A batalha do Rio de Janeiro::Não é uma “guerra”, é uma “batalha”::


causa:: dá o braço a torcer e, com ele, os parabéns à administração e à polícia do Rio de Janeiro. Estas, numa demonstração inusitada de vigor, restauraram a cadeia de autoridade na “Cidade Maravilhosa”. Sem hesitar, responderam à altura a um bando de pés-rapados que, protegidos pelas paredes de presídios de segurança máxima e pelas garantias que são inerentes ao estado de direito, insistem em desafiar o Estado. Não havia outra coisa a fazer, a não ser agir. O que impressionou a mim e a todos quantos prestem atenção no assunto foi a competência com que as autoridades e os planejadores distribuídos pela cadeia de comando, demonstraram – coisa que nem sempre acontece.

Vários dos aspectos que se observa na “batalha do Rio” já foram cantados, em diversos momentos, aqui no causa:: Por exemplo, a lapidar declaração do secretário de segurança do Rio de Janeiro, o delegado da Polícia Federal José Mariano Beltrame: ”Se tirou dessas pessoas o que nunca foi tirado: o território”. Essa é a base da questão, e todas as outras devem decorrer daí: não importa se o adversário for um Estado ou um grupo radical de oposição, derrotá-lo significará, antes de tudo, negar-lhe o uso do próprio território, por interdição ou ocupação, e desta forma, impedi-lo de fazer uso organizado da força. Só que a negação do terrotório fala de parte do território nacional. Não é o caso de “interditar” ou “ocupar”, mas “recuperar” através da presença do Estado como organizador da sociedade. É exatamente o que a estratégia das Unidades de Polícia Pacificadora está fazendo. E foi essa estratégia que motivou a reação desproporcional do “crime organizado” – que, no confronto, mostrou seus limites.

A estratégia de que os governantes lançaram mão está sendo de tal maneira inteligente que até mesmo a fuga do “exército do tráfico” (como se referiu a jornalista Fátima Bernardes, musa da desinformação das Organizações Globo, à turba de criminosos que corria para se salvar dos Fuzileiros Navais e da Polícia Militar) e suas “armas pesadas” (idem, idem) pode ser considerada produto dela. O tráfico, expulso dos morros e das “zonas de influência” em que, de modo informal e desorganizado dividiu a cidade durante anos, tinha transformado as enormes favelas da Vila Cruzeiro e do Alemão em um tipo de “santuário”. As forças policiais-militares poderiam entrar lá? Claro, mas a questão é que um confronto dentro de uma área fechada como é uma favela implicaria numa possibilidade considerável de que o lugar acabasse destruído ou muito danificado. Não podemos, em momento algum, esquecer que não estamos em guerra, que as favelas cariocas não são território inimigo e os cidadãos que lá residem são nossos compatriotas. Até mesmo numa guerra entre Estados, em certas situações são feitas considerações sobre a intensidade do emprego da força em função da segurança dos civis.

Isso leva à uma outra questão que está se respondendo por si mesma, e de forma cristalina – e é pedra que também já foi cantada aqui no causa:: – o  “crime organizado” tem, de fato, certa capacidade de organização, mas essa capacidade tem limites que agora estão ficando bem perceptíveis. A capacidade do tráfico, como organização, em estabelecer, perseguir e realizar objetivos está toda centrada em manter a venda drogas. Através da venda de drogas, os agentes da organização conseguem recursos para obter armas e bens de ostentação, além de prestar alguns serviços às comunidades que controlam – embora o controle, mesmo se dê pelo terror. Não existe nenhuma espécie de planejamento de longo prazo, estabelecimento de estratégias e determinação de prioridades; não existe intenção de formar quadros e aperfeiçoar as atividades. Tudo se resume a vender drogas e ostentar armas como forma de ostentar poder. Isso é determinado por um fato que ninguém parece querer examinar: trata-se de um movimento pré-político.

Ainda bem – se fosse um movimento político, estaríamos todos lascados, pois só um movimento político tem condições de praticar a guerra. O motivo, simples (e sempre atual), é que “a guerra é a continuação da política por outros meios”. Em contextos nos quais o Estado funciona (e o Estado ou funciona ou não funciona – não há meio-termo) movimentos pré-políticos não têm condições de oferecer-lhe oposição com qualquer possibilidade de sucesso. Neste sentido, é interessante a postulação do historiador Marco Pamplona: “os grupos que tomavam parte nos movimentos ditos pré-políticos não se apresentavam unificados, isto é, não possuíam um Estado nem partilhavam uma unidade cultural forte, como acontecia com os grupos e classes dominantes. Estes últimos estavam, na maioria das vezes, em posições de mando ou governo na sociedade e, não raro, se encontravam em condições, também, de fazer a história aparecer como sua história, isto é, do ’seu’ Estado e dos grupos pertencentes a esse Estado.” (se o assíduo estiver interessado em ler o artigo todo, clique aqui). Parece complicado, mas não é: os traficantes são produzidos por uma sociedade desbalanceada e fazem parte das chamadas “classes subalternas”, econômica e culturalmente submetidas. Não conseguem ver a própria história, e nem se situar num movimento mais geral. Sua história é a história das classes subordinadas, sejam elas denominadas “campesinato”, “proletariado”, ou como se quiser dizer. Não possuem uma ideologia que condicione a articulação das informações que consomem (e – acreditem – essa gente consome muita informação): a deles é a mesma dos grupos que controlam o Estado, devidamente amplificada pelos meios de comunicação de massa. Ou seja – traficante também vê a Globo. Essas informações fazem com que as classes subalternas transportem para sua vida privada contradições que não podem ser resolvidas.

“Coisa de esquerdista”, alguém já deve estar pensando… Querem ver? Aspirar ter bens de consumo, como roupas de marca e TVs de plasma é absolutamente legítimo. Mas, caso não se possa comprá-los, não se pode roubá-los (seja diretamente, seja roubando dinheiro para comprá-los no mercado), portanto, se deve continuar apenas aspirando a tê-los, algum dia, ainda que não seja nesta vida. Da mesma forma, consumir drogas é considerado por diversas categorias de formadores de opinião (que já têm bens de consumo para distingui-los) como decisão particular de foro íntimo, na qual ninguém pode se meter; por outro lado, vender drogas é crime que deve ser enfrentado com a força do Estado. Curiosamente, nesses dois exemplos mixurucas que mobilizei, subjaz a questão do mercado como lugar de interação e legitimação social – quando deveria ser a sociedade.

Antes que alguém aponte o dedo, a resposta é “não”. “Não” sou comunista (comunista é o Roberto Freire, o que significa que já não existem mais comunistas…) e “não” estou tentando demonizar o mercado. O que estou afirmando é que essas – e inúmeras outras – contradições são vividas dentro dos limites da ideologia dominante e que só serão resolvidas na esfera política, com o objetivo de reformar a sociedade.

Portanto, um grupo de marginais armados não trava guerra porque nunca fez política, e como a guerra é a continuação da política por outros meios, para travar uma um grupo precisa, antes de mais nada, de uma ideologia que os faça encontrar sentido na própria história. E não é coisa apenas de Estados. Como já foi dito, aqui mesmo no causa:: – “No Oriente Médio, na Caxemira, no Afeganistão e em diversas outras zonas de conflito, a guerra não é travada apenas por Estados organizados. Organizações políticas, milícias organizadas e redes fundamentalistas adquiriram poder suficiente para começar e dar continuidade à guerras. Podemos chamar essa nova fase de guerra pós-clausewitiziana.” Portanto, independente da intensidade, guerra, para ser guerra, pressupõe uma organização política, coisa que os traficantes cariocas não têm. Eles não são uma “narcoguerrilha”, termo inventado nos EUA, para justificar a intervenção na Colômbia e, eventualmente, em outros pontos da América Latina. O que define a “narcoguerrilha” é a existência, por trás do qualificativo “narco”, de uma ideologia. A apropriação dos recursos dos cartéis está a serviço de um objetivo maior – mudar a história. É a mesma coisa com os fundamentalistas islâmicos. Seus objetivos não são meramente continuar a ler o Corão ou a obrigar as mulheres a usar aquelas roupas horrorosas. Eles se explodem (e aos outros) porque estão buscando a reforma do mundo, dentro de padrões que consideram “justos”.

Não é o caso dos traficantes cariocas: esses não querem mudar coisa alguma. Se lhes for permitido continuar vendendo substâncias ilegais, comprando (ou roubando) armamento de infantaria e assim adquirir meios para comprar (ou se apoderar) de bens de ostentação, os problemas terminam e a cidade volta ao equilíbrio – que é um equilíbrio, além de precário, perverso, no qual o crime é tolerado pelas autoridades, tem consequências desastrosas (por exemplo, milhares de horas de trabalho e milhões de reais perdidos pela morte e ferimentos provocados por ações criminosas) e, à população, resta se virar num ambiente de insegurança perene. Não há política nem ideologia nisso, e quem disser que vê “fundo político” nas ações criminosas – como foi o caso do professor Tião Santos, coordenador da ONG Viva Rio – está equivocado e mistura alhos e bugalhos (mistura extremamente difícil de desfazer…). Mais espantosa é a declaração do professor Francisco Carlos Teixeira da Silva, que encontra semelhanças entre a batalha do Rio e as guerras do Iraque e do Afeganistão. Digo “espantosa” porque o site pilotado pelo doutor Francisco e seus alunos de pós-graduação é uma das leituras obrigatórias de causa::. Mas confesso que fiquei sem entender uma declaração de tal forma estapafúrdia feita por alguém que eu pensava ser especialista: “O que se assiste é uma guerra assimétrica que consiste em ações de grupos não estatais contra o Estado. Eles usam métodos terroristas. Ainda é um conflito de baixa intensidade porque não usa artilharia pesada, mas equivale ao que se vê hoje no Afeganistão e no Iraque. Nosso erro foi reconhecer tardiamente a situação…” (Leia a íntegra da matéria publicada em O Globo, aqui).

Devagar com o andor: não existe guerra nem isso aqui é a Faixa de Gaza ou a cidade de Falujah (onde o exército dos EUA suou sangue para entrar). Alguém precisa explicar ao professor Francisco que “guerra assimétrica”, na origem do conceito (que remonta a um estudo feito pelo Estado-maior conjunto das Forças Armadas dos EUA em 1955) refere-se a um conflito generalizado no qual se observa uma diferença notável de capacidade entre os dois lados. Atualmente, entende-se que em conflitos assimétricos a resposta de um dos lados, ao enfrentar o outro, assume que não há igualdade de forças, e emprega táticas não convencionais. Essa forma de operar implica em grande diferença, no que refere à organização, treinamento e mobilização de sistemas de armas. O teórico militar Steven Metz soma a tudo isso a indicação de que um dos lados tentará, com choque ou confusão, produzir tal impacto psicológico que chegue a afetar a iniciativa, a liberdade de ação ou os desejos do oponente. Até aí, certamente podemos ver na ação do tráfico carioca táticas assimétricas. A questão é que a determinação das vulnerabilidades do adversário, dos métodos, táticas e sistemas de armas requer estudos anteriores  sobre o oponente e implicará no emprego de armas e tecnologias inovadoras e não-tradicionais. Volto a repetir: esse tipo de guerra, como qualquer guerra, pressupõe uma ideologia e uma organização política que as quadrilhas cariocas não têm. Eles são meros subprodutos de uma sociedade hierarquizada e desigual, e são direcionados à ação pela mesma ideologia que cimenta o conjunto da sociedade. Não pretendem implodir a sociedade da qual são parte integrante: pretendem, tão-somente continuar levando a própria vidinha.

As cenas vistas na televisão são impressionantes para o leigo que vive a insegurança diária provocada pelo descontrole urbano. Um especialista veria no “exército do tráfico” um efetivo de companhia de infantaria, sem nenhuma organização militar e simplesmente debandando; um especialista também saberia a diferença entre um tanque e um transporte blindado de pessoal; sabe que seis TBPs consistem força em nível de pelotão, e que esse nível de força só é empregado em situação de oposição quase nula – que era exatamente o caso. A aplicação de força foi clássica: destinou-se exclusivamente a prevenir baixas no lado das forças policiais.

É também muito provável que a decisão de não fechar a tal “rota de fuga” tenha sido intencional. Não seria difícil para a polícia desembarcar vinte ou trinta policiais do BOPE em algum ponto, com armas automáticas e uns cinco ou dez atiradores de elite, e garanto que o “exército do tráfico” teria permanecido engarrafado na Vila Cruzeiro. Os planejadores devem ter levado dois fatores em consideração.

O primeiro: a possibilidade de que a população da Vila acabasse refém dos traficantes. Este seria o pior dos mundos, visto que ou se aplica força total, com a possível destruição do lugar e número imprevisível de baixas colaterais, ou se negocia com os chefes do tráfico – e, em qualquer dos casos, o governo teria um enorme abacaxi político para descascar. A grande imprensa, que está pisando em ovos, pois é visível o apoio da população às medidas do governo, cairia em cima da “incompetência das autoridades”, o governador Cabral – em fim de mandato e prestes a iniciar outro – na frente de todas.

O segundo: engarrafar os traficantes e suas armas no Complexo do Alemão. A mobilização no dia 26 de novembro, de força em nível de batalhão de infantaria, e de grande número de policiais federais, permitiu que os inúmeros acessos do aglomerado de favelas fossem isolados. Os traficantes poderão, eventualmente, sair, misturados à população, mas terão de abandonar armas, munições e drogas. Muitos serão, provavelmente, identificados e presos. Neste caso, a entrada das forças policiais poderá se dar sem oposição, ou com oposição mínima.

Resta enfrentar as ações terroristas que estão sendo conduzidas nas ruas do Rio de Janeiro. Elas certamente têm essas características. Como foi dito acima, visam semear a confusão e o pânico e produzir impacto psicológico que afete a iniciativa, a liberdade de ação ou os objetivos do oponente. O que os líderes do tráfico não contaram foi com a decisão das autoridades em resistir e a intensidade da resposta. Talvez o governador do Rio de Janeiro tenha elaborado seus planos com base no exame da decisão do governo de São Paulo, em 2006, de negociar com a liderança da organização criminosa “Primeiro Comando da Capital”. A situação lá era semelhante, e essa decisão só não se transformou num desastre político de grandes proporções em função do abafamento dos fatos e de sua persistente negação pelo governo paulista (um ótimo exemplo aqui), desde então. Provavelmente, Cabral não quis repetir o erro, já que não tem o mesmo apoio da imprensa que o então potencial candidato a presidente pelo PSDB desfrutava.

Resumo da ópera: todas as providências tomadas pelas autoridades têm sido corretas e, por ser corretas, estão todas funcionando – exatamente por não caracterizarem um ambiente de guerra, mas de controle urbano. O Estado mobilizou, dentro de condições de respeito ao limites impostos pelo estado de direito em que vive o país, a intensidade adequada de aplicação de força; o uso de pessoal e equipamento militares se dá sob comando e supervisão das autoridades de segurança pública estaduais.

Vamos esperar, porque a operação policial-militar é muito impressionante, mas o que realmente importa é o “depois”. Medidas que resgatem as centenas de milhares de cidadãos brasileiros vivendo nessas comunidades urbanas, não para o Estado, mas para a Nação. Só assim deixaremos de ter de repetir o óbvio: não existe guerra::

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9 pensamentos sobre “A batalha do Rio de Janeiro::Não é uma “guerra”, é uma “batalha”::

  1. Parabéns.

    Uma das melhores (senão a melhor) análise da situação que encontrei em vários locais.

    Mas direi aqui o que não foi dito: aguardem a grita das ONGs do direitos “dos manos”…

  2. Seu pensamento é perfeito. Voce é Martin L.K. “frances”, o problema de comparar com tal qual é o que me preocupa. O silencio dos Bons. Precisamos de Líderes assim. Somos 10, quem sabe 1 milhão em breve.

  3. E pra complementar:
    CARAAAACA MALUKO. Demorou para postar sobre nossa GLÓRIOZA BATALHA. Pra ti é batalha. Pra mim esse post demorou 9 mêses. Continua Bitt, manda vê todo dia, comenta tudo pra nós ai. Até as bostas de noticias da Globo (cara, eu digo, pior que Globo é acessar R7..fim dos fim).

  4. Sensacional bitt, aliás, sigo um blog de um policial e veja o último post dele:
    “Amanhã é o dia D
    Não ia postar nada hoje até pq estava trabalhando, mas estarei novamente na luta amanhã pela manhã (5hs da matina) e dei uma passada rápida em casa só pra tomar um banho rápido, mudar a farda e voltar para o trabalho. Aproveitei para postar isso aqui pra vcs. Amanhã de manhã estarei no Complexo do Alemão. Torçam por mim, pela polícia e pela nossa vitória. Quando eu digo nossa, quero dizer a de toda a sociedade.

    Abraços, mataleone.”

    http://mataleonebr.blogspot.com/

  5. Caro Bitt!

    Após muito tempo volto a escrever. Não é por falta de visitas, mas por concordância e admiração mesmo.

    Desta vez parece que entendo as coisas um pouco diferentes.

    Você deu uma interessante definição de terrorista. Definição que eu chamaria de “clássica”. Mas coisas mudam creio que ela já não é mais absoluta.

    Acho que poderia propor uma nova definição, desta feita baseada não na “inspiração” da ação, mas ação em si.

    “Terrorista é quem ataca o Estado.”

    Sob este ponto de vista os traficantes do Rio tornaram-se terroristas com suas ações das últimas semanas. Ao agir sistematicamente promovendo o caos, eles atacaram o Estado. Para surpresa deles(e nossa!) o Estado reagiu à altura.

    E como diz o “filósofo”: Eles perderam!

    Ainda bem!

    Falta saber se o no final o Estado vai ganhar.

    Abraços!

  6. A cerca de um ano acompanho seu blogue , e assim o faço por sempre ter percebido em seus textos análises acertadas e esclarecedoras sobre os temas aqui abordados, principalmente no que diz respeito a assuntos inerentes a segurança publica, geralmente tendo como recorte o Rio de janeiro, características que também acredito possuir este acima porém o texto ao qual comento possui um aspecto com o qual não concordo (o que não significa nada além de que somos seres humanos e como tal possuímos idiossincrasias que resultam em opiniões divergentes ) o que não quer dizer que não tenha achato tal material soberbo.
    Sou estudante do 4 semestre do curso de Ciências Sociais Da Universidade Estadual de Santa Cruz, é entusiasta de questões militares, (o que não significa rigorosamente nada) que nem de longe possui seu conhecimento sobre doutrinas militares e seu emprego ou seu profundo conhecimento sobre materiais bélicos, pontos estes em que não tenho (nem poderia ter) nenhuma critica a vosso trabalho, em verdade não possuo nenhuma critica ao mesmo, mas apenas um ponto de discordância que será abordado a seguir.
    Mas antes gostaria de compartilhar com o já citado autor, caso não tenha a assistido a cobertura da “Ocupação” do complexo do alemão pela rede globo e seus repórteres altamente especializados no assunto que se referiram a um M113 como um taque PESADO que por incrível que pareça poderia ser utilizado em operações de resgate, e que até mesmo poderia transportar soldados se necessário. Análise esta que provavelmente será exibida novamente hoje no Fantástico, para que todos nos possamos aprender um pouco mais sobre material bélico. A propósito o já citado programa Pseudo jornalístico devera fornecer perolas inestimáveis sobre” a guerra” no RJ logo mais a noite .
    Por fim ciente que já enchi o saco do REDATOR finalmente abordo o tema em que discordo do mesmo, que pode ser sintetizado no recorte abaixo:
    “trata-se de um movimento pré-político”
    Acredito estar o redator correto ao argumentar que:
    “crime organizado” tem, de fato, certa capacidade de organização, mas essa capacidade tem limites que agora estão ficando bem perceptíveis. A capacidade do tráfico, como organização, em estabelecer, perseguir e realizar objetivos está toda centrada em manter a venda de drogas. Através da venda de drogas, os agentes da organização conseguem recursos para obter armas e bens de ostentação, além de prestar alguns serviços às comunidades que controlam – embora o controle, mesmo se dê pelo terror. Não existe nenhuma espécie de planejamento de longo prazo, estabelecimento de estratégias e determinação de prioridades; não existe intenção de formar quadros e aperfeiçoar as atividades. Tudo se resume a vender drogas e ostentar armas como forma de ostentar pode”
    Sim tudo se resume a ostentar armas e vender drogas, drogas são vendidas para prover suporte financeiro e ou logístico, armas são ostentadas para impor controle político sobre o dado local de atuação do grupo criminoso.
    Mas como assim controle político? Bom aqui e que descordo com o redator enquanto o mesmo acredita na possível existência de organizações apolíticas (pois se algo e pré político obviamente também é apolítico) conceito este que descordo pois mesmo quando beijamos nossa mãe estamos agindo de forma política (aqui não me refiro por exemplo “ser político” com alguém ou em função de algo que me traga benefícios em detrimento de outros, ou aceitar um mal menor para não causar um maior ou simplesmente mascarar seus verdadeiros sentimentos como o é utilizado pelo senso comum de forma pejorativa, mas sim ao fato de que toda relação social entre seres humanos e política, pois envolvem fins a serem conseguidos por meio de ações realizadas mesmo que tal fim seja o sorriso da sua mãe.
    Ou seja a ação do “crime organizado” e política pois mesmo que não tenha um planejamento a longo prazo, e não que do meu ponto de vista tal planejamento seja necessário para que algo seja classificado como político, tal organização pelo simples fato de ser uma organização é política pois não existe organização que não o seja, dois meninos que combinam de furtar um pirulito da loja de doces, estão realizando uma ação política não porque ela tenha por objetivo causar qualquer tipo de mudança social mas sim porque a própria ação realizada é política, porque toda relação dialética e política, porque toda relação humana é política .Concordo com o redator quando ele afirma que o “crime organizado” não é um movimento político pois em verdade não o é. Como assim não são um grupo político mas praticam política, certamente são um grupo e a meu ver praticam política mas não são um grupo político exatamente pelos motivos apresentados pelo redator
    “os grupos que tomavam parte nos movimentos ditos pré-políticos não se apresentavam unificados, isto é, não possuíam um Estado nem partilhavam uma unidade cultural forte”
    Não acredito que exista a necessidade de um estado para a existência de uma “grupo político” porem unidade cultural (que e algo que na verdade não existe, pós embora a feroz coerção social nos envolva a todos nenhum ser a assimilará ou responderá a ela da mesma forma nem ela se apresentara da mesma forma a todos) é algo fundamental pára a existência de um uma “grupo político” que por ser um grupo político tem como prerrogativa “lutar” por mudanças políticas ou manutenção da “ordem política vigente” e sem duvida nenhuma o “Crime organizado” não e um “grupo político” porem e político na medida em que todos nos o somos e pratica política na mediada em que todos nos a praticamos como seres sociais que somos.

    Meus parabéns pelo ótimo trabalho, é espero que O CAUSA continue trazendo informação aqueles que se interessassem ainda por muitos anos.

  7. Muito bom, gostei especialmente da análise das características e limites do tráfico e principalmente os comentários sobre a estratégia da operação. Afinal não somos israelenses e chamar o complexo do alemão de faixa de gaza é só uma figura de linguagem. Poder não ser tão espetacular mas o comedido e calculado uso de força foi um diferencial. E de fato, foi bem legal ver que os próprios traficantes foram relembrados de seus limites.

    De qualquer modo apesar da pirotecnia e imagens o que fica ainda é o duelo de vontades e os próximos meses dirão quem ganha a guerra. O estado em ocupar ou o tráfico em corromper e retomar o território. Ainda há muito a ser feito, mas um equilibrio de forças, mais favorável ao estado, parece despontar.

  8. Bitt, excelente análise da situação do Rio! Agora, que a “Guerra do Alemão” (na definição midiática) parece terminada, devo dizer que estou surpreso. Não esperava tanta determinação das autoridades do RJ, tampouco uma colaboração tão efetiva das FA, cujo material bélico foi o suporte que fez toda a diferença – o “Caveirão” é um VBTT improvisado que pode facilmente ser detido; já com o M113 o buraco é mais embaixo… Parece que se resolveu acabar com a palhaçada disfaçada de “respeito aos direitos dos cidadãos” e tomou-se uma série de providências simples, mas fundamentais, como isolar os lideres presos e os cúmplices recém-capturados, prender mulheres e familiares dos bandidos apenados que os representavam fora da cadeia, assim como os advogados pombos-correio, cúmplices mais do que conhecidos há muito anos. Tudo ao mesmo tempo da ação armada, de modo a “quebrar” qualquer tentativa de “protestos contra o arbítrio”. Deu certo, não se pode lutar contra o sucesso!

    Agora, o que mais me surpreendeu foi a rapidez com que a bandidagem botou o galho dentro. Eu esperava algum combate, não que fosse possível resistir às forças de assalto, isto nunca foi possível, era apenas questão de se querer fazer, mas para vitimar alguns moradores, o que daria margem para as ONG faveleiras, as de “direitos humanos” e o os “especialistas” que vêem uma nobre causa política por trás do tráfico nas favelas, mito que você desfez brilhantemente, a abrirem o berreiro contra o “massacre da população pobre e negra perpetrada pela elite branca”, de modo a paralisar a ação policial. Não aconteceu: alguns fugiram, quase certamente de mãos abanando, outros foram presos e a maioria escondeu as armas e se misturou à população, ajudando a constituir a famosa “maioria de cidadãos de bem, que por absoluta falta de opção se vê obrigada a morar em comunidades de baixa renda”, o desgastado mantra que vem embasando a inacreditável favelização do Rio.

    Em resumo, temos um caso de sucesso que pode ser replicado em qualquer outra favela que tenha se tornado fortaleza da bandidagem. Mas a ocupação deve continuar indefinidamente, senão a mencionada parte dos “cidadãos de bem da comunidade carente” desenterrará suas armas e voltará à ativa. Isto já aconteceu antes, aliás, na própria Vila Cruzeiro.

    Finalmente, duas coisas: A sua análise dos objetivos do tráfico é perfeita para o pessoal do “movimento”, mas os grandes traficantes, os que ficam com a parte do leão das centenas de bilhões que são movimentadas por ano pelo tráfico, que corrompem todos os poderes dos estados nacionais – o mal maior do tráfico – não têm ambições bem mais, digamos, elevadas? Eles chegam a controlar países inteiros! A outra coisa: você não acha que esta guerra é perdida, pois enquanto houver gente que deseja consumir haverá a produção e o tráfico? Que a medida paliativa de praticamente liberar o consumo, mas criminalizar o tráfico, é estúpida e hipócrita? Que para acabar de vez com este inferno, a solução não seria legalizar as drogas hoje ilegais?

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