Um sistema de armas às terças::Antey 2500 (S-300V) Mobile Universal Air & Missile Defense System

Uma notícia esquisita, dentre as diversas notícias esquisitas divulgadas na semana passada.

(O Globo)Irã diz ter planos para contra-atacar(20 de setembro)

Em outro foco de tensão, o vice-comandante de operações da Força Aérea Iraniana, Mohammad Alavi disse que existe um plano para bombardear Israel caso seu país seja atacado. Analistas especulam que Israel poderia realizar um ataque preventivo contra usinas nucleares do Irã, onde países ocidentais acreditam que Teerã desenvolva tecnologia para fabricar bombas.

Já Condoleezza Rice criticou a estratégia da agência da ONU para o caso e defendeu “uma diplomacia com dentes” para deter os planos iranianos.

– A via diplomática pode funcionar, mas é preciso trabalhar com incentivos e dentes.

Caso seja realmente realizado um ataque contra o Irã, o que os israelenses e seu “irmão maior” poderão encontrar pela frente? Certamente não um país totalmente banguela. E que “dentes” parecem estar realmente preocupando as competentes forças de defesa de Israel?

Em uma palavra: o Sistema Móvel Universal de Defesa Aérea e Anti-Míssil Antey S300V.

É um projeto da empresa Antey, do conglomerado estatal russo de defesa Almaz-Antey, sobre o qual falamos semana passada. O objetivo do projeto é oferecer um sistema de defesa anti-aérea e anti-míssil em “estado-de-arte” e, ainda assim, acessível a países que não poderiam arcar com os custos de tecnologia de última geração.  

Trata-se de um upgrade do já bem conhecido S-300, sistema russo de defesa aérea e contra mísseis projetado pela Almaz-Antey, cuja função é a defesa contra aeronaves e mísseis de cruzeiro. Projetado para a Força de Defesa Aérea da União Soviética no início dos anos 1970, tem sido aperfeiçoado desde então, recebendo desde novos radares e sistemas de guiagem até novos veículos transportadores.

Esse sistema foi reconhecido, nos meados dos anos 1980 como uma das mais mortíferas ameaças que uma aeronave pode encontrar num campo de batalha moderno. Em suas versões mais recentes, apresenta eletrônicos altamente avançados e resistentes à contramedidas, e vetores de grande capacidade de manobra e dotados de cabeça de combate de alta eficiência. Isto os torna capazes de engajar e superar desde aeronaves pilotadas até mísseis balísticos, em perfil de vôo de todas as altitudes.

Correntemente, existem três versões em serviço.

A mais antiga delas é o S300P (denominado pela OTAN como SA-10 Grumble), que se tornou operacional em 1978. Esse sistema foi sendo aperfeiçoado até os meados dos anos 1980, pois o radar da versão original, um sistema conhecido como TVM (Track Via Missile), apresentava problemas em rastrear alvos em vôo de muito baixa altitude. O TVM consiste num radar semi-ativo combinado com um sistema de guiagem a rádio de alta freqüência, e corrigir os problemas significaria praticamente recolher o armamento. Na época, os soviéticos decidiram introduzir um sistema totalmente separado, criando um novo equipamento de guiagem, que capacitou o Grumble a engajar alvos voando a 25 metros de altitude, ou seja, na linha do solo.

Por volta de 1985 uma nova versão apresentava um vetor, o 5V55KD. O lançamento era feito “a frio” (que hoje é característica estandartizada dos vetores do sistema), através de gás inerte sobre alta pressão. As versões posteriores utilizavam um sistema de guiagem baseado em radar semi-ativo e capacidade para cabeça de combate nuclear. O novo sistema de guiagem aumentou a precisão do conjunto, e lhe deu capacidade anti-balística verdadeiramente eficaz. 

Esse sistema é transportado por caminhões de 4 eixos GAZ, imagem muito comum nas paradas militares de Primeiro de Maio, na Praça Vermelha da antiga União Soviética.

As duas outras versões são variantes do sistema s300V, bastante diferente dos S300 originais, a começar pelo veículo transportador sobre  esteiras, cuja mobilidade é considerada da classe “qualquer terreno”. Co

nsiste em um conjunto de sub-sistemas  que incluí radares TVM aperfeiçoados, um posto central de comando com equipamentos de comunicação e contra-contramedidas eletrônicas (ECCM) e vetores interceptadores. Esse sistema, ao contrário daquele q foi nosso tema da semana passada, utiliza mísseis de longo alcance, todas as altutudes  e com capacidade de atuar em qualquer condição meteorológica. O sistema é pensado para a proteção de forças móveis e posições estáticas. É eficaz para a interceptação de mísseis táticos de interdição, sistemas livres e mísseis balísticos de médio alcance. Possui capacidade de interceptar mísseis de cruzeiro, aeronaves de asa rotativa e aeronaves não-tripuladas.

Utiliza dois tipos de vetores.

O 9M83ME (Tipo I, conhecido pela OTAN como SA-12A Gladiator) pode ser usado contra mísseis balísticos de curto e médio alcance, e também contra foguetes livres do tipo Scud, Esses vetores tem alcance de até 1.100 km, e uma velocidade final (de queda) de cerca de 3000 metros por segundo. Em modo de interceptação de aeronaves, pode engajar um alvo voando numa altura de até 25.000 metros, à distâncias de até 75 quilômetros do ponto de bateria. O Gladiator alcança uma velocidade maxima constant de 1700 metros por segundo (aproximadamente 7000 quilômetros por hora), o que o torna efetivo contra qualquer tipo de vetor atmosférico atualmente em serviço.

O 9A82ME (Tipo II, conhecido pela OTAN como SA-12B Giant) é o vetor do sistema projetado principalmente com vistas à interceptação de mísseis balísticos de médio alcance (os sistemas conhecidos como MRBM), com alcance de até 2.500 quilômetros e velocidade final de 4.500 metros por segundo. Alvos similares voando em altitudes pré-mesosféricas – 30 a 35 mil metros) podem ser engajados à distâncias de até 200 quilômetros a uma velocidade de 2.600 metros por segundo.

Cada unidade pode engajar múltiplos alvos através de um radar de alerta antecipado e um ou mais radares de varredura setorial, unidades de guiagem multicanal e um posto de comando reunindo equipamentos de comunicação e de ECCM. As unidades de disparo compreendem transportadores/lançadores, cada um carregando quarto vetores Gladiator. No caso do Giant, o veículo lançador transporta dois vetores, sendo que outros dois são mantidos em reserva em um veículo separado. A unidade típica de lançamento, conforme a doutrina do exército russo consiste de grupos de unidades de lançadores de interceptadores de médio alcance ou de uma combinação de lançadores de interceptadores de médio e longo alcance.

Os investimentos feitos no projeto também visam um vazio existente no mercado para a venda de kits de upgrade para as diversas versões S300P do Sistema Almaz de Defesa Aérea e contra Mísseis, que dispõe de diversos usuáriosos princpais sendo a China, o Vietnam, a República de Chipre (que transferiu suas baterias para a Grécia) e a Índia, além de diversas ex-repúblicas soviéticas. A Argélia, o Irã e a Síria possuem sistemas em número desconhecido e não existem informações sobre se estão operacionais.  

O equivalente mais próximo do S300V é o norte-americano MIM-104 Patriot. Mas o sistema russo é muito maior e utilize mísseis mais pesados. Embora nenhuma das versões do S300 tenha sido testado em combate, especialistas da Europa Ocidental tem afirmado que a posse dessas armas em mãos de sírios e iranianos consistirá em séria alteração no equilíbrio de forças da região. A insistência dos EUA para que a Rússia não vendesse esses sistemas aos dois principais inimigos de Israel parece confirmar essa hipótese.

Pois é… Os judeus tem com que se preocupar. Assistam o filminho. Dá pra ver porque::

Anúncios

A verdadeira história do radicalismo islâmico::

“Para mim, a visão da chuva de bombas de fragmentação caindo sobre os morros secos afegãos [em Tora Bora] fora profundamente chocante. … De fato, viver e trabalhar na região por tanto tempo tornaram esse choque ainda mais forte. Ao dirigir meu carro pela pequena e conhecida estrada que leva de Jalalabad ao ponto de fronteira em Torkham, eu estava profundamente perturbado com o que tinha visto. Nos anos que passei entrando e saindo do Afeganistão e do Paquistão, vi execuções e bombardeios, fiquei sob a mira de armas e quase morri em vários helicópteros. Ouvi pais descreverem a morte de seus filhos em ataques de mísseis ou nas mãos de bandidos, di bebês em estágios terminais por doenças causadas pela fome … e fugi de incontáveis situações de dor e privação. Mas tudo que testemunhei, embora terrível, parecia fazer sentido. Era, em parte, o que tinha me atraído inicialmente para o Afeganistão. Parecia, de alguma forma, pertencer à essência do lugar. O que vi em Tora Bora não fazia nenhum sentido e eu queria desesperadamente entender como isso havia acontecido.

Estava claro que era impossível explicar o ocorrido simplesmente observando o desenrolar dos fatos no Afeganistão e no Paquistão. Quando comecei a olhar para além da região, logo se tornou muito óbvio que o que acontecera em Tora Bora fora a culminação de um processo histórico gigantesco e complexo. Os homens atingidos pelo bombardeio nos cumes acima de nós eram do Iêmen, do Egito, do Sudão e da Argélia, e também do Sudoeste da Ásia. O motivo do que ocorrera em Tora Bora envolvia suas histórias tanto quanto as dos afegãos.

Eu também desejava responder a outras perguntas. Tal como tantos outros, eu estava com medo. Qual era a natureza da ameaça que agora confrontava minha vida, minha cultura, meus valores, minha segurança pessoal e a daqueles a quem amo? Será que eu realmente deveria ter medo de bombas no metrô de Londres, seqüestros em Paris, ataques com gás em Los Angeles ou bombas sujas em Chicago?

Com o passar dos meses, percebi que nenhuma dessas perguntas estava sendo respondida pela miríade de artigos e livros publicados sobre a “guerra contra o terrorismo” e seus supostos alvos, Fiquei cada vez mais preocupado com as concepções equivocadas que estavam ganhando aceitação. Entre elas se destacava a idéia de que Bin Laden liderava uma organização terrorista coesa e estruturada chamada ´Al-Qaeda’. Todas as evidências com as quais me deparei em meu próprio trabalho contradiziam essa noção de uma Al Qaeda como o “império do mal”, tendo à frente uma malévola inteligência superior. Tal idéia era, sem dúvida, reconfortante – destrua o homem e seus fiéis ajudantes e os problemas desaparecerão – mas claramente equivocada. Como conseqüência, o debate sobre a atual “guerra contra o terrorismo” era distorcido. Em vez de examinarem de forma honesta e sensata as raízes do radicalismo islâmico que ressurgia, a discussão das estratégias na guerra contra o terror tinha sido quase inteiramente dominada pelos ‘especialistas em antiterrorismo’, com sua linguagem de armamento de alta tecnologia, militarismo e erradicação. Isso pode ser útil para tratar o sintoma, mas não consegue, e jamais conseguirá, tratar a doença.

O que há de mais próximo da ‘Al Qaeda’, tal como é popularmente entendida, existiu por um curto período, entre 1996 e 2001. Sua base ficava no Afeganistão, e o que vi em Tora Bora foram as cenas finais de sua destruição. …”

Jason BURKE. Al Qaeda. A verdadeira história do radicalismo islâmico (p. 16-17)

Rio de Janeiro, Zahar, 2007.

Um sistema de armas às terças:: Tor M1 9M330

Duas notícias afastadas por alguns anos, mas dentro do mesmo contexto: a confusão usual no Oriente Médio.

(Reuters)Os generais russos falam sobre o ataque americano ao Irã(03 de abril de 2005)

Segundo declarou numa conferência de imprensa o general Yuri Solovyov, comandante da Defesa Aérea de Moscou: “De acordo com as nossas estimativas, o sistema de defesa aérea do Irã é bastante forte.” (…) “As armas do Irã incluem sistemas anti-aéreos que lhes permitem combater todos os tipos de aeronaves atualmente em serviço nas forças armadas dos EUA… Além do mais, nossos especialistas os treinam desde os tempos soviéticos.”

A Rússia finalizou a entrega de sistemas anti-aéreos Tor-M1 ao Irã, criando uma onda de protestos nos EUA e em Israel, ao que a Rússia respondeu afirmando que os Tor-M1 são sistemas de curto alcance e assim, puramente defensivos.

Na mesma conferência de imprensa, o general Sergei Razygrayev, acrescentou “A situação atual é que o possível atacante (os EUA) tem armas mais modernas e poderosas e supremacia inconteste, quando comparado às defesas iranianas. Eles (os americanos) são capazes de criar uma tal superioridade que será possível cumprir seus objetivos. A presença de sistemas modernos no lado oposto traz a perspectiva de baixas.” Uma semana antes, o chefe do Estado-maior russo, Yuri Baluyevsky afirmara: “Os EUA poderão danificar o potencial industrial e militar do Irã, mas não poderão vence-los.”

Falando sobre as análises e projeções russas sobre este possível ataque, o general Sergei Razygrayev disse que os peritos militares russos estudaram os padrões de ataque americanos na Sérvia e no Iraque e concluíram que qualquer ataque ao Irã deve começar pela supressão dos sistemas de radar e depois, numa segunda vaga lançar uma onda de mísseis de cruzeiro. Só num terceiro momento viriam ataques táticos, com aviões convencionais e steatlh.

(Reuters)Síria acusa Israel de bombardear seu território(6 de setembro de 2008)

A Síria acusou Israel de bombardear seu território e declarou que poderá responder “a agressão e a perfídia do Estado judeu.”

Israel recusou comentar a acusação síria, que ainda declarou não terem sido registrados baixas ou danos materiais. A acusação síria foi parcialmente responsável por disparar um aumento mundial nos preços do petróleo…

“Parece que os aviões israelenses estavam em uma missão de reconhecimento quando foram surpreendidos pelas defesas sírias e foram forçados a largar suas bombas e tanques descartáveis”, disse uma fonte diplomática ocidental na capital síria.

Um oficial sírio declarou:””Eles lançaram suas bombas em uma área vazia enquanto nossas defesas aéreas faziam intenso fogo contra eles.” A agência oficial de notícia SANA disse que a Síria “reserva-se o direito de responder do modo que pareça adequado.”

…………………………………………………………………….

Você amaria um “estado-pária”? George Walker certamente responderia “no”, e pronto. Mas você… Imagino que, como tudo na vida, depende… Depende de quanto atraente esse “estado-pária” pudesse ser. E, se isso conta, em termos de sistemas de defesa aérea, esses “párias” já não são tão párias assim. Conheça um pouco dos sistemas que os têm tornado tão atraentes… E tirado o sono de George Walker e dos israelenses.

São produtos do consórcio Ilmaz-Antey, empresa estatal criada em 2002 pela Federação Russa, reunindo 46 institutos, escritórios e empresas, alguns existentes desde os anos 50. Dentre as mais conhecidas está a MAPO, que tem como centro o escritório de projetos aeronáuticos MiG. A mais importante das instituições é o Instituto de Ciência e Produção –  Almaz,- responsável por diversos projetos aero-espaciais, inclusive a renovação do sistema de satélites militares e de comunicações da Rússia.

O tipo de empresa que tem se tornado modelo na ex-União Soviética é interessante por ter modificado o sistema organizacional adotado na época do comunismo, sem modificar o processo criativo e produtivo. Geralmente, as empresas articulam-se em torno de escritórios de projetos ou institutos de pesquisas, responsáveis pelo desenvolvimento tanto do conceito quanto do projeto. O passo seguinte, o desenvolvimento do protótipo, é repassado à um complexo industrial, e quando se abre a fase de produção, o complexo passa a atuar de modo independente. As empresas continuam pertencendo ao Estado, mas tem grande autonomia administrativa, inclusive para admitir sócios e lançar ações no mercado.

No sistema anterior, diversos escritórios, institutos  de pesquisa e desenvolvimento e empresas industriais eram coordenados por repartições burocráticas, muitas vezes sem grande conhecimento do ramo com o qual estavam lidando. Essa centralização produzia enorme ineficiência, pois era responsável inclusive pela distribuição e matérias-primas, insumos e mão-de-obra especializada. Outro fator de ineficiência era a tentativa dos burocratas de Moscou em distribuir a produção entre diversas repúblicas soviéticas, o que atrasava o desenvolvimento e tornava lento todo o processo.

A reestruturação do sistema industrial herdado da União Soviética é considerada responsável pelo atual sucesso da Rússia em certas áreas, como exploração de petróleo, petroquímica e a indústria de armamentos, na ponta da qual está o Consócio Ilmaz-Antey.

Vejamos dois de seus principais produtos.

Sistema de defesa aérea Tor M1/9M330

O sistema de mísseis superfície-ar TOR foi introduzido no exército da antiga União Soviética em 1986, tendo sido, desde então, constantemente aperfeiçoado. As versões atualmente usuais são a Tor M1 e Tor M1T. É um sistema de defesa aérea móvel integrado, projetado contra aeronaves em altitudes média, baixa e muito baixa. É eficaz contra aeronaves de asa fixa, rotativa, UAVs, mísseis guiados e de cruzeiro e bombas planadoras inteligentes. É capaz de operar mesmo submetido à intensa atividade de contra-medidas eletrônicas.

O Tor M1 compreende um número variável de veículos Transportadores de Mísseis. Geralmente, um batalhão de defesa aérea russo equipado com Tor consiste de 3 a 5 companhias, cada qual equipada com 4 TMs, que, por sua vez transportam 8 mísseis prontos para lançamento. Cada companhia dispõe de radares, sistemas de controle de fogo e posto de comando central. O Tor M1 pode operar independente, em posições estacionárias ou em movimento. O tempo de colocação em bateria é de 3 minutos e o tempo de reação depois da designação de alvos pode variar de 3 a 10 segundos, dependendo do estado do TM (estacionário ou em movimento).

O sistema de detecção do Tor M1 consiste de dois radares. O primeiro, chamado “radar de busca”, pode rastrear até 48 alvos simultaneamente. à uma distância máxima de 25 quilômetros, desde que aqueles apresentem seção reflexiva de aproximadamente 20 centímetros quadrados. O segundo radar, chamado “radar de engajamento”, entra em funcionamento a partir da designação do sistema central, quando o alvo se encontra a aproximadamente 20 quilômetros de distância. Sua função é “trancar o alvo” e acionar o fuso do míssil quando este chega próximo do alvo designado. O número de alvos engajados simultaneamente depende do número de baterias ligadas ao sistema. Cada TM pode engajar dois alvos separados. Um sistema optrônico (aquisição de alvo via televisão) complementa a orientação do vetor, ou pode ser usado em ambientes fortemente afetados por contramedidas eletrônicas, ou quando existe ameaça de vetores anti-radiação.  

O vetor usado pelo sistema TOR é o míssil 9M330 (SA15 “Gauntlet”, segundo a designação da OTAN) de um estágio, movido a motor-foguete de combustível sólido. Disparado verticalmente, tem um alcance máximo de 12 quilômetros, percorridos à velocidade de 700 metros por segundo (mais ou menos 3000 quilômetros por hora), sendo eficaz a altitudes que variam de 10 até 6000 metros. O sistema de direção combina aletas móveis e jatos de gás inerte de alta pressão, suportando cargas de manobra de até 30 G. A guiagem é feita por rádio.

Sua cabeça de combate pesa aproximadamente 22 quilos, dos quais 15 são alto-explosivo combinado com material de fragmentação. É acionada por um fuso de proximidade ativado pela iluminação de radar, que detona à uma distância de entre 22 e 6 metros do alvo.

O sistema é oferecido em duas versões. A primeira é totalmente integrada em um veículo de sobre lagartas. A segunda é um sistema modularizado (Tor-M1T), compreendendo uma unidade móvel de controle e os TMs.O Tor também tem uma versão fixa, para defesa ativa de ponto.

O primeiro operador do sistema Tor foi o ramo de defesa aérea do Exército da União Soviética. Atualmente, calcula-se que o Exército Russo opere por volta de 100 unidades. A Marinha opera a versão naval, que dispara o míssil SA9-N. A China adquiriu 50 sistemas, e existem informações de que o pedido, feito em 1997 e entregue até 2001, foi aumentado em 2002. A Grécia, que tem se notabilizado por buscar armamento em fontes alternativas, visto que os EUA tem hesitado em lhes ceder armas de última geração, adquiriu 21 sistemas. O Irã fechou um negócio de mais de 1 bilhão de dólares, adquirindo. em princípio, 29 sistemas, além de barcos de patrulha e sistemas para a força aérea. As entregas do Tor se completaram em janeiro de 2007 – o que talvez explique a hesitação dos EUA em lançar um ataque contra o país, apesar das ameaças. Os sistemas iranianos estão equipados com o SA19, mas os russos se mostraram, recentemente, dispostos a entregar uma remessa dos novíssimos SAM S300.

Os iranianos, no momento da primeira aquisição, estavam interessados nesse vetor, que foi, na época, negado pelos russos, devido ao acordo Gore-Tchernomyrdine. Trata-se de um protocolo de entendimento com Washington, em que os russos se comprometem a não entregar armas de ataque ao Irã. Como avaliaram que o sistema Tor é um equipamento de defesa, não viola os entendimentos com os EUA.

O principal interesse iraniano seria defender a usina termo-elétrica nuclear que está sendo construída pela Rússia em Bouchehr. A aquisição de armamento foi precipitada por boatos, divulgados em 2005 e 2006, de que Israel estaria examinando a possibilidade de lançar um ataque preventivo contra o local. Os norte-americanos têm afirmado, com freqüência, que a planta de Bouchehr daria ao Irã capacidade de desenvolver combustível para uso em armamento nuclear.

Segundo analistas ocidentais, a aquisição do sistema Tor, combinada com as características do terreno iraniano, torna um ataque aéreo de surpresa, realizado por pequenos grupos de aeronaves voando a baixa altura, praticamente impossível. A aproximação dos atacantes teria de ser precedida por intensa atividade de contramedidas eletrônicas e ataques de mísseis anti-radar, o que acabaria com o fator surpresa, além de ter eficácia limitada.

Não deixem de ver o filminho. Não tinham dito que a Guerra Fria tinha acabado? Não é o que parece, pelo clima dessa peça de noticiário da TV russa.  Bom, o resto vem na semana que vem – é muita sensualidade para uma terça só e não quero deixar ninguém acordado a noite inteira::

Doutrinas de emprego de força 2 :: Uma resposta flexível, mas nem tanto::

Bem, minha idéia de permitir a democratização dos conteúdos desses ensaios sem tornar a leitura deles uma tortura deu co´os burros n´água. Por enquanto, fica tudo suspenso, visto que recebi vários conselhos sensatos para desistir, que a idéia parecia ter sido elaborada pela equipe do George Walker… Por muito bem – estou republicando todo o conteúdo. Mas ainda não desisti da idéia de uma biblioteca de acesso público… Mas fica para outra hora::

:: :: :: :: :: :: :: :: :: ::

A necessidade de definir uma concepção de emprego das forças militares norte-americanas, fora da ambiência nuclear, foi identificada durante o governo Kennedy. A curiosa trupe de cientistas políticos, militares e advogados que gravitava em torno da Casa Branca percebeu que o equilíbrio de capacidade de destruir o mundo, conhecido como “doutrina MAD” (Mutual Assured Destruction) era suficiente para equilibrar as relações entre as grandes potências, mas nem sempre se aplicava e nem mesmo era entendida como projeção de poder, em crises localizadas.

Enfim, não oferecia respostas para toda gama de situações militares e, principalmente, políticas. A resposta surgiu sob a forma de uma concepção estratégica que recebeu o nome de “Resposta Flexível”.

Esta doutrina foi desenvolvida desde os anos 1950 pelo Secretário Robert McNamara e sua equipe, chamada pela imprensa de “McNamara Boys”. Era um grupo de profissionais universitários, especializados em Ciência Política, Matemática e Análise de Sistemas – esta uma área ainda muito nova e tida como revolucionária.

A base da teoria estava na possibilidade de que a resposta a uma ameaça pudesse ser considerada segundo uma série de contingências. As alternativas apresentadas durante a crise dos mísseis de 1962 foram o primeiro teste “real” dessa nova doutrina. O emprego de força foi colocado totalmente sob a autoridade do presidente, e foi também subordinado às contingências políticas.

Desde a entrada na Segunda Guerra Mundial, tal situação não ocorria. A partir de 1941, embora a decisão de começar a guerra fosse do presidente, como “comandante-em-chefe”, após o início das hostilidades, as decisões militares ficavam totalmente a cargo dos profissionais (o que, dentre outras conseqüências provocou amargas dissensões dentro da aliança ocidental, visto que os militares americanos costumavam a colocar aspectos técnicos adiante dos políticos). O sucesso da resposta contra a URSS, embora politicamente tenha sido exemplar, levou a uma situação que não agradou aos militares norte-americanos.

Entretanto, segundo diversos analistas, a popularização da “resposta flexível” entre a alta burocracia governamental dos EUA foi motivada por algumas questões que, desde o final da Segunda Guerra Mundial, não estavam bem equacionadas.

A primeira delas vinha desde as negociações do “Tratado de Washington”, que originou a “Carta do Atlântico” (documento que criou a OTAN). O artigo 5º da “Carta”, que estabelecia o  “princípio de defesa coletiva”, foi concebido para demonstrar aos aliados europeus o grau de comprometimento dos EUA com a segurança continental diante da postura expansionista da União Soviética sob Stalin. Por outro lado, parte considerável da opinião pública e do Congresso dos EUA não parecia convencida de que o governo deveria envolver-se automaticamente em outra guerra européia. O artigo 5º foi formulado de maneira a agradar ambos os lados e, desde então, os membros da Aliança Atlântica têm sido obrigados a adaptá-lo às condições contextuais, que, por sua vez, nunca são fixas. De fato, o modo como o compromisso tem sido debatido e implementado parece sempre ser tão importante quanto o teor do artigo em si mesmo.

A segunda questão é o crescimento dos chamados “gastos com defesa” , ou seja, as despesas militares dos EUA, e a má vontade dos aliados europeus em investir recursos nessa área, quer dizer, em se armarem. Em função desse debate – nunca resolvido, e que aparece em diversas outras partes do mundo, notadamente no Japão – a administração Eisenhower começou a insistir que a Aliança Atlântica adotasse o princípio da retaliação nuclear maciça como principal instrumento de defesa. A montagem pela URSS de sistemas de mísseis bastante eficazes, na segunda metade dos anos 1950, adquirindo a capacidade de atingir alvos inclusive nos EUA, pareceu apontar para a “resposta flexível”, que se combinou, nos anos 70, com os tratados de limitação de armas atômicas. Através dela, a OTAN planejaria a resposta a um ataque soviético com forças nucleares ou convencionais, dependendo do grau do ataque.

A resposta flexível, entretanto, nunca satisfez totalmente nem aos EUA nem os aliados europeus. Essa estratégia geral não determinava uma partilha clara de responsabilidades e encargos. Os fóruns da OTAN acabaram se tornando, nos anos 1960 e 70, arenas onde os EUA, sufocado pela crise econômica, reclamava, amargamente, de ser obrigado a arcar com os custos da defesa da Europa e sobre a partilha dos encargos inerentes aos novos sistemas de armas estratégicas. O compromisso do artigo 5º, entretanto, nunca foi posto em questão, visto que, numa guerra convencional generalizada, os EUA teriam a Europa como “primeira linha de defesa”.

Entretanto, a “resposta flexível” não é uma “doutrina de emprego de força”, podendo caber mais na categoria de uma “política” Mas foi sob a égide do Governo Nixon, em 1969, que pela primeira vez, uma doutrina específica de emprego da força foi formulada.

O surgimento, pela primeira vez, de uma “doutrina de emprego de força” caracterizado enquanto tal tem estreita relação com o modo que a alta burocracia norte-americana passou a conceber a ordem internacional, durante o primeiro governo de Nixon. (1969-1974). Esta visão, que se caracteriza pelo pessimismo e por uma perspectiva sombria do futuro, partia do princípio de que os EUA não tinham mais condição de manter a preponderância num sistema internacional em que diversos agentes capazes de se contrapor eficazmente à América tinham se consolidado: União Soviética e China, capazes de se opor militarmente; Europa Ocidental e Japão, adversários econômicos. A concepção bipolar da ordem internacional, surgida da Segunda Guerra Mundial deu lugar à outra, cuja principal característica era a multipolaridade.

A aceitação fatalista da multipolaridade e do declínio da força dos EUA não surgira do nada: os dez anos anteriores tinham sido marcados por uma série de desastres internos e externos: em 1961, o surgimento de um regime socialista a pouco mais de 100 quilômetros dos EUA; em 1962, a proximidade de uma ameaça à segurança q não pudera ser resolvida pelas forças armadas nacionais; em 1963, o assassinato do presidente em condições não bem esclarecidas; durante toda uma década, uma guerra localizada q o país não conseguia vencer. Essa nova realidade parece ter influenciado fortemente as principais decisões de política externa durante o primeiro governo Nixon.

E começou a ficar clara em 1969, da maneira mais improvável possível: em plena a escalada da intervenção no Vietnam (que, aquela altura, já durava oito anos, tinha consumido 540 bilhões de dólares, em valores da época, e mais de 30.000 vidas de jovens norte-americanos). A “doutrina Nixon, enunciada pelo próprio presidente ainda em 1969, no primeiro ano de sua administração. Em plena guerra do Vietnam, Nixon passou a defender a redução da presença direta de tropas dos EUA em auxiliar de seus aliados. Em meados daquele ano, Nixon anunciou que, doravante, os Estados Unidos continuariam a auxiliar na defesa e no desenvolvimento dos países aliados, mas não mais assumiriam a responsabilidade pela defesa das nações livres do mundo. Essas nações teriam de começar a assumir parte da responsabilidade por seu próprio destino.

Trata-se de um dos momentos mais interessantes da história recente dos EUA, talvez a última vez em que o “Império” cedeu à tentação multipolar. Por diversas razões, o governo Nixon entendeu que seria necessário adaptar a política externa do país. Por detrás dessa decisão – que despertou toda espécie de polêmica – subjazia uma visão de que a segurança e os interesses norte-americanos seriam melhor promovidos numa ordem internacional cujas características haviam mudado. Essa nova orientação na política de détente com a União Soviética na aproximação à China, e na transformação das relações com a Europa Ocidental seus aspectos mais determinantes. E também conduziu os EUA, depois de 1972, ao período mais pacíficos que viveram, na segunda metade do século passado.

Mas vamos deixar isso para um próximo capítulo, quem sabe, depois do fim da novela das oito, pois atualmente as pessoas estão, com razão, mais interessadas em “quem matou Taís” do que em “quem acabou com o sossego do mundo”…::

Um sistema de armas às terças:: Tupolev Tu-95/142 Bear

Duas notícias (copiadas do Pravda.ru) interessantes, talvez pelo exagero inerente…

Em 10 de agosto de 2007

A Força Aérea russa renovou os vôos longos de bombardeiros estratégicos sobre as águas do Pacífico e Atlântico. As missões têm vários objetivos e são realizados de dia e de noite. Na quarta-feira dois aviões Tu-95MS sobrevoaram a ilha Guam , onde está localizada a base militar dos EUA.

“Renovamos nossa tradição quando nossos jovens pilotos sobrevoaram Guam em dois aviões , disse o comandante da Força aérea rusa o general Pavel Androsov, descreveu a interceptação dos caças americanos , dizendo que aeronaves estiveram táo próximas que houve contato visual entre os pilotos. “ Trocamos sorrisos com nossos colegas, que decolaram de um porta-aviões dos EUA. Então voltamos para casa”.

O porta-voz do Departamento de Estado americano, Sean McCormack, conseguiu comentar o evento só assim: “ O que é isso, é o “Bear” ?( o nome do Tu-95 segundo a classificação da Nato) E que, ainda voam neles? “, segundo a versão russa da Pravda.

Segundo o Androsov, os caças da Nato já tiveram bastante trabalho com interceptações de bombardeiros russos em diversos pontos do planeta.

“Dentro dos exercícios de verão foram efetuadas cerca de 40 missões de vôo, que foram realizadas por aviões Tupolev Tu-160, Tu-95, Tu-22 e Ilihushin Il-76t, disse o porta-voz da Força Aérea russa, Alexander Drobyshevski.

“Nas missões de vôo sobre as águas do Pacífico e do Atlántico, as aeronaves de nossa aviação estratégica estiveram acompanhados por caças da Nato.

Segundo Drobyshevski nas missões foram treinadas a interação com aviões de interceptação, a reposição de combustível durante o vôo e a simulação de superação de sistemas antiaéreos inimigos. Além disso , foram disparados simultaneamente vários mísseis de cruzeiro contra alvos no Ártico, ao norte da Rússia.

Em 18 de julho de 2007

O comandante-em-chefe da Força Aérea da Rússia, general Alexandr Zelin, desmentiu hoje (18) que os bombardeiros Tupolev-95 (Tu95) tenham tentado ontem invadir o espaço aéreo do Reino Unido.
“Nossos aviões cumpriam missões de vôos sobre águas neutras”, disse Zelin à agência “Interfax”.

Segundo informações da Efe o Ministério da Defesa do Reino Unido ontem mantinha no ar dois aviões da Real Força Aérea para interceptar dois bombardeiros Tu95 que voavam em direção à Escócia .

Segundo o porta-voz, os aviões russos não foram interceptados porque se afastaram e não entraram no espaço aéreo britânico, mas sim no da Noruega .

Zelin disse que o episódio nada tem a ver com a recente tensão diplomática entre Londres e Moscou. “Estes voos tem sido feitos e vão continuar de acordo com o nosso plano de treinos de tripulações de longo-alcance”, disse .

O incidente lembrou os piores tempos da Guerra Fria.

Mas, afinal de contas, quem é o protagonista desse “retorno da Guerra Fria? Um senhor que, apesar da idade, ainda parte corações de senhoras histéricas, ligadas a certos “clubes” atlânticos…

 

Mas não precisam ficar com ciúmes! Vamos conhecer melhor este senhor tão charmoso…

O Tupolev Tu-95 “Bear”. Este foi, talvez, o mais bem sucedido bombardeiro soviético, com uma longa carreira operacional numa variedade de missões e configurações. Foi o único bombardeiro do mundo que usava motores turbo-hélice, proporcionando-lhe grande autonomia e velocidade apenas um pouco menor que os bombardeiros a jato da mesma categoria.
O desenvolvimento do bombardeiro intercontinental Tu-95 começou no início dos anos 50, após o início da produção do Tu-4 “Bull”.

Tupolev Tu 142 em vôo, fotografado nos anos 1970

Inicialmente, vários desenhos foram considerados, incluindo modificações do Tu-4, e a construção de uma nova aeronave com motores a pistão. Protótipos dessas aeronaves foram testados entre 1949 e 1951, mas concluiu-se que aeronaves com motores a pistão não teriam performance suficiente para missões intercontinentais.

O TU-4 foi projetado no final da Segunda Guerra Mundial, como uma “cópia-carbono” soviética do Boeing B-29. O projeto tornou-se possível depois que um desses bombardeiros norte-americanos, retornando de uma missão contra o Japão, teve de fazer um pouso de emergência em território soviético. As autoridades se recusaram a liberar o aparelho, e ainda acusaram o piloto de espionagem. Stalin ordenou que o avião fosse copiado e dessa cópia resultou o TU-4 “Bull”.

Os rápidos desenvolvimentos da aviação a jato, depois da Segunda Guerra Mundial tornaram tanto o B-29 quanto seu clone soviético obsoletos. A URSS viu-se, no início dos anos 50, pressionada a produzir um novo avião, capaz de competir com o novo bombardeiro norte-americano B-36H, uma aeronave com seis motores e capacidade para 36,000 kg de bombas, que teria uma vida útil muito curta.

Em março de 1951 foi iniciado o desenvolvimento do bombardeiro de longo alcance M-4, propulsionado por quatro motores a jato. No entanto, o projetista-cefe, engenheiro Tupolev, não apoiou a construção de um avião com motores a jato, acreditando que os motores AM-3 propostos não possibilitariam um alcance maior que 10.000 km. Como uma alternativa, Tupolev propôs uma aeronave com motores turbo-hélice, que possibilitariam mais de 13.000 km de alcance, e velocidades acima de 800 km/h. O projeto foi então designado “95”.

O desenho das asas foi baseado na experiência adquirida no Instituto Central de Aero-hidrodinâmica (TSAGI), durante o desenvolvimento do Tu-16. As asas do “95” são enflechadas em um angulo de 35 graus, permitindo a instalação de um grande compartimento de bombas no centro de gravidade de aeronave. Os motores consistem de quatro turbo-hélices com hélices contra-rotativas. A grande dificuldade durante o desenvolvimento foram os motores. Após estudos de diferentes combinações e versões, o desenho final da aeronave incorporou quatro turboelices com uma potência de, aproximadamente, 10.000 hp. No fim dos anos 40, o motor mais potente disponível era o protótipo BK-2, que possuía significantemente menos potência (4.800 hp). No começo de 1950 o burô OKB-276 coordenado por Kuznetsov, desenvolveu o motor TV-2 e, logo em seguida, uma versão aperfeiçoada, o TV-2F, com 6.250 hp de potência. Estes motores equipariam os protótipos do Tu-95, cujas versões de linha deveriam receber o TV-12, em desenvolvimento.

tu142_3.jpg

Após considerar as propostas de Tupolev, em 11 de julho de 1951 foi aprovado o desenvolvimento da aeronave. Duas versões de pré-série foram produzidas: uma com oito motores TV-2F e outra com quatro TV-12. Em 1952, o primeiro protótipo, “95/1”, equipado com 8 TV-2F voou pela primeira vez em 12 de novembro de 1952, mas em 11 de maio de 1953 a aeronave foi destruída após um incêndio no motor. O segundo protótipo (“95/2”), com quatro TV-12 fez seu primeiro vôo em 16 de fevereiro de 1955.

A produção em série do Tu-95 começou em janeiro de 1956 e foi até o meio dos anos 90, surgindo durante esse meio tempo mais de 15 versões diferentes, desde vetores de mísseis de cruzeiro, aviões de alerta antecipado até aviões de comunicação entre submarinos.

A desvantagem do TU-95 decorre atualmente, da idade do projeto. Os seus poderosos motores de pás duplas, conseguem levar o avião a uma velocidade de 828 km/h, muito alta para um avião a hélice, mas que produz um nível de ruído consideravelmente alto. Isso torna a aeronave muito vulnerável a diversos tipos de sensores.

O número de aeronaves operacionais é relativamente reduzido, calculando-se que não de vinte devam estar ainda em serviço. É possível que política russa de retomar os vôos de reconhecimento de longo alcance, fora das fronteiras do país, prolongue a vida operacional desse equipamento.

Dados técnicos do Tupolev Tu-95 “Bear”
Tipo: Bombardeiro estratégico de longo alcance com capacidade nuclear/reconhecimento estratégico

Ano de entrada em serviço: 1957

Comprimento: 49,50 metros
Envergadura: 51,10 metros
Altura máxima: 12,12 metros

Motores/potência: 4 Kuznetsov NK-12MV turbo-hélices movendo helices hexa-pá contra-rotativas, gerando 14.795 shp cada
Peso máximo na decolagem: 188.000 quilos
Velocidade de cruzeiro: 704 km/h
Velocidade máxima operacional: 925 km/h
Alcance (km): 12.550
Teto de serviço: 13.500 metros

Armamento: 2 canhões GSh23 23 mm numa torre à ré, com capacidade de 3000 salvas por minuto, operada manualmente

Até 9.000 kg de armamentos, configurados segundo a missão designada

O Tupolev Tu142 “Bear F” é um desenvolvimento do Tu-95. Também dotado de quatro turbo-hélices, suas funções são especializadas: plataforma de longo alcance, dedicada à guerra anti-submarina. Como o Tu-95 antes dele, o Tu-142 veria uma longa vida ativa, continuando em serviço hoje em dia.

O Tu-142 “Bear-F” surgiu em 1972. Teve a fuselagem alongada em relação à série Tu-95, de forma a receber um poderoso radar de busca, montado num radome ventral. Este radar é o centro do sistema de armas destinado a localizar e combater submarinos e navios de superfície. O Tu-142 conduz armas anti-submarinas que podem incluir lançadores de minas anti-navio, torpedos e bóias sonoras. Uma outra versão do Tu-142, denominada “Bear J” foi identificada como uma plataforma de comunicações entre submarinos por observadores da OTAN.

A Índia é o único operador estrangeiro conhecido da série Tu-142. A produção da série terminou em 1994.

Dados técnicos do Tupolev Tu-142 “Bear F”
Tipo: Aeronave de combate anti-submarino de longo alcance

Ano de entrada em serviço: 1972

Tripulação: 11-13

Armamento: 2 canhões GSh23 23 mm numa torre de controle remoto à ré, com capacidade de 3000 salvas por minuto

Até 9.000 kg de armamentos, configurados segundo a missão designada

Motores/potência: 4 Kuznetsov NK-P12M turbo-hélices movendo helices hexa-pá contra-rotativas, gerando 15.775 shp cada

Velocidade maxima: 855 km/h

Alcance: 12.000 km
Teto de serviço: 11.000 metros

Comprimento: 53,07 metros
Envergadura: 50,04 metros
Peso vazio: 91.800 quilos

Peso máximo na decolagem: 185.000 quilos

tu142_5.jpg

Assistam agora a um filminho mostrando diversos ângulos de um Bear F em vôo de reconhecimento de longo alcance. Todo o vôo é documentado. O modelo 142 é identificável pelo enorme probe de reabastecimento em vôo (o reabastecedor é um Antonov). A parte realmente interessante é quando dois F-16 Fighting Falcons noruegueses chegam para a “paquera” usual. Quem disse que o velhinho não é charmoso?

 

 

Um sistema de armas às terças::KNM Skjold::

Nosso símbolo sexual de hoje vem diretamente da terra do amor livre, a Escandinávia. A exemplo de outros símbolos sexuais que andam por aí, e chamam atenção pelo bronzeado perfeito, também vai à praia. Ou melhor: chega pertinho da praia, mas prefere ficar dentro d´água. No seu domínio, o mar. Não pega bronzeado, mas… Podem acreditar, quando ela chega, o tempo esquenta. Como esquenta!

Dêem uma chegadinha e conheçam a dama do futuro, hoje::

:: :: :: :: :: :: :: :: :: :: :: :: ::

Por volta dos meados dos anos 1990, um grupo de trabalho da Departamento da Marinha dos EUA começo a fazer estudos visando determinar quais seriam as características da marinha do futuro. Esses estudos objetivam determinar as características de alguns tipos de navios: um vaso de grande porte (CG-X), com as características de um cruzador, um vaso de porte médio (DD-X), com as características de um contratorpedeiro ou fragata, e um vaso de pequeno porte, com as características de um MPB (Missile Patrol Boat – Navio de Patrulha Porta-Mísseis). Este não seria próximo do conceito europeu de MPB, mas um navio de tamanho maior, capaz de certa autonomia, que foi denominado “navio de combate litorâneo” (LCS – Litoral Combat Ship). Esse tipo de navio seria usado de forma escalonada com os novos contratorpedeiros da classe Zumwalt – então já em projeto – e os navios que começavam a ser concebidos, para, por volta de 2010-2015, substituir os cruzadores porta-mísseis da classe Ticonderoga.

is-knm-skjold_01.jpg

Em 2000, quando o conceito já estava praticamente pronto, o grupo de trabalho foi informado da existência, na Noruega, de um Navio de Patrulha Rápido (NaPaRa, no jargão da Marinha Brasileira) recém posto em serviço, com características que estavam despertando a atenção das principais marinhas da Europa: eram capazes de alcançar mais de 50 nós de velocidade máxima, velocidade de cruzeiro de 45 nós e tinham capacidade oceânica. Examinados alguns relatórios técnicos através da OTAN, as características do modelo geraram surpresa na comissão, de modo que, em 2002, a Marinha dos EUA patrocinou uma visita do vaso de guerra à America do Norte, com a duração de um ano, para cuidadosa avaliação operacional. Ao fim do período, a surpresa era ainda maior: no dizer de analistas norte-americanos, o barco era “mais evolucionário que revolucionário”, pois não incorporava nem desenho nem tecnologias radicalmente novos, mas conjugava, de maneira brilhante, aspectos de desenho e tecnologia já existentes.

Tratava-se do primeiro exemplar da classe Skjold (em norueguês, “Escudo”).

Lançado ao mar em 1999, como primeiro exemplar de uma encomenda inicialmente planejada para cinco unidades, o KNM Skjold visava atender demandas imediatas e de médio prazo da Marinha Real da Noruega (Kongeliege Noerske Marine, em norueguês). Essa classe de navios, de projeto totalmente nacional, incorpora tecnologia multi-nacional, e não pode ser chamada de “experimental”, visto que todas as suas características já se encontram plenamente testadas e operacionais, e seus projetistas o apresentaram como sendo capaz de entrar em serviço ativo imediatamente após o lançamento.

A Noruega é um país bastante particular, mesmo no panorama da Escandinávia. Tem uma população de aproximadamente 4,5 milhões de habitantes, distribuídos por um território de 386.000 quilômetros quadrados, montanhoso e pouco fértil, com um clima que é tão rigorosos quanto o do Canadá e da Rússia. Embora não possa ser considerado rico, pelos padrões europeus, adota um sistema de cooperativismo que, redistribuindo riquezas pela via da cobrança de impostos e reaplicação dos recursos segundo demanda direta, privilegia necessidades públicas e individuais. O resultado é o mais alto índice de desenvolvimento humano do mundo e um alto padrão de vida para toda a população. Monarquia constitucional desde o século XIX, a Noruega se caracteriza pela estabilidade política, pouca disposição por envolver-se em disputas internacionais e, por outro lado, uma posição estratégica que torna o país ator de peso em todas as disputas internacionais européias desde o século XVII. O motivo é sua longa costa, voltada para o Mar do Norte e por ser área de acesso tanto ao Mar Báltico quanto aos acessos árticos da Rússia. Nos últimos vinte anos, ainda tornou-se produtor e exportador de petróleo, em parceria com o Reino Unido, devido à descoberta de grandes jazidas nos bancos submersos da plataforma que divide como “território comum” com as Ilhas Britânicas. Membro da OTAN desde o estabelecimento dessa aliança militar, a Noruega tem a característica de não permitir, por lei, o aquartelamento de tropas estrangeiras em seu território.

As forças armadas norueguesas sempre tiveram suas capacidades limitadas pela pequena população (cujo índice de crescimento é estável desde os anos 1920). Em tempos de paz, o efetivo total situa-se em torno de 39.000 homens e mulheres (20.000 no exército, 9.000 na marinha e 10.000 na força aérea). Em caso de emergência, são capazes de mobilizar algo em torno de 200.000 reservistas em 48 horas, dos quais 140.000 para o exército. Esses reservistas não podem ficar mobilizados por mais de três semanas, visto que constituem a maior parte da força de trabalho nacional.

Esta questão coloca um limite decisivo na conformação das forças armadas: em tempo de paz, suas tarefas devem ser cumpridas com meios bastante escassos. Outro limite é a possibilidade de projeção – quer dizer, onde elas podem intervir efetivamente. No caso da Marinha, o litoral norueguês, bastante longo (em linha reta, algo em torno de 1700 quilômetros) e extremamente recortado (aproximadamente 400 fiordes podem receber navios de grande porte) é o principal teatro de operações. A defesa dos acessos a esse litoral, sua principal tarefa. A interdição, ou seja, impedir que um inimigo se aproxime dos pontos principais (algumas cidades com capacidade portuária e o acesso marítimo à capital, Oslo, feito pelo estreito de Skagerraek), ou trafegue pelas águas territoriais, é atribuída, primariamente, a submarinos e fragatas. A Real Marinha Norueguesa possui, como elementos de linha de frente seis submarinos e 5 fragatas, que, em caso de guerra, deverão tentar impedir que uma força inimiga se aproxime do litoral. A segunda linha de defesa é composta por esquadrões de MPBs, que deverão negar ao atacante o acesso à costa.

is-knm-skjold_02.jpg 

A classe Skjold foi desenhada com essa função. Adotando uma configuração de catamarã (casco duplo), esse tipo de MPB é construído em materiais leves e absorventes de energia. O desenho do casco visa incorporar o princípio de “efeito de superfície”, ou seja, uma área mínima das obras vivas (no jargão naval, a parte de um navio que fica em contato com a água) se mantêm em contato com a superfície do meio aquático, visando diminuir ao mínimo possível o arrasto. Essa diminuição é conseguida dando-se à quilha uma forma que, conforme aumenta a velocidade, faz o conjunto “subir” num colchão de fluído turbilhonado (misturado com ar). Essa característica possibilita que os vasos da classe Skjold alcancem uma velocidade de até 55 nós (100 km/h), podendo operar em águas com calado de pouco mais de 1 metro.

Com deslocamento de pouco mais de 600 toneladas, o Skjold é capaz de, quando em velocidade, manter até 70 por cento de seu peso fora da água. Mesmo assim, o “efeito de superfície” faz com que parte considerável das obras vivas mantenha-se sempre em contato com o meio aquático. Essa diminuição do coeficiente de contato, ao mesmo tempo que reduz o arrasto, não compromete a dirigibilidade do conjunto. O resultado é que os vasos da classe Skjold, apesar de seu calado reduzido, possuem boas “características marinheiras”, ou seja, se comportam bem em mar aberto, sendo, portanto, capazes de travessias oceânicas.

A propulsão principal é por jato d’água, o que permite o navio operar que em áreas de calado muito raso, mostrando manobrabilidade inimaginável num navio de propulsão à hélice. Os jatos d’água são acionados por turbinas de gás quando em velocidade, e por motores a diesel de baixa rotação, o que reduz a assinatura infravermelha do conjunto. Este sistema de propulsão, denominado CODAG (Combined Diesel And Gas Turbine), reúne dois motores de turbina à gás Rolls Royce Allison 571KF, gerando, cada um, 6.000 kW (8.160 hp), acionando dois jatos d’água Kamewa. Os motores diesel são os alemães MTU 6R 183 TE52, gerando cada um 275 kW. Em testes em águas rasas e superfície de baixa ondulação, a velocidade máxima alcançada chegou a 100 quilômetros por hora. Segundo informações, o grupo moto-propulsor pode ser baseado em sistemas de outras fábricas, o que tornaria o navio um item de potencial interesse para exportação.

Os jatos d´água são projetados por saídas instaladas em aletas escaláveis (podem ter a altura regulada em relação ao casco), de movimento independente, o que permite ao Skjold curvas em ângulo muito fechado, mesmo quando em alta velocidade.

A função do Skjold é o combate litorâneo e de superfície. Conforme declarou seu comandante, capitão-de-corveta Rune Andersen, durante a visita ao EUA, “na atualidade, o poder naval não é mais usado para combater esquadras no mar, mas para projetar poder do mar sobre a costa. E em alguns conflitos, a linha costeira tem se mostrado um desafio.” A capacidade dos MPB Skjold de operar muito próximos da linha costeira pode vir a ser uma contribuição significativa da Noruega à aliança atlântica, de acordo como o comandante Andersen.

Em termos de armamento, a classe Skjold não difere dos MPBs convencionais – dois quais a Real Marinha Norueguesa possuí oito unidades. Seu armamento principal constitui-se de dois lançadores quádruplos de mísseis superfície-superfície e um canhão automático de 76 mm, instalado numa torre a vante; mísseis superfície-ar e dois sistemas de defesa de ponto baseados em canhões giratórios constituem o armamento de autodefesa.

Ou seja: a classe Skjold incorpora tecnologias plenamente testadas – portanto, altamente confiáveis – numa plataforma de alta velocidade, com características “furtivas” (stealth), e dotada de armamento letal. A própria tecnologia q torna esse navio singular, o desenho de duplo casco, não é nova, mas, combinada com certas características do desenho de casco único, oferece possibilidades que não poderiam ser alcançadas com o catamarã clássico.

Os teóricos e planejadores estão, no momento, tendendo a considerar que o desenho convencional de vaso de guerra, de casco único e múltiplas super-estruturas, feitos em metal ou material metálico, tenderão, ao longo do século 21, a dar lugar a navios feitos em material composto, de múltiplos cascos (catamarãs ou trimarãs). Os novos navios deverão ter a capacidade “furtiva” expandida, através da incorporação do armamento e das antenas ao casco. Essa incorporação possibilitaria não apenas a redução do perfil do navio, mas também o “adocicamento” dos ângulos e superfícies verticais, características básicas do desenho “furtivo”.

A classe Skjold, nesse sentido, é quase uma visão do futuro. De acordo com o comandante Andersen, “materiais compostos usados na construção do navio são a chave para o protótipo do projeto e para o próprio conceito dessa classe de navios de combate costeiro. De longe, são os materiais mais fortes e leves existentes.” E ele completa – “Se você viaja tão rápido quanto nós, e o faz com mau tempo, você irá submeter o navio a certa quantidade de stress. Você precisará de um navio que seja muito rápido, que se recupere efetivamente e ainda seja capaz de suportar ainda mais castigo. E os materiais compostos são materiais ´mortos´: eles não estalam, enferrujam ou envelhecem da mesma forma que os metais de todos os tipos.”

As vantagens dos materiais compostos são as mais diversas. Além do menor desgaste, os reparos são mais simples e mesmo um acidente mais grave, como um encalhe ou colisão não significam o afundamento do navio. Mesmo os reparos estruturais, quando necessários, são relativamente simples de fazer.

Armamentos e tecnologia de última geração, embarcados no Skjold, têm de ser suplementados por treinamento constante, baseado no desenvolvimento do conceito de combate litorâneo, coisa que, para a Real Marinha da Noruega, é absolutamente familiar.

O pacote de armamentos projetado para o Skjold é baseado nessa experiência. Os principais armamentos ofensivos do navio são os mísseis superfície-superfície Kongsberg NSM (Nye Sjoemaals Missiler, “Míssil norueguês de ataque”), que foram desenvolvidos para os Skjold e para as novíssimas fragatas classe Fritjof Nansen . Desenhados especialmente para a luta litorânea, esses mísseis, equipados com sensores ativos de alta resolução e passivos de infravermelho, são capazes de discriminar alvos numa área litorânea acidentada, como, por exemplo, um arquipélago. Tem um alcance de aproximadamente 150 quilômetros.

O canhão principal é o Oto Melara Super Rapid 76 mm. Trata-se de uma arma de uso múltiplo (contra alvos de superfície e aéreos), operada por controle remoto, com uma cadência de fogo de 120 salvas por minuto, e alcance superfície-superfície de 16 quilômetros. A defesa anti-aérea é provida por mísseis antiaéreos de longo alcance Mistral, guiados por infravermelho, fabricados pela francesa MBDA, com alcance de 4 quilômetros.  

O armamento é coordenado pelo sistema de controle de fogo SaabTech Ceros 200, que controla os mísseis e o canhão. A Thales Naval, da França, fornecerá o radar MRR3D-NG G-band e os sistemas  IFF (bandas de identificação de indivíduos hostis). O sistema MRR3D-NG é capaz de detectar alvos nivelados de baixo e médio perfil (por exemplo, um míssil anti-navio voando em altitude 0-3, ou seja, até 3 metros sobre a água) num raio de até 140 quilômetros, e em busca de longo alcance (um navio de pequeno porte com capacidade “furtiva” ou uma aeronave), de até 180 quilômetros; na modalidade “autodefesa”, pode detectar e seguir alvos em alta velocidade num raio de 60 quilômetros. Embora o sistema de armas não esteja instalado, notícias indicam que o MRR-3D-NG irá coordenar um sistema de defesa ativa baseado em canhões de fogo ultra-rápido da Rheinmetall (quem quiser informações sobre esse sistema, pode recuar algumas postagens e ler sobre o canhão Oerlikon 35 mm). Essa arma destina-se a deter mísseis anti-navio.

 

Os Skjold serão equipados com sistemas de suporte eletrônico, contra-medidas eletrônicas e alerta anti-radar. Os sensores serão todos acoplados ao casco, de modo a não projetar superfícies angulares. Os principais estarão baseados em antenas circulares fixas.

 

Parece, enfim, ser o navio do futuro, navegando hoje. Certos problemas foram observados, como um alto consumo de combustível quando em modo de propulsão a gás, bem como instabilidade em situações de mar grosso. O pequeno número de tripulantes (4 oficiais e dez graduados e marinheiros) divide alojamentos exíguos, em função da arquitetura “tudo no casco”, e, para além, o grande número de sistemas, embora controlados por computadores, precisam de atenção constante, o que sobrecarrega a tripulação. Outra questão é que o conceito norte-americano de “navio de combate costeiro” exigiria uma unidade maior, com qualidades marinheiras mais desenvolvidas que o Skjold demonstra.A doutrina norueguesa, entretanto, não prevê projeção de poder naval à grande distância da costa nacional. Isso explica as características do projeto.

Mas se trata de um projeto novíssimo, com características não observáveis em nenhum outro vaso de guerra em serviço. Por certo as unidades da classe, que deverão estar todas em serviço até o final de 2008, oferecerão uma soberba plataforma de testes e desenvolvimento de doutrina. É esperar para ver::

Veja em seguida um video repidinho, com um teste de armamento do Skjold.

 

Deslocamento

Máximo: 602 tons; Carga útil: 270 tons

Dimensões

Comprimento total: 47,5 m; Boca: 13,5m; Altura máxima: 15,0 m; Borda livre média: 2,3 m; Calado: 0,9 m

Desempenho

Velocidade máxima: 100 km/h (55 nós); Velocidade econômica: 14.8 km/h (8 nós); Alcance máximo: 1600 milhas náuticas (3000 km)