A Guerra dos Seis Dias::O início dos problemas?::Que vitória foi essa, afinal?::

parte2Até hoje é questão de debate entre historiadores e cientistas políticos, se a guerra era mesmo necessária. De fato, analistas israelenses admitem que, desde 1956, os judeus foram responsáveis por 80% dos incidentes de fronteira com a Síria (embora aleguem o contrário) e também que o serviço de informações de Israel, o Mossad sabiam que Nasser não tinha condições políticas nem militares de se lançar numa guerra. Embora o historiador israelense Tom Segev (autor de um ótimo estudo sobre a sociedade israelense do pós-guerra: Israel in 1967. And the land changed its visage) admita essas possibilidades, alega em seu livro que “os israelenses estavam convencidos que ele queria destruir Israel”. Era o que aparecia na imprensa estrangeira, alimentada pela Agência Judaica. Mas até então, a política agressiva de Israel tinha sido contraproducente, em termos de resultados.

Seguev também alega que a agressividade árabe fortaleceu, no governo de Israel, a idéia de uma “defesa preventiva”, baseada em dois princípios: ataques aéreos preemptivos e movimentos rápidos de tropas blindadas e motorizadas, criando zonas de defesa avançadas. Estrategicamente, a guerra foi um sucesso estrondoso: Israel atingiu todos os objetivos, e ainda se viu em posição de grande vantagem estratégica. A imagem de Davi derrotando Golias atraiu alguma simpatia para a nação judaica, da opinião pública internacional, e particularmente nos EUA.

Em seu livro, Segev lista o que considera as principais consequências da guerra: os judeus orientais, fortemente marginalizados na sociedade israelense, mas parte importante das FDI, tiveram seu papel reconhecido e foram plenamente integrados. Muitos desses israelenses, entretanto, acabaram reforçando o o nacionalismo de direita, que, antes minoritário, passou a ser visto como legítimo por boa parte da população. A ascensão política de Menachem Begin (em certa feita chamado de “nazista” por ben Gurion) começou então). Os israelenses descobriram os palestinos; Israel, até então um estado fundamentalmente laico, se abriu ao judaísmo, a religião.

Entretanto, a vitória parece ter desorientado mesmo a população de Israel. Nos anos seguintes, começou a ser observado um resultado curioso: uma parcela considerável, não apenas dos habitantes de lá, como dos judeus por todo o mundo, viu a vitória-relâmpago como um sinal de que o povo de Deus estava finalmente reconquistando a simpatia do Criador.

De início, parece que nem todos os os israelenses perderam a cabeça: depois da vitória, o general Moshe Dayan, foi à Mesquita Dourada de Jerusalém e tirou os sapatos, cumprindo o ritual muçulmano em sinal de respeito. Em junho de 1967, no início das operações militares, Dayan tinha dito que aquela não era “uma guerra de conquista”. O general, ao que parece, tinha consciência de que uma disputa militar e política não poderia se transformar numa guerra religiosa, visto que esta seria muito mais difícil de resolver. Essa idéia, aparentemente, não se sustentou por muito tempo e, já no fim daquele ano, o governo israelense tinha abandonado o projeto de devolução integral dos territórios árabes ocupados.
 
 A interpretação da vitória estimulou o judaísmo, gerando uma forma local de fundamentalismo. Seguev observa que, logo depois da guerra, a maioria dos israelenses acreditava que “a ocupação seria apenas temporária”, mas o próprio governo passou a estimular a idéia de uma guerra perpétua sem solução diplomática possível. Essa idéia fortaleceu setores de direita, que, por volta dos anos 1970, começaram a se entender com o movimento fundamentalista que, a partir dos EUA, ganhava força. Um dos melhores exemplos dessa ascensão foi o movimento do rabino ortodoxo Meir Kahane, que se tornou, tanto nos EUA quanto em Israel, conhecido por promover a idéia de uma “Grande Israel” que seria a expressão política da Israel Bíblica. O movimento de Kahane não era, entretanto, nem o único nem o mais barulhento. Movimentos nacionalistas deram força para o radicalismo que se recusava a discutir a devolução de Jerusalem, e passaram a falar na cidade unificada como capital do estado judeu.Esses movimentos condenam o acordo de paz entre palestinos e israelenses, que prevê a devolução dos territórios conquistados por Israel. Para eles, a entrega de terras bíblicas, como Hebron, Jericó e Nablus, na Cisjordânia, é uma afronta à vontade de Deus. Ela contraria a aspiração judaica do retorno a uma época similar à do do rei Davi, que por volta de 1000 a.C. pacificou a região e transformou Jerusalém em centro religioso. A efervescência dessas idéias levou ao assassinato, em 1995, do primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin, mentor do acordo de paz ao lado de Yasser Arafat. O culpado, Yigal Amir, era membro de um grupo fundamentalista, o Eyal, e justifica sua atitude afirmando que Rabin era um traidor do ideal judaico por devolver regiões ocupadas aos palestinos. 
Seguev considera que “o sionismo deu um tiro no pé quando o governo decidiu anexar o setor oriental de Jerusalém, sem consultar um jurista. Com este gesto, impediu qualquer possibilidade de paz. Seguiu-se a colonização”. Segev rejeita o argumento do historiador israelense Benny Morris, de lamentar hoje que Israel não tenha “concluído a tarefa”, expulsando os palestinos da Cisjordânia em 1967: “Essa questão é moralmente ilegítima… Seria um crime contra a humanidade”. Seguev também levanta a questão de que o sionismo usou a religião como argumento nacionalista de modo a consolidar a própria posição, e o fizeram antes de que árabes e palestinos descobrissem essa retórica. De toda forma, Morris tem contribuído para a revisão (ver a página 45 e as seguintes desse recurso de pesquisa, em espanhol) dos mitos fundadores do estado de Israel. Essa linha provavelmente ainda dará muito o que falar, agora que os historiadores dessa corrente – Avi Shlaim, Ilan Pappé, Simcha Flapan, além de Morris e Seguev,  promovem uma reescrita da história, se tornam mais conhecidos. Quem sabe, qualquer hora dessas, a Guerra dos Seis Dias também acabará revista, não como vitória militar, mas como origem dos problemas atuais da região::

Um sistema de armas às terças::Centurion-Sh´ot::Se não o melhor, um dos melhores::

E causa:: volta com a mais popular das colunas (essa coisa chama “coluna”..? Socorro, alguém que entenda do assunto!!!): “Uma sistema de armas as terças”, para quem já se deliciou com “Uma moça às segundas“, lá no PD. Sinceramente? A moça é jóia, mas sou mais o tanque… Divirtam-se! 

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Em 1943, o Departamento de Projetos de Tanques do Exército britânico foi consultado sobre um novo tanque pesado, designado A41. A preocupação maior do alto comando era a ameaça dos canhões alemães de 88 mm, e o Ministério da Guerra demandava um aumento da resistência geral, confiabilidade,  e a capacidade de resistir ao impacto direto de um “eight-eight“. Tudo isso sem superar o peso de 40 t – capacidade máxima das carretas de transporte usadas na época…

O DPT respondeu apresentando um desenho no qual uma suspensão de seis rodetes de retorno, em que o espaço entre o segundo e o terceiro rodetes era aumentado. A suspensão adotada foi do tipo Horstman, com molas horizontais externas. O casco foi desenhado em torno da blindagem inclinada (sloop armor) preparado para receber uma torre parcialmente fundida montando um canhão de alta velocidade e 76,2 mm (“17 libras”, na referência inglesa). A planta de potência era a Rolls-Royce Meteor, uma versão para tanques do motor Merlin de 20 cilindros.

Logo ficou claro que um veículo de 40 toneladas ,não seria capaz de resistir a impactos de 88 mm. Fora isso, o desenho mostrou-se soberbo, nos testes, de modo que o projeto de uma versão mais pesada logo foi iniciado. O A41 mostrava ter a resistência dos tanques de infantaria e a velocidade e agilidade dos tanques-cruzadores. Seu desempenho acabou convencendo o alto comando britânico a criar designação de “tanque universal”, que eliminava a diferença entre os dois tipos de veículo. O protótipo de 40 t foi denominado “Centurion Mark I”.

O Mark I apresentava certas características de desenho que o igualavam ao Pantera alemão e ao T-34 soviético: blindagem muito dura com desenho sloop em todas as superfícies frontais, e uma torre com forte proteção. Ainda assim, mostrou-se razoavelmente veloz e muito manobrável. Logo surgiu uma versão Mark II, com blindagem aumentada. Foi essa versão que entrou em produção de série, embora não a tempo para participar de qualquer das frentes da Segunda Guerra Mundial.

Pouco antes da entrada em serviço, a Real Fábrica de Artilharia completou os testes de um canhão de 84 mm (“20 libras”), que se mostrou extremamente potente. Esse foi o armamento principal da versão Mark III do Centurion, montado numa torre totalmente fundida. A nova versão também incorporou um sistema de estabilização automatizado para o canhão, de modo a possibilitar tiros mais precisos em movimento, motor mais potente e novo sistema de pontaria. A produção do Mark III começou em 1948-49, tornando-se a versão padrão do exército britânico.

Centurion Mk II em exposição no Museu Militar do Reduto, nos EUA

Centurion Mk II em exposição no Museu Militar do Reduto, nos EUA

 

 

Em meados dos anos 1950, o aparecimento do tanque soviético T-54 levou a que os britânicos se convencessem da necessidade de redesenhar o Centurion, de modo a dota-lo da versão L/7 (para tanques) do canhão L/52 de 105 mm. Este projeto, completado poucos anos antes, se mostrou extremamente bem-sucedido. Todas as versões do tanque, nos vinte anos seguintes, utilizaram o canhão L/7 como armamento principal.

O Centurion foi produzido até 1962, e continuou em serviço, no exército britânico e nos países da Commonwealth até 1980. Variantes especializadas (veículos de engenharia de combate e de manutenção de campanha) estiveram na ativa até 1994. Os Centurions participaram da Guerra da Coréia e da Guerra do Vietnam (em unidades autralianas) e estiveram nos regimentos aquartelados na Alemanha durante a Guerra Fria. A versão de demolição viu ação na operação “Tempestade no Deserto”, em 1991.

Um lote de Centurions Mark III foi entregue a Israel em 1963, dos estoques ingleses. Até então, o principal tanque do inventário israeli era o Sherman M-50, norte-americano, que tinha passado por diversas adaptações locais. A opção pelo Centurion foi feita depois que os norte-americanos recusaram-se a fornecer os tanques M-48 Patton, capazes de fazer frente aos T-54 e T-55 entregues pela URSS aos exércitos do Egito e Síria.

As FDI tiveram, no início, grandes problemas de treinamento e manutenção com os Centurions. O sistema, projetado tendo em vista as condições européias, mostrou-se muito frágil para o tipo de terreno encontrado no Oriente Médio. As constantes falhas mecânicas acabaram por levar os israelis a recolherem todos os Centurions disponíveis e proceder uma completa reengenharia da parte mecânica. Além do mais, os próprios norte-americanos afirmavam que o canhão de 84 mm da versão Mark III era insuficiente para encarar a blindagem de mais de 100 mm dos novos tanques soviéticos. Em 1965, Israel adquiriu alguns M-48 da Alemanha e várias centenas de canhões L7 diretamente dos britânicos, peças instaladas nos Centurions. O resultado foi um tanque bastante diferente da versão original, razão pela qual foi re-designado de

Concepção artistica da primeira versão do Sh´ot, estando bem visivel o canhão L/7
Concepção artística da primeira versão do Sh´ot, estando bem visível o canhão L/7

Sh´ot (“Açoite”) pelas FDI. Em 1966, as dificuldades financeiras britânicas os fizeram aceitar a participação de Israel no projeto do tanque de batalha (Main Battle Tank, ou MBT, em inglês) Chieftain. Além da participação no projeto, os ingleses abriram aos judeus a oportunidade de adquirir mais três centenas de Centurions Mark V disponíveis em seus estoques. Todos esses foram convertidos para a versão Sh´ot, e tiveram participação destacada na Guerra dos Seis Dias: os M-48 jordanianos foram amplamente derrotados pelos tanques israelis repotenciados. Depois da guerra, os M-48 e até mesmo os Sherman M-50 receberam o upgrade planejado para os Centurion. Por outro lado, a superioridade de desempenho do motor Continental instalado nos M-48 norte-americanos levou Israel a substituir a planta de potência original de seus Mark III e V por versões importadas desse motor.

Depois de 1967, entretanto, o governo britânico, seguindo a tendência européia, passou a não entregar sistemas de armas de última geração aos países do Oriente Médio. O resultado foi o cancelamento da participação de Israel no projeto do novo  tanque de batalha britânico. Prevendo a dificuldade em conseguir, futuramente, armamento de primeira qualidade, o governo determinou que a indústria militar local iniciasse o projeto para dotar as FDI de um tanque totalmente fabricado nacionalmente. Essa foi a origem do projeto Merkava, mas enquanto este não era posto em serviço (o que só iria acontecer no início dos anos 1980), a solução foi a compra de todos os lotes disponíveis de Centurions, e do M-60 (uma versão muito melhorada do M-48) diretamente dos EUA.

A experiência militar de Israel resultou em diversas modificações nos aproximadamente 550 Centurions que passaram por suas unidades blindadas. A disponibilidade, pelos principais adversários árabes, dos mais modernos blindados do arsenal soviético obrigou a constantes respostas, em termos de modernização e aumento do armamento. Em meados dos anos 1990, dificilmente os projetistas do A41 de 1945 reconheceriam seu projeto; mesmo a silhueta do tanque tinha mudado fortemente. Foi nessa época que ampla disponibilidade do modelo local Merkava levou à retirada de serviço dos últimos Centurions.

O filminho a seguir é muito interessante, por mostrar as capacidades de manobra e velocidade do Centurion, e, no final, o método de pontaria desenvolvido pelos ingleses no final dos anos 1950 e que se tornou padrão até o surgimento dos telêmetros a laser.

http://www.youtube.com/watch?v=STSJdT2Ih_o

 

A Guerra dos Seis Dias::O início dos problemas?::

A trégua foi declarada unilateralmente pelos dois oponentes, o que parece um paradoxo. E é: tanto Israel quanto o Hamas consideram que “o outro lado” ainda está em posição beligerante, embora, tecnicamente, não haja guerra…E os dois lados estão mesmo. É difícil de entender, mas para infantes israelis, militantes do Hamas e os civis dos dois lados, pelo menos é possível relaxar. E, para nós aqui, é possível voltar a uma tentativa de análise minimamente desapaixonada.

 

O redator fanático por tecnologia e doutrinas militares tentará incursionar pela política e pela história – embora reconheça que tem gente mais qualificada para tanto… No caso desse caldeirão que é o a Palestina, pode-se até escolher uma data e um evento. Todos eles se misturam para delinear a tragédia atual. Vamos então escolher uma e ir adiante.

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Consideremos então a Guerra dos Seis Dias, entre os dias 5 e 10 de junho de 1967.  Num exemplo brilhante de guerra de movimento, Israel derrotou os exércitos do Egito, Síria e Jordânia, ocupou a Península do Sinai e Faixa de Gaza, do primeiro, a Cisjordânia e o setor oriental de Jerusalém, da segunda e as colinas de Golã, da terceira. O mapa geopolítico do Oriente Médio viu mudar o traçado estabelecido entre 1948 e 1956. De quebra, o embargo de armas pelos tradicionais fornecedores europeus, particularmente a França, tornou a nação judia ainda mais dependente da simpatia americana. E abriu o problema dos territórios árabes ocupados. Pode-se dizer que Israel ganhou a guerra e perdeu a paz.

Essa vitória inaugurou o mito da invencibilidade israelense. Segundo se costuma ler por aí (existem muito material acessível na Internet…), depois de uma série de provocações da Síria, estimuladas pela União Soviética, o presidente da República Árabe Unida, Nasser, pediu a retirada da força de paz das Nações Unidas na Península do Sinai (estava lá desde 1956) e fechou o Estreito de Tiro, em 22 de maio, bloqueando o acesso marítimo israelense ao Mar Vermelho. Ao mesmo tempo, grandes deslocamentos de tropas egípcias da RAU colocaram exércitos às portas de Israel num total de mais de 600.000 efetivos. O governo israelense tomou essas ações como atos de guerra e lançou um ataque aéreo preventivo, destruindo as forças aéreas inimigas no solo, em menos de três horas.

Neste primeiro dia, os árabes perderam mais de 400 aviões; Israel perdeu 22, abatidos pela defesa anti-aérea. Privando o adversário de apoio aéreo aproximado, adquiriu uma vantagem decisiva nas batalhas de movimento acontecidas em seguida, no deserto. Embora a superioridade numérica árabe fosse teoricamente esmagadora, a situação tática era totalmente favorável aos judeus. A hipótese de destroçar as forças de defesa árabes não tinha sido considerada até então, mas a desorientação que se seguiu, particularmente no Egito, levou a que as Forças de Defesa de Israel considerassem afastar os adversários de suas fronteiras, ocupando parcelas do território daqueles.

Assim, as forças blindadas e a infantaria motorizada de Israel deslocaram-se rapidamente para a Península do Sinai e Faixa de Gaza, cercando a maioria do exército egípcio, que se viu isolado de suas bases – naquele momento debaixo de forte pressão pela Força Aérea de Israel – e sem acesso a reforços e suprimentos. No segundo dia, quando o desastre já estava desenhado, o presidente do Egito telefonou ao rei Hussein, encorajando-o a lutar, alegando que as forças egípcias estavam penetrando o território de Israel desde a manhã daquele dia. Nasser vinha recebendo informes incorretos de seu Estado-maior, que não queria admitir a falta de informações e a confusão na linha de frente. A Jordânia acabou derrotada em pouco mais de 24 horas, mas foi o único dentre os aliados árabes que ensaiou ações ofensivas contra Israel e, nos últimos dois dias, conseguiu impedir que Israel tomasse Aman.

O resultado foi a ocupação da metade oriental de Jerusalém e a Cisjordânia.

A Jordânia não era o adversário principal, e Israel apressou-se a aceitar o cessar- fogo proposto pelas Nações Unidas. A ofensiva jordaniana tinha obrigado as FDI a dividir forças. Acordado o cessar-fogo, Israel tratou de redirecionar forças blindadas e infantaria para o Sinai, iniciando uma grande ofensiva no final do dia seguinte, concentrando com três brigadas blindadas, duas motorizadas e uma de paraquedistas, além de grande quantidade de infantaria convencional (transportada em todos os veículos motorizados que podiam andar, em Israel, boa parte deles dirigidos por civis convocados às pressas). Debaixo do forte embargo europeu, Israel tinha problemas de suprimentos, principalmente gasolina e lubrificantes, importados em grande quantidade da Itália. Assim, a guerra só poderia durar poucos dias. Todos os recursos das FDI forma lançados no Sinai. Os egpcios recuaram desordenadamente para a margem oriental do Canal, abandonando virtualmente todo seu equipamento. No final do dia 10, as FDI controlavam toda a Península do Sinai e o Egito aceitou o cessar-fogo. A Síria aceitou em seguida, o que para Israel foi providencial, visto que as bem entrincheiradas forças sírias, aferradas ao terreno acidentado da região, ofereceram maior resistência do que era esperado.

Foi realmente uma vitória avassaladora: a guerra foi decidida em quatro dias, e somente não acabou antes devido à inesperada resistência do exército jordaniano (Israel não esperava que o rei Hussein cerrasse fileiras com seus parceiros republicanos e nacionalistas). O resultado lançou a população de Israel num estado de euforia coletiva. O esfacelamento da coalizão árabe trouxe, como uma espécie de “bônus extra” a conquista do setor árabe de Jerusalém e de todo o território da “Israel Bíblica”, e estimulou interpretações religiosas da guerra e a fantasia de uma “Grande Israel”, estabelecida no território bíblico.

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Pois é, essa passou a ser uma fonte de problemas, ou, quem sabe, uma das fontes de problemas… Em breve, vamos, continuaremos o assunto. Não é pouco assunto…