Um sistema de armas às … Quando der…::Oerlikon bitubo KD35::

Estive ocupado, esta semana, de modo que todos os posts atrasaram. Imagino a tristeza geral… Mas foi apenas um atraso. Continuo com o plano de atualizar posts antigos e interessantes, visto que causa:: já tem uns dois anos rolando (e umas 50.000 visitas… O que eu acho pouco, muito pouco…). Portanto, divirtam-se com um equipamento que integra o inventário do Exército Brasileiro, e é um item ainda totalmente operacional, em diversas forças armadas::

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A história. O canhão anti-aéreo bi-tubo KDA calibre 35 mm é uma arma destinada à defesa de ponto contra aeronaves em vôo de baixo nível e alta velocidade. Foi projetado na pela empresa Oerlikon, da cidade de Zurique, na Suiça, no início dos anos 50.

Um clássico: Oerlikon KDA 35 mm em bateria.

Um clássico: Oerlikon KDA 35 mm em bateria.

 

O canhão automático remonta ao período final da 1a GM. Foi desenvolvido por um engenheiro alemão que descobriu uma forma de diminuir a cadência de fogo diminuindo o efeito de “ação de recuo a gás” e, assim, a velocidade com que os cartuchos são admitidos na câmara. Introduzido em pequenas quantidades pelos alemães no fim da guerra, o canhão automático foi aperfeiçoado no período entreguerras, e se difundiu principalmente como armamento aéreo e anti-aéreo de defesa aproximada, tanto de solo como naval.

 

Oerlikon KDC. Defesa de ponto para belonaves, no caso, uma instalação Otomat, italiana.

Oerlikon KDC. Defesa de ponto para belonaves, no caso, uma instalação Otomat, italiana.

 

A Oerlikon entrou no ramo dos canhões automáticos quando, em meados dos anos 1920, adquiriu uma empresa que havia, logo após a guerra, adquirido a patente do canhão automático alemão. De posse desse desenho, já bastante aperfeiçoado, Oerlikon desenvolveu, no período entreguerras, um canhão calibre 20 mm que tanto servia para uso em aviões quanto em navios. Essa arma foi amplamente usada por todos os beligerantes, durante a 2a GM. Fabricada em diversas versões, sob licença, na Alemanha, Inglaterra e EUA, equipava até aviões japoneses. Conhecida como “Tipo S” (em função da munição utilizada) tornou-se a arma anti-aérea mais difundida da 2a GM.

 

O uso, amplamente disseminado durante a guerra, do bombardeio de picada e do ataque ao solo, conduzidos por ambos aeronaves muito ágeis contribuiu para aumentar a importância da artilharia anti-aérea de pequeno calibre. Conforme a guerra se desenrolava, o aumento da velocidade e da proteção das aeronaves logo obrigou ao aumento da cadência de fogo dessas armas, que, teoricamente, podiam alcançar até 450 salvas por minuto, mas, em combate, dificilmente alcançava mais de 180. A Wehrmacht começou a considerar o uso de canhões bitubo e quadritubo (conhecidos como Flak Vierling), embora tivesse dúvidas em torno da real eficácias dessas armas. Na metade da guerra, quando o calibre 20 mm começou a mostrar-se ineficaz, os alemães se voltaram para o calibre 37 mm, que vinha sendo desenvolvido desde os anos 1930.

Após a guerra, examinando alguns exemplares do canhão anti-aéreo alemão, os suíços chegaram à conclusão de que a munição de 37 mm alemã era muito mais eficiente que a utilizada no canhões AAe L60 aliados, baseados no modelo sueco Bofors. Um desenho totalmente novo, baseado no conceito alemão, resultou no cartucho 35X228 mm, pesando 550 gramas, HE (alto-explosivo), com velocidade de boca de 1175 m/s e alcance máximo de 4000 metros.

Em torno da munição 35X228 começou a ser projetado um canhão bitubo, 90 calibres, operação de recuo a gás, com uma cadência de tiro de 550 salvas por minuto por tubo, denominado KD. A série KD tem no KDA e no KDC seus principais itens, sendo o primeiro uma versão destinada a montagens terrestres e o KDC, a montagens navais. Colocada no mercado em 1959, veio a se tornar um dos mais bem-sucedidos produtos da indústria bélica suíça. A série C foi colocada em serviço em 1972, destinada à defesa de unidades navais.

Na atualidade: a série GDF.Os sistemas Oerlikon mais difundidos, as série GDF-001 até 005, alcançam uma cadência de fogo de até 1100 disparos. Na prática, os manuais recomendam rajadas de 2 segundos, o que significa 40 salvas por tubo, ou 80 salvas, ou um peso de fogo da ordem de 22 quilos em cada rajada. Essa capacidade de saturação pode ser ampliada pelo uso de duas unidades. A operação pode ser feita por um único artilheiro, é totalmente automatizada, sendo que a conteira (movimento lateral) e a elevação são controladas por motores elétricos de alto desempenho, acionados por joystick. 

A máxima eficiência do sistema exige a combinação das armas com unidades de controle de fogo baseadas em radar. Esse sistema, cujo nome comercial é Skyguard, é fabricado pela própria empresa. Colocada no mercado no final dos anos 1970, o Skyguard é instalado em um trailer, e pode ligar até 3 unidades bi-tubo, que passam a ser acionadas de maneira coordenada. O sistema comprende vários sub-sistemas: localizador de varredura ampla com identificador de intrusos (IFF) gerando acompanhamento e seleção de alvos. A aquisição de alvos pode ser feita por radar ou sistema optrônico baseado em TV, de modo a oferecer opções contra engajamento anti-radar. As baterias são controladas por rede de micro-ondas, podendo ou não haver interferência humana no acionamento final. O sistema é acompanhado por gerador e, com administração de energia, pode ficar ativo por até 36 horas.

Na atualidade, o Grupo Oerlikon-Contraves faz parte da Divisão de Produtos de Defesa Aérea do Grupo Rheinmetall, empresa alemã de longa tradição nesse mercado específico (longa mesmo – forneceram boa parte dos armamentos utilizados pela Alemanha nazista…). A empresa está desenvolvendo, juntamente com a britânica Royal Ordnance, um sistema de defesa anti-aérea e antimíssil denominado Millenium, projetado em torno do cartucho AHEAD. Trata-se de um sistema totalmente computadorizado, comandando um conjunto de canhões da versãoGDF-007, montados de modo a funcionar como canhão rotativo, monitorados por sistema de direção de tiro de alta precisão. O cartucho AHEAD (35X173mm) é o tipo de munição chamado “inteligente”: contém uma espoleta que é programada ao deixar o tubo, e “acompanha” a trajetória do alvo (geralmente um míssil ou projétil de carga oca). Ao explodir, libera fragmentos diante do alvo. A cadência desse fogo desse sistema pode ser regulada, variando o número de salvas. Por ser passivo, o projétil é resistente a todo tipo de contramedidas eletrônicas. O sistema também pode ser programado para engajar alvos aéreos a distâncias de até 2.500 metros e alvos de superfície a até 4.000 metros.

Oerlikon KDC 005. Base para os sistemas de defesa ativa pesquisados por norte-americanos e britânicos.

Oerlikon KDC 005. Base para os sistemas de defesa ativa pesquisados por norte-americanos e britânicos.

 

Um sistema semelhante, embora baseado no reparo norte-americano Bushmaster, para defesa ativa de veículos, está sendo projetado pela Rheinmetall, destinado à defesa aproximada de ponto.

 

Dados técnicos. Calibre – 35mm; Comprimento do cano (exceto nas versões GDF-006 e 007) – 90 calibres (31500 mm); Velocidade de boca -1175 m/s; Cadência de fogo – 2 x 550 = 1100 disp./min; Peso do conjunto (sem munição) – 7760 kg; Peso do conjunto (munição embarcada, 268 salvas por tubo) – 8200 kg.

Tipos de munição disponíveis (35X228): Anti-aéreas – HE (High Explosive – 550 grs); HEI (High Explosive Incendiary – 610 grs); Anti-carro – APDS (Armour Piercieng Discarding Sabot – 294 grs), APFSDS (Armor Piercing Fin Stabilized Discarding Sabot 375 grs); Defesa ativa de ponto – FAPDS (Frangible Armour Piercieng Discarding Sabot – 375 grs), AHEAD (Advanced Hit Efficiency And Destruction – 750 grs):: 

 

 

 

 

 

 

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