biblioteca básica de causa::2ª GM, parte1::

Conforme foi esclarecido no post de ontem, fiquei de acionar o blogue das boas causas, de tempos em tempos, com postagens curtas, de modo a não deixa-lo totalmente inativo. Como foram publicados, ao longo do tempo de existência dele, 302 artigos, imaginei se não seria interessante elaborar “bibliotecas”, ou seja, algumas relações de artigos, arranjados por temáticas. Nunca fiz uma estatística, mas suponho que artigos sobre a 2ª GM sejam a maior parte do material disponível neste espaço. Portanto, começo por este tema, em duas partes. Espero que venha a ser de alguma utilidade para todos os atuais e futuros frequentadores::

Biblioteca básica::2ª GM::1ª parte::2007-2008-2009

62 anos, esta noite::Okinawa, o moedor de carne (25/07/2007)

Aos famosos poucos, uma satisfação::Isto não é “adeus”, é “até logo”::

Faz uns quatro meses, publiquei o último post deste blogue, por sinal atualização de um dos primeiros textos colocados aqui, em 2007. Cinco anos atrás. Ao longo deste tempo, causa:: tem sido, dentre as atividades que mantenho, uma das que mais me dá prazer. Só que as outras atividades, que nem sempre me dão assim tanta satisfação, têm tomado boa parte de meu tempo. A maior parte, dizendo melhor. Ultimamente, embarquei em algo que tem me parecido mais uma aventura: escrever um livro sobre a 2ª GM. No início, pareceu fácil: conheço bastante sobre o tema, tenho uma boa biblioteca específica (uns mil títulos, entre livros convencionais e eletrônicos), e já escrevi bastante sobre o assunto – aqui no blogue das boas causas. Só pareceu: bastou iniciar o esboço do projeto para que ficasse claro as dificuldades envolvidas nele. A maior delas: como conceituar o assunto?

Enquanto dava cabeçadas nessa questão, atraquei-me com dois calhamaços recentemente descobertos: “The Second World War”, do historiador militar inglês Antony Beevor (para a página do autor, com uma ótima resenha sobre o livro, aqui; para o blogue de Beevor, aqui), na edição para Kindle, e “A Guerra e a Paz na História Moderna”, do jurista norte americano Philip Bobbitt (uma entrevista sobre o livro e seus temas, aqui). Não sei dizer quantas paginas tem o livro, já que não tentei aprender a contar páginas em e-books, mas o livro é grande. Beevor é um ex aluno da Real Academia militar de Sandhurst, e discípulo de outro grande nome do ramo: John Keegan (espero que não seja preciso dizer que Keegan é o mais renomado historiador militar da atualidade, falecido recentemente). Na esteira de Keegan, Beevor faz parte de uma fornada de “novos historiadores militares” (dentre os quais podemos citar sir Max Hastings, Andrew Roberts e o norte americano Steven Ambrose, dentre os mais conhecidos) que abandonaram a abordagem estritamente técnica da guerra e a inseriram em contextos mais amplos, onde a política e a sociedade são partes integrantes não do pano de fundo, mas do desenrolar do conflito. Esses “novos historiadores” mobilizam, com grande intensidade fontes dentre as que são atualmente chamadas pelos historiadores profissionais de “alternativas”: história oral colhida a partir de militares e civis, fontes jornalísticas e literárias. Para o leitor, esta nova forma de explicar os conflitos torna a leitura menos árida. Só que Beevor tem um ponto interessante: sua “história da Segunda Guerra Mundial” recua, entre idas e vindas, a 1931, com a tentativa de expansão japonesa para a China e a guerra daí resultante. De fato, essa visão mais ampla das origens da guerra, colocando suas raízes nos problemas políticos resultantes da paz de Versalhes, em 1919, não era novidade: diversos autores especializados apelam para essa periodização, mas dificilmente as “histórias da 2ª GM” entram em detalhes sobre os antecedentes do conflito. O próprio Beevor desce a detalhes com relação à problemática militar, mas não chegava a aprofundar sobre os antecedentes. Ao estabelecer o projeto do livro, decidi que, se pretendo fazer algo minimamente original, não poderia apenas “contar a guerra” – gente muito competente e capaz já havia cumprido tal tarefa, e eu poderia, se tanto, copiá-los. Caso eu pretendesse fazer algo que valesse o trabalho, teria de encontrar um “gancho”. E esse “gancho”estava no livro de Bobbitt, e em seu conceito de “longa guerra”.

Não explicarei em detalhes – pretendo que, dentro de alguns anos, as pessoas se animem a comprar o livro (se é que vai sair…) para descobrir. mas adianto: Bobbitt oferece um interessante conceito, que coloca a 2ª GM numa perpectiva mais ampla: uma luta entre fascismo, comunismo e democracia representativa pelo espólio dos i´mpérios europeus constituidos ao longo da Idade Moderna. Melhor ainda: a 2ª GM teria sido apenas uma das “campanhas” da “Longa Guerra dos Estados-nações”, guerra que teria se prolongado até os anos 1990.

Pretendo que meu texto gire em torno desse conceito e, de fato, vários dos pequenos textos que já publiquei no blogue apontam nessa direção. O próprio desenvolvimento técnico do “fazer a guerra”, abordado anos atrás, de forma magistral em “Uma história da guerra” de John Keegan (se não é um livro definitivo, é quase…) é um indicativo da amplitude dos acontecimentos e de sua temporalidade estendida. Claro que não tenho a menor intenção de chegar até a Guerra Fria e muito menos recuar até a Guerra dos Trinta Anos, como Bobbitt faz. Mas reconhecer a articulação da 2ª GM com os acontecimentos mundiais que se iniciam na segunda metade dos Oitocentos. Qualquer estudant de história entenderá do que estou falando. Os assíduos de causa:: também.

Assim, resolvi comunicar aos meus dez leitores contadinhos que estou decretando um recesso do blogue. Esses “famosos poucos”, que me tem dado o prazer da companhia ao longo desses cinco anos, sabem que cada um dos textos que coloco aqui demanda, por vezes, semanas de pesquisa. Sem problema: gosto de pesquisar, é parte de meu trabalho e algo que faço bem. Mas não sei se conseguirei manter o blogue em atividade diante da pesquisa bibliográfica e do projeto de redação que tenho diante de mim. Vou tentar publicar alguma coisa no causa:: de tempos em tempos, para não deixar o blogue totalmente inativo. Mas certamente essas postagens não terão o volume e o cuidado que tenho feito questão de que sejam a característica desta “ferramenta de pesquisa”.

Então, é isto. Como eu disse acima, não é um “adeus”, mas um “até logo”. E podem esperar – o pior que pode acontecer é, caso eu não conseguir levar o projeto do livro adiante, o texto aparecer aqui no causa::, dentro de uns dois anos, como se fosse um folhetim. O futuro dirá::

Um debate sobre o Rafale entre dois rafalistas::

Tive a grata surpresa de encontrar, na área de comentários da última postagem sobre o Rafale, o longo comentário do leitor (espero que assíduo…) Francisco AMX. O Francisco reclamava de minha parcialidade em torno do Eurofighter Typhoon, e resolveu assumir a defesa do Rafale. Mas o comentário é de tal forma consistente que resolvi transferir tudo da área de comentários para a área principal, como uma espécie de “contrapostagem”. Ao longo do ótimo texto do cara, que parece entender do assunto e estar atualizado, farei algumas observações para esclarecer minha posição. De cara, posso dizer que, ao contrário do que entendeu o Francisco, sou rafalista, e não tímido. O problema é que o texto foi editado a partir de uma fonte indicada, e o autor, este sim, parece adepto do Typhoon. De toda maneira, agradeço pela intervenção, e gostaria de contar sempre com comentários desse naipe::

Eu até ia comentar num “sentido” imparcial, mas percebi, sem muita dificuldade, que sua “análise” final ficou afetada, nota-se isso pela maior exposição de argumentos pró-tufão… Levemente, mas ficou (e o engraçado é que você se diz um torcedor/defensor do Rafale, caberia ao amigo contestar não acha? Ou não conseguiu?) [nota de causa:: sou “rafalista” do radomo ao exaustor do propulsor. Mas, como estava escrito lá, o texto é uma tradução editada a partir de uma fonte, que estava indicada. O autor do original, comentando o MMCRA indiano, é que parece ser typhoonista] Falam em agilidade superior do Typhoon, mas o que o mundo presencia, constantemente, são os “prêmios” de melhor apresentação nas últimas grandes feiras de aviação internacional, e em baixas velocidades!!! Seria mérito apenas do piloto? [nota de causa:: sobre a agilidade superior do Typhoon, é o único aspecto em que, acho, essa aeronave pontuaria. Digo isso pela posição dos canards, coisa que está bem colocada no texto. Os do Typhoon foram projetados para implementar a manobrabilidade da aeronave, o que caracterizaria uma aeronave de superioridade aérea, enquanto os do Rafale fornecem sustentação adicional (o tal do “arrasto erodinâmico”), o que implementa a carga alar e, por consequência, a estabilidade, mas não a agilidade. Segundo a documentação a que tive acesso, esses aspectos de uma e de outra aeronaves, foram comprovados em túnel de vento] Sobre o radar… Ora, o RBE2 AESA já está integrado, fará parte dos novos lotes F3 do Rafale a partir de 2012-2013. O radar CAESAR, pelo que se tem notícia recente, apenas engatinha, e com a crise, você realmente acha que estará pronto e integrado em 2014? Sou capaz de afirmar que não fica pronto em menos de 7 anos! [nota de causa:: não acho que devamos discutir o CAESAR, pelo simples fato de que, na vida real, não existe ainda tal coisa. O que existe é o CAPTOR, e o RBE2, um PESA, lhe é superior, menos no que tange ao alcance. Mas este aspecto pode ser compensado por implementação tática de enlace de dados, visto que o radar francês pode receber e tratar informações vindas de outras fontes] Esqueceram, também, eu não sei se falam isso na íntegra, de dizer que o Typhoon em seu T1 é tão diferente do atual que não poderá ser modernizado!? Que modernidade é esta? Isso eu chamaria de aventura, pois o projeto é caquético! Falam em projeto moderno, mas e o conceito? O conceito moderno de se ter uma aeronave multimissão de fato!? O Typhoon nunca foi pensado assim, logo, hoje, acaba sofrendo na integração de armas ar-solo e sensores externos… Eles se “encaixam”, mas integrar à aeronave que seria o correto… Aparece bem em fotos com muitas GBLus, isso sim… [nota de causa:: suponho que o Francisco esteja falando do “Tranche 1”, uma primeira versão do Typhoon, biplace, que entrou em serviço no início do século 21 e agora está sendo preparada para modernização. Era basicamente uma plataforma de treinamento e adaptação, e não consegui maiores informações do que isso, mas acho que não foi essa a versão oferecida aos EAU, mas alguma coisa resultante da adaptação do “Tranche 2”, introduzido em 2006-2007, inicialmente a versão de superioridade aérea. Esta versão agora está sendo encaminhada para modernização, um programa chamado de “lote 5”. Dizem eles que terá características multimissão] O Rafale além de ser multipropósito é capaz de mudar de missão em pleno vôo, desde que carregue as armas adequadas, o Typhoon não! Comentaram sobre as AASMs? [nota de causa:: abreviatura de Armament Air-Sol Modulaire, ou “armamento modular ar-solo”, que, ao que se diz, foi testado com êxito na Líbia. É um tipo de míssil que é “montado” conforme o propósito da missão, em torno de uma bomba convencional] E sua atual capacidade de acertar alvos em movimento? [nota de causa:: a capacidade de identificar, selecionar e acertar alvos em movimento está ligada ao sistema GMTI/MMTI, integrado aos radares de abertura sintética. O CAPTOR é um radar deste tipo, e deve ter também essa capacidade. Mas sem dúvida, não tão eficiente quanto o RBE2, em função da capacidade superior dos radares padrão PESA em operarem mapeamento dinâmico de solo. Essa capacidade também está ligada a capacidade interna da aeronave em processar informações em tempo real, e não busquei comparações entre Rafale e Typhoon, neste aspecto. O que sei é que o computador central do Rafale é um monstro de 128 processadores] Outra coisa, se um caça tem disponível um míssil como o Meteor, por que pensar em AMRAM? O Meteor utiliza a tecnologia RAMJET, logo além de mais moderno, terá maior alcance efetivo [nota de causa::até onde sei, o Meteor, que ainda não está em serviço, é um produto da MBDA, e estará disponível para ambas as aeronaves] e o Mica IR, um míssil infravermelho com TVC capaz de alcançar 30/35km de NEZ… Qual AIM-9 tem esta capacidade? Sobre o SPECTRA, ele é bem mais do que você expôs… Na verdade só encontra um rival no F-35… Exercícios realizados nos EAU, dão conta de que o Rafale superou o Typhoon de tal maneira que os emires continuam insistindo no Rafale, esperneando pelo preço, mas não largam o osso… [nota de causa:: Neste aspecto, acho que os emires estão certíssimos, e espero que nossos negociadores, se é que existem, façam exatamente a mesma coisa::

O Natal de causa::Presentes para assíduos e não assíduos::

Como os assíduos devem ter notado (se é que continuam assíduos…) causa:: anda meio em férias – forçadas. Mas como é fim de ano, Natal, etc, eu já estava pensando em um tema que fechasse condignamente este ano de muitos temas que mereceriam exame mas poucos posts que o fizessem. Mas sobretudo, um ano que me surpreendeu com muitas visitas. Sem que eu consiga entender exatamente o motivo, o blogue das boas causas, mesmo tendo ficado praticamente parado depois de maio, manteve a média de 8500 visitas mensais… (no andor do santo, serão 98000 visitas, este ano).

Considero este meu presente de fim de ano. Um presentão, porque causa:: é um de meus mais antigos e queridos projetos. Assim, resolvi retribuir da melhor maneira possível – com alguns novos posts.

Assim, vão, em seguida, dois “presentes”, para assíduos e não assíduos. O primeiro deles resulta de um levantamento que fiz nas centenas de páginas que já escrevi, e que costituem uma espécie de “reserva técnica” do blogue. Só que esse material consiste em anotações, umas mais, outras menos, editadas. Encontrei lá algumas quase prontas, dentre as quais uma que se destinava a constituir a segunda parte de estudo que estava sendo publicado no causa:: em 2009, sobre a evolução das armas de fogo. Este segue em primeiro, no post seguinte. Destina-se à árvore de Natal dos leitores interessados em história da tecnologia militar.

O segundo presente é uma prenda natalina para os interessados em questões mais recentes. Resultou do fato de que, ao examinar o site após quase um mês sem sequer olhar para cá, descobri alguns comentários e uma – digamos… – prenda do leitor (não sei se assíduo) André Arruda. Não conhecia o André, até o momento. Parece tratar-se de um ótimo fotógrafo, dedicado a clicar pessoas e… “aviões“. Após passear durante uns bons vinte minutos pelo site do cara, fiquei imaginando o que ele e sua camera não fariam com máquinas de guerra (faltam bons fotógrafos de temas militaes, em nossa imprensa). Porque “aviões”, pelo que vi, ele clica muito bem. André brindou-me com um comentário algo enigmático, dias atrás…

Quem quiser saber mais, vá até o post, que irei publicar amanhã (não por acaso, véspera de Natal…). Espero que todos os amigos, próximos e distantes, gostem, e se considerem presenteados. E que continuem brindando-me, durante o ano de 2012, com suas visitas – como eu disse acima, eu não poderia receber maior presente, de Natal, e de todas as outras datas que possa imaginar…::

Diário de viagem das férias de causa::Sobre democracia, crises e bombeiros::

Pois é… Ninguém ainda reclamou que causa:: está de férias já vão mais de dois meses. O que não significa que, neste período, eu não tenha visitado o blogue com frequência: alguns de meus próprios recursos de pesquisa estão plantados nele. Um de meus objetivos sempre foi esse: compor, para meu próprio benefício, uma pequena enciclopédia, facilmente acessível, de assuntos aleatórios em torno de temas militares, estratégia, e seus desdobramentos. E, nessas visitas, não tive como não ficar que feliz e algo pimpão ao verificar que o número de visitas diárias manteve-se constante. Com satisfação, noto que o benefício migrou para outras pessoas, que continuam a ver interesse no conjunto de postagens e, possivelmente, nas indicações de recursos de pesquisa. Tive, recentemente, duas demonstrações desse palpite – um tanto egocêntrico, reconheço: artigos do blogue foram citados por um catálogo de museu e durante um simpósio acadêmico.

Assim, sinto-me animado a continuar, apesar de uma curiosa falta de assunto que me assola – e o interessante é que assuntos não faltam. As revoltas populares no Oriente Médio, os dilemas da OTAN, que parece cada vez mais sem função; a special op meio bufa, que resultou na morte de Osama bin Laden; o estado de guerra entre Líbia e as potências (atualmente nem tão potências assim…) européias; a postura cada vez mais “assertiva” da China, cujas forças armadas crescem de maneira notável – e dentre esse crescimento, o mais notável é o da Marinha (os gastos chineses em defesa mais do que dobraram), coisa que pode indicar pretensões de projeção estratégica de poder. Também poderíamos dizer que a crise econômica européia, com a recente bancarrota da Irlanda, Grécia e Portugal, que logo podem ser seguidas por Espanha e Itália, é assunto de interesse estratégico e militar, pois já está provocando contração nos gastos militares locais. Essa contração – por sinal, observada em todo o mundo – poderá significar que logo teremos generosos oferecimentos das indústrias militares européias, de sistemas de armas modernos em condições de pai para filho. O que isso poderá significar, para nosso país? Sabe-se lá. As principais pendências das forças armadas brasileiras continuam em suspenso: não se fala mais nos caças, nem nos navios de superfície. De positivo, a aquisição, pelo Exército, de uma nova linha de VBTPs (“Viatura Blindada de Transporte de Pessoal”) – o “Guarani”, a ser fabricada pela IVECO, em Minas Gerais. Fala-se da incorporação, nos próximos 15 anos,  de algo em torno de dois e meio milhares de unidades; também anda sendo discutida a substituição do FAL como arma padrão da força terrestre.  Também poderia ser um bom assunto a aquisição, pela MB, de oito aeronaves C1Trader, dos estoques na Marinha dos EUA. Trata-se de um modelo adequado às funções de COD (Cargo Onboard Delivery, ou seja, “Abastecimento direto a bordo”) e REVO (“Reabastecimento em vôo”). São aeronaves obsoletas, mas passarão por programas de modernização, nos EUA. O que isto pode significar? Que, a médio prazo, a MB tem planos de adquirir um outro navio-aeródromo, de maior porte, e talvez ampliar a aviação naval. Ao que parece, estamos às vésperas de uma significativa reestruturação da Marinha, que se seguirá à que vem sendo feita, desde os anos 1980, nas outras forças singulares. As principais unidades da Força Terrestre tem sido retiradas das grandes cidades e transferidas para as fronteiras; a FAB começa a reposicionar seus principais meios. No caso do EB, a tendência é que nos grandes centros fiquem as organizações de ensino e treinamento, administrativas e de referência; a FAB pretende voltar parte de sua atenção para o “vazio amazônico” e para as “fronteiras verdes” onde o EB já se encontra, com seus “Pelotões de Fronteiras”, suas excelentes unidades de infantaria de selva e parte das unidades aeromóveis. A integração terá de ser considerada visto que a FAB deverá oferecer ao EB e às polícias capacidade de vigilância aérea avançada (Early Air Warning) e apoio aéreo. É claro que, em termos de Brasil, nunca se sabe, visto que os políticos daqui, independente da coloração e de serem governo ou oposição, parecem achar que o país não precisa de forças armadas (temos de admitir que a excessão foi o governo Lula, e isto os próprios militares reconhecem).

Mas o assunto militar que me pareceu mais interessante não diz respeito propriamente às forças armadas, mas à uma das “forças auxiliares” – como são chamadas, eufemisticamente, algumas das corporações policiais brasileiras: a greve do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro.

Por que? Alguns dos assíduos devem lembrar que causa::andou mexendo no assunto. Emboran ninguém pareça lembrar que os bombeiros fazem parte das corporações militares estaduais, os “soldados do fogo”, militarizados desde o final do século 19, são parte  das pequenas forças militares com que, no início do século passado, foram dotados os governos estaduais. Essas forças tinham por função manter a ordem interna (que dizer: o poder nas mãos certas), tornando mais difícil a intervenção do governo federal nos assuntos locais. De toda forma, PMs e bombeiros são corporações militares, reguladas por regras diversas daquelas que regem as categorias civis da sociedade.

E é esse o “xis” da questão: até onde eu saiba, militares não podem fazer greve. Esta é uma característica estritas dessas corporações, em todo o mundo, em função de terem sua base plantada sobre os princípios da disciplina e da hierarquia.

As corporações militares não são democracias. Isto é o mesmo que dizer que, num estado de direito, estão subordinadas aos poderes civis, e são diretamente comandadas pelo chefe do estado, visto que as FAs fazem parte da estrutura permanente do estado. Por outro lado, as regras que regem e dirimem conflitos em outras categorias da sociedade civil não têm efeito no cotidiano militar.  Vale dizer: num estado de direito, a sociedade civil é caracterizada pelo respeito à lei, pluralidade de idéias e pelo conflito mediado. Nas FAs, em última análise, o conflito não existe e as ordens e determinações de comandantes designados independente de consulta pública devem ser obedecidas sem questionamento – e ponto final. Existem mecanismos que possibilitam a um subordinado reclamar de uma ordem injusta ou de um comportamento considerado inaceitável, por parte de um comandante, mas esses mecanismos são constituídos por canais estritos, e não se assemelham aqueles vigentes na sociedade civil. Se a tropa tem reivindicações, estas devem estar de acordo com o regulamento (por exemplo: não é possível reivindicar a mudança do modelo de uniforme ou da saudação militar) e devem subir seguindo a cadeia de comando, até onde se encontre um agente autorizado a examiná-las – sempre dentro do regulamento. Pressupõe-se, entretanto, que certas questões, por serem de juízo superior, não podem ser discutidas e muito menos postas em dúvida. Questões salariais são uma dessas.

Um soldado, ou grupo deles, que se recuse a cumprir o regulamento estará comentendo uma violação gravíssima: rompendo a cadeia de comando. Em qualquer país do mundo, democrático ou não, isto tem um nome: insubordinação. Assim, “greve” numa corporação militar não passa de motim; passeata de militares, abandono não autorizado de posto. Motim não é justificável: o militar amotinado é excluído e penalizado. O abandono de posto até pode ser eventualmente justificado, mas depois de ser o transgressor preso e submetido a procedimento disciplinar. 

Assim, em primeiro lugar, a “greve” do CBMRJ é gravíssimo caso de indisciplina militar, e como tal deve ser tratado. Mas é também um angu de caroço político, dados os fatores que o cozinharam e o temperam, a começar pelo fato de que os bombeiros são muito mal pagos, e a população civil é amplamente simpática à corporação e a seus membros. Os bombeiros estão dentre as poucas categorias profissionais amadas pela sociedade (de forma mais-ou-menos semelhante, só consigo lembrar dos professores primários e de ensino médio, que os governos também vem maltratando, sistematicamente, há mais de trinta anos…). É interessante observar que até mesmo a imprensa, que não passa dia sem falar no “excesso de gastos com o serviço público” (e frequentemente acusa grevistas: causam problemas e atrapalham tudo, do trânsito à vida dos homens bons) tem colocado como “justas” as reivindicações dos soldados do fogo. A invasão do Quartel Central, no Rio tornou a situação ainda mais complicada, visto que a atitude do governador – que, em princípio, não poderia ter sido outra – de ordenar o uso da força para retomada das instalações daquela organização militar e a prisão de 429 efetivos envolvidos, catalisou a simpatia da população da cidade. Talvez facilite um pouco imaginar os soldados do BOPE entrando em greve e invadindo  o quartel da Rua Campo Belo, e logo depois, os “caveiras” promovendo uma passeata na Avenida Atlântica. É muito pouco provável que os moradores das redondezas estendessem panos negros nas janelas, como fizeram no dia do evento.

Toda essa situação foi precipitada pelo estado de penúria em que vivem  esses profissionais e, por extensão, suas famílias. Afinal, a profunda cisão que existe na sociedade brasileira, com elites gozando de todos os privilégios e a grande massa popular vivendo com dificuldades, repete-se nas forças armadas. O uso que vinha sendo feito pelo governo do estado do Funesbom, formado pela arrecadação da “taxa de incêndio”, é prova acabada do modo perverso como tais vicissitudes batem continência nas corporações militares. Tal situação tornou-se mais perceptível na medida em que, nos últimos anos, o desenvolvimento econômico do país, que possibilitou maiores chances de progresso pessoal e social a profisionais com qualificação técnica, também colocou em evidência a má situação social e econômica das categorias militares. O “oba-oba” do governo com relação ao sucesso econômico (culminando com a conversa do “pibão”, no início do ano) teve como efeito colateral evidenciar o fato de que esse mesmo governo (considerando todas os níveis), tem deixado seus servidores como última prioridade. As autoridades pedem “sacrifícios” e “paciência” a categorias que não fazem outra coisa – e no caso das categorias militares, sem instrumento algum de negociação.

A panela de pressão apitou, como se dizia em meu tempo de estudante. O apito, em minha opinião, avisa que a “questão militar” tem de ser tratada pelas autoridades com maior seriedade, e não com a tática de empurrar com a barriga e tentar jogar a opinião pública contra elas – tática por sinal usada com todo o serviço público. O governador do Rio de Janeiro, pelo modo como enfrentou a crise, parecia não dispor de informações completas sobre o problema. Quando teve de se manifestar sobre o evento do Quartel Central, o fez de meneira totalmente inepta. Pouco tempo atrás, Cabral tomou a atitude inédita – podemos dizer, histórica – de restabelecer a autoridade civil e a ordem sobre um enclave controlado por marginais armados. Naquele episódio, agiu com ponderação notável; já neste… Deveria ter chamado a atenção do público para a questão da hierarquia e da disciplina, e colocadado a questão salarial de forma honesta e direta. Preferiu invocar histórias chorosas e não comprovadas sobre “criancinhas postas em risco por baderneiros e inocentes úteis” e tentar uma saída pela tangente: oferecer gratificações que não resolveriam nada.

A mesma coisa, certamente, não acontecerá com a outra força militar estadual: a PMERJ – esta muito mais perigosa do que os simpáticos bombeiros. E é altamente improvável que aconteça nas forças armadas regulares, onde a disciplina estrita mantém tais situações sob controle. Claro que sempre pode aparecer um maluco do tipo do capitão paraquedista Jair Bolsonaro, que, em 1987, mostrou-se disposto a usar seus conhecimentos técnicos como forma de protesto contra os baixos salários que tornavam os oficiais militares reféns de administradoras de imóveis e agiotas. É muito mais provável que oficiais da FAB cada vez mais peçam dispensa muito antes do tempo para usar o excelente treinamento como pilotos de asa fixa e asa rotativa – pago com meu-seu-nosso dinheirinho – em empresas de taxi aéreo; e que oficiais e graduados da Marinha dêem baixa para ocupar lugar nos passadiçoes e casas-de-máquinas dos supply vessels que abastecem as plataformas oceânicas que logo irão tornar nosso país o terceiro ou quarto maior produtor de petróleo do mundo… Essa situação, além de deixar bem claro o uso irracional feito do dinheiro público por nossas autoridades, torna o país potencialmente refém de qualquer potência média que venha a nos atacar. Mas… Somos um país pacífico, não é o que dizem?..::

O Natal de causa::Um presente de Natal para assíduos e não-assíduos::

Apesar do Natal ter sido semana passada, e estarmos às vésperas do Ano Novo e de seu primeiro dia, o Dia Mundial da Paz (não confundir com o “Dia Internacional da Paz”, comemorado em 21 de setembro), causa:: continua com espírito natalino. E, para comemorar as datas em grande estilo, e para anunciar as férias do blogue (nem eu nem os leitores somos de ferro…), bolei um presente que certamente agradará muita gente – em particular os apreciadores da história, da história militar, da política internacional, dos estudos estratégicos e da tecnologia militar. Que presente pode ser este?

Uma seleção dos melhores artigos já publicados no blogue, ao longo dos mais de três anos de sua trajetória.

Tenho certeza de que é um presente que não fará muita espécie aos assíduos – afinal, os dez ou onze visitantes frequentes acabaram se tornando meus parceiros de blogagem. Boa parte dos temas e dos desdobramentos são sugeridos a mim pelo Renato (de Brasília), Luís Candido (do Rio de Janeiro), Proftel (de Goiás) , Alba (de Santos), do doutor Bittencourt (do Rio de Janeiro), do Logan (suponho que este assíduo seja de São Paulo, mas não afirmo), Bruno Motta (do Rio de Janeiro) do Diogo (nunca percebi em que parte do país está o Diogo…), etc, etc., através dos comentários que frequentemente dirigem aos posts – muito frequentemente me chamando de volta à realidade. Entretanto, sei que esse pessoal entende do assunto e poderia se virar sem o blogue. Por outro lado, já tive várias notícias de que os posts tem utilidade para pessoas que, sem um conhecimento muito grande de causa (sem trocadilho), eventualmente precisam levantar informações, ou tem curiosidade, sobre os temas abordados aqui. Por vezes tenho a impressão (consultando as informações estatísticas disponibilizadas pelo portal WordPress – informações que nunca consegui confirmar), que a grande parte dos frequentadores eventuais de causa:: é constituída por estudantes do ensino médio e de graduação universitária, em busca de conteúdo para suas pesquisas escolares. De qualquer maneira, desde q o blogue existe, foram trezentos e poucos mil acessos, o que, para mim, é um sinal mais do que suficiente de que vale à pena gastar umas trinta horas mensais preparando os três ou quatro posts que consigo subir colocar no ar, a cada mês.

A seleção foi feita por mim com base em possível interesse que o tema abordado possa ter para quem busca informação sobre os assuntos. Deixei de lado meus delírios políticos e respectivas simpatias e antipatias, de modo que não entraram na lista coisas como a biografia de Hugo Chávez, as picuinhas com as Organizações Globo e os comentários sobre as políticas de segurança pública do Rio de Janeiro (por exemplo). Também ficaram fora da lista as “frases para pensar” e as “moças” e “rapazes” em uniforme, que me parecem sem grande utilidade a não ser pelo fato de que eu gostava de fazê-los. Por falta de tempo, tive de extingui-los, apesar de, por vezes, terem apresentado conteúdos que me agradaram bastante. Alguns dentre esses textos serão incluídos, quando eu os considerar, no todo ou em parte, relevantes. Mas nada foi retirado.

Também procurei organizar o conteúdo por tópicos, ou seja, as listas contêm entradas que se relacionam entre si através de assuntos gerais – por exemplo “História”, “História Militar”, “Estratégia”, “Tecnologia” e por aí vai. Trata-se, enfim, de uma espécie de “arquivo geral de causa::“, projeto que sempre acalentei e, sei lá porquê, nunca encaminhei.

A lista começa em seguida, em uma primeira edição. Irá sendo atualizada na medida do possível, ao longo do próximo ano, incluindo artigos publicados até dezembro de 2010. Espero que gostem e se divirtam, pois. O blogue sai do ar em janeiro. Voltaremos com força total no próximo mês. De toda forma, aproveitarei a oportunidade para, mais uma vez (e as vezes, sejam lá quantas forem, nunca serão suficientes), agradecer a companhia de todos, assíduos ou não, e dizer que, ao fim e ao cabo, quem mais aproveitou e curtiu esses mais de três anos fui eu mesmo.

Fiquem todos bem! Feliz Ano Novo!::

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causa:: ARQUIVO GERAL

História::

Minha comemoração particular do fim da Segunda Guerra Mundial:: Os custos econômicos da Segunda Guerra Mundial::(12 de agosto de 2008)

https://jbitten.wordpress.com/2008/08/12/minha-comemoracao-particular-do-fim-da-segunda-guerra-mundial-e-ainda-nao-chegou-ao-fim/

A Guerra dos Seis Dias::O início dos problemas?:: Que vitória foi essa, afinal?:: (31 de janeiro de 2009)https://jbitten.wordpress.com/2009/01/24/a-guerra-dos-seis-diaso-inicio-dos-problemas/

Nota: Primeiro artigo de uma série de dois sobre a Guerra dos Seis Dias (Oriente Médio, 1967) e as origens do radicalismo de direita na política israelense.

A Guerra dos Seis Dias::O início dos problemas?:: Que vitória foi essa, afinal?:: (31 de janeiro de 2009)https://jbitten.wordpress.com/2009/01/31/a-guerra-dos-seis-diaso-inicio-dos-problemasparte-2que-vitoria-foi-essa-afinal/

Nota: Segundo artigo de uma série de dois sobre a Guerra dos Seis Dias (Oriente Médio, 1967) e as origens do radicalismo de direita na política israelense.

Recordar é viver::Como o Ocidente costuma a tratar as nações árabes::https://jbitten.wordpress.com/2009/02/10/recordar-e-vivercomo-o-ocidente-constuma-a-tratar-as-nacoes-arabes/

Um rapaz (das Forças Especiais) às Terças::Dragões das Minas:: (21 de abril de 2009)https://jbitten.wordpress.com/2009/04/21/um-rapaz-das-forcas-especiais-as-tercasdragoes-das-minas/

Minha comemoração particular do fim da Segunda Guerra Mundial::Drops para o fim de semana::(29 de maio de 2010)https://jbitten.wordpress.com/2010/05/29/minha-comemoracao-particular-do-fim-da-segunda-guerra-mundialdrops-para-o-fim-de-semana-2/

Nota:Texto refletindo sobre as responsabilidades morais de indivíduos envolvidos em crimes contra a humanidade e crimes de guerra. Contém um atalho para um pós escrito do texto completo da filósofa Hannah Arendt, Eichmann em Jerusalém, de autoria da própria.

História Militar::

62 anos esta noite::Okinawa, o moedor de carne (25 de julho de 2007)https://jbitten.wordpress.com/2007/07/25/62-anos-esta-noite/

62 anos esta noite::Olímpica, mas nem tanto::(26 de julho de 2007)https://jbitten.wordpress.com/2007/07/26/62-anos-esta-noiteolimpica-mas-nem-tanto/

Algumas observações sobre o início da Segunda Guerra Mundial::(23 de junho de 2008)https://jbitten.wordpress.com/2008/06/23/algumas-observacoes-sobre-o-inicio-da-segunda-guerra-mundial/

Os limites da blitzkrieg – o auge e o começo da derrocada:: (25 de junho de 2008)https://jbitten.wordpress.com/2008/06/30/um-sistema-de-armas-da-segunda-guerra-mundial-e-claro-as-tercas-o-feio-o-mau-e-o-bom/

Toques para olhar fotos da 2ª Guerra Mundial:: (20 de fevereiro de 2019)https://jbitten.wordpress.com/2009/02/20/cultura-material-militartoques-para-olhar-fotos-da-2a-gm/

Cultura material militar::AERONAVES

Um sistema de armas às terças::Grumman F14A Tomcat da Forca Aérea da República Islâmica do Irã (09 de outubro de 2007)https://jbitten.wordpress.com/2007/10/09/um-sistema-de-armas-as-tercasgrumman-f14a-tomcat-da-forca-aerea-da-republica-islamica-do-ira/

Um sistema de armas às terças::Wild Weasels – sobre o Vietnam, os primórdios da guerra aérea moderna:: (23 de outubro de 2007)https://jbitten.wordpress.com/2007/10/23/um-sistema-de-armas-as-tercaswild-weasels-%e2%80%93-sobre-o-vietnam-os-primordios-da-guerra-aerea-moderna/

Nota: Primeiro artigo de uma série de dois sobre a origem da doutrina SEAD (Supression, Enemy Air Defense)

Um sistema de armas às terças::Wild Weasels – sobre o Vietnam, os primórdios da guerra aérea moderna:: (18 de agosto de 2008)https://jbitten.wordpress.com/2008/08/18/um-sistema-de-armas-as-tercaswild-weasels-%e2%80%93-sobre-o-vietnam-os-primordios-da-guerra-aerea-moderna-2/

Nota: Segundo artigo de uma série de dois sobre a origem da doutrina SEAD (Supression, Enemy Air Defense)

Um sistema de armas às terças::Supermarine Spitfire, a ferramenta dos “poucos”:: (16 de junho de 2008)https://jbitten.wordpress.com/2008/06/16/um-sistema-de-armas-da-segunda-guerra-mundial-e-claro-as-tercas/

Cultura material militar::ARMAS PORTÁTEIS

Sterling::Uma obra de arte quase desconhecida::(29 de janeiro de 2009)https://jbitten.wordpress.com/2009/01/29/eu-as-amo-e-as-odeiosterlinguma-obra-de-arte-quase-desconhecida/

Walther PP::A arma do comandante James Bond::tp://jbitten.wordpress.com/2009/02/13/eu-as-amo-e-as-odeiowalther-ppa-arma-do-comandante-james-bond/

A linhagem FAL:: (21 de abril de 2009)https://jbitten.wordpress.com/2009/04/21/cultura-material-militara-linhagem-fal/

Nota: Primeiro artigo de uma série de três, sobre o desenvolvimento do Fuzil Automatique Légere FN Herstal, de origem belga, e sua difusão entre as forças armadas da maioria dos países ocidentais, entre 1949 e 1967.

Cultura material militar::ARTILHARIA

Um sistema de armas às terças::Krupp Fliegendeabwehrkanonne 8,8 (28 de agosto de 2007)https://jbitten.wordpress.com/2007/08/28/um-sistema-de-armas-as-tercas-krupp-fliegendabwehrkanonne-88/

Um sistema de armas às terças:: Antey 2500 (S-300V) Mobile Universal Air Missile Defense System (25 de setembro de 2007)https://jbitten.wordpress.com/2007/09/25/um-sistema-de-armas-as-tercasantey-2500-s-300v-mobile-universal-air-missile-defense-system/

Um sistema de armas às terças:: Tor M1 9M330 (18 de setembro de 2009)https://jbitten.wordpress.com/2007/09/18/um-sistema-de-armas-as-tercas-tor-m1-9m330/

Uma historinha interessante: os foguetes do Hamas:: (17 de janeiro de 2009)https://jbitten.wordpress.com/2009/01/17/uma-historinha-interessante-os-foguetes-do-hamas/

Uma historinha interessante: os foguetes do Hamas:: O resto da historinha:: (18 de janeiro de 2009)https://jbitten.wordpress.com/2009/01/18/147/

Um sistema de armas às terças::Atomic Annie::A bomba-A chega ao varejo:: (11 de fevereiro de 2009)https://jbitten.wordpress.com/2009/02/11/um-sistema-de-armas-as-tercasatomic-anniea-bomba-a-chega-ao-varejo/

Cultura material militar::BLINDADOS

Maus::O pobre monstro (19 de julho de 2007)https://jbitten.wordpress.com/2007/07/19/maus-o-pobre-monstro/

Um sistema de armas às terças::O feio, o mau e o bom::(30 de junho de 2008)https://jbitten.wordpress.com/2008/06/30/um-sistema-de-armas-da-segunda-guerra-mundial-e-claro-as-tercas-o-feio-o-mau-e-o-bom/ 

Nota: Primeiro artigo de uma série de três, sobre o tanque norte-americano Sherman M-4

Um sistema de armas às terças::O feio, o mau e o bom::(03 de julho de 2008)https://jbitten.wordpress.com/2008/07/03/um-sitema-de-armas-da-segunda-guerra-mundial-e-claro-as-tercas-escolha-sua-arma/

Nota: Segundo artigo de uma série de três, sobre o tanque alemão Panzer IV

Um sistema de armas às terças::O feio, o mau e o bom::(08 de julho de 2008)https://jbitten.wordpress.com/2008/07/08/um-sistema-de-armas-da-segunda-guerra-mundial-e-claro-as-tercaso-feio-o-mau-e-o-bom/

Nota: Terceiro artigo de uma série de três, sobre o tanque soviético T-34

Um sistema de armas às terças::Centurion-Sh´ot:: Se não o melhor, um dos melhores:: (27 de janeiro de 2009)https://jbitten.wordpress.com/2009/01/27/um-sistema-de-armas-as-tercascenturion-sh%c2%b4otse-nao-o-melhor-um-dos-melhores/

Cultura material militar::HISTÓRIA DA TECNOLOGIA MILITAR

Bete Marrom, a amiga dos Casacos Vermelhos (27 de fevereiro de 2009)

https://jbitten.wordpress.com/2009/02/27/cultura-material-militarbete-marrom-a-amiga-dos-casacos-vermelhos/

Capacetes:: (18 de março de 2009)https://jbitten.wordpress.com/2009/03/18/cultura-material-militarcapacetesparte-i/

Nota: Primeiro artigo de uma série de três (até o momento, pois pode aumentar), sobre o desenvolvimento e difusão do uso do capacete militar durante a Primeira Guerra Mundial.

Capacetes:: (26 de março de 2009)https://jbitten.wordpress.com/2009/03/26/cultura-material-militarcapacetes-parte-2/

Nota: Segundo artigo de uma série de três (até o momento, pois pode aumentar), sobre a introdução do uso do capacete militar entre as forças imperiais russas e depois, de seu desenvolvimento na União Soviética.

Capacetes::(16 de abril de 2009)https://jbitten.wordpress.com/2009/04/16/minha-comemoracao-particular-do-fim-d-2a-gm/

Nota: Terceiro artigo de uma série de três (até o momento, pois pode aumentar), sobre a introdução do uso do capacete militar entre as forças alemãs, a partir da Primeira Guerra Mundial e seu desenvolvimento para o modelo adotado pela Wehrmacht a partir de 1935. Dividido em duas partes, esta é a primeira.

Capacetes:: (30 de abril de 2009)https://jbitten.wordpress.com/2009/04/30/cultura-material-militarcapacetes/

Nota: Terceiro artigo de uma série de três (até o momento, pois pode aumentar), sobre a introdução do uso do capacete militar entre as forças alemãs, a partir da Primeira Guerra Mundial e seu desenvolvimento para o modelo adotado pela Wehrmacht a partir de 1935. Dividido em duas partes, esta é a segunda.

Cultura material militar::MEIOS NAVAIS

Um sistema de armas às terças::KNM Skjold (04 de setembro de 2007)https://jbitten.wordpress.com/2007/09/04/um-sistema-de-armas-as-tercasknm-skjold/

Um sistema de armas às terças:: A arma submarina alemã: o argumento do mais fraco (no mar)::(19 de fevereiro de 2009)https://jbitten.wordpress.com/2009/02/19/um-sistema-de-armas-as-ahhh-quando-der-nao-tenho-tanto-tempo-quanto-gostaria/

Política internacional::Estratégia

Guerra e paz:: (06 de julho de 2007)https://jbitten.wordpress.com/2007/07/06/guerra-e-paz-2/

Nota: – Tradução de um texto do historiador britânico Eric Hobbsbawn.

Guerra sem limites:: (21 de agosto de 2008)https://jbitten.wordpress.com/2007/08/21/guerra-sem-limites/

Nota: Texto do professor Francisco Carlos Teixeira da Silva, transcrito do jornal O Globo de 18 de agosto de 2007)

Doutrinas de emprego de força 2::Uma resposta flexível, mas nem tanto:: (15 de setembro de 2007)https://jbitten.wordpress.com/2007/09/15/doutrinas-de-emprego-de-forca-2-uma-resposta-flexivel-mas-nem-tanto/

A guerra pós-clausewitziana:: (15 de outubro de 2010)https://jbitten.wordpress.com/2007/10/15/a-guerra-pos-clausewitziana/

A estratégia da guerra pós-clausewitziana::A estratégia da guerra pós-clausewitziana::(20 de outubro de 2010)https://jbitten.wordpress.com/2007/10/20/a-estrategia-da-guerra-pos-clausewitziana/

Nota: Tradução de artigo publicado na versão eletrônica do jorna The New York Times em 15 de outubro de 2007

Recordar é viver::Anos 70: Détente, SALT e outros questais:: (23 de abril de 2009) https://jbitten.wordpress.com/2009/04/23/recordar-e-viveranos-70-detente-salt-e-outros-quetais/

 

causa:: procura assunto::uma sugestão e cinco possibilidades::

O redator:: sempre tem disposição para publicar seus delírios em causa::, mas nem sempre (para ser honesto, quase nunca…) tem boas idéias (a última talvez tenha sido a análise histórica da trajetória do espantalho favorito de nossa vibrante imprensa – para conferir, aqui, aqui  e aqui). Desde então, os assíduos têm demonstrado paciência adiante do dever, reconheçamos todos.

Mas como o redator:: continua sem idéias razoáveis, resolveu fazer mais uma pequena mudança neste blogue que, aos trancos e barrancos, vai se agüentando já faz quase quatro anos: vai parar com essa bobagem de falar em terceira pessoa. Passará a falar diretamente ao possível leitor, e irá parar com esse delírio megalomaníaco de citar a si mesmo em negrito. Afinal, não há no mundo redator:: tão importante assim: nem mesmo os ínclitos Reinaldo Azevedo e Merval Pereira – que certamente se superam  este redator:: em megalomania e egolatria referem-se a si mesmos como “este importante colunista” ou este “brilhante intelectual” (por mais que saibamos que Se acham exatamente assim…)::

Pois está posto. Vamos ver agora se descolamos algum assunto.

Em primeiro lugar – já que toquei no tema: quando é que alguém vai comentar o “painel em defesa da democracia”, realizado semana passada no templo do senilidade liberticida, também conhecido como Clube Militar? Será que o Celso Barros, o Idelber Avelar ou o João Villaverde não se habilitam? Fica a sugestão.

Em segundo lugar – tem um tempão que as colunas de causa:: não saem. A mais popular entre os nove ou dez leitores – Cultura material militar:: – colocou, meses atrás, um estudo sobre a submetralhadora Erma MP38 e MP40, e parou. Pois a coluna irá voltar logo, com um texto que já está sendo escrito sobre um dos mais impressionantes veículos blindados já concebidos, até por ter sido (em opinião – ei! Olha eu aqui falando como gente!..), relativamente, um fracasso. Relativamente porque traduz, de certa forma, os limites da doutrina alemã da primeira fase da Segunda Guerra Mundial (em vou dizer qual é: exijo que os assíduos saibam, na ponta da língua). De que carro de combate (jargão do EB, herdado da Missão Francesa) estou falando? Claro, quem conhece o assunto sabe – o PzKpfW VI.

Também voltará, depois de longa ausência, Um rapaz (das Forças Especiais)::, no formato original: uma foto interessante e um pequeno comentário. A coluna surgiu inicialmente para que o blogue tivesse assunto mesmo quando eu não tivesse tempo para escrever coisas mais saborosas e substanciosas.

Os textos sobre estratégia e história também continuarão, porque certamente divertem os assíduos e talvez sejam úteis para estudantes do Segundo Grau e de graduação universitária que precisam fazer trabalhos escolares e não estejam querendo ter trabalho (o trocadilho infame é intencional). Afinal, já recebi muitos agradecimentos/elogios ao longo destes quatro anos, de meninos e meninas que tiveram o pescoço salvo pelos posts de causa::

Em terceiro lugar – para quem gosta do assunto, e lê inglês, recomento fortemente que dê uma passada por aqui. Trata-se do relatório final do Grupo de Trabalho – OTAN 2020 Assured Security; Dynamic Engagement. Com o fim da Guerra Fria, a OTAN tem procurado novos inimigos – afinal, para que serve uma aliança militar sem inimigos?.. A tentativa de apresentar o velho Pacto do Atlântico numa nova roupagem – que pode ser entendida como um novo conceito estratégico para a aliança. No relatório transparecem problemas que não foram identificados mais não estão bem dimensionados, e o principal deles é como serão as forças armadas voltadas para “ameaças não-convencionais”. Uma outra questão interessante é que os europeus bem que tentam, mas não conseguem deixar de se enxergar como estados nacionais. Essa dificuldade se reflete na tentativa de definir as “ameaças transnacionais” e de “Segurança Cooperativa”, um conceito que, por menos que fique claro, ainda deixa subjacente que a noção “fronteira” baliza toda a conceituação da aliança. Quem não tiver paciência para o jargão um tanto empolado desse tipo de relatório, pode ter uma idéia geral lendo este bom (mas não ótimo) resumo.

Em quarto lugar – coisa de um mês atrás fiz um longo comentário sobre o papel que imputo ao candidato Tiririca na consolidação de nossa democracia. Não sei que repercussão teve o texto, mas algumas opiniões contra e a favor foram levantadas. Pois bem: recomendo a leitura deste ótimo texto, que, por sinal, apresenta, em seu centro, um dos argumentos então levantados nos comentários que o post suscitou. É claro que suponho não ser a a argumentação levantada pelo texto de Alan Souza novidade para quem acompanhe o processo político brasileiro – e saque seus meandros. O argumento é resumido de maneira cartesiana neste trecho (o reproduzo como aperitivo, para que os assíduos se sintam incentivados): Em suma, Tiririca não é o problema maior desta campanha eleitoral. Aliás, penso mesmo que alguns dos que tão avidamente o consideram problema estejam bastante satisfeitos, pois enquanto se perde tempo criticando a candidatura de um palhaço, inúmeros mágicos, especialistas em tirar coelhos da cartola e em números de desaparecimento, continuam a circular livremente por trás e ao redor do picadeiro, livres dos holofotes. De fato, Alan, Tiririca não é o problema – o problema é o caráter da democracia brasileira, uma democracia excludente que divide o cenário (ou “picadeiro”, como você coloca) em atores e platéia, sendo que a platéia é geralmente admitida apenas como coadjuvante.

Em quinto lugar – impossível esquecer que no próximo dia 3 tem eleição presidencial. Gostaria de dizer que, vontade de votar, eu não tenho, mas se disser isto, estou desmerecendo a frase lapidar do muso de causa::, Winston Churchill (“a democracia é o pior sistema de governo”… etc., etc.). Assim, vamos às eleições, e que vença o menos pior. causa::, como bem sabem os nove ou dez assíduos, não tem posição política (ninguém é discriminado aqui pela sua, a não ser criptofascistas, escancaradofascistas e reacionários em geral). Assim, recomento a leitura dos quatro textos publicados no coletivo em rede Amálgama, onde quatro competentes analistas declaram, justificando, o próprio voto. Claro que declaração de voto não muda voto de ninguém (pelo menos ninguém que tenha juízo…) mas serve para como argumento para aqueles que já têm voto se convencerem do acerto da própria opção. Clique aqui, aqui, aqui e aqui e fique feliz por ter bom senso, ao contrário do resto do colégio eleitoral que optou por outro candidato.

Em sexto (e último, para não abusar do direito de encher a paciência dos pacientes nove ou dez assíduas) lugar – muito breve teremos a continuação do post sobre a os militares que a sociedade brasileira é capaz de prover a si mesma::