Continuam as observações estratégicas… Ah, todo mundo já sabe::Droga! Acontece!::


Plano esquemático do "bunker glocal" de causa:: O redator convida os assíduos a identificar o posto de combate onde se encontra.

Depois de passar umas duas horas lendo uns dez posts que têm as eleições e o processo político como tema, o redator:: sem chegar a se surpreender em nada com o conteúdo, ficou um bom tempo imaginando por que não comentários como os do Catatau não repercutam como aqueles do NPTO, do Biscoito Fino, do Mosca Azul (dentre outros de leitura obrigatória aqui de causa::). O motivo talvez seja porque os citados, independente de serem muito bons, são militantes. Chamam para a briga. Catatau tem um tom que poderia ser denominado “tipo bola-baixa”, o que torna a leitura mais complexa. Uma idéia dentre as veiculadas lá é a de “economia de viabilidade das denúncias”. causa:: não irá comentar o conceito, mas o fato é que  redator de Catatau (que, este redator:: supõe, também deve ser Catatau…) toca no ponto com uma elegância à toda prova. É claro, também tem um problema. Depois de passar alguns dias imaginando todo um setor da “blogosfera” (se os assíduos querem ver uma coisa realmente engraçada, cliquem aqui) entrincheirado nos “bunkers glocais” trocando intenso e entusiasmado fogo de bateria e contrabateria, foi, para o redator:: uma surpresa desagradável descobrir um bunker cujo ocupante parece observar a coisa toda com certa curiosidade e nenhum espírito exterminador. Droga! Acontece!

De toda forma, ocorreu ao dito redator:: que talvez, como naquele seriado, “a verdade está lá fora” – fora dos blogbusters (trocadilho infame em mau inglês). De sua posição militante, simpática a todos as idéias, regimes políticos e redatores mal-comportados, este redator:: não resiste a disparar um ATGW (piada hermética, para o fino humor técnico dos assíduos de causa::) contra o simpático blogueiro: gostaria de ler no Catatau um comentário sobre as candidaturas Tiririca, Mulher-Pera, Ronaldo Esper, etc. É sabido, a posição de causa:: é que se já é difícil falar em “democracia” num contexto como o do Ocidente (com algumas excessões, cada vez mais excessões), ficará mais difícil ainda falar nisso (seja lá o que for que signifique…) caso se dê um jeito de impedir que essas pessoas se canditatem por serem o que são::

Adendo de última hora, já que o NPTO não aceita comentários longos (isso sim é uma ameaça contra a democracia): O ótimo blogue político do sociólogo Celso Rocha de Barros, o popular NPTO repicou, um pouco mais cedo, uma matéria da lavra do excelente (nisso concorda inteiramente com ele o redator::) Jânio de Freitas. O tema da coluna de JF são os perigos que oferece a radicalização do processo político-eleitoral. O primeiro desses perigos seria o golpismo que a grande imprensa tenta enxergar no comportamente algo desmedido do Presidente da República. Sobre  esse perigo, causa:: não tem nada a comentar, visto que JF foi enfático o suficiente. Dos outros dois “perigos”, um deles merece uma espiada – o “painel” no qual devem ter estado, hoje, os vibrantes jornalistas Merval Pereira e Reinaldo Azevedo.

É preciso conhecer muito pouco a realidade das FA, hoje em dia para achar que possa se encontrar nelas algum resquício do golpismo que se observava meio século atrás. E, daquele golpismo, nem se pode culpar somente as FA. Naquela época, a burguesia não podia ver uma porta de quartel que corria a se reunir em torno dela (parecia coisa de cachorro com televisão de cachorro), e o Ministro da Guerra estava, sempre sorridente, nos eventos “em desagravo da democracia”. A conversa hoje é outra. Assim, resta saber se alguém acha q os comandantes do exército ou da marinha perderiam tempo com “painéis” assistidos por síndicos e ex-síndicos de edifícios na Tijuca e no Leme. As forças armadas tem sido, aos trancos e barrancos, reestruturadas, e o grau de profissionalismo é hoje muito mais alto do que era no século passado. No século passado, o contexto era o da Guerra Fria, fator que não pode ser eliminado de qualquer consideração que envolva os milicos. Hoje em dia, boa parte dos militares vê os EUA com tanta desconfiança quanto enxergam Hugo Chávez (será que Merval Pereira, o ilustre intelectual, já se preocupou em saber o que a milicada acha do espantalho favorito de nossa vibrante imprensa?). Outra questão interessante é que os milicos não têm a menor simpatia pela turma do PSDB – a maioria daqueles com que o redator:: conversa lembra da situação negra das FA na época FHC, quando as horas de instrução de vôo para cadetes chegaram a ser diminuídas em 60 por cento devido a cortes de verba; os milicos também falam muito da intenção de FHC em “alugar” a base aérea de Alcântara ao norte-americanos. Atualmente, bem ou mal, as FA estão recebendo equipamentos novos em folha (por exemplo) ou adequados (por exemplo), a indústria de defesa começa a ser posta outra vez a funcionar e os programas de treinamento se desenvolvem sem problemas. 

Ainda existem entraves administrativos sérios, mas a jóia da coroa, a Estratégia Nacional de Defesa está aí, e foi produzida por consultas bastante longas às forças.  Assinada pelo Presidente da República emdezembro de 2008, o decreto determinou aos órgãos da administração federal que passem a considerar, em seus planejamentos, ações destinadas ao fortalecimento da Defesa Nacional. A END leva em consideração a participação da sociedade civil no debate sobre a defesa nacional (tendo como articulador e interlocutor o Ministério da Defesa) e pôs de lado, em definitivo, inclusive nos currículos de formação militar em todos os níveis, a Doutrina de Segurança Nacional, substituída por uma noção de estratégia mais ampla e com visão multilateral. A END tem como um dos focos a modernização, a longo prazo, da infraestrutura de defesa do país, sendo as FA a principal dentre essas. A modernização está articulada em três eixos: reorganização das forças singulares, reestruturação da indústria brasileira de material de defesa e política de composição dos efetivos das Forças Armadas. As ações decorrentes desses “eixos estruturantes” devem se alinhar às estratégia de desenvolvimento nacional, incentivando a pesquisa científica e tecnológica de modo a aumentar a autonomia do país em relação ao exterior – tanto em atividades civis quanto em militares.

Assim, qualquer um que conheça as FA um pouco mais de perto (e sem os preconceitos de praze…) sabe que os coronéis e generais reformados que frequentam as salas de sinuca e salões de barbeiro do Clube Militar são, em geral, tratados com enfadada condescendência pelos oficiais superiores da ativa, e com impaciência pela turma da tropa (os oficiais intermediários e inferiores). São homens cuja idade média é de setenta anos, com cabeças sintonizadas à época da Guerra Fria. Muitos deles não conseguem entender o anacronismo de reuniões do gênero; outros ainda acham que Lula é “comunista”.  Não é o caso do pessoal da ativa e, principalmente, dos novos oficiais que estão saindo das academias militares. A cabeça desses jovens é hoje a mesma da pequena-burguesia de que fazem parte. É exatamente o que preocupa, no texto do JF (de acordo com ele, o “segundo perigo”): a pequena burguesia equivocada como sempre, armando suas marchas. Provavelmente no Leblon, no Morumbi ou na Savassi. O Presidente da República de fato se equivocou ao falar que é preciso “extinguir o DEM”. Eles nõ precisam de ajuda para isso: desse jeito se extinguirão sozinhos::

 

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Um pensamento sobre “Continuam as observações estratégicas… Ah, todo mundo já sabe::Droga! Acontece!::

  1. Não ficou claro esse trecho: “ão é o caso do pessoal da ativa e, principalmente, dos novos oficiais que estão saindo das academias militares. A cabeça desses jovens é hoe a da pequena-burguesia de que fazem parte. É exatamente o que preocupa, no texto do JF (segundo ele, o “segundo perigo”): a pequena burguesia equivocada como sempre, armando suas marchas.”
    O perigo é a cabeça dos militares com média de idade de 70 anos do Clube Militar ou os jovens oficiais recém-formados? Qual dos dois tem “a cabeça da pequena-burguesia”?

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