitoba, curiosamente parece estar jogando a toalha…: “Eu não vejo como Dilma Roussef possa deixar de ganhar a eleição. Assim como não vejo como Dilma Roussef possa deixar de ser um desastre. Ela poderia evitar o desastre se fizesse um governo à direita do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, principalmente em questões econômicas, o que ela nunca fará. Continuará com a atual política econômica por falta de alternativa. É claro que é melhor do que socialismo puro e simples. Mas é claro, também, que isso não bastará.” 

Talvez ainda haja, por outro lado, tempo para escapar do bolsão, e aí entra o governo de São Paulo e uma possível analogia com a situação de Falaise – ainda que resultando num quase apocalipse para a Wehrmacht na França (depois dessa operação, o território francês foi liberado em três meses), os analistas concordam que a escapada através do corredor permitiu a sobrevida que teve a Alemanha nazista. Diz umespecialista: “Apesar do que tem sido dito, a batalha do bolsão de Falaise não foi a ‘Stalingrado da Normandia’. Cerca de 100.000 alemães conseguiram escapar através da rede lançada pelos Aliados, entre 12 e 20 de agosto.. Embora tivessem de abandonar a maior parte de seu equipamento, junto com 50.000 prisioneiros e mais de 6.000 mortos”.

Mas, afinal, o redator:: pode estar em surto. Os famosos poucos leitores de causa:: poderão refletir sobre mais esta comparação estapafúrdia após examinarem, aqui, este excelente texto sobre o assunto. Mas não custa lembrar – guerra só se resolve quando o inimigo abaixa as armas e assina a rendição. Eleição… Sabe-se lá o que pode acontecer, antes que as urnas revelem o resultado…::

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9 pensamentos sobre “Mais observações estratégicas sobre um período chato e outra comparação estapafúrdia::

  1. É parece que o Exército Vermelho do PT está fechando o cerco sobre o PSDB mesmo, pra mim o cerco já chegou até São Paulo com o General Mercadante pronto pra invadir, quero só ver como fica o PSDB se perder São Paulo (o álamo deles), vai virar o que, um Exército sem território?

  2. Logan,

    Tudo pode acontecer, mas não acredito na vitória de Mercadante, que cresceu tirando votos do Russomano, o malufista. Não ameaça ainda o Alckmin. Além disso, o partido tem montes de prefeituras no interior e afirmo ao bitt, não há classe média mais anti-LUla que a paulista. Entonces, não porque eu queira, o PSDB tende a conservar o estado, o que nem é má coisa raciocinando em termos de uma oposição que precisará fazer o que não fez em 8 anos, apesar do domínio da mídia.

  3. Uma das formas da candidatura governista perder as eleições, situa-se na campanha das oposições, que permanece pedindo votos para seus candidatos majoritários e proporcionais. Não tem outra forma de vencer. Já, dentre as formas de perder, uma delas é ter um candidato pior que os adversários. Outra, é comemorar a derrota dos adversários antecipadamente. É por isso que há generais e generais. Alguns são mais conhecidos quando haviam vaticínios de que estariam irremediavelmente perdidos. As manobras de cerco e destruição, sempre deixam algum ponto por onde ocorrem retiradas e/ou favorecem reagrupamentos e contra-ataques certeiros. Nenhuma das alternativas colocadas está em descarte.

  4. Logan,

    Eu abomino os 16 anos de tucanato em São Paulo. Em termos, entretanto. Gosto muito da Virada Cultural, por exemplo. 🙂

    Agora, uma das coisas que o Hugo Albuquerque diz é que o PT de São Paulo é elitista. Eu diria mais: não dá ao estado a importância devida e escala o Mercadante para o sacrifício, sem falar do suplente da Marta. Hoje por acaso, dei uma olhada no horário eleitoral que acentua essa percepção: Mercadante descrito como aquele que se sacrifica pelo Brasil, citando a ocasião em que trocou uma reeleição quase certa para deputado federal para ser vice de Lula. Daí, ele faz algumas propostas e, a meu ver, termina tudo muito mal, soluçando ao dizer que perder festas dos filhos, acontecimentos importantes na família, em nome de estar trabalhando pelo Brasil.

    Tá bom, mas dá pra economizar nos soluços? 🙂

    • Eu não vi pesquisas nem nada mas acho que se ele levar pro segundo turno vai ter Lula e o próprio PT engajado na disputa porque aí a própria Dilma provavelmente já terá vencido a sua disputa.

  5. Prezado Redator::
    Sem entrar no mérito de suas autodenominadas “comparações estapafúrdias”, confesso que fiquei senão decepcionado, pelo menos inquieto pelo fato de Causa:: não ter feito nenhuma menção recente ao fenômeno das UPPs.
    Creio ter sido, desde que me entendo por gente, a primeira vez que vejo uma ação policial – com necessárias características militares – ter um sucesso pleno.
    A própria denominação de “UP PACIFICADORA” já mereceria, a meu ver, como leitor silencioso, uma análise de sua parte.
    Fica minha sugestão

  6. Bom Dia !
    Falarei apenas sobre o ponto “Aécio”.
    Alguns acham que sua candidatura poderia fazer frente ao fenômeno Lulla. Erro crasso !
    Aécio,se porventura tivesse apresentado sua candidatura,teria sido esmagado ainda com mais facilidade do que José Serra,político com muito mais visibilidade nacional que Aécio,que ,além das fronteiras alterosas,penetra somente um pouco no Rio de Janeiro,sofrendo ,por parte do eleitorado paulista,a desconfiança ainda remanescente da política café-com-leite.
    Na região sul,xenófoba pela própria natureza,e na nordeste,faminta,Aécio não duraria 3 dias de campanha contra uma candidatura ungida por Lulla,no nordeste o novo pai dos pobres,com fantásticos 85%(por volta disso…) de aprovação popular de seu governo e seus programas sociais “bolsa come votos”,que praticamente garantem a transferência de seus votos para sua escolhida.
    Lá nem Jesus Cristo contrapõe a candidatura da situação.
    A velha falácia de que Aécio é jovem,Ah!,esse mote já foi para os anais da história depois de usado por Fernando Collor e ter dado no que deu.Ali o argumento juventude foi pro espaço.
    A tentativa da oposição de fazer ver ao eleitorado a folha penal de Dilma,isso foi de uma infantilidade que ronda a idiotice,que me desculpem os infantes.Começa que essa folha foi escrita durante a guerra suja,e os dois lados tem esqueletos no armário. Daí…
    Enfim,ainda bem que o PSDB não jogou Aécio ao sacrifício,guardando bom quadro para a próxima eleição,quando se espera que Dilma já tenha trocado os pés pelas mãos,fornecendo munição ,aí sim,ao Senador Aécio,o governo de SP (é pule de 100 que Alkimin será eleito,os paulistas adoram repetir besteiras…)e sua máquina pública nas mãos do partido,bem como MG (também é pule de 100 que Aécio fará seu sucessor por lá);Sérgio Cabral e seu PMDB no Rio já terão afundado com suas UPP corrompidas (alguém imagina que a PMERJ ,em contacto direto e diário com a marginália se manterá pura como uma donzela,com os baixos salários atuais;ressalvo – se a PEC 300 passar,já modifico minha análise sobre o futuro das UPP cariocas ),mantendo o PMDB como partido municipalista – é o que detém o maior número de prefeituras pelo BR afora.
    Enfim,resignemo-nos:Dilma já é fato consumado,em 1º turno ,mas não só pela incompetência do PSDB e de José Serra;muito mais pela esmagadora força popular obtida nos 8 anos de governo Lulla,e dacompetência política dele em transferir sua popularidade,transformando-a em votos para sua candidata.

  7. Well, uma das coisas que leio dos últimos 20 anos então é que se tem algo que o Brasileiro deseja é estabilidade, o tempo dos aventureiros se foi. O que não deixa de ser uma mostra de alguma maturidade por parte do povo. Quanto ao futuro do Brasil, agora anda nas mãos da China, se eles pararem de comprar nossos commodities na quantidade e preço que estão comprando, aí sim vamos ter uma crise séria. Enquanto isso, pelo menos voltamos a falar em qualidade da educação, mas continuamos com os gargalos de infra, tributação e cia. E pior ainda, o PMDB continua no governo, como sempre.

    Mas seguindo a linha de nosso redator: acho que a única chance que o PSDB poderia ter tido nessa eleição seria uma chapa “Panzer” com Aécio e Serra, talvez aí conseguissem quebrar o cerco. Mas para variar a desunião e indecisão da linha de comando tucana cobrou seu preço, Aécio espertamente preferiu ficar na reserva estratégica. Mas há quem diga SP é ao mesmo tempo o último bastião e a âncora que impede a expansão tucana, mantendo o partido sob a pecha de “paulista”. Porém, essa batalha é muito sensível ao clima, uma chuva nas plagas chinesas pode se tornar um furacão kamikaze contra a coalizão de Lula Khan (ok o trocadilho ficou horrível mas não resisti).

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