Um sistema de armas às terças::Wild Weasels – sobre o Vietnam, os primórdios da guerra aérea moderna::

Meses atrás, “postei” um artigo que falava sobre um dos aspectos da guerra aérea moderna -as missões SEAD. (Quer saber do que se trata? Leia o texto, ora!) Devia ter postado uma segunda parte, que, por motivos de minhas diversas e diversas atividades totalmente incongruentes entre si, não postei. Bom, de toda forma, e incongruências à parte, deveria ter postado, até pelo fato de que as pessoas que me brindaram com uma visita aquele texto talvez quisessem saber como acaba.

Bom, então, com algum atraso, vai a segunda parte. Peço desculpas pela inconstância (que é realmente um problema), e espero que se divirtam!::

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parte IIWild Weasels são, então, aeronaves especialmente modificadas para identificar, localizer e suprimir fisicamente, defesas aéreas inimigas baseadas em terra. A aeronave lança mísseis que adquirem o alvo monitorando a energia eletromagnética emitida pelo radar incorporado ao sistema inimigo. Para os modernos Wild Weasels, é suficiente que o radar seja ligado durante poucos segundos para que seu sinal seja rastreado.

Basicamente, as missões cumpridas por esse tipo de aeronave são as denominadas SEAD (Supression, Enemy Air Defense). O armamento mais comum nessas missões são os mísseis anti-radiação (ARM, em inglês), dos quais, atualmente, os mais comuns são o norte-americano AGM-88 HARM e o britânico ALARM. No entanto, outros armamentos podem ser usados em SEAD: qualquer um que destrua ou incapacite um elemento do sistema de defesa aérea do inimigo – por exemplo, pistas de pouso ou sistemas de telecomunicações militares.

Historicamente, as missões SEAD existem desde que o bombardeio tático tornou-se uma opção para garantir a superioridade sobre o teatro de operações. Na Segunda Guerra Mundial, tanto os Aliados quanto o Eixo desenvolveram uma gama de aeronaves especializadas em ataque ao solo, e, conforme as operações realizadas por essas aeronaves iam sendo desenvolvidas, os planejadores notaram que a cobertura de caças era impossível. Canhões e projéteis não-guiados e guiados foram sendo aperfeiçoados, tendo como principal qualidade a alta mobilidade e a rapidez de reação. Visto que o ataque de precisão ao solo implicava em diversos momentos em que o atacante ficava vulnerável, as missões passaram a incluir aeronaves especializadas em combater a defesa anti-aérea. Essas aeronaves passaram a receber blindagem mais pesada e armamento reforçado: canhões, metralhadoras e foguetes.

O aperfeiçoamento tanto da artilharia anti-aérea quanto dos meios eletrônicos e das aeronaves aumentou a dificuldade das missões desse tipo. Entretanto, foi no ambiente altamente complexo do Vietnam que essas missões chegaram a seu formato final, devido a dois fatores: primeiro, a instalação pelos soviéticos, em torno de Hanói, de baterias de SA-2 Guideline e, segundo, o surgimento, logo no início dos anos 60, do míssil anti-radiação AGM-45 Shrike.

Um evento não esteve diretamente ligado ao outro. O Shrike entrou em serviço em 1964, depois de ser desenvolvido durante alguns anos pelo Centro de Armamentos da Marinha dos EUA, com base no míssil ar-ar AIM-7 Sparrow. Embora não funcionasse muito bem – por exemplo, o Shrike não conseguia “memorizar” a posição de um emissor de ondas e tinha um alcance muito curto (por volta de 25 quilômetros) – era barato e considerado, em condições ideais, razoavelmente eficaz.

O Shrike começou a ser produzido em escala industrial em 1964, pela Texas Instruments. Distribuído pela Marinha dos EUA no início de 1965, estreou no Vietnam nesse mesmo ano, tendo como plataforma os caças táticos embarcados Douglas A-4 Skyhawk.

Até então, o método de supressão dos SA-2 era o mesmo usado contra sítios de artilharia AA: ataques realizados por caças táticos F-100F Super Sabre, usando bombas e foguetes, com resultados altamente irregulares. Ainda em 1965, o capitão do Corpo de Fuzileiros Navais Bill McGuigan, operando de porta-aviões, começou a desenvolver uma aeronave capaz de confrontar os mísseis superfície-ar eficientemente. Estudando o perfil de uso dos SAM, McGuigan observou um comportamento regular dos operadores, e concluiu que, através de pacotes de detecção e contramedidas eletrônicas, talvez fosse possível colocá-los na defensiva – o que significava impedir o disparo dos mísseis.

Incorporado pela Força Aérea, esse projeto passou a ser denominado Wild Weasel. Não era uma aeronave nova, mas uma plataforma de guerra eletrônica que poderia ser baseada em diversas células já existentes. A primeira foi o F100F de cockpit duplo. A cabine traseira foi adaptada para receber um Oficial de Sistemas Eletrônicos (ESO, em inglês), que operava os pacotes EC. Essas aeronaves, denominadas Wild Weasel I voavam junto com as ondas de bombardeiros e, uma vez na área do alvo, dedicavam-se a localizar e destruir os sítios de onde voavam os SA-2. Entretanto, essas primeiras versões do WW tinham problemas sérios, já que a célula-suporte não se mostrou adequada para o tipo de missão.

As deficiências do F100F levaram a Força Aérea a planejar uma nova aeronave WW, no que foi denominado Projeto Wild Weasel II. Inicialmente, a plataforma considerada foi o McDonnel F4C Phantom, mas em função da necessidade dessa aeronave nas mais diversas funções, a escolha acabou recaindo sobre o Republic F105 Thunderchief. Tratava-se, então, de uma aeronave relativamente nova, mas já totalmente operacional. O F-105 foi o primeiro caça-bombardeiro tático da Força Aérea dos EUA a alcançar velocidade supersônica; também foi a primeira aeronave norte-americana a ser desenhada especificamente para o papel de caça-bombardeiro. Desde a Segunda Guerra Mundial, todas as aeronaves deslocadas para essa função eram adaptações de aviões de caça “puros”. O Thunderchief foi o maior caça monoplace monomotor já construído.

Entretanto a maior novidade desse avião era o fato de ser dotado, desde fábrica, com grande quantidade de equipamento eletrônico. O equipamento que podia ser considerado, na época, revolucionário, era o radar AN/ASG-19, um sistema monopulso multiuso com capacidades de vetoração e busca, otimizado para busca ar-terra e ar-ar, o que dava ao Thunderchief capacidade de missões multiperfil. Esse radar também incorporava um modo de análise de terreno, permitindo ao piloto decidir voar abaixo do mau tempo sobre território não-mapeado. O restante do equipamento de fábrica era composto por um sistema automatizado de controle de vôo (AFCS) AF/A42G-8, que operava o piloto automático, liberando o piloto para operar um computador de tiro analógico/digital.

O novo avião chegou a ser chamado, de “a mais poderosa aeronave monoplace já construída”. A quantidade de equipamento eletrônico “estado-da-arte” também tornava o “Thud” (como o avião era chamado pelos pilotos) adequado para ser plataforma do projeto Wild Weasel III. A versão de cockpit duplo do F105 foi modificada para a função, e denominada, extra-oficialmente, EF105F. O primeiro voou aconteceu em janeiro de 1966. No mês de maio seguinte começaram os testes da plataforma e treinamento das tripulações, e em junho as primeiras unidades partiam para o Sudeste Asiático. Além do equipamento “de fábrica”, os EF105 recebiam um pacote de equipamento eletrônico centrado em torno do conjunto de sensores RHAW (Radar Homing and Warning). Em 1967, depois do sucesso das missões Combat Martin, a Força Aérea decidiu melhorar a plataforma Wild Weasel III. Durante essas missões (consideradas special ops aéreas), 13 WW III equipados como o sistema de interferência eletrônica Hallicrafters QRC-128 VHF tornaram impossíveis as comunicações entre os Centros de Controle de Terra e os pilotos dos MiG de interceptação enviados para para engajar s aeronaves norte-americanas. Essas aeronaves também levavam pods de interferência sob as asas, ainda assim mantendo quase integralmente a capacidade de carga-paga. O sucesso da operação pode ser medido pelo fato de que as baixas norte-americanas, no período, foram 40 por cento menores do que nas oito semanas anteriores.

Logo em seguida, no final de 1967, quase todos os EF105F foram convertidos para o que era chamado “padrão G”. Uma versão aperfeiçoada do RHAW, a AN/ALR-31 foi instalada, e os sensores de radiação foram deslocados para uma nova posição, na ponta das asas. A aeronave também recebeu um sistema de interferência eletrônica computadorizado Westinghouse, alojado em pods instalados em uma área lateral da fuselagem. Assim, os pilones internos foram liberados para receberem mísseis anti-radiação. No final de 1967, conforme um novo míssil AR, o General Dynamics AGM-78 começou a ser distribuído, a Força Aérea foi obrigada à novas providências, visto que o então novíssimo EF105G não estava equipado para utilizar a nova arma, que consistia numa versão do Shrike com algumas das deficiências corrigidas, maior alcance e uma cabeça de combate mais pesada. O AGM78 tinha corrigida uma das principais deficiências do Shrike: podia ser lançado em ângulos abertos com relação à fonte emissora de ondas. Por outro lado, era muito mais caro do que do que o “irmão mais velho”, o que levou os comandantes de Grupo Tático a limitarem sua distribuição.

As ofensivas norte-americanas nos céus do Vietnam do Norte são até hoje, fonte de polêmica. Significaram, objetivamente, um enorme investimento de recursos, vidas humanas e material. Mais tonelagem absoluta e relativa de explosivos foi lançada no território do país comunista do que na Europa ocupada pelos nazistas. Entretanto, os bombardeios não chegaram a forçar o adversário à rendição. Levaram-no à uma mesa de negociações que se arrastou, durante anos, sem resultados satisfatórios. Entretanto, um dado pode ser considerado certo: muito do que hoje em dia é a guerra moderna surgiu e foi aperfeiçoado no Vietnam, principalmente no que diz respeito à guerra aérea. As operações SEAD são talvez o exemplo mais evidente de como aquele distante país asiático, palco de um dos mais candentes dramas da Guerra Fria, foi também campo de experimentação para a então nova tecnologia militar.

Em outra hora, falaremos de como estão, atualmente, as operações SEAD. Por ora, vejam o filminho sobre operações SEAD nos céus do Vietnam.

Doutrinas de emprego de força 2 :: Uma resposta flexível, mas nem tanto::

Bem, minha idéia de permitir a democratização dos conteúdos desses ensaios sem tornar a leitura deles uma tortura deu co´os burros n´água. Por enquanto, fica tudo suspenso, visto que recebi vários conselhos sensatos para desistir, que a idéia parecia ter sido elaborada pela equipe do George Walker… Por muito bem – estou republicando todo o conteúdo. Mas ainda não desisti da idéia de uma biblioteca de acesso público… Mas fica para outra hora::

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A necessidade de definir uma concepção de emprego das forças militares norte-americanas, fora da ambiência nuclear, foi identificada durante o governo Kennedy. A curiosa trupe de cientistas políticos, militares e advogados que gravitava em torno da Casa Branca percebeu que o equilíbrio de capacidade de destruir o mundo, conhecido como “doutrina MAD” (Mutual Assured Destruction) era suficiente para equilibrar as relações entre as grandes potências, mas nem sempre se aplicava e nem mesmo era entendida como projeção de poder, em crises localizadas.

Enfim, não oferecia respostas para toda gama de situações militares e, principalmente, políticas. A resposta surgiu sob a forma de uma concepção estratégica que recebeu o nome de “Resposta Flexível”.

Esta doutrina foi desenvolvida desde os anos 1950 pelo Secretário Robert McNamara e sua equipe, chamada pela imprensa de “McNamara Boys”. Era um grupo de profissionais universitários, especializados em Ciência Política, Matemática e Análise de Sistemas – esta uma área ainda muito nova e tida como revolucionária.

A base da teoria estava na possibilidade de que a resposta a uma ameaça pudesse ser considerada segundo uma série de contingências. As alternativas apresentadas durante a crise dos mísseis de 1962 foram o primeiro teste “real” dessa nova doutrina. O emprego de força foi colocado totalmente sob a autoridade do presidente, e foi também subordinado às contingências políticas.

Desde a entrada na Segunda Guerra Mundial, tal situação não ocorria. A partir de 1941, embora a decisão de começar a guerra fosse do presidente, como “comandante-em-chefe”, após o início das hostilidades, as decisões militares ficavam totalmente a cargo dos profissionais (o que, dentre outras conseqüências provocou amargas dissensões dentro da aliança ocidental, visto que os militares americanos costumavam a colocar aspectos técnicos adiante dos políticos). O sucesso da resposta contra a URSS, embora politicamente tenha sido exemplar, levou a uma situação que não agradou aos militares norte-americanos.

Entretanto, segundo diversos analistas, a popularização da “resposta flexível” entre a alta burocracia governamental dos EUA foi motivada por algumas questões que, desde o final da Segunda Guerra Mundial, não estavam bem equacionadas.

A primeira delas vinha desde as negociações do “Tratado de Washington”, que originou a “Carta do Atlântico” (documento que criou a OTAN). O artigo 5º da “Carta”, que estabelecia o  “princípio de defesa coletiva”, foi concebido para demonstrar aos aliados europeus o grau de comprometimento dos EUA com a segurança continental diante da postura expansionista da União Soviética sob Stalin. Por outro lado, parte considerável da opinião pública e do Congresso dos EUA não parecia convencida de que o governo deveria envolver-se automaticamente em outra guerra européia. O artigo 5º foi formulado de maneira a agradar ambos os lados e, desde então, os membros da Aliança Atlântica têm sido obrigados a adaptá-lo às condições contextuais, que, por sua vez, nunca são fixas. De fato, o modo como o compromisso tem sido debatido e implementado parece sempre ser tão importante quanto o teor do artigo em si mesmo.

A segunda questão é o crescimento dos chamados “gastos com defesa” , ou seja, as despesas militares dos EUA, e a má vontade dos aliados europeus em investir recursos nessa área, quer dizer, em se armarem. Em função desse debate – nunca resolvido, e que aparece em diversas outras partes do mundo, notadamente no Japão – a administração Eisenhower começou a insistir que a Aliança Atlântica adotasse o princípio da retaliação nuclear maciça como principal instrumento de defesa. A montagem pela URSS de sistemas de mísseis bastante eficazes, na segunda metade dos anos 1950, adquirindo a capacidade de atingir alvos inclusive nos EUA, pareceu apontar para a “resposta flexível”, que se combinou, nos anos 70, com os tratados de limitação de armas atômicas. Através dela, a OTAN planejaria a resposta a um ataque soviético com forças nucleares ou convencionais, dependendo do grau do ataque.

A resposta flexível, entretanto, nunca satisfez totalmente nem aos EUA nem os aliados europeus. Essa estratégia geral não determinava uma partilha clara de responsabilidades e encargos. Os fóruns da OTAN acabaram se tornando, nos anos 1960 e 70, arenas onde os EUA, sufocado pela crise econômica, reclamava, amargamente, de ser obrigado a arcar com os custos da defesa da Europa e sobre a partilha dos encargos inerentes aos novos sistemas de armas estratégicas. O compromisso do artigo 5º, entretanto, nunca foi posto em questão, visto que, numa guerra convencional generalizada, os EUA teriam a Europa como “primeira linha de defesa”.

Entretanto, a “resposta flexível” não é uma “doutrina de emprego de força”, podendo caber mais na categoria de uma “política” Mas foi sob a égide do Governo Nixon, em 1969, que pela primeira vez, uma doutrina específica de emprego da força foi formulada.

O surgimento, pela primeira vez, de uma “doutrina de emprego de força” caracterizado enquanto tal tem estreita relação com o modo que a alta burocracia norte-americana passou a conceber a ordem internacional, durante o primeiro governo de Nixon. (1969-1974). Esta visão, que se caracteriza pelo pessimismo e por uma perspectiva sombria do futuro, partia do princípio de que os EUA não tinham mais condição de manter a preponderância num sistema internacional em que diversos agentes capazes de se contrapor eficazmente à América tinham se consolidado: União Soviética e China, capazes de se opor militarmente; Europa Ocidental e Japão, adversários econômicos. A concepção bipolar da ordem internacional, surgida da Segunda Guerra Mundial deu lugar à outra, cuja principal característica era a multipolaridade.

A aceitação fatalista da multipolaridade e do declínio da força dos EUA não surgira do nada: os dez anos anteriores tinham sido marcados por uma série de desastres internos e externos: em 1961, o surgimento de um regime socialista a pouco mais de 100 quilômetros dos EUA; em 1962, a proximidade de uma ameaça à segurança q não pudera ser resolvida pelas forças armadas nacionais; em 1963, o assassinato do presidente em condições não bem esclarecidas; durante toda uma década, uma guerra localizada q o país não conseguia vencer. Essa nova realidade parece ter influenciado fortemente as principais decisões de política externa durante o primeiro governo Nixon.

E começou a ficar clara em 1969, da maneira mais improvável possível: em plena a escalada da intervenção no Vietnam (que, aquela altura, já durava oito anos, tinha consumido 540 bilhões de dólares, em valores da época, e mais de 30.000 vidas de jovens norte-americanos). A “doutrina Nixon, enunciada pelo próprio presidente ainda em 1969, no primeiro ano de sua administração. Em plena guerra do Vietnam, Nixon passou a defender a redução da presença direta de tropas dos EUA em auxiliar de seus aliados. Em meados daquele ano, Nixon anunciou que, doravante, os Estados Unidos continuariam a auxiliar na defesa e no desenvolvimento dos países aliados, mas não mais assumiriam a responsabilidade pela defesa das nações livres do mundo. Essas nações teriam de começar a assumir parte da responsabilidade por seu próprio destino.

Trata-se de um dos momentos mais interessantes da história recente dos EUA, talvez a última vez em que o “Império” cedeu à tentação multipolar. Por diversas razões, o governo Nixon entendeu que seria necessário adaptar a política externa do país. Por detrás dessa decisão – que despertou toda espécie de polêmica – subjazia uma visão de que a segurança e os interesses norte-americanos seriam melhor promovidos numa ordem internacional cujas características haviam mudado. Essa nova orientação na política de détente com a União Soviética na aproximação à China, e na transformação das relações com a Europa Ocidental seus aspectos mais determinantes. E também conduziu os EUA, depois de 1972, ao período mais pacíficos que viveram, na segunda metade do século passado.

Mas vamos deixar isso para um próximo capítulo, quem sabe, depois do fim da novela das oito, pois atualmente as pessoas estão, com razão, mais interessadas em “quem matou Taís” do que em “quem acabou com o sossego do mundo”…::